Um comentário da Professora Stela Borges de Almeida (1), uma constante e sempre enriquecedora leitora deste blogue, despertou-me a curiosidade em conhecer a obra de Zygmunt Bauman, citado por ela. Pus-me desde então a procurar dados que me façam conhecer melhor o pensamento deste filósofo.Encontrei algum material, mas um que resume muitas de suas ideias está contido numa entrevista (2) concedida a Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke (3), do qual trancrevo abaixo uma parte de uma introdução sobre ele. Sem dúvida este pensador é um elo de ligação do passado, segundo suas definições sobre o “medo sólido” e no presente, o “medo líquido” ... Todo o seu pensamento a vislumbrar um futuro melhor para a humanidade. Bauman tornou-se conhecido por suas análises das ligações entre a modernidade e o consumismo na sociedade neoliberal “pós moderna”.
“Nascido na Posnânia em 19 de novembro de 1925, Bauman escapou dos horrores do holocausto que aguardavam os judeus poloneses na Segunda Guerra Mundial ao fugir com sua família para a Rússia, em 1939. De lá voltou após a guerra, quando se filiou ao partido comunista (4), estudou na Universidade de Varsóvia e conheceu Janina, com quem teve três filhas: Anna (matemática), Lydia (pintora) e Irena (arquiteta).
Descrito certa vez como ‘profeta da pós-modernidade’ (com o que não concorda), por suas reflexões sobre as condições do mundo da ‘modernidade líquida’ (5), os temas abordados por Bauman tendem a ser amplos, variados e especialmente focalizados na vida cotidiana de homens e mulheres comuns. Holocausto, globalização, sociedade de consumo, amor, comunidade, individualidade são algumas das questões de que trata, sempre salientando a dimensão ética e humanitária que deve nortear tudo o que diz respeito à condição humana. Preocupado com a sina dos oprimidos, Bauman é uma das vozes a permanentemente questionar a ação dos governos neoliberais que promovem e estimulam as chamadas forças do mercado, ao mesmo tempo em que abdicam da responsabilidade de promover a justiça social. ‘Hoje em dia’, lamenta ele, ‘os maiores obstáculos para a justiça social não são as intenções... invasivas do Estado, mas sua crescente impotência, ajudada e apoiada todos os dias pelo credo que oficialmente adota: o de que 'não há alternativa’. É nesse quadro que se pode entender sua afirmação de que ‘esse nosso mundo’ precisa do socialismo como nunca antes. Mas o socialismo de que Bauman fala, como insiste em esclarecer, não se opõe ‘a nenhum modelo de sociedade, sob a condição de que essa sociedade teste permanentemente sua habilidade de corrigir as injustiças e de aliviar os sofrimentos que ela própria causou’. É nesse sentido que ele define o socialismo como ‘uma faca afiada prensada contra as flagrantes injustiças da sociedade’.”
(1) Stela formou-se em Sociologia. Professora Adjunta Sociologia da Educação/UFBa (até 2000). Professora Visitante UEFS (2000-2005) e UFSE (2005-2007). Atualmente dedica-se a Estudos e Pesquisas sobre Cultura, Política e Cinema e possui um blogue cujo link é: http://stelalmeida.blogspot.com/ que também está marcado ao lado.
(2) Se quiser saber mais, acesse e leia a entrevista completa em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-20702004000100015&script=sci_arttext
(3) Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke é professora aposentada da Faculdade de Educação da USP e pesquisadora associada do Center of Latin American Studies, Universidade de Cambridge. É autora, entre outros, de Nísia Floresta, o Carapuceiro e outros ensaios de tradução cultural (Hucitec, 1996) e As muitas faces da história (Unesp, 2000), editado também em inglês, The new history: confessions and conversations (Polity Press, 2002).
(4) Desligando-se do PC polonês por óbvias discordância dos princípios da “momenkatura”, o filósofo e sociólogo deixou o seu país fixando-se na Inglaterra. No início da década de 1970 ele assumiu o cargo de professor titular da Universidade de Leeds, permanecendo neste posto por pelo menos vinte anos.
(5) Em outras palavras, a sociedade de consumo.





