domingo, 21 de junho de 2009

Pensatas pra rir e chorar

Hoje vou falar de um Huck (1) que não fica verde, mas de vez em quando “pau da vida”, quando contrariado... E também de um Sarney (2). Nunca duvidei de certas artimanhas da “figura”. Todavia, será que alguém ainda acredita no “coroné” fora dos limites de seu feudo no atrasado Maranhão?

O incrível Huck
Uma das mais ridículas emissoras de TV colocou no ar reprise da “Escolinha do Barulho” em que Luciano Huck era o professor. O também ridículo apresentador televisivo reclamou alegando que a emissora levou ao ar um programa de mais de 10 anos atrás, na realidade um plágio fajuto da “Escolinha do Professor Raimundo” com Chico Anysio. Coisa que acontece até hoje...
No protesto disse que poderiam ter tido a elegância de pedir a sua autorização. E continuou: “Pensem muito antes de trabalhar com gente que pode se aproveitar de você no futuro. Achei um desrespeito”. A emissora respondeu que foi uma “homenagem” a Luciano Huck e que a Câmera 5, produtora do programa, tem os direitos de exibição de imagem.
Esta é para rir. Melhor dizendo: pra chorar de rir. Como se o incrivelmente medíocre programa que este tal de Huck tem hoje na TV, não fosse a cópia de programetes similares – tão ruins ou piores – que existem por aí nas emissoras abertas, e que surgiram neste país desde que a televisão foi implantada comercialmente em 1950. Palhaçadas destinadas a emburrecer, em processo das elites para alienar a população.

Os escândalos secretos do Senado
O “filhote da ditadura” José Sarney, subiu à tribuna do Congresso para falar dos escândalos que atingem a instituição desde que ele assumiu o cargo de Presidente do Senado. Cobrado, Sarney disse que a crise não era dele e sim da Casa.
Este último escândalo envolve mais de 500 atos secretos (3) publicados ao longo de 14 anos no Senado, e que foram usados para nomear, exonerar e aumentar salários de pessoas ligadas à direção da Casa. De cara, ele afastou dos quadros do Senado sua sobrinha Vera Portela Macieira Borges, lotada no gabinete do senador Delcídio Amaral.
Sarney também teve um neto nomeado no gabinete do senador Epitácio Cafeteira por ato secreto. E uma sobrinha, Maria do Carmo de Castro Macieira, nomeada pelo mesmo tipo de ato, esta para o gabinete de sua filha Roseana Sarney, então no Congresso.
Em seu discurso alegou que não sabia (4) que Cafeteira tinha empregado seu neto, alegando que pediu ao senador Delcídio que uma sobrinha da sua mulher, fosse designada para o gabinete dele. “Eu não pedi e não sabia”, alegou (5). O fato é que quinta-feira surgiu mais um nome – na lista de parentes do “clã Sarney” – empregados no Senado, subindo para um total de oito. Até ontem.
Além disso, saiu ontem no blogue do Josias (Folha de São Paulo) a notícia de que o contracheque do mordomo da casa que Roseana Sarney mantém em Brasília é pago pelo Senado. O empregado cuja sugestiva alcunha é “Secreta”, percebe um singelo salário mensal de R$ 12.000,00 (doze mil reais).
Pressionado por políticos da situação, da oposição, pela imprensa e a opinião pública após mais este gigantesco escândalo, “Sir Ney” (6) não teve outra saída senão instalar uma comissão de sindicância para apurar as denúncias de que esses atos eram publicados por ordem de diretores e/ou ex-diretores. A secretaria de Imprensa do Senado divulgou que irá apurar estas denúncias num prazo de sete dias.
E para fechar com chave de ouro, segue um texto publicado no blogue da Tribuna da Imprensa, (leia-se Hélio Fernandes): “... Sarney assume a presidência do Senado pela terceira vez, está lá desde 1970, sabe de tudo, (da ‘casa’ e dos senadores) vai para a tribuna, engana a todos, faz uma porção de frases de efeito, sai como o herói sem nenhum caráter. 4 frases. 1- ‘A crise não é minha, é do Senado’. 2- ‘Não é só do Brasil, é da democracia e do mundo’. 3- ‘Querem destruir o Legislativo, qual a razão?’ 4- ‘Ninguém no Brasil pode JULGAR UM HOMEM COMO EU’.”(sic). Ao que acrescento: Só rindo pra não chorar!

(1) Não confundir com o Incrível Hulk, um personagem das HQ que virou seriado de TV e alguns filmecos computadorizados por aí.
(2) O dia em que Sarney entrou para a Academia Brasileira de Letras e vestiu o “fardão” eu passei a descreditar completamente (repito, completamente) daquela entidade.
(3) A terminologia já é escandalosa por si só.
(4) Republiqueta curiosa a nossa. Afinal, ninguém nunca sabe de nada...
(5) Idem, ibidem.
(6) Relembrando os tempos em que Millôr criou este apelido para definir o caráter elitista do último presidente do Brasil, (embora “civil”) herdeiro da era militar.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vigo ao vivo e a cores

Falei tanto em Vigo que me deu vontade de publicar algumas fotos desta muy linda ciudad de España.
Na primeira delas, encontrei um grupo de danças galegas e sugeri fazer uma fotos com eles, mas apenas uma ficou. Podem notar os demais atrás.

Na segunda, Virgínia no Parque Os Castros, tão bela quanto o belo visual que fica bem no centro da cidade, próximo à Gran Via. Porque toda cidade espanhola que se preze tem que ter uma avenida com este nome.
E abaixo, uma foto captada na internet com uma vista da baía de Vigo, e parte da cidade, incluindo o porto.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Caliente Galícia

Conheci bem a Galícia (que os lusos chamam de Galiza). Sua proximidade com a cidade do Porto nos empurrava atrás de um modo de vida más caliente bem pertinho de nós. Gostava muito de Portugal, mas, sem dúvida nenhuma, para nós brasileiros, a Espanha tem um “agito” com o qual nos identificamos; que nos agrada e encanta.
De todas as cidades galegas, a que mais vezes fomos foi Vigo. Primeiro porque sua beleza natural é inconfundível. E em seguida porque íamos ao Consulado português onde corriam os nossos processos de legalização da permanência em terras de Portugal. Ficávamos sempre no Hotel Compostela – bem próximo ao centro da cidade –, ao lado do ancoradouro de barcos e iates. Algumas vezes ficamos em um quarto no último andar (uma água furtada), e, pela manhã, as gaivotas nos acordavam com sua agitação matinal. Lindo... de ver e ouvir!
Mas, Vigo tem também uma baía muy hermosa. Quando se atravessa a exuberante ponte pênsil na autorota, o visual é de um azul profundo, e o mar repleto de barcaças, também repletas de frutos do mar. Vigo é um dos maiores centros produtores dos crustáceos e moluscos de toda a Espanha. Surpreendentemente a melhor paella à valenciana que eu comi foi lá, e não em Valencia.
No entanto, não é somente a baía de Vigo que é tão bela assim. Todo o litoral galego é esplendoroso. Sua costa é um privilégio dos que a habitam e dos que a conhecem. E o interior? O verde, tão raro em outras regiões de uma Espanha semi-árida, compensa-se por inteiro na Galicia. Aliás, uma característica de todo o norte daquele país, o que inclui tambem a região basca e o Principado de Astúrias.
Santiago de Compostela e La Coruña também são cidades imperdíveis. Apesar do “fanatismo” e do “esoterismo” (1) religiosos, Santiago, como contraponto é um importante centro universitário e suas ruelas antigas respiram cultura e saber. O mais impressionante é que você pisa em um solo onde tantas gerações pisaram, estudaram, aprenderam, ensinaram. Amadureceram conhecimento humano e lógico, filosófico e matemático... A outra, em galego “A Coruña”, é também uma cidade abençoada pelos deuses. Somente a Torre de Hércules, monumento romano do século I, inteirinha até hoje, prova sua importância histórica.
A música é outra característica marcante da Galicia. Seu ritmo lembra a melodia irlandesa, característica, sem dúvida, da presença céltica em ambos os países. A gaita de fole, muito semelhante à usada pelos escoceses tem um som que nos envolve por completo. E, finalizando, a Fala (2), o que mais nos aproxima do galego. A Fala é muito mais próxima do português que do castelhano. Mujer é mulher. E, curiosamente trocam o “J” pelo “X” . Como Ximenes, ao invés de Jimenes. Ou Xunta de Galicia, ao invés de Junta de Galicia.
Assim é a Galícia. Um pedaço da Espanha que nós tivemos a oportunidade de conhecer muito bem. E deixou saudades; numa verdadeira paixão pelo calor do seu povo amável, que nos marcou o coração, ou pelas paisagens que ficaram gravadas em nossas retinas. Para sempre.

(1) É bom lembrar que Paulo Coelho (o picareta que deu certo) escreveu sobre o conhecido caminho de Santiago e começou a sua grande decolagem como “fenômeno literário” a partir daí.
(2) O galego é uma forma evoluída do galego-português (cujas origens remontam ao século IX). Com algumas influências do castelhano e umas poucas formas e traços próprios não existentes em português, alguns da língua original que desapareceram do português contemporâneo, outros fruto da evolução do próprio galego. Existem todos os anos encontros e comemorações da “Fala”, em que se apresentam intelectuais, poetas, cantores e compositores brasileiros, portugueses e de outros povos que teem o português como língua oficial.

sábado, 13 de junho de 2009

Pensatas de todos os dias

Um dos melhores anúncios que conheci, foi, sem dúvida nenhuma “Abaixo o Dia das Mães”, criação de Neil Ferreira, Carlos Wagner de Moraes e Jarbas José de Souza (1) publicado em 1969, que foi muito comentado à época. A referida – e brilhante – peça partia do princípio elementar de que mãe não tem dia, porque todo dia é o dia das mães, tese defendida em seu texto.
Sempre achei que as grandes idéias são simples. Simples no seu conceito, simples porque estão ali, nos olhos da gente, bem no nariz da gente. O anúncio foi assunto não somente no meio publicitário, como pela população em geral. Por quê? Bom, imaginem só um dia de “babação de ovo” com anúncios – na maioria piegas – tecendo elogios à “mamãe lindinha” ou “mãe querida”, etc, etc, dar de cara com um título em letras garrafais e um excelente leiaute com um tema tão polêmico? Chocante!
E me refiro a este título magistral, justamente porque nos tempos pelos quais passamos, os “Dia Disso”, “Dia Daquilo” se transformaram pura e simplesmente no “Dia do Cifrão”. Os capitalistas, os Ebenezer Scrooge (2) da vida criaram uma parafernália circense de dias comemorativos em que reinam apenas os fantasmas do lucro ganancioso; a quase obrigação de alguém consumir qualquer coisa para presentear outro alguém, numa orgia surubática de consumo desenfreado.
Lembremo-nos que um beijo sincero e afetuoso ou um singelo cartão amoroso, o despendio de algum tempo criando alguma forma de homenagear alguém são muito mais valiosos do que o simples fato de entrar numa loja e adquirir seja lá o que for, pela simples razão de exibir o quanto se gastou em um presente qualquer. Como diz uma campanha publicitária que circula por aí: “... existem coisas que não teem preço”.
Abaixo o Dia do Cifrão!

(1) Publicitários que revolucionaram a comunicação no país a partir de seu trabalho na Norton, abrindo novos caminhos e campanhas memoráveis como a do “Conhaque do Papa” e outras inesquecíveis...
(2) O rico e avarento personagem da conhecida obra de Charles Dickens: “Um conto de natal” (A Christmas Carol).

Nota ao pé da página: não me considero um moralista. Esta crítica é tão somente um posicionamento quanto ao sistema em sua sede ambiciosa por lucros, que transformam o indivíduo em um ser irracional que comete seus atos consumistas sem pensar, sem refletir, movido apenas pela lavagem cerebral e a força massificante da mídia na vulgarização dos costumes.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Outras de São Paulo

Uma pizza no Paulino tinha o seu lugar. A massa era finíssima, e também deliciosa. Essa pizzaria eu sei que não existe mais, pois em seu lugar, na avenida Rebouças, foi construída uma conhecida churrascaria chamada Vento Aragano. Mas que era gostoso comer uma pizza na varanda do Paulino, e apreciar o pôr-do-sol numa tarde bucólica de domingo, lá isso era.

Mais uma pizza. Na Freguesia do Ó. Sim, aquela mesma da música do “punk da periferia”. Estive lá com um tio que morava em São Paulo. E me levou porque havia gostado da pizzaria que ficava bem no largo de Nossa Senhora do Ó, onde existe uma igreja do mesmo nome. O ponto alto mesmo era a vista. Fomos à noite e víamos boa parte da cidade aos nossos pés. Era uma boa pizza, embora tenham melhores em Sampa. Mas com aquele visual era indiscutivelmente uma especiaria. E olha que na época nem existia a tal música...

O Mingau era uma lanchonete na rua Augusta, que com certeza não está lá hoje (1). Frequentava muito quando ali morei entre 1969 e 70. Tinha um Beirute que parecia mesmo um jantar. E uma infinidade de outros sanduíches nas categorias filezinho ou hambúrguer, que sai da frente. E um detalhe, o preço era mais apetitoso ainda. Sempre acompanhava com uma cervejinha, porque não servia chope. Na época era a Ouro Branco, uma lourinha mineira que deixou de ser fabricada, mas então era moda...

L'Osteria Del Generale, na rua Pamplona, para além da excelente cozinha italiana, é decorada com camisas de times de futebol penduradas no teto. Só conheci este restaurante em 2000 quando fui atender um cliente (da agência em que trabalhava) cuja sede era São Paulo. À noite, por ser próxima do hotel, acabei indo jantar lá. Não lembro exatamente la pasta que comi, mas era excelente. Juro!

(1) Passei lá em 2004 e havia outra lanchonete no mesmo local: rua Augusta esquina de Antônio Carlos, esta última, a rua em que eu morei.

domingo, 7 de junho de 2009

Pensatas de domingo

Lembrei-me de um filme que assisti há tempos, e, na época achei surrealista Nunca pensei que fosse se tornar tão real. Trata-se de Pequenos Assassinatos (Little Murders), de 1971, dirigido por Alan Arkin, e estrelando Elliot Gold, além do próprio diretor. Esta Pensata foi originalmente publicada em fevereiro de 2007.

O filme retrata o terror que se instala em uma cidade dos Estados Unidos a partir do momento em que as pessoas, na santa paz de seus lares, começam a receber tiros, sabe-se lá de onde ou por que. Vivemos, hoje, uma situação, se não exata, pelo menos muito semelhante. Outro dia, assistindo a um telejornal, o locutor afirmava que, saímos de casa, mas não sabemos se vamos voltar.
Incrível, mas o mundo, e o Brasil muito em particular, transformou-se num campo de batalha. A “barbárie” em que vivemos, nos levou, por vezes, a ter medo de sair. À noite, nem se fala.
Estava recentemente a trocar e-mails com um primo de Salvador, e nos recordávamos do tempo em que vagávamos pelas tortuosas ruas daquela cidade, ao voltar do cinema ou de encontros com amigos. A pé, e à noite. Não havia o menor receio de coisa alguma. Na verdade, nem olhávamos se tinha alguém parado na próxima esquina. E se tivesse, nem era conosco.
Aliás, na mesma época, aqui no Rio de Janeiro, cansei de voltar de Copacabana, também a pé, atravessando o Túnel Velho, bem embaixo da favela da Ladeira dos Tabajaras (1), após tomar mais chopes do que meu bolso permitia, naqueles tempos em que era estudante e vivia de mesada.
Vai fazer uma coisa dessas hoje em dia! Aliás, as pessoas nem pensam na hipótese. Quem está de carro, fica fechado, mal parando nos sinais de trânsito. Às vezes, não saem de carro à noite, preferindo um táxi. Ali, ficam mais seguras e incógnitas. Seu padrão de vida não fica tão evidente. Afinal de contas, não é preciso ser rico para se pegar um táxi.
O pior é que se fala muito em repressão, em reforço policial, nisso e naquilo. Mas, e as origens do problema? E os quinhentos anos de colonização, de pobreza x ostentação? Obviamente é mais fácil matar, é mais seguro eliminar o sujeito, não a causa. Concordo até que, de imediato fica difícil. Sarar uma ferida tão antiga, não é coisa que se cure da noite para o dia.
Os governantes sempre usam uma retórica demagógica, em que até parece que se preocupam com o fato. Mesmo o governo Lula, promete uma redistribuição de renda, mas faz uma política apenas paternalista, como a de Getúlio Vargas, o “Pai dos Pobres”. Bolsa-família e outras ações, não passam de paliativos. Enquanto isso, beneficiam o grande capital financeiro dando continuidade à estratégia criminosa do famigerado governo antecessor.
Até admito que a eleição do “operário” Lula, foi um fato inédito na história brasileira. Mas, concretamente, ele não rompeu o estigma que nos assola desde o início. O Brasil não tem, ao longo de seus cinco séculos de existência, movimentos de massas relevantes. Os que teve, e que sempre foram escondidos ao máximo do domínio público, estão entre as toneladas de arquivos queimados na velha república, por ninguém menos que o “ilustre” senhor doutor Ruy Barbosa (2).
Elite e conta-elite são a dicotomia ao longo de nossa história. Isto quer dizer que a elite se degladia entre os que estão e aqueles que querem chegar ao poder. O “fenômeno” Lula não fugiu a essa realidade. Trocando em miúdos, o fato de ter sido operário não quer dizer que continue como tal, nem lute por sua classe. Hoje, faz parte da elite. Com ela, e por intermédio dela, chegou ao poder.
Além do mais, o seu próprio partido, o PT, foi fundado com o total apoio do governo estadunidense e da CIA, para combater aquele que eles viam como o “perigo real e imediato”: Leonel Brizola. E a prova maior disso é que quem destruiu (ou desconstruiu) a imagem dele – Brizola – foi, nada mais, nada menos que a Rede Globo, um dos maiores braços – e que braço! – do império no Brasil. Alguém, não me lembro quem, definiu este poderoso veículo da mídia como “o produto mais bem acabado da ditadura”.
Nesse ínterim, vamos vivendo a novela do dia-a-dia, o clima surrealista de Pequenos Assassinatos, um filme profético... uma antevisão de nossos tempos, realizada trinta e seis anos atrás.

(1) Naquela época, conhecia pessoas no Dona Marta, até porque meus pais moram na Humaitá desde 1958. Cresci naquelas cercanias, fiz amizades e subi várias vezes aquele morro, nunca tendo sofrido o menor sinal de violência.
(2) Ruy Barbosa foi incumbido de queimar todos os documentos arquivados sobre os movimentos sangrentos, principalmente quilombos e revoltas de escravos, tendo como finalidade reforçar a ideologia de que o povo brasileiro tem uma “índole pacífica”.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Paixão avassaladora

Já falei mais de uma vez neste blogue – e também no antigo Pensatas – sobre Barcelona. Aquela cidade, para mim, foi uma surpresa mais do que agradável. Sabia que iria encontrar um centro cultural importante e as obras de Miró, pintor pelo qual sempre tive uma profunda admiração, e algumas de suas belas atrações como o Montjuic. O que não podia imaginar é que ia ser acometido de uma paixão tão avassaladora.
Além do charme e do encanto das Ramblas, do Bairro Gótico, daquele Arco do Triunfo em estilo Mourisco e de tantos outras maravilhas, inclusive a alegria de seu povo, o que mais me impressionou foi, sem dúvida, a obra de Gaudí (1852/1926). Creio que poucas coisas marcam tanto Barcelona quanto o seu trabalho e a sua genialidade.
E não por desconhecimento. Em 1988 (ou 89) houve uma exposição de seus trabalhos em um museu aqui do Rio. Lembro de um colega espanhol, o Manolo, ministrando verdadeiras palestras sobre suas obras. Manolo, natural de Valencia era uma pessoa muito falante. E nos falava de Gaudí com entusiasmo e sentimento ímpares. Conhecia a obra do arquiteto, sabia de sua importância. Mas, juro, quando vi ao vivo e a cores, transcendeu.
Recordo de quando cheguei em frente à catedral da Sagrada Família, sua obra máxima. Aquilo assusta. Principalmente quando, chegando ao museu, no subsolo e examinando as maquetes, verificamos que aquelas duas torres gigantescas, eram apenas as laterais do templo, num total de 18. Uma construção, que apesar de ainda inacabada, é inimaginável em toda a sua grandiosidade.
Para além desta, conhecer o Parque Güel, o Palacete do mesmo nome, a casa Calvet e tantas outras que surgem a nossas vistas em esquinas ao longo da cidade mostram a criatividade daquele que foi um dos mais inovadores arquitetos no mundo. Quem for a Barcelona e conhecer a obra de Gaudi, vai dar razão aos catalães e compreender que eles teem do que se orgulhar.