segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O povo tem medo é da polícia!


A matéria abaixo foi transcrita da Folha Online, é de autoria de Paula Bianchi, foi publicada ontem (domingo) às 18h13m, com o título de “Após ocupação da Rocinha, moradores dizem temer a polícia” e mostra (de forma muito clara) que existem de um lado a “marginalidade” e de outro os “marginais de uniforme”. Mas o pior de tudo é que os últimos são oficializados pelas autoridades (in)competentes...

"Cadê o enxame que é a Rocinha?", pergunta uma moradora em frente à rua vazia, cortada vez por outra por moto táxis e carros carregados com agentes do Bope. Acostumada a ver a estrada da gávea "mais cheia do que um formigueiro", ela estranha o silêncio.
A madrugada na comunidade, ocupada pela polícia no domingo, foi tranquila, povoada apenas pelo som constante dos blindados da Marinha e dos helicópteros que sobrevoaram a comunidade durante todo o dia.
Nem um tiro disparado, orgulha-se a polícia. No entanto, o que preocupa os moradores são as próximas noites. "Quando vocês [imprensa] forem embora é que o bicho vai pegar", diz X., que prefere não se identificar.
Ela diz que não vai abrir a casa para a polícia. "Eles têm mandado? Se tiverem eu abro. Até onde eu sei até a polícia precisa seguir a Constituição."
X. afirma ter medo de deixar a casa sozinha quando tiver que trabalhar durante a semana e relata abusos, como uma moradora que levou um tapa na cara por não responder o chamado de um policial na quinta feira (10).
Para ela as coisas "antes" estavam muito bem. "O Nem pagava o aluguel de quem precisava, dava cesta básica, ajudava as creches. Quero ver o governo fazer isso."
X. conta que toda quinta feira chegava um caminhão com caixas fechadas de legumes e frutas vindos direto do Ceasa. Eles eram devidamente empacotados e distribuídos pela associação de moradores, a mando de Nem, para aqueles que se apresentavam como moradores carentes.
Cássia Cristina Silva, 25, e quatro filhos filmaram a casa inteira com o celular por precaução. "Podem entrar, mas tem que deixar tudo no lugar."
Ela dormiu com os filhos no quarto e acordou com o som dos helicópteros. "Eu estava com muito medo, mas não aconteceu nada, graças a deus. Só as crianças, que estranharam dormir comigo e ficavam o tempo todo perguntando se a polícia ia entrar, se ia bater neles."
Y. também não está muito convencida dos benefícios da ocupação. "O tráfico vai voltar assim que a poeira baixar. O Nem era só um representante, quem manda ainda está aí", afirma. "Você acha que a polícia vai aguentar ganhar R$ 1.000 por mês? Mais um tempo e estão todos corrompidos."
"Ninguém vai falar nada, denunciar ninguém, por medo dos caras voltarem", afirma, referindo-se aos planfletos lançados de helicóptero pela polícia na manhã da ocupação com informações para os moradores denunciarem criminosos e esconderijos de armas e drogas
Já Z., 45, encara a nova fase com otimismo. "É a primeira vez em 45 anos que vejo essa rua assim, tranquila. Eu descia ela inteira de carrinho de rolimã, jogava bola aí. Tomava banho em uma cachoeira aqui do lado. Hoje meus filhos não tem isso".
Ele conta que prefere levar o filho de 12 anos para passear na Barra da Tijuca, bairro da zona oeste, por medo. "Quem sabe agora a gente consiga voltar a fazer o lanche em família por aqui. Antes não dava, eles ficavam sentados em cima no balcão dos bares com fuzil na mão".
No entanto, ele também teme a ocupação. A sua casa foi revistada ainda no começo da madrugada de domingo. Os policiais não quebraram nada, mas tentaram levar o seu contracheque, que estava em cima de uma mesa.
"Mostrei o recibo, disse que era o meu salário inteiro. Um outro policial que estava junto que convenceu ele a não levar."

domingo, 13 de novembro de 2011

Pensatas de domingo

O “Baixinho” bota a boca no trombone

Foi anunciado, foi divulgado, foi esperado, mas não estreou ontem –pelo menos aqui no Rio—o filme chileno sobre a tenebrosa prisão de Pinochet, “Dawson Ilha 10” de Miguel Littin. Estranho...

Cada vez mais direto em suas críticas sobre a preparação do Brasil para a Copa de 2014, o atualmente deputado federal Romário (PSB-RJ) se voltou nesta sexta feira contra Pelé, atualmente “coroa propaganda” do esperado evento, em encontro em São Paulo.
"Tinha prometido não falar mais do Pelé. Pelé fala tanta merda... Pelé não tem porra de consciência do que está acontecendo no país", disparou Romário para rebater acusação de que sua postura crítica se deveria ao rancor de ter sido cortado da Copa de 1998.
"Uma vez eu disse que ele calado era um poeta. Agora, isso também vale. Ele tem de calar a boca. E tem mais. Eu não levo nenhum da CBF. Talvez ele leve", completou o “Baixinho”.
Roubando as atenções, Romário ainda caiu de pau em Ricardo Teixeira, presidente (perpétuo) da CBF. Indagado sobre o futuro do cartola, afirmou: "Tem que perguntar à Polícia Federal".
O deputado também disse que a CBF sabotou os Jogos PanAmericanos de Guadalajara (México), em outubro passado, porque os direitos de transmissão pertenciam à Record, ao invez daquela que é a tradicional aliada da entidade, a Globo. Romário foi comentarista da Record no México, onde o a seleção masculina brasileira terminou eliminada ainda na primeira fase.

Li ontem no semanário português Expresso que o Partido da Rússia Unida reúne-se no próximo dia 27 de novembro em congresso para apresentar a candidatura de Vladimir Putin ao cargo de presidente da Rússia, declarou um dirigente daquela organização política.
Uma vez neste blogue comparei Putin a Ivan, batizado pela história como o “Terrível”, e até mesmo a Stalin, segundo definição do historiador Isaac Deustscher: o “Grão Czar de todas as Rússias”. Isso porque o totalitarismo está de tal forma entranhado na mentalidade política daquele país, que nem uma revolução libertária e socialista conseguiu sobreviver a este vício.
Stalin que o diga!

E por falar em Expresso, somente lendo este jornal luso, fiquei sabendo da realização dos XI Jogos Indígenas... Isso, aqui no Brasil mesmo! Aposto que, como eu ninguem havia ouvido falar neste evento que reuniu mais de 1300 indígenas de 38 etnias presentes ao evento que se realizou até sábado, 12 de novembro (ontem).

E Berlusconi (il mascalzone) sai de cena na Itália...

Combatentes de tribos na cidade portuária de Zawiyah afirmaram que pelo menos dois de seus colegas foram mortos por um grupo tribal que está controlando a região de Imaya, entre Zawiyah e a capital Tripoli. Pelo menos três pessoas foram mortas na sexta feira, após o aumento das tensões entre os grupos.
Um tiroteio continuava próximo ao local, afirmou à Reuters Nidal al-Akrout, um combatente leal ao governo líbio interino. Ele estava no local onde dois homens de sua brigada foram mortos.
Resumo da ópera: apenas um mês após o assassinato de Kadafi, as tribos se engalfinham em uma luta fratricida. Algo previsível, dadas as rivalidades entre elas. Podem escrever: vai-se implantar uma nova ditadura na Líbia muito mais breve do que se possa imaginar. Resta saber a tendência dela!

Nesta semana que terminou a Rede Globo deu mais um show de semvergonhice. Primeiro na quantidade de “informações” e desinformações sobre o “caso Nem”, chefe do tráfico na Rocinha. No início disse que o traficante havia sido preso na noite de terça feira; notícia dada no abominável Jornal Nacional. Eu vi e ouvi... Juro que sim. No dia seguinte divulgaram que ele foi detido na madrugada. Um desmentido da própria notícia divulgada na noite anterior! O porque não se sabe.
Em seguida o ostensivo apoio ao “governador” Cabralzinho na questão da marcha pelos royalties do petróleo. Cabralzinho, um cidadão “acima de qualquer suspeita” --quanto ao fato de ser muito, mas muito corrupto mesmo--, combina com a Globo em tudo.
Fico até a pensar se a lei presta ou não. Simplesmente porque tudo que a mafiosa emissora apóia é antes de mais nada suspeito...

Enquanto isso, em Washington, Barack Obama (the misleading) continua em cena...

Nota ao pé da página: “mascalzone” é “canalha” em italiano. E “misleading” em inglês significa “enganador”.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Notícias (quase) frescas da matriz



O Professor Jorge Moreira (Jorge Vital de Brito Moreira), colaborador deste blogue nos EUA, envia de lá esta postagem com fatos atualizados no cenário central do império.

Mesmo recebendo noticias deformadas pela censura da grande mídia corporativa global (CNN, Fox, ABC, NBC, New York Times, Washington Post, TV Globo), ainda podemos saber (relativamente) o que anda se passando nos EUA e no mundo, graças à ajuda dos meios de informação alternativa (Wikileaks e Julian Assange, blogs, twitters, websites independentes, etc.). Eles nos informam de um conjunto de acontecimentos (que são essenciais para elaborar uma contra narrativa que contradiga a narrativa da nossa história oficial) que devemos tomar consciência sempre que nos seja possível. Assim, dada a importância, e urgência de desmitificar a hegemonia da história oficial, repassaremos alguns acontecimentos das últimas semanas que também servirão para atender a mente faminta dos leitores que sentem-se agredidos por serem enganados e manipulados diariamente pela ”mídia corporativa global”:

Pelo vigésimo ano consecutivo, a Assembléia Geral da ONU aprovou por esmagadora maioria uma nova resolução condenando o embargo dos EUA contra Cuba A votação final foi de 186 países a favor e dois contra: Estados Unidos e Israel. Estes dois países foram os únicos a votar contra a resolução. Assim, mais uma vez, os EUA e seu cúmplice Israel demonstram para a população mundial que seus governos são fundamentalmente o que são: antidemocráticos e fascistas.
Na oportunidade o chanceler cubano, Bruno Rodríguez informou que as sanções econômicas impostas pelos EUA por quase meio século (o embargo foi iniciado em sete de fevereiro de 1962) tem causado perdas econômicas diretas de um trilhão de dólares ao povo cubano.
Mais uma vez, fica comprovado que os dois países (EUA e Israel) se caracterizam fundamentalmente pelo discurso e comportamento repletos de hipocrisia e prepotência; mais uma vez eles mostram porque hoje milhões de indivíduos pensam que os EUA representam o “império do mal”.

Ao mencionar Cuba e a América Latina não podemos deixar de mencionar as eleições de 24 de outubro de 2011 que Cristina Fernandez de Kirchner foi reeleita para presidente da Argentina. Um dos aspectos relevantes das eleições liga-se ao fato de Cristina Kirchner ter sido reeleita com uma vitória quase esmagadora sobre os demais candidatos.
As principais razões da sua notável reeleição devem-se ao fato dos governos dos Kirchner (marido e mulher) terem implementado:
A) uma importante melhoria da distribuição de renda (direta e indireta) entre os argentinos, que foi resultante de uma política de crescimento econômico constante e equitativo.
B) ao atendimento da demanda dos argentinos vítimas das ditaduras militares implantada pelos EUA na América Latina.
Assim, a vitória de Cristina na Argentina simboliza a vitoria do seu povo na sua luta para fazer justiça, penalizando aos responsáveis pela prisão, tortura, assassinato e desaparecimento de dezenas de milhares de cidadãos argentinos.

No dia 31 de outubro de 2011, os membros da UNESCO (a agência da ONU para o desenvolvimento da educação, da ciência e da organização cultural) posicionando-se contra a política dos EUA e Israel, votaram a favor da aceitação da Autoridade Palestina como membro da instituição. O pedido da Palestina foi aprovada por 107 países a favor e 14 países contra, enquanto 52 se abstiveram.
Como esperávamos, depois da votação, os EUA anunciaram a retirada do apoio financeiro à UNESCO. De acordo com a informação que possuímos, os EUA forneciam cerca de 20% dos 70 milhões dólares que compõem o orçamento da agência.
Como diz a piada, os EUA se comportaram como o pai da donzela que disse: - Minha filha você pode casar com quem quiser contanto que seja com o filho do meu amigo sionista.
Mais uma vez, os EUA, mostram o seu caráter antidemocrático e chantagista no tratamento dos interesses de países e povos do terceiro mundo oprimidos pelo Império. Logo em seguida Israel e Canadá também anunciaram a retirada do seu apoio financeiro à UNESCO.

Por falar em apoio financeiro, as notícias financeiras da última semana nos informaram que as ações na Europa despencaram depois que o primeiro ministro grego anunciou que iria sujeitar o pacote de resgate de 179 bilhões de dólares a um referendo popular.
As pesquisas de opinião indicaram que a maioria dos eleitores gregos não aceitariam mais medidas de austeridade contra seu povo e rejeitariam o pacote. Os analistas, por seu lado, preveem que, se ganha “o não” no referendo, a Grécia seria forçada a declarar a falência sobre a sua dívida e o país seria forçado a abandonar o euro.
Tudo isso originou uma crise política entre a Grécia e a União Européia que os analistas ainda não podiam antecipar suas consequências porém as noticias recentes destacam que o primeiro ministro grego, pressionado pelas grandes potencias ocidentais, desistiu do “demagógico” referendo popular; Papandreou também anunciou a sua renúncia ao cargo de primeiro ministro para atender as demanda dos governos e dos grandes bancos europeus.

Mais uma noticia de grande importância foi a divulgação do estudo sobre a distribuição da riqueza entre as classes sociais dos EUA. Através desse estudo, tomamos conhecimento que a renda do 1% mais ricos do deste país triplicou nas últimas três décadas enquanto o nível de pobreza aumentou incluindo agora 49 milhões de estadunidenses.

Mas enquanto cresce o desemprego, a pobreza, a fome e a miséria nos EUA, o presidente Barack Obama continua promovendo eventos para angariar milhões de dólares para respaldar sua reeleição a presidente do país. De acordo com as noticias recentes, ele já recebeu nesta campanha eleitoral mais dinheiro de Wall Street que todos os candidatos republicanos juntos.

Em resposta a alienação do presidente Obama diante da cruel situação econômico social da população estadunidense, milhares de pessoas realizaram em São Francisco uma manifestação contra o evento de angariação de fundos para Barak Obama. A manifestação foi realizada para protestar contra a desfaçatez do presidente.

Enquanto isso, o processo de corrupção institucional nos EUA continua em ascensão. As últimas noticias deste desenvolvimento da corrupção envolvem, mais uma vez, a Deloitte Touche Tohmatsu, a maior companhia de consultoria e contabilidade do mundo e o Sr. Rajat Gupta, ex diretor do banco Goldman Sachs, uma das instituições financeiras mais poderosos do mundo capitalista

Recentemente, o “Wall Street Journal” informou que a Deloitte está sendo acusada e processada por falhar na detectação das fraudes e perdas financeiras no valor de 7.6 bilhões de dólares na Taylor, Bean & Whitaker Mortgage Corp (TBW, uma das maiores empresas de hipotecas privadas do planeta).
Como se sabe a TBW foi à falência durante o colapso do setor imobiliário dos EUA e desde fins de setembro de 2011, a Deloitte está sendo acusada de ter sido uma das grandes responsáveis pela bancarota da empresa. Para mais informação vejam o web site do Wall Street Journal:
Mas não é a primeira vez que a Deloitte está sendo acusada de cometer crimes contra companhias que a contratam confiando na sua eficiência e respeitabilidade, porem terminam fraudadas pela Deloitte.
No Brasil, o último escândalo financeiro em que a Deloitte tem estado envolvida relaciona-se com as falhas da sua consultoria para detectar as fraudes e os rombos pelo valor de 2.5 bilhões de reais no Banco Pan Americano (do grupo Silvio Santos).
No nosso país, a Deloitte tem tido uma história de recorrentes fraudes contábeis contra companhias brasileiras como podemos observar a seguir: Em 2003, a Parmalat descobriu uma fraude de R$ 3.0 bilhões de reais; em 2008, a Aracruz descobriu uma fraude de 1.95 bilhões de reais, alem de fraudes em outras companhias como a da empresa Bausch & Lomb. Vejam algo do histórico das fraudes da Deloite no Brasil no link:
http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/41059_   POR+QUE+A+DELOITTE+ERRA+TANTO (1).

Dentro do processo de corrupção nos EUA, chegou a hora e a vez de destacar que Rajat Gupta, ex-diretor do banco Goldman Sachs e um dos executivos (CEO) de negócios mais destacados no pais, foi entregue ao FBI devido as acusações criminais pelo vazamento de informações secretas (insider trading) para encobrir o administrador de fundo Raj Rajaratnam.

E no entanto, para aqueles que assistiram o filme “Syriana”, a revelação anterior não significa muito (quase nada) pois o filme mostra as manobras do poder para promover a aparência de que o governo dos EUA vai punir os culpados pela corrupção na sociedade. Esta é a razão do porque de vez em quando um peixe grande é posto em evidencia e sacrificado pela mídia pois o objetivo fundamental é a de distrair a atenção do cidadão do processo de corrupção, colocando suficiente fumaça no ventilador para que as coisas continuem como sempre foram.

A propósito da incapacidade do governo e suas autoridades para promover a justiça nos EUA, o novo livro de Glenn Greenwald intitulado “With Liberty and Justice for Some: How the Law Is Used to Destroy Equality and Protect the Powerful" (Com liberdade e justiça para alguns: como a lei é usada para destruir a igualdade e proteger os poderosos) oferece uma crítica contundente ao que ele chama de duplo padrão de sistema de justiça que virtualmente garante a impunidade para a classe política e financeira nos Estados Unidos contra qualquer ação legal. Greenwald discute como a mídia, os dois principais partidos políticos e os tribunais foram cúmplices no processo que gerou a tortura, crimes de guerra, espionagem doméstica, fraudes financeiras e até assassinato de cidadãos dos EUA como se pode verificar quando Greenwald discute e denuncia o programa de assassinatos de Barack Obama que foi o responsável pela eliminação do engenheiro estadunidense Anwar al-Awlaki em 11 de setembro de 2011.

Para finalizar gostaria de observar que a articulação dos fatos, dos acontecimentos dentro do processo histórico atual (porém fora da narrativa oficial) demonstra “ad infinitun” que o império dos EUA não querem nem saber como construir uma vida melhor para os seres humanos na Terra. Assim o Estado e o sistema capitalistas preferem a produção de guerras em lugar da construção da paz; preferem promover um mundo em defesa dos ricos e em prejuízo dos mais pobres; preferem ampliar a guerra de classes, de raças, de gêneros e de nacionalidades, do que contribuir para solucionar as suas diferenças através da realização da justiça social para todos os seres humanos .
Os EUA, na defesa e na promoção do projeto para beneficiar exclusivamente os ricos do país, só pensam, só sabem e só querem destruir os povos e as nações do terceiro mundo que não estão dispostas a submeter-se ao seu projeto de dominação.
As guerras mais recentes do Império indicam concretamente que o projeto militarista do governo Barack Obama procura destruir a Líbia, destruir a Somália, destruir o Iêmen, destruir a Síria (sem esquecer de mencionar a destruição do Iraque, do Paquistão, do Afeganistão e da Palestina) para promover os interesses das corporações imperialistas.
Assim, estamos envolvidos na seguinte estratégia: para tratar de evitar (ou amortizar) a decadência sócioeconômico política dos EUA, o Pentágono procura expandir o processo de militarização sobre todas as regiões do planeta. (a criação do AFRICON para a África, é mais uma prova recente e contundente).
Para a legitimação e execução dessa estratégia, o Império estadunidense conta com os serviços da ONU e da OTAN (na nova função de ser o braço armado da ONU).
Assim, fica mais do que claro que o discurso das potências ocidentais ”de evitar a massacre do povo líbio” e a resolução da ONU para justificar a destruição da nação africana (permitindo o assassinato de Kadaffi) não passaram de uma grande farsa para, mais uma vez, enganar os indivíduos do ocidente e do oriente. Basta comparar os 1.000 líbios mortos pelas forças de Kadaffi com as 40.000 bombas que foram jogadas no país pela OTAN (que cálculos generosos estimam no assassinato de pelo menos 40.000 líbios) para que uma pessoa decente tome consciência do caráter extremamente manipulador dessa propaganda criminal.

Concluo este texto, citando duas excelentes sentenças do Prof. James Petras, o brilhante sociólogo estadunidense, que denunciam a degeneração moral das autoridades do governo dos EUA e da OTAN:
“É uma obscenidade a celebração e as risadas da Secretaria Hillary Clinton sobre o assassinato de Kadaffi. Neste sentido reflete a total degeneração da moral dos líderes da OTAN e, especialmente, dos EUA”. (2)

1) Geralmente, as auditorias dos bancos, empresas e corporações capitalistas tinham sido realizadas por companhias de auditoria e consultoria tributaria tais como Arthur Andersen, Deloitte Touche Tohmatsu, KPLM e outras que têm sido acusadas frequentemente de cometer crimes financeiros por apoiar técnicas contábeis e fiscais fraudulentas .
Em 2002, por exemplo, o governo dos EUA, abriu inúmeras investigações contra os executivos (CEOs) de Arthur Andersen por estarem envolvidos no escândalo e na bancarrota da Enron Corporation; escândalo conhecido como “a maior fraude financeira e empresarial da história” dos EUA. Devido a este escândalo, a companhia Arthur Anderson foi penalizada criminalmente, deixando de operar nos EUA.
No entanto seus ativos, seus clientes e seus funcionários foram adquiridos pela Deloitte que também tem sido acusada de incorrer nos mesmos tipos de crimes contáveis que a empresa Arthur Anderson.

2) Vejam o texto de Petras no link:

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O dragão da incompetência contra o santo cineasta



Antes de mais nada, havia escrito esta postagem para ser a Pensata de domingo último, mas por razões de força maior tive que me ausentar e somente voltei hoje.

Começo com uma nota de estímulo e esperança às lutas das massas contra o capitalismo em todo o mundo. Os acontecimentos ocorridos em Oakland (Califórnia), um dos cinco maiores portos dos Estados Unidos, a partir de uma greve geral dos trabalhadores, foram uma demonstração de grande repercussão que até a mídia do sistema não conseguiu esconder, tal a sua expressão e força. Assisti na TV, no mesmo dia (quarta feira) em que ocorreram. Notícias não divulgadas, mas chegadas a mim, falam de cerca de 100 presos e mais de 3000 presentes aos protestos.
Os trabalhadores e os estudantes estadunidenses estão de parabéns pela coragem em enfrentar forças policiais poderosas e sofisticadamente equipadas, que têm usado de grande violência na repressão contra os justos protestos ao vampiresco capital financeiro. Enquanto isso, os acampamentos em Wall Street continuam e já inspiraram manifestações em mais de 2.000 cidades ao redor do planeta; inclusive uma no Vale do Anhangabaú (São Paulo) que já completou um mês. E esta semana ocorreram protestos dentro do Congresso, em Washington e ocuparam a sede de um importante banco em Nova Iorque. A luta continua!

Desde que li a notícia de que Nelson Motta ia publicar uma biografia de Glauber Rocha, pensei com os meus botões, e cheguei a comentar em foro íntimo: “isto vai dar merda!”. E não é que deu? Motta não tem nada a ver com cinema, muito menos o cinema novo, muito menos ainda com Glauber Rocha. E tem mais, sua “praia” é a música... Jamais foi de esquerda para que possa compreender um pouquinho do universo de Glauber e de toda aquela geração de cineastas revolucionários. E só foi à Bahia como “turista acidental”.
Finalmente na sexta feira foi publicada na Folha Ilustrada Online uma matéria assinada por Fábio Victor, e editada às 21h10m, com o título de: “Amigos de Glauber apontam erros, e Nelson Motta corrige biografia”, que transcrevo (na íntegra) abaixo:
“Amigos de juventude de Glauber Rocha (1939-1981) apontaram erros na biografia do cineasta baiano escrita pelo jornalista Nelson Motta, ‘A Primavera do Dragão’, recém publicada pela Objetiva. Motta desculpou-se, e a editora informou que vai corrigi-los na próxima reimpressão.
Quem detonou o caso, noticiado pelo portal ‘Terra Magazine’, foi o historiador e poeta Fernando da Rocha Peres, 75, amigo de juventude de Glauber e um dos personagens citados no livro.
Peres é erroneamente identificado na obra como sendo ‘Bananeira’, apelido de outro amigo de Glauber na mesma época, o jornalista Fernando Rocha, e aponta o que seriam outros erros pontuais na biografia.
As histórias atribuídas a ‘Bananeira’, cujo nome é citado mais de 40 vezes no livros, são na verdade de Peres, que Glauber diz ter entrevistado na Bahia em 1989 --o historiador diz que não se recorda-- e ter a fita guardada.
Peres enviou um telegrama à Objetiva com o seguinte texto: ‘Senhor editor: recebi dois exemplares não solicitados do livro 'A Primavera do Dragão', do sr. Nelson Motta. Agradeço a oferta editorial. Tenho a dizer que o livreco é feio, mal escrito e mentiroso e mais houvera adjetivos’. Não recebeu resposta diretamente. Mas autor e editora se manifestaram.
Nelson Motta divulgou uma carta em que pede desculpas aos dois Fernandos, o historiador e o jornalista, por ter confundido um com outro, ‘um equivoco que lamento e será corrigido na próxima edição (1), mas em nada afeta a narrativa em que o protagonista absoluto é outro Rocha: Glauber’.
O jornalista desculpou-se por outro erro pontual, de ter identificado a atriz Sonia Pereira, do filme ‘Mandacaru Vermelho’, como Sonia Coutinho --na verdade uma escritora.
A editora Objetiva informou que ‘fará as mudanças conforme instruções do autor na próxima reimpressão, que é iminente (....), até o dia 15 de novembro.’
Disse ainda que os exemplares em circulação não serão recolhidos. A tiragem inicial de ‘A Primavera do Dragão’, lançado no fim de setembro, foi de 20 mil exemplares. A Objetiva diz não ter fechado o primeiro balanço de vendas.
Em entrevista à Folha, Fernando da Rocha Peres, professor emérito de história da UFBA (Universidade Federal da Bahia) com vários livros publicados, entre os quais uma biografia do poeta Gregório de Mattos, creditou os problemas apontados a uma certa folclorização da cultura baiana.
‘É um livro pouco sério, e a Bahia é séria. Não é um balneário para os cariocas virem se divertir. O problema é que certos indivíduos assentados no divã das celebridades imaginam que a Bahia é um balneário.’
Definida por Nelson Motta como uma biografia romanceada da adolescência e juventude de Glauber Rocha, ‘A Primavera...’ vai até 1964, com a boa recepção em Cannes de ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’.
‘Não existe biografia romanceada. Biografia é um gênero histórico. Biógrafos têm que se assentar em documentos. Podem se valer em entrevistas, mas as entrevistas têm que ser transcritas com fidelidade e ter a autorização dos entrevistados’, criticou Peres.
Motta afirma que a ideia do seu livro surgiu de uma entrevista com a mãe de Glauber, Lúcia Rocha. Em 1989, o jornalista foi a Salvador e teve várias outras conversas com amigos do cineasta.
Diz que abortou o projeto ao saber que Zuenir Ventura já preparava uma biografia de Glauber, mas o retomou quando o amigo desistiu do projeto, e fez novas entrevistas para juntar às que fizera 23 anos atrás.
O ‘Terra Magazine’ ouviu outros amigos de juventude de Glauber, entre eles João Carlos Teixeira Gomes, autor de uma biografia referencial do cineasta, ‘Glauber Rocha, Esse Vulcão’.
Alem dos erros pontuais, há críticas generalizadas ao tom jocoso dos relatos do livro em torno da chamada ‘Geração Mapa’, que liderou a vanguarda artística nos anos 60 na Bahia.
Os amigos contestam a descrição de ‘atentados terroristas’ planejados por Glauber e sua turma na Salvador dos anos 50/60 --como o ataque a um navio espanhol atracado no cais, o sequestro de um empresário e banqueiro e o fuzilamento do então governador Juracy Magalhães.
O tom empregado por Motta no livro, porém, é claramente zombeteiro, não de relato histórico.
‘As 'conspirações de araque' (...) que obviamente não eram sérias, apenas fantasias anarquistas de jovens movidos a cerveja e alegria, me foram relatadas pelo artista plástico Calazans Neto, pelo escritor João Ubaldo Ribeiro e pelo cineasta Orlando Senna, em entrevistas gravadas, às gargalhadas. E também pelo próprio Glauber Rocha, sempre às gargalhadas, como lembranças de exercícios de imaginação de jovens inteligentes e abusados. Não dá para levar a sério, nem era para isto, mas mostra o espírito, o humor e a imaginação de Glauber e de alguns de seus amigos’, escreveu Nelson Motta na carta de resposta.”
É isso aí, Nelson Motta: cada macaco no seu galho! Era preferível ter escrito uma biografia de Caetano Veloso, que alem de músico, é de direita... Como você.

1. O fato vem a comprovar que não existe preocupação dos editores em corrigir erros, simplesmente pela questão de não perder o dinheiro investido... Afinal, quantos erros existirão a mais?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A tragédia chilena sem máscaras


Acima o cartaz de DAWSON ILHA 10, A VERDADE SOBRE A ILHA DE PINOCHET, um filme de Miguel Littín. Uma produção Chile, Venezuela e Brasil cuja estréia nacional será no dia 11 de novembro próximo.
 
O texto abaixo reproduz o release do filme:
“Em 1973, o general Pinochet lidera o golpe de estado que depõe o governo de Salvador Allende no Chile. Os ministros e autoridades depostas tornam-se presos políticos dos militares e são levados para a gelada ilha Dawson, no extremo sul do país, utilizada como campo de concentração da ditadura chilena. Os presos políticos foram submetidos a violentos interrogatórios, trabalhos forçados, constantes torturas físicas e psicológicas. Cristián de La Fuente interpreta um oficial do exército bastante rígido que está encarregado deste grupo de prisioneiros políticos. Benjamín Vincuña interpreta Sergio Bitar, ex-ministro do governo Allende que escreveu o livro Isla 10, no qual o filme foi baseado. Dawson Ilha 10, longa metragem resultante de uma parceria entre Brasil, Chile e Venezuela, apresenta a realidade sofrida pelas vítimas de uma das mais longas e violentas ditaduras da América do Sul.

Sobre Miguel Littín por Antonio Skarmeta

Santiago, 22 de julho, 2009

Miguel Littín teve uma vida excepcional como criador de uma filmografia marcante na história cinematográfica latinoamericana. Ele esteve permanentemente comprometido com uma visão autêntica de questões e personagens chilenos, utilizando-se de uma linguagem original e bela. As críticas nacionais e internacionais avaliaram seu trabalho algumas vezes e indicaram-no para Palma de Ouro, em Cannes e para o Oscar em duas ocasiões. Seu filme El Chacal de Nahueltoro é uma inquestionável obra prima na história da cinematografia mundial e ainda hoje é considerado como uma importante forma de militância contra a pena de morte nos centros internacionais judiciais, universais e políticos que discutem a causa. Actas de Marusia e La Tierra Prometida têm intensamente nos mostrado como Littín vê a história a partir da perspectiva do povo oprimido que luta pela sua dignidade. Ele sabe como se expressar com uma elegância épica. Particularmente, eu gostaria de destacar a visão inspiradora de Littín dos autores latinoamericanos. Seus trabalhos têm sido adaptados pelo diretor com um alto nível de expressividade e uma complexa síntese dramática. Como no caso de El Recurso del Método de Alejo Carpentier, La Viuda de Montiel e tambem Alsino y el Cóndor, baseado em Pedro Prado. Ele sabe como gerenciá-los e inserí-los no quadro atual da realidade latinoamericana. Como documentarista, Littín é um mestre. O filme que fez no Chile, correndo grandes riscos durante a ditadura de Pinochet viajou pelo mundo ao ponto de um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez, ter dedicado um livro inteiro para ele: La aventura de Miguel Littín clandestino en Chile. Dawson Ilha 10 é baseado no livro Isla 10 de Sergio Bitar, que foi aprisionado na Ilha de Dawson após o golpe militar.”

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A verdade sobre a guerra na Líbia



A socióloga Stela Borges de Almeida (1) enviou-me o link deste esclarecedor depoimento do jornalista Pepe Escobar, especializado em assuntos do oriente, que aconteceu no “I Encontro Mundial de Blogueiros” realizado em Foz de Iguaçu no mês passado.
É importante assisti-lo porque a situação da Líbia é aprofundada com detalhes reveladores.

1. Stela edita um blogue chamado “Cultura, Política e Cinema” marcado ao lado, mas cujo link é: http://stelalmeida.blogspot.com/

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O WikiLeaks, a CIA e alguns "segredinhos" da imprensa brasileira

Segundo li ontem no Jornal do Brasil, a repercussão da relação entre o jornalista William Waack, da Rede Globo, com funcionários do governo estadunidense tem sido um dos principais tópicos no Twitter desde a semana passada. Waack, aliás, foi durante um bom tempo correspondente da Globo nos Estados Unidos.
Analisando mais a fundo os documentos vazados pelo Wikileaks a respeito da mídia brasileira, é possível colher um panorama bem amplo das impressões que o governo dos Estados Unidos tem do jornalismo brasileiro. Entre os órgãos mais citados estão os jornais Folha de São Paulo (384 mensagens), Estado de São Paulo (317), O Globo (89), Valor Econômico (84), Jornal do Brasil (23) e Correio Braziliense (11). A Veja lidera entre as revistas, com 85 mensagens.
Cada um deles também recebe uma classificação de acordo com a sua suposta orientação política. O JB é visto como de centro esquerda, a Folha como liberal e Estadão, O Globo e Veja de centro direita, segundo as autoridades estadunidenses. A revista Carta Capital aparece como nacionalista de esquerda.
Nos documentos, que podem ser acessados pelo cablesearch.org, é possível encontrar relatos de vários encontros informais entre funcionários do governo dos Estados Unidos e jornalistas brasileiros para obter informações. Em um deles, em janeiro de 2010, o colunista Diogo Mainardi aparece antecipando informações de sua coluna para os ianques num "almoço reservado". Mainardi também é conhecido pelas suas ideias ”fundamentalistas” de extrema direita e em defesa da política estadunidense tanto no Iraque quanto no Afeganistão.