sexta-feira, 16 de abril de 2010

Será que deus evoluiu?

Ao investigar as convicções sobre o desenvolvimento da espécie humana, pesquisa Datafolha mostrou que a maioria crê em deus e em Darwin simultaneamente. Para 59%, o homem resulta de milhões de anos de evolução, mas guiada por um ente superior, informa reportagem publicada na sexta-feira passada pela Folha de S. Paulo.
Um em cada quatro brasileiros, acredita que o ser humano foi criado por deus. Para 8%, a evolução se dá sem interferência divina. Os índices variam segundo a classe social e o nível de educação. Quanto maiores a renda e a instrução, maior é a parcela de darwinistas e menor a de criacionistas – que dão mais peso à ação divina.
Os resultados são semelhantes aos europeus e contrastam com os dos Estados Unidos. Segundo pesquisa (Gallup 2008), entre os estadunidenses os criacionistas somam 44%. Os evolucionistas com deus, 36%, e os darwinistas "puros", 14%.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A gaveta

Mais uma incursão minha em tentativas literárias. Este conto foi escrito em 1998.

Selma chegou com uma sacola na mão. Abriu a gaveta.
- Ih, não vai caber. Observou Sérgio olhando para ela.
Selma, como que ignorando o comentário dobrou a sacola de plástico e com maestria a ajeitou na gaveta. Fechou. Olhou para o lado na direção de Sérgio com ar de vitória e retrucou orgulhosa:
- Eu sei os limites da minha gaveta!
Risos.

Antônio chegou ao lado de Sérgio. Seu jeito era malicioso, um tanto jocoso.
- Você reparou naquela lourinha nova da contabilidade?
- Claro... respondeu Sérgio com mais malícia ainda.
- Sabe o nome dela?
- Não. Ainda não sei.
- Sislene. Vê se pode. Tão gostosa, com um nome tão escroto.
- Puta merda, ela não merecia. Mas, bem que ela, no fundo no fundo... tem um jeitinho tão suburbaninho! - Pausa - Mas que é gostosinha, ah, isso é.
Houve um breve silêncio.
- Sabe o que que eu acho? Acho que a gente tem que chamar as mulheres com o nome que a gente acha que elas devem ter. Por exemplo. Essa tal de Sislene, foi esse o nome que você falou, não foi? Acho que ela tinha que se chamar... Débora. Sim, Débora é um nome que combina com ela. Tem cara de Débora.
- Bem melhor. Ah! Débora, que bundinha linda. Que peitinhos, hummm!
- Tem alguém comendo?
- Já?... Sei lá!
- Bom, sabe como é aqui, né!? É uma comilança danada. - Sérgio aproximou-se mais de Antônio e sussurou - Sabe a secretária do Albano, aquela gostosíssima?
Antônio balançou a cabeça.
- Pois bem, sabe quem está comendo?
- Quem?
- O Alfredo.
- É mesmo. Puta que pariu! E eu que não tirava o olho dela. Achava até que ela dava bola pra mim. Ah, que filha da puta!

Sérgio estava impaciente, inquieto. O ambiente era saturado, abafado, enfumaçado. Sérgio sempre sofrera um pouco de claustrofobia. Virou-se bruscamente para Júlia:
- Aquele cara está olhando para você.
Júlia franziu a testa.
- Que é isso, Sérgio... você bebeu um pouquinho demais, vai!
- Não, Júlia, não. Eu tenho certeza que aquele crápula, aquele imbecil, aquele sei lá o quê olhou pra você, e eu vou...
- Você não vai a lugar algum, Sérgio. Olha o tamanho dele...
- Quer dizer que você já notou até o tamanho dele, né?
- Sérgio, querido, que babaquice! Sérgio, vou propor uma coisa.
- Fala...
- Vamos pedir a conta... Vamos embora.
- Vamos... Mas antes eu vou tomar satisfações com aquele cara.
- Sérgio! Tô falando sério! Deixa isso pra lá!
- Não.
Sérgio levantou-se bruscamente, meio que cambaleante. Júlia tentou segurar. Levou um safanão. Ficou estatelada na cadeira.

- Alô!... Selma, como vai. Bom, eu estou... é... ah foi terrível. Também eram três. Não deu pra começar sequer. Hum... Júlia terminou comigo, ficou puta da vida. Quê que eu posso fazer, né? Como? É, só vou trabalhar amanhã. Por enquanto estou meio quebrado. Obrigado... tá... obrigado mesmo por ter ligado.. Ok. Ah, Selma... Sabe de uma coisa... sabe mesmo? Eu não sei os limites da minha gaveta, sabe, não sei.
Risos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Lançamento HOJE em Salvador, Bahia


13 de abril de 2010 às 20 horas
na SaladearteCinema do Museu, na Av. Sete de Setembro (Museu Geológico da Bahia).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O cinema passado a limpo

Para alem de ser meu primo, considero o Professor André Setaro (1) um dos maiores conhecedores de cinema no Brasil. Ia escrever um texto sobre e para o lançamento de seus três livros em noite de autógrafos, dia 13/04/2010 (quarta feira) em Salvador, Bahia (2). No entanto ao ler o seu blogue (3) ontem, travei conhecimento com este brilhante resumo de sua trajetória escrito pela jornalista Aleksandra Pinheiro e o transcrevo abaixo:

Um homem chamado cinema

André Setaro estreou na crítica cinematográfica há cerca de 40 anos, quando escreveu seu primeiro ensaio na imprensa, no antigo Jornal da Bahia, defendendo a importância de Jerry Lewis. Em vez de submeter-se aos padrões ideológicos da época, preferiu privilegiar a estética cinematográfica, tal e qual aquele personagem quixotesco de Nós que nos amávamos tanto, de Ettore Scola. É o próprio Setaro quem explica as reações na ocasião: “Se até hoje muitas pessoas não compreendem o valor de Jerry Lewis, acham que é um diretor de sessão da tarde, imagine naquele período ideologizado? Fui logo chamado de alienado”, relata, com o riso irônico de quem sempre amou muito mais o cinema do que as revoluções.

Seu amor pelo cinema, reiterado na militância da imprensa diária, especialmente no Jornal Tribuna da Bahia, ganha agora o sabor da permanência. A editora Azouge, em parceria com a Edufba, lança no próximo dia 13 de abril, Escritos sobre o cinema, trilogia de um tempo crítico.

A obra 'setariana' está dividida em 3 volumes: No Vol I encontramos os escritos sobre filmes, atores e diretores que marcaram a história do cinema e também depoimentos e artigos com inclinações autobiográficas. Além das impressões do crítico sobre Orson Welles, Kurosawa, Fellini, Godard, Bergman, entre outros ícones, fica-se também conhecendo a trajetória e paixão de Setaro pelo seu objeto de desejo e estudo.

O Vol II é dedicado integralmente ao cinema baiano que este ano completa 100 anos. Nas resenhas críticas, o autor fala sobre as obras e cineastas pioneiros na Bahia (a exemplo de Roberto Pires e Glauber Rocha) e também reflete sobre os homens e as circunstâncias que permitiram o surgimento e a efervescência do cinema na província. Setaro rende homenagens ao mestre Walter da Silveira e ao lendário Clube de Cinema da Bahia, assim como reconhece o valor de empreendedores, a exemplo de Guido Araújo e sua longeva Jornada de Cinema. Fala sobre o boom superoitista e recorda com ternura dos cinemas de rua de Salvador, como o Guarany, Excelsior, Liceu, Tamoio, Bahia, Pax, Aliança, Jandaia.

No Vol III Setaro trata especificamente da linguagem cinematográfica: Embrenha-se pelos caminhos teóricos, destaca as escolas, os autores, mas nunca perde de vista aquilo que o crítico Inácio Araújo, autor do prefácio da sua trilogia, definiu como “uma prazerosa proposta civilizatória”.

Este farto material estava praticamente destinado ao esquecimento, já que André Setaro, apesar do incentivo que sempre recebeu dos colegas e alunos, recusava a ideia de transformar tudo em livro: “Amigos sempre me falaram para escrever um livro, mas eu nunca quis”, relata, destacando que foi convencido da viabilidade do projeto pelo jornalista e escritor Carlos Ribeiro, que há mais de 15 anos insistia na publicação destes textos. Foi assim que, a partir de 2005, Carlos Ribeiro juntou-se a Carlos Pereira, André França, Marcos Pierry e alguns outros ex-alunos de Setaro e decidiram, de forma voluntária, realizar o trabalho de pesquisa e seleção da obra: ‘O enorme esforço dos professores que realizaram o trabalho foi, em si, um reconhecimento à contribuição de André Setaro ao cinema da Bahia e do Brasil. É um material valiosíssimo, que necessitava ser preservado.’, destaca Carlos Ribeiro, organizador dos três volumes.“

(1) Graduado em Direito pela UFBa (1974), fez mestrado em História e Teoria da Arte pela Escola de Belas Artes, na mesma universidade(1998). Atualmente é professor adjunto do Departamento de Comunicação tambem na UFBa. Crítico cinematográfico do jornal Tribuna da Bahia, desde agosto de 1974 e colunista cinematográfico da revista eletrônica Terra Magazine http://terramagazine.terra.com.br/ onde publica ensaios e críticas todas as terças feiras.

(2) Em breve a coleção estará à venda em todo o país. Para quem morar ou estiver em Salvador, o evento será dia 13 de abril às 20 horas na “SaladearteCinema do Museu”, na Av. Sete de Setembro (Museu Geológico da Bahia).

(3) Link em “minha lista de blogues”ou
http://setarosblog.blogspot.com/

domingo, 11 de abril de 2010

Boccaccio 70, quase cinco décadas depois


Da esquerda para a direita: Marisa Solinas, Anita Eckberg (com Peppino De Filippo), Romy Schneider e Sophia Loren

Quando vi “Boccaccio 70” no cinema, havia sido cortado o episódio de Mario Monicelli.
Agora, revendo o filme em DVD, finalmente consegui assisti-lo. E não tinha conhecimento da razão de o terem cortado... Achava até que teria sido por motivos de censura (1), porem, o professor Setaro me esclareceu que foi devido ao tempo do filme que ficaria longo demais.
Inspirado no clássico “Decameron”, de Boccaccio, quatro grandes mestres do cinema Fellini, Visconti, De Sica e Monicelli, criaram uma comédia inesquecível em quatro episódios (2) abordando moralismo e puritanismo. A grande virtude deste filme foi a de reunir tão excelentes diretores ao mesmo tempo.
O mais rico em tudo isto é comparar num só filme as sutilezas e diferenças de estilo e pensamento de cada um dos quatro gênios.

No episódio de Monicelli “Renzo e Luciana”, com Marisa Solinas e Germano Gilioli, a divertida história de um casal da classe operária que tem de manter em segredo o seu casamento, para não perder o emprego. Um dia eles são descobertos pelo chefe e acabam despedidos. Está lá o dedo do realizador e sua crítica à sociedade. Bem ao seu estilo.

“As tentações do Dr. Antônio”, episódio do GRAAANDE Fellini e uma crítica mordaz à direita católica que o arrasou quando do lançamento de “La dolce vita”. Detalhe genial a sua perfeição em transformar Anita Ekberg (3) numa gigantesca criatura, somente usando ângulos como plogée e contre plongée e um cenário reduzido em escala.
Anita está belíssima, e Peppino De Filippo fora de série em sua performance no papel do “moralista” – imoral, como todos eles.

Visconti e a critica de um Materialista Histórico – mais conhecidos como marxista (4) – à decadência da aristocracia... Perfeito! O seu humor sutil e a beleza de Romy Schneider fazem de “O Trabalho” uma contemplação pitoresca do casamento. A vingança “explícita” de uma mulher às infidelidades do marido (Thomas Milian).

E, at last but not least, fechando com chave de ouro, “A rifa”, cujo prêmio é “apenas” uma noite com uma esplendorosa Sophia Loren, a exibir bondosamente o seu farto e generoso colo mediterrâneo. E tudo ao estilo inconfundível de De Sica.

É muito! É demais em qualidade... É arrepiante ver que um filme, 46 anos após ser realizado está ali, na sua frente com uma qualidade que põe no chinelo as “obras” (???) que se produzem por aí, às toneladas...
Quase cheguei às lágrimas pela emoção que isto me causou.

(1) Monicelli não era benquisto pelos generais de plantão por ter realizado “Os companheiros” (1963)

(2) Era muito comum na Itália nos anos 1960 realizar filmes com episódios de um ou mais diretores.

(3) La Eckberg foi uma das razões que provocaram grandes polêmicas em relação ao filme.

(4) Marx batizou suas idéias de Materialismo Histórico. E se opôs quando começaram a chamá-la de Marxismo.

sábado, 10 de abril de 2010

Massacre de civis no Iraque em 2007


Acima imagens da sangrenta sequência

Um vídeo divulgado na internet (05/04/2010), no qual militares invasores aparecem disparando indistintamente contra crianças e pessoas desarmadas, prova que o exército dos Estados Unidos se omitiu sobre os eventos de 12 de julho de 2007, quando mais de dez iraquianos morreram e duas crianças ficaram feridas em uma ofensiva.
O vídeo é acompanhado pelo áudio da conversa dos militares estadunidenses durante a operação. É possível ver um grupo andando pelas ruas de Bagdá (quadro 1). Em seguida se ouve os pilotos identificando-os como rebeldes e as pessoas são baleadas. Em terra, uma van aparece para resgatar os feridos e também é bombardeada (quadros 2 e 3).
No dia seguinte ao ataque, o exército ianque divulgou a sua versão para os acontecimentos, que, inclusive matou jornalistas da agência Reuters de notícias.
De acordo com os militares, os helicópteros se encaminharam para o local para dar apoio a uma equipe em terra que combatia tropas insurgentes munidas de armas de fogo. De cima, os pilotos teriam visto pessoas armadas no chão e levado o massacre adiante. Na realidade eram jornalistas e fotógrafos da agência com máquinas que foram confundidas com armas devido às objetivas muito longas (quadro 4).
Durante a gravação, é possível ouvir os militares zombando das pessoas alvejadas. “Ah, yeah, olha só esses malditos mortos. Bacana”, um atirador afirma.
Quando as tropas do solo chegaram ao local, encontraram duas crianças feridas dentro da van bombardeada, ouve-se: “Bem, é culpa deles se trazem suas crianças para a batalha”.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

As 50 maiores mentiras do mundo

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O texto abaixo foi publicado no blogue “Professor Texto” (link ao lado) do meu amigo Luiz Favilla com o título “1 de abril: acredite se quiser”.

01 - Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. 02 - Não nos procure, nós o procuraremos. 03 - Pode deixar que eu te ligo. 04 - Puxa, como você emagreceu. 05 - Fique tranqüilo, vai dar tudo certo. 06 - Quinta-feira, sem falta, o seu carro vai estar pronto. 07 - Pague a minha parte que depois eu acerto contigo. 08 - Eu só bebo socialmente. 09 - Isso é para o seu próprio bem. 10 - Eu estava passando por aqui e resolvi subir. 11 - Estou te vendendo a preço de custo. 12 - Não vou contar pra ninguém. 13 - Não é pelo dinheiro, é uma questão de princípios. 14 - Somos apenas bons amigos. 15 - Que lindo é o seu bebê. 16 - Pode contar comigo. 17 - Você está cada vez mais jovem. 18 - Eu nem reparei que você usava peruca. 19 - Nunca broxei antes. 20 - Você foi a melhor transa que eu já tive. 21 - Não contém aditivos químicos. 22 - Estou sem troco, leve um chiclete. 23 - Obrigado pelo presente, era exatamente o que eu estava precisando. 24 - Não se preocupe, essa roupa não vai encolher. 25 - Não se preocupe, essa roupa vai lacear. 26 - Essa roupa é a sua cara. 27 - Eu não pude evitar. 28 - Tudo o que é meu, é seu. 29 - O salário vai subir. 30 - Eu não sou candidato. 31 - Começo a dieta na segunda. 32 - O trabalho engrandece o homem. 33 - Isso nunca aconteceu comigo. 34 - Isto vai doer mais em mim do que em você. 35 - Dinheiro não traz felicidade. 36 - Você sempre foi a única. 37 - Pode ir que vou depois. 38 - Eu nem estava olhando. 39 - Que bom que você já arrumou outra, estou feliz. 40 - A amizade é o que importa. 41 - Juro que não estava sabendo. 42 - Não fui eu que contei. 43 - Está perfeito. 44 - Esse carro nunca foi batido, só fica na garagem. 45 - Não folga que sou faixa-preta. 46 - Eu liguei, mas ninguém atendeu. 47 - Beleza e dinheiro não importam: o que vale é estar feliz. 48 - Ela era virgem quando a conheci. 49 - Nunca te traí. 50 - Essas mentiras acima, nunca falei.

Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no Dia da Mentira ou Dia dos Bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.
No Brasil, o 1º de abril começou a ser difundido em Pernambuco, onde circulou "A Mentira", um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. "A Mentira" saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.
(fonte: wikipédia - pra quem acredita nela, é claro)