sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Doença do capitalismo não tem cura

Enquanto se alardeia que a crise está no final o ex-presidente do Fed (Federal Reserve) Alan Greenspan (1), em entrevista à BBC, afirmou que o mundo muito em breve sofrerá uma outra muito séria.
"A crise acontecerá novamente, mas será diferente", disse ele ao programa Love of Money, da emissora BBC Two. Segundo Greenspan, a nova crise viria como uma reação a um longo período de prosperidade.
As declarações do ex-presidente do Fed coincidem com o aniversário da quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers, que desencadeou a atual crise financeira global.
Greenspan afirmou ainda que a crise atual foi desencadeada pelas negociações das hipotecas subprime nos EUA, quando empréstimos foram liberados a pessoas com histórico de crédito não muito bons, mas ele afirmou que qualquer outro fator poderia ser o causador do problema.
Greespan alertou também que as instituições financeiras deveriam ter observado que uma crise estava a caminho. "Os banqueiros sabiam que estavam envolvidos em um risco de subavaliação e que em algum ponto uma correção seria necessária", disse.

(1) Alan Greenspan foi o presidente do Fed por 18 anos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Foi feriado de quê mesmo?

Segunda feira foi o dia da independência. Foi? E daí? Dizendo assim, de forma tão clara parece anti-nacionalista e desdenhoso. Mas o pior é que é a pura verdade. Só que ninguém o diz... Apenas pratica. Será que alguém que esteja a passar o feriado na praia ou na montanha vai se lembrar de brindar a D. Pedro a sua atitude que gerou o nosso desligamento da coroa portuguesa?
Não quero entrar no mérito de como foi o fato em si, quero dizer, os momentos que sucederam ao que recebeu a carta, a leu e limpou-se com ela – segundo as más línguas. Quero apenas lembrar que a independência do Brasil é uma presopopéia montada passo a passo e definitivamente romantizada pelo quadro de Pedro Américo; que substituiu um jumento qualquer por um refinado cavalo de raça.
Nossa independência não tem muito a ver com o povo. Houve poucos focos de resistência portuguesa, a maior delas na Bahia que comemora a sua independência no dia 2 de julho com muito mais emoção e participação popular. Porque naquele dia, em 1823 os baianos viram os seus ex-colonizadores e suas tropas, baterem em retirada. Da mesma forma, na América inteira houve luta, contra espanhóis, ingleses ou franceses...
No Brasil aconteceu praticamente uma sucessão ao trono. Do tipo “o rei foi embora! Viva o imperador!” Imperador este que denominou-se Pedro I e depois de alguns anos voltou à sua terra natal (Portugal), onde coroado Pedro IV foi garantir o poder à sua filha Maria (1) o poder ameaçado pelo seu primo Miguel.
Esta a razão da falta de uma memória de nossa independência, somente festejada burocraticamente com alguns desfiles pelas autoridades. A nós, o povo, resta assisti-los. Quando o fazemos, claro... Até porque este ano apenas a TV Brasil transmitiu o evento.

(1) Esta a única rainha portuguesa nascida no Brasil.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Filmes polêmicos em Veneza

No domingo toquei no assunto Hugo Chávez x EUA. O documentário "South of the Border", de Oliver Stone (1), dedicado ao presidente venezuelano, foi aplaudido por vários minutos ao ser exibido (fora de concurso) no Festival de Cinema de Veneza.
Para questionar o pensamento anti-Chávez, difundido pelo governo estadunidense e pela imprensa daquele país, Stone foi à Venezuela, ao Equador, à Bolívia, Cuba, Brasil, Paraguai e Argentina, onde conversou com os respectivos presidentes. O filme mostra que este grupo de governantes tenta seguir os passos do venezuelano.
Também a exibição do documentário "Capitalism: A Love Story", de Michael Moore repercutiu o que se poderia esperar do diretor de "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 11 de Setembro".
O foco do filme é a crise econômica que abalou o capitalismo em 2008, provocando a quebra de instituições financeiras e a falência não só de empresas, como de pessoas físicas que perderam suas casas, nos EUA, impossiilitados de poder pagar as suas hipotecas.
O cineasta propõe que cada uma das pessoas que assistir ao filme também se rebele, seguindo os exemplos de trabalhadores que ocuparam indústrias desativadas ou alguns moradores que reocuparam suas casas, desobedecendo às ordens de despejo. Moore diz claramente que os EUA hoje "não são" o país que Franklin Roosevelt propunha.

(1) Oliver Stone, ganhador de dois Oscar’s como melhor diretor, realizou, entre outros, “Platoon” (1986),” Nascido em 4 de julho” (1989),” JFK” (1991) e” Alexandre” (2004).

domingo, 6 de setembro de 2009

Pensatas de domingo

Estava eu na semana passada a andar pela Domingos Ferreira, quase esquina de Barão de Ipanema, em Copacabana, quando dou de cara com o Braseiro, um galeto antigo. Fui lá pelos idos dos 1960, numa noite, quando zanzava pela cidade com meu primo Alberto, de Salvador. Ali, saboreamos um galetinho bem passado regado a bem tirados chopes.
Deu-me nostalgia, mas era um pouco cedo para almoçar (cerca das 10h30m) e o estabelecimento nem abrira as portas ao público. Mesmo assim, olhei o seu cardápio exposto na entrada e anotei seu telefone. Passei um e-mail pro meu primo e vou voltar lá uma hora dessas.
E, por acaso, aquele pedaço de Copa tem umas coisas antigas e de qualidade. Um boteco, mas boteco mesmo (decentíssimo) de galegos, a pizzaria Caravelle, um restaurante árabe de boa qualidade e o primeiro Bob’s da cidade. O Bob’s daquele tempo em que só empregava portugueses que gritavam o seu pedido: “Salta aiê um quechooorrooo queeente!”. Tempinho bão!

Zelaya continua deposto, à margem do poder legalmente conquistado. Se os ianques, como apregoam, são tão a favor dele, por que os “marines” – como de costume – não vão defender a “democracia” e garantir a sua volta à presidência?
São as duas caras do goveno Obama, que está a transformar o Afeganistão em um novo Vietnã. Ou ainda mais grave no que foi o Afeganistão para os macedônios de Alexandre na antiguidade, para os britânicos no século XIX ou os soviéticos no XX.
Tudo porque o Estado terrorista estadunidense comandado pelo “negro de alma branca” quer exterminar seu inimigo público nº 1, o quase xará Osama. Obama é um “Bush em pele de Martin Luther King”.

O Rio de Janeiro foi eleito pela revista Forbes como a cidade mais feliz do mundo. Na pesquisa, desbancamos cidades como Sydney (Austrália) e Barcelona (Espanha). Novidade? Nenhuma. O povo carioca, com toda a contra-propaganda sobre violência é fruto da inveja de paulistas, cujo índice de infelicidade está exposto no seu trânsito neurótico e na expressão (angustiada) de sua população.
"Belas imagens de jovens dançando e montanhas dão o tom de beleza do Rio. Não podemos esquecer que a cidade é a terra do carnaval", descreve a revista, que estampa uma foto do jogador Adriano, no dia do seu retorno ao Flamengo.
Segue o resultado do ranking da Forbes sobre a felicidade em cidades do mundo: 1º - Rio de Janeiro (Brasil); 2º - Sydney (Austrália); 3º - Barcelona (Espanha); 4º - Amsterdã (Holanda); 5º - Melbourne (Austrália); 6º - Madri (Espanha). 7º - São Francisco (EUA); 8º - Roma (Itália).; 9º - Paris (França); 10º - Buenos Aires (Argentina).

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou na última sexta-feira que a jornada mundial de protestos contra ele foi um "fracasso" e que a CIA está por trás da mobilização (alguém duvida disso?).
Houve protestos em vários países, a destacar Colômbia, Honduras e Estados Unidos, contra a suposta ingerência do líder venezuelano, em resposta a uma convocação batizada de "Não Mais Chávez", lançada nas redes virtuais Facebook e Twitter, mas a maioria das manifestações, pelo que foi divulgado, reuniu pouca gente. Inclusive em Caracas onde houve duas. Uma contra e outra a favor.
Chávez, por ser o único presidente americano que protesta e desafia abertamente os Estados Unidos, tem sido alvo constante de uma campanha de ridicularização e desgaste por parte da mídia estadunidense, a mais poderosa do mundo. Além do mais, ele não fez nenhum curso na Jonhs Hopkins University. Em outras palavras, não tem o “rabo preso” com a CIA e o império.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tá tudo errado!

Notícia lida na Folha Online de ontem diz que “Carros novos de passeio e de passageiros terão de sair das fábricas emitindo 33% menos poluentes, em média, a partir de janeiro de 2013 (1), no caso dos veículos movidos a diesel (caso dos utilitários, como Picape S10 e Ford Ranger), ou de janeiro de 2014, no caso dos que são movidos a gasolina e álcool...”

Quando digo que tudo está sendo tratado de forma completamente equivocada, não é à toa. O cigarro está sendo o “bode expiatório” para desviar a atenção do grande agente poluidor e causador de câncer de pulmão e outras doenças que nos assolam. No entanto é o motor a explosão (2) é que teria que ser proibido de circular.
Falando assim parece uma “porralouquice”. Mas a verdade é que, apesar de ser praticamente impossível – pelo fato de toda a sociedade humana ter-se estabelecido em função deste tipo de tração – seria o ideal. Pelo menos, e de imediato, para o transporte individual. A verdade é que toda a frota teria que ser substituída pela tração elétrica o mais rápido possível.
A notícia transcrita nesta postagem mostra apenas a ponta do iceberg. Uma lei branda e prazos de uma elasticidade colossal; como todas as medidas que estão a ser tomadas em outros países. Isto porque, tal e qual o Dr. Frankenstein, criamos o monstro e não sabemos como eliminá-lo. Ou até pior, teem muitos que não querem eliminá-lo.
Enquanto isso, a calota do polo norte se desintegra, a camada de ozônio encolhe assustadoramente e outros tantos fenômenos se sucedem, mostrando que as condições de vida estão diminuindo a cada dia para a humanidade neste planeta, como consequência da "Síndrome de Henry Ford" (3).
Ou será tudo culpa do cigarro?

(1) Medidas do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores).
(2) O motor a explosão é o maior emissor de gases poluentes mortais.
(3) A “Síndrome de Henry Ford” é um comportamento estimulado pelo capitalismo, visando o individualismo e estimulando o consumo exagerado de transportes particulares em detrimento do coletivo, que surgiu a partir de Henry Ford, um criminoso de massas. Suas idéias de produção de veículos em série matou milhões de indivíduos, sendo a única pessoa ou entidade que superou a “santa madre igreja romana” em número de vítimas ao longo da história. E mesmo após a sua morte, aos 83 anos, em 1947.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O pré-golpe de 1961

Há exatos 48 anos foi aprovada a ementa constitucional que instituiu um regime parlamentar no Brasil. Uma prévia do golpe de Estado que aconteceria três anos após em 1º de abril de 1964. A questão central estava no fato de que, após a renúncia da Jânio Quadros, setores conservadores queriam impedir a posse de seu vice (1) João Goulart.
A ementa constitucional aprovada provocou algumas mudanças na Magna Carta do país. Dentre elas, destacavam-se que o Poder Executivo passava a ser exercido pelo Presidente da República em conjunto com o Conselho de Ministros. O Presidente seria eleito pelo Congresso Nacional por maioria absoluta de votos e exerceria o cargo por cinco anos. Todos os atos do Presidente deveriam ser referendados pelo Primeiro Ministro.
Tancredo Neves seria o primeiro primeiro-ministro do Brasil, assumindo o cargo em 7 de setembro de 1961. No ano seguinte (1962), após um plebiscito o regime presidencialista voltou a vigorar.

(1) A constituição brasileira previa então o voto descasado para presidente e vice-presidente. O vice eleito era de um partido de oposição (PTB) ao do presidente (UDN) o que provocou toda a celeuma.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tentando desvendar o mistério



“(...) o Lula deve explicar é porque comandou um grupo de sindicalistas na Marcha com Deus pela Liberdade, que ajudou a derrubar Jango. As marchas eram comandadas pelo padre Paton, que depois soube-se ser agente da CIA. Isso é pura verdade.
Lula também deve dizer que em 1972/73, com licença dos militares, esteve fazendo um Curso de Sindicalismo na Johns Hopkins University, Baltimore – Estados Unidos. Querem saber mais, leiam o livro Jogo Duro de Mario Garnero, Editora Best Seller. Pode ser encontrado em Sebos.
Deputado, eles pensam que todo mundo morreu e ninguém sabe de nada. (Mario Garnero está aí vivo para ser consultado)...
... Só para lembrar: Quem apresentou Lula ao Clube Militar foram o general Leonidas Pires Gonçalves e José Sarney. A mídia publicou, não é segredo. Não devemos torcer contra o governo Lula pois somos patriotas. Mas, devemos saber quem é Lula e seus compromissos passados.”
Carta de Antônio Santos Aquino ao deputado Brizola Neto publicado no blogue “Tijolaço” (1) em 27 de junho de 2009.
Pedro Porfírio diz em sua matéria Lula um aluno bem aplicado do sistema (2) que este “despontou como a grande alternativa para dar envergadura ao ‘novo sindicalismo’, a estrutura ‘pensada’ pelos sindicalistas norte-americanos (ligados à CIA), com leves tinturas de ‘esquerda’. O ‘novo sindicalismo’ tinha como principal papel sepultar tudo o que aconteceu na vida sindical brasileira até os anos setenta. Por um lado, catalogando como ‘peleguismo varguista’ toda a organização sindical anterior ao golpe de 1964. Por outro, relegando ao esquecimento, por ‘aventureiros’ os movimentos que entraram em confronto com a ditadura na segunda metade da década de sessenta.
Centrado originalmente no santuário da ‘aristocracia operária’, o ABC paulista, o novo sindicalismo combinava um discurso de questionamento classista com a abjuração e estigmatização do passado sindical.”
O misterioso curso que o Sr. da Silva foi fazer na Jonhs Hopkins University é sempre encoberto de mistérios. No entanto, a cada dia que passa mais políticos de baixa categoria moral, como Sarney (de acordo com o relato acima, de Antônio Santos Aquino), estão envolvidos na questão. Sem dúvida o livro Jogo Duro de Garnero é importante na análise de todo este processo.
Segundo Garnero: “(...) Além dos fatos que passarei a narrar, sinto-me no direito de externar minha estranheza quanto à facilidade com que se procedeu a ascensão irresistível de Lula, nos anos 70, época em que outros adversários do governo, às vezes muito mais inofensivos, foram tratados com impiedade. Lula, não – foi em frente, progrediu. Longe de mim querer acusá-lo de ser o cabo Anselmo do ABC, mesmo porque, ao contrário do que ocorre com o próprio Lula, eu só acuso com as devidas provas. Só me reservo o direito de achar estranho...”
Em outro trecho, Garnero continua: “... Eu me vi obrigado, no final do ano passado, a enviar um bilhetinho pessoal a um velho conhecido, dos tempos das jornadas sindicais do ABC...
... Sentei e escrevi: Lula... achei que tinha suficiente intimidade para chamá-lo assim, embora, no envelope, dirigido ao Congresso Nacional, em Brasília, eu tenha endereçado, solenemente: A Sua Excelência, Luiz Ignácio Lula da Silva, Espero que o portador o tenha reconhecido por trás daquelas barbas.
No bilhete, tentei recordar ao constituinte mais votado de São Paulo duas ou três coisas do passado, que dizem respeito ao mais ativo líder metalúrgico de São Bernardo: ele próprio, o Lula. Não sei como o nobre parlamentar, investido de novas preocupações, anda de memória. Não custa, portanto, lembrar-lhe. É uma preocupação justificável, pois o grande líder da esquerda brasileira costuma se esquecer, por exemplo, de que esteve recebendo lições de sindicalismo da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, ali por 1972, 1973, como vim a saber lá, um dia. Na universidade americana, até hoje, todos se lembram de um certo Lula com enorme carinho”.
A leitura deste livro, torna-se mais do que necessária...

(1) O endereço do blogue é http://tijolaco.com/
(2) A matéria completa está em