Este blogue é uma miscelânea de pensamentos sobre os mais variados assuntos. Tem recuerdos, críticas variadas, abordagens da situação política e social no Brasil e no mundo, pensamentos diversos, contos, lixo cultural. Tudo sem sequência e sem compromisso de continuidade.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Uma denúncia reveladora!
Simey Lopes, uma das comentaristas habituais do meu blogue, mandou este link (que republico) ao escrever para mim na postagem imediatamente anterior publicada ainda hoje.
Aproveito para dizer que antes disto ele foi publicado em “Thinks that I think...” http://simeylopes.blogspot.com/
Violência no Rio e pelo mundo afora
Tinha esta postagem pronta para publicar domingo, como minha Pensata, quando fui surpreendido com o vídeo que postei em seu lugar. Em todo caso, ainda é tempo...
Sobe para 316 este ano, e um total de 1762 (1) desde o início da guerra, até o dia 10 de setembro o número de soldados invasores estadunidenses que tombaram no Afeganistão. Pelo jeito, o total de 499 mortos em 2010 tem tudo para ser superado este ano. Sem contar o numero de civis assassinados ali. Sangue, muito sangue derramado! E isto com toda a tecnologia empregada. Tá feia a coisa, né Tio Sam?
A comissária de Interior européia, Cecilia Malmström, afirmou na última sexta-feira que a União Europeia (UE) considera "uma vergonha" que os Estados Unidos ainda não tenham fechado a prisão de Guantánamo, uma das principais promessas do presidente Barack Obama para sua eleição. Aliás, quais das inúmeras promessas Obama cumpriu?
Li ontem uma manchete na Folha: “Web faz AlQaeda virar MacDonalds do terror”. Coisas da sociedade de consumo!
Falar em terrorismo, até já citei aqui um filme holandês, cujo título é “A espiã” (Zwartboek) de 2006, direção de Paul Verhoeven, em que os nazistas se referiam à resistência naquele país ocupado, como “terroristas”. Sugestivo, não?
Semana passada voltou à carga a violência dos traficantes nas favelas do Complexo do Alemão. O fato foi tão claro e ostensivo, pois a população postou nas redes sociais cenas gravadas em celulares. O que logo justificou a cobertura dada pela grande mídia, tendo à frente, claro, a Rede Globo.
Pensava que já havia uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no “Alemão”. Mas parece, só vai ser instalada em março de 2012. No entanto, o que acontece é que na realidade UPPs são uma grande farsa montada pelas classes dominantes, através dos governos estadual e municipal para encobrir o acordo entre eles e o tráfico de drogas, acobertado pelas polícias militar e civil. Sim, porque todos eles participam do rateio disfarçado por este acordo; que na realidade apenas encobre o lado mais agressivo da presença ostensiva e militarizada da ocupação das favelas por traficantes.
O tráfico continua, com uma “cara pacificada” e todos ganham uma parcela nos lucros.
Acontece que quem mais que ganha é o tráfico com maior liberdade de ação, o que sem dúvida deve aumentar bastante o caixa. E justamente, segundo notícias veiculadas em jornais cariocas, no “Alemão”, a polícia avançou em direção aos pontos deste caixa.
Anders Behring Breivik, o atirador que matou 77 pessoas em um acampamento de jovens após um bombardeio em Oslo em 22 de julho, insiste em usar blusas da marca Lacoste em suas idas ao tribunal e o fabricante não está nada satisfeito com isso, pois acha que é uma publicidade negativa da marca. O jornal Telegraph informou que a empresa francesa tem chamado o amor de Breivik pela marca de “pesadelo” e de acordo com jornal norueguês Dagbladet, os seus executivos têm escrito para a polícia de Oslo exigindo que o terrorista seja proibido de usar suas roupas.
Trata-se, na verdade, de um anti merchandising...
Três mortos e mais de mil feridos foi o saldo do protesto na cidade do Cairo em frente à embaixada israelense que foi invadida. Por questões de segurança o embaixador teve que se retirar do local e embarcar para Israel. O povo egípcio exige de suas autoridades o corte de relações com aquele país.
Enquanto isso, o jogo de xadrez continua na Líbia com forte intervenção dos Estados Unidos e seu “eixo” de parceiros europeus. A Interpol (polícia internacional) solicitou nesta sexta-feira a detenção de Muammar Kadafi, seu filho Saif al-Islam e o seu cunhado Abdallah al-Senusi, em resposta ao pedido do Tribunal Penal Internacional, leia-se OTAN... Leia-se também EUA... E todos continuam em silêncio quanto ao extermínio na Síria, país em que mais de 2.000 pessoas já foram massacradas.
****************
Um pequeno adendo a esta Pensata (que já estava pronta): na overdose de matérias sobre o 11/09, claro que o acontecido nos EUA (2), nas imprensas tanto a escrita quanto a televisiva, lá estavam, de mãos dadas, Bush e Obama, farinhas de um mesmo saco.
1. Fonte: http://www.icasualties.org/
2. Quanto ao 11/09/73, ocorrido no Chile não foi lembrado pela grande mídia! Com exceção da “Brasil de Fato” e uma notinha de meio de página no UOL.
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/internacional/2011/09/um-chile-em-parafuso-relembra-o-golpe-contra-allende
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/internacional/2011/09/um-chile-em-parafuso-relembra-o-golpe-contra-allende
domingo, 11 de setembro de 2011
Pensatas de 11 de setembro, o outro... Lembra-se?
Já havia escrito uma Pensata para hoje quando tomei conhecimento deste vídeo, enviado para mim ontem por uma prima querida, e que me fez substituí-lo, tal a sua força e significado.
Assista, e saiba tudo o que penso sobre este dia. Principalmente o outro, por coincidência também numa terça feira... somente que 28 anos antes do acontecido nos Estados Unidos.
sábado, 10 de setembro de 2011
O futebol e a política: José Mourinho e a violência fascista
Este texto é de autoria do Professor Jorge Vital de Brito Moreira, colaborador deste blogue em Wisconsin (EUA).
I
Finalmente pude assistir ao vídeo acima que registrou a cena insólita do futebol internacional: José Mourinho, técnico do “Real Madrí”, enfiou o dedo indicador direito no olho direito de Tito Vilanova, o auxiliar técnico de Pepe Guardiola, o técnico principal do “Barcelona”.
Onde, quando e porque sucedeu esta violenta agressão de José Mourinho contra Tito Vilanova?
Para os que ainda não conhecem os fatos, a agressão mencionada aconteceu no Camp Nou, em Barcelona, no dia 17 de agosto deste, no final do jogo decisivo entre o Barcelona e Real Madrí pela conquista da Supercopa da Espanha 2011.
Neste jogo de futebol, a equipe do Barcelona conquistou a ambicionada Supercopa depois de ganhar a partida contra o Real Madrí pelo placar de 3 x2 .
Mas a vitória do Barcelona provocou o ódio dos jogadores do Real Madrí e a dois minutos do final da partida, Marcelo (o jogador brasileiro), desequilibrado pela dor e pela impotência, fez uma falta violentíssima (uma tesoura “assassina”) contra o jogador Cesc Fabregas do Barcelona.
Esta agressão “criminal” resultou na expulsão de Marcelo do campo, além de provocar a indignação e os protestos dos torcedores e a reação negativa dos jogadores do Barcelona que trataram de revidar a covarde agressão.
Aparentemente, foi a má conduta de Marcelo o fator que gerou o conflito de paixões e a subsequente batalha campal entre jogadores de ambas as equipes.
Digo aparentemente porque desde a derrota do Real Madrí contra o Barcelona no jogo de 29 de novembro de 2010 pelo placar de 5x0, os jogadores do clube madrilenho (sob o comando do técnico português José Mourinho) têm mostrado um constante comportamento condenável: toda vez que perdem o jogo para o Barcelona, eles apelam para a violência contra os jogadores da equipe catalã.
O resumo anterior dos fatos passados, nos proporciona o direito de pensar hipoteticamente que a orientação de José Mourinho aos seus jogadores poderia ser a seguinte: -Toda vez que não possamos ganhar o jogo contra a equipe do Barcelona devemos apelar para a violência para desabafar nossa frustração e amedrontar à equipe rival.
Assim, a hipótese anterior foi validada recentemente no jogo final pela Supercopa da Espanha quando assistimos ao vídeo mostrando a José Mourinho aproveitando a briga entre os jogadores para atacar covardemente o Sr. Tito Vilanova.
Para o azar do treinador do Real Madrí, a câmera de TV registrou o exato momento em que Mourinho caminhou em direção a Tito Vilanova e enfiou o seu dedo indicador da mão direita no olho direito do assistente de Pepe Guardiola.
Depois de ver José Mourinho meter o dedo no olho do Vilanova (inacreditável) as únicas palavras que pude emitir para classificar o abominável comportamento do arrogante treinador foram: Mourinho não passa de um técnico psicopata, violento e covarde.
Mourinho também foi exposto como um indivíduo mentiroso e cínico durante a entrevista que ele deu à imprensa depois de sua conduta criminosa: sem saber que a câmera de TV gravou a sua conduta violenta contra Vilanova, mentiu para os repórteres, dizendo que ele não fez nada agressivo contra ninguém; que ele não sabia quem era "Pito" Vilanova.
Ou seja, Mourinho, numa atitude extremamente desonesta, tratou de enganar os repórteres na frente das câmeras de TV, negando ter conhecimento de alguém com o nome de "Pito" Vilanova, isto é, da pessoa que ele tentou furar o olho minutos antes.
Creio que deveríamos perguntar seriamente se há algo latente no comportamento manifesto de José Mourinho e nas instruções que da à sua equipe; algo por detrás das aparências; algo que não pode ser percebido à primeira vista, mas que pode ser articulado quando começamos a analisar estes violentos (e constantes) eventos sob a perspectiva da história social espanhola, da crise econômica global, e da barbárica repressão que têm usado os estados capitalistas para responder às manifestações de protesto contra o neoliberalismo.
II
A violência sistemática que os jogadores do Real Madrí e seu técnico José Mourinho tem recorrido contra os jogadores e técnicos do Barcelona no campo de futebol (cada vez que é derrotado pela equipe catalã) é preocupante e ameaçadora pois esta violência campal evidencia um forte paralelismo com as formas neofacistas que o Estado Espanhol e Europeu têm utilizado recentemente para reprimir as manifestações de protestos contra o poder do capital financeiro neo liberal que conduziu a nossa sociedade para uma das piores crises capitalistas de todos os tempos.
Para ampliar o tratamento deste urgente problema, devo recorrer rapidamente a historia social de Espanha destacando a estreita relação entre o esporte e a política ou mais especificamente entre o futebol e a ditadura franquista.
No passado, o ditador Francisco Franco aliou o poder do Estado ao da Igreja Católica e utilizou o time do Real Madrid entre outras coisas para submeter e controlar mais eficazmente a população espanhola. Durante longo período, a ditadura de Franco prendeu, torturou e matou centenas de milhares de espanhóis (entre eles o poeta Garcia Lorca) destacando-o como um dos maiores genocidas da historia Européia, junto a Hitler na Alemanha e Mussolini na Itália.
Foi durante essa época que as tropas franquistas assassinaram (por fuzilamento) ao presidente do Barcelona Josep Suñyol na serra de Guadarrama e até hoje, no âmbito futebolístico, muitos espanhóis se ressentem não somente do assassinato de Suñyol mas também do fato de que o estádio do Real Madrí na capital do pais seja identificado pelo nome de um destacado fascista: Santiago Bernabéu.
Vejam:
Recentemente, a atual conivência ou cumplicidade (direta ou indireta) do Sr. Florentino Perez, o presidente do Real Madrí, com a fome de poder e a conduta vergonhosa do técnico José Mourinho e de seus jogadores tem sido objeto de importantes denúncias feitas pelos críticos desportivos contrários ao uso e abuso da violência como meio de dirimir diferenças no futebol.
A elevação do tom da critica contra o presidente do Real Madrí deve-se também ao conhecimento pela opinião pública da estreita relação que Florentino Perez mantém com o capital financeiro internacional destacada pelas milionárias contratações dos jogadores Cristiano Ronaldo (94 milhões de euros), Zinedine Zidane (77 milhões de euros) e Kaká (65 milhões de euros).(1)
Do outro lado, também é sabido que José Mourinho (que recebe um salário de 10 milhões de euros no Real Madrí), é um reconhecido devoto da religião católica (um papa hóstia que reza por quase tudo), que reza para que deus lhe dê de presente as vitórias nos jogos de futebol contra os times rivais, principalmente contra o Barcelona. Vejam:
Para lograr o seu objetivo, Mourinho também compra crucifixos para presentear a seus jogadores e não perde a oportunidade de ir ao Vaticano para beijar fervorosamente a mão do Papa inquisidor Bento XVI (também reconhecido por ocultar e encobrir os crimes sexuais de pedofilia dos padres e bispos católicos contra crianças da Inglaterra, México, EUA, Espanha, etc). Vejam:
Como se pode deduzir, a violência no futebol de José Mourinho não só reproduz o mal exemplo (destrutivo e barbaresco) para a conduta dos pais, filhos jovens e suas famílias; ela também funciona para legitimar os métodos fascistas do Estado a serviço da ditadura do capital financeiro contra a nossa sociedade civil.
É através desses métodos ilegítimos que a classe dominante trata de justificar o processo de naturalização da violência contra a oposição política e contra os movimentos de resistência à opressão do Estado burguês diante da crise econômico-social na nossa sociedade.
A curto e a médio prazo devemos nos unir para condenar todo e qualquer uso e abuso dos métodos destrutivos e barbarescos para dirimir as diferenças sociais sejam nos esportes, no futebol ou na sociedade.
Logicamente que devemos nos preparar para combater os argumentos fascistas ou neo liberais dos defensores da dominação, da opressão e da exploração capitalista contra os seres humanos pois estes argumentos estarão sempre contra a mudança social.
Por todas essas razões, acredito fielmente que só poderemos mudar radicalmente a situação de violência a longo prazo (dentro e fora dos gramados) se formos capazes de entender que o capitalismo é o maior inimigo dos esportes como atividade lúdica (como valor de uso) para divertir os seres humanos e não para produzir dinheiro, lucro, juro e dominação política.
Só poderemos libertar o futebol da violência e da prisão do seu valor de cambio, da sua corrupção econômico política, se formos capazes de estabelecer uma nova sociedade: uma sociedade radicalmente diferente, inimiga do modo de produção social denominado capitalismo.
O estabelecimento de uma nova ordem social funcionaria humana e ludicamente entre homens e mulheres porque terminaria o reinado do dinheiro, do lucro, dos juros e da corrupção capitalista (2); acabaria com a propriedade dos meios de produção, com a exploração e a opressão pois não existe outro caminho para conseguir a participação e justiça social para todos os seres humanos (3) dominados, explorados ou excluídos pelo capitalismo.
Naturalmente que os ideólogos e propagandistas da direita (neoliberais ou fascistas), servidores dos interesses das grandes corporações dirão sempre (não se cansam de repetir) nos jornais, nas rádios, nas TVs, nas escolas, nas igrejas que é necessário (para “o bem de deus, da família e da propriedade”) defender o uso da violência pelo Estado e pelas instituições religiosas, civis ou militares, porque existem muitos indivíduos desordeiros, delinquentes, pecadores e criminosos (“os maus elementos”) que tem que ser punidos (pelos “bons cidadãos”) por serem malfeitores.
Outros propagandistas submetidos ao discurso hegemônico dirão que é uma grande fantasia, utopia, anarquismo, radicalismo, socialismo, ou comunismo propor a existência de uma sociedade sem violência; para logo implicar que as pessoas que sugerem este tipo de sociedade estão loucos ou estão recrutados por terroristas.
Para concluir, eu gostaria de compartir com os leitores a minha esperança e fé mais profunda: só existe um modo seguro de acabar com a violência como modo antidemocrático e fascista de dirimir as diferenças entre classes sociais, nacionalidades, religiões, sexos, raças, gerações e equipes de futebol: é preciso viver e conviver em uma sociedade diferente, em uma sociedade não violenta. Para isso, é imprescindível que edifiquemos uma nova ordem social e humana na qual os capitalistas, as suas instituições (como a FIFA por exemplo) e o seu Estado burguês desapareçam para sempre deste planeta.
1) Aqui, o torcedor pode perguntar: onde é que Florentino Perez e o Real Madrí conseguiram tanto dinheiro, quando sabemos que a economia espanhola (como tantas na Europa) está sendo profundamente golpeada pela crise financeira e o dinheiro para emprestar a pequenas e medias empresas (as que realmente empregam grandes contingentes de trabalhadores) desapareceu da circulação monetária? A resposta a essa pergunta pode ser encontrada no lúcido artigo "Cristiano Ronaldo, Jacques Diouf e Jeff Lawrence" por Francisco Sanchez Umpiérrez:
2) A corrupção dentro das organizações futebolísticas tem ido em aumento com o passar dos anos: desde as comissões parlamentares de inquérito do governo brasileiro para averiguar as denuncias de corrupção do ex-presidente da CBF e da FIFA João Havelange até as recentes acusações de corrupção pela direção da FIFA sob o comando de Joseph Blatter, o atual presidente da FIFA.
Até onde chega meu conhecimento, nenhum livro registrou mais valentemente o caráter corrupto, mafioso e imperial da FIFA que o escrito por David Yallop “Como se robaron la Copa”.
3) Para uma visão ampliada e detalhada das relações entre a riqueza de poucos e a pobreza de muitos dentro do futebol vejam meu texto “Lo lúdico, mercado, ideología y política en la Copa Mundial” no link abaixo:
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Uma década do onze de setembro
No próximo dia 11/09/ 2011, vão-se completar 10 anos do primeiro bombardeamento em solo dos Estados Unidos, fora as investidas dos japoneses durante a 2ª Guerra Mundial, quando o país asiático atingiu a costa oeste estadunidense com balões incendiários que provocaram incêndios, principalmente nas florestas da Califórnia e Oregon. Sim, há uma década, pela primeira vez o Império foi atingido no seu coração. E foi a primeira vez também em que sentiram sua vulnerabilidade.
Apesar de que a AlQaeda e Osama Bin Laden assumiram o ato, ainda paira a dúvida de que tenha sido o próprio governo de George W. Bush e a CIA quem o praticaram. Mas isto é uma longa história que talvez um dia possa ser mais bem explicada.
O fato é que guerra é guerra! Ou os EUA tiveram algum tipo de pudor quando lançaram bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagazaki? Na verdade os ataques a estas cidades japonesas em agosto de 1945, causaram a morte imediatas de 220 mil civis, fora as consequências da radiação que deixou milhares de mutilados e pessoas inutilizadas para o resto de suas vidas. Teriam sido tão necessárias? Será que o exército dos Estados Unidos não poderiam ter realizado uma demonstração em alguma ilha desabitada no Pacífico e dizer aos japoneses: “Olhem bem a bomba que nós temos... Se não se renderam vamos lançá-las sobre suas principais instalações militares...”
No ataque ao World Trade Center morreram 2.996 pessoas. Bem menos, certo? Também civis... Infelizmente. E, talvez algumas centenas de pessoas que contraíram doenças pulmonares e outras em decorrência de estarem muito próximas ao local. Analisando apenas os números, uma diferença estúpida.
Por outro lado, de acordo com dados da ONU, 20 milhões de crianças morrem de fome anualmente em todo o mundo; cerca de 37 mil crianças com menos de 5 anos morrem de fome diariamente. Vejam bem: diariamente! Grande parte deste número é devido à política imperialista dos Estados Unidos. E quando digo grande parte é porque cerca de 80% deste total são decorrentes da exploração do capital internacional e de guerras localizadas, mantidas ou diretamente existentes por culpa do governo estadunidense e de seus algozes, ingleses, franceses, alemães e outros de menor expressão, que têm por trás de si o sistema capitalista, e, consequentemente o lucro desenfreado e sem escrúpulos da burguesia.
Segundo a FAO, o número estimado de famintos no mundo é de 800 milhões de pessoas apenas nos países em desenvolvimento — 215 milhões somente na África subsaariana, correspondendo a quase metade da população daquela região — e mais 200 milhões de crianças com menos de cinco anos sofrendo deficiências agudas por falta de proteínas e calorias. Ora, os EUA gastam dois bilhões de dólares por semana somente na guerra do Afeganistão. O que significaria esta cifra de US$ 8 bilhões/mês no combate direto à fome no mundo? Quantas crianças sobreviveriam à necessidade e à fome com este calhamaço de dinheiro? No entanto, pelo contrário, ele é empregado para aumentar o número de vítimas fatais.
Está bem, concordo que devemos chorar as vitimas, os cerca de dois mil civis que pereceram no ataque às Torres Gêmeas, e lhes devemos reservar instantes de dor, um minuto de silêncio ou qualquer coisa do gênero no próximo dia onze de setembro. Mas também devemos chorar pelas milhões de crianças que morrem de fome.
Outrossim não podemos nos esquecer dos verdadeiros culpados não somente do atentado de 11/09/2001, como da morte estúpida de inocentes ao redor do mundo. Na verdade não devemos é nos esquecer que estes são provocados pelo governo dos Estados Unidos da América, alimentados pelas multinacionais sedentas de dólares, euros, diamantes, ouro, ou qualquer coisa que tenha algum valor monetário. Que para eles está muito acima de vidas humanas, porque na verdade “burgueses comem criancinhas” (1)...
1. Uma alusão à frase que era comum entre os reacionários durante a Guerra Fria de que os “comunistas” comiam criancinhas!
domingo, 4 de setembro de 2011
Pensatas de domingo, xadrez, cadela e alguns morangos silvestres...
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Na cena Victor Sjöström e Bibi Anderson em “Morangos silvestres” |
A situação na Líbia transformou-se de uma guerra aberta em um complexo jogo de xadrez em que ganhará aquele que tiver maior habilidade em mover as peças. Ora, as muitas tribos que se aliaram e conduziram o levante estão a se degladiar e a Otan está começando a olhar com desconfiança a “aliança” entre elas. Claro que os imperialistas não pretendem deixar de lado a conquista de importantes reservas de petróleo e gás, mas... Aí é que entra a questão, quem dá mais? Kadafi não está totalmente descartado nesta avaliação. Afinal já houve acordos passados entre o império e o ditador... E apesar deste estar com as peças pretas e em total desvantagem, depois que vazou a informação de que membros da AlQaeda estão infiltrados entre os opositores, coisas surpreendentes podem acontecer nos próximos lances. Afinal, a burguesia não tem pudores.
Não muito longe dali, a Siria se complicou, simplesmente porque Israel está tremendo de medo de que armas químicas em poder da ditadura (favorável ao ocidente) de duas gerações, possa cair em mãos de forças “terroristas” aproveitando-se do caos reinante, e que poderiam vir a usá-las contra eles (Israel). Nada que a CIA, o MI-6 ou o Mossad não possam resolver, mas há um risco eminente. Podem crer, caso os EUA e seus capangas venham a intervir militarmente a razão será esta. Caso contrário ficarão na retórica e nas medidas dos chamadas “bloqueios”.
Após ter sido acusada de “cadela” por Rafinha Bastos no CQC da Band, Daniela Albuquerque, a “primeira dama” da RedeTV, passou por uma tremenda “saia justa” em seu próprio programa na emissora. No dia 30 de agosto, último dia da apresentadora Keila Lima, sua parceira e “professora”, ao despedir-se do programa “Manhã Maior”, abriu o jogo e “caiu de pau” (com o maior alto nível) tanto na “parceira” quanto, sutilmente na Rede TV (1). Quanto ao caso do Rafinha, este pediu “desculpas” formais no programa seguinte. Claro que após uma reunião entre o presidente da RedeTV , marido da dita “cadela” --que tem três vezes menos a idade dele-- e o presidente da Band.
Rever “Smultronstället” (1957) após longos anos em que o assisti por completo pela última vez (talvez há uns 15 anos), foi uma overdose de emoções. Ainda me lembrava da primeira vez que o vi no velho e saudoso “Alvorada” no posto seis, salinha pequena, mas cuja designação vinha subtitulada como “Cinema de Arte”. Eu devia ter uns 18 anos e fiquei pasmo com Bergman, a sua capacidade de narração, de aprofundar o ser humano naquilo que os religiosos vêm como “alma”, ou “espírito”, mas que eu no meu ateísmo simplório classifico apenas como “essência”.
Pena mesmo que por alguns anos me afastei do diretor, acometido de uma doença de “esquerdismo infantil”, sectário e tolo que julgava a arte apenas pelo cunho social (engajado) contido nela (2). Coisa que, ainda bem, durou apenas alguns anos, pois quando voltei a admirá-lo –, até por ver o engano quanto ao meu julgamento--, aprofundei-me em sua obra, voltando a assistir com outros olhos obras como “O sétimo selo”, “A fonte da donzela”, entre tantas, incluindo este magistral “Morangos silvestres”, cuja tradução mais precisa, segundo soube por alguém, faz pouco tempo (e nada entendo de sueco) seria “alguns” morangos silvestres.
Mas falei tudo isto apenas para dizer que considero este o seu melhor filme (3)... Se bem que, no entanto sou daqueles que defendem a ideia de que gênios como Bergman e outros do seu naipe, não podem ter algo maior do que o conjunto de seu trabalho.
Notícia publicada ontem à noite no UOL, levanta que pelo menos um montante equivalente à economia da Bolívia foi desviado dos cofres públicos do governo federal entre 2002 e 2008. Com o referido nível de recursos seria possível elevar em 23% o número de beneficiados pelo Bolsa Família (em torno de 13 milhões de famílias). Ou reduzir à metade o número de casas sem saneamento básico, que são cerca de 25 milhões de moradias.
Coisas do Brasil!
Mas para acabar o domingo em alto astral, lembrei de uma piadinha antiga pra dedéu, mas que vale a pena.
O sujeito entrou no bonde (um banco longo e contínuo), e ia sentar-se quando uma senhora o interpelou dizendo:
“Senhor, cuidado com os ovos!”.
O cara interrompeu o ato de sentar-se a tempo de ver um embrulho em papel jornal, o pegou e ao passar para a velhinha exclamou:
“Pesados...”
Ao que ela, imediatamente respondeu:
“Claro, são pregos!”
Mas queria lembrar mesmo era daquela piadinha mais antiga ainda, do sujeito que virou neto dele mesmo. Veio-me à cabeça, por razões óbvias, quando revia “Volver” (2006) de Pedro Almodóvar.
Neurônios queimados à parte, um bom domingo para todos!
1. A quem interessar possa, assista no link abaixo a saia justa da “cadela” da RedeTV:
2. Nada a ver com teses como a do “realismo socialista”, pois desde 1966 me posicionei como trotskista, o que me afastava das teses de Stalin. Mas uma distorção mesmo da visão do que seja uma arte revolucionária. Até o dia em que entendi que esta arte revolucionária tem pouco a ver com posição política, mas com a visão do artista frente ao mundo partindo se seu prisma. Claro que há artistas reacionários, mas no caso de Bergman, a “existência em si” é o seu ponto de partida, o que o torna um Humanista.
3. Para além de Victor Sjöström, o filme conta com as presenças da maravilhosa Ingrid Thulin e da encantadora Bibi Anderson. Sjöström foi um dos pioneiros do cinema sueco, dono de uma filmografia respeitável como diretor e ator, e veio a realizar este filme, retratando um velho professor e médico no ocaso de sua vida. Coincidentemente ele faleceu cerca de três anos depois.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Que país é este?
Acima uma matéria televisiva do momento em que Jaqueline Roriz recebia sua propina, um dos muitos motivos que resultaram na CPI do Mensalão do DEM de Brasília. Abaixo o artigo do jornalista Carlos Newton publicada em 31/08/2011, na Tribuna da Imprensa, atualmente Tribuna na Internet (1), que no meu entender resume tudo o que penso.
“Alguém esperava algo diferente? Por 265 votos a 166, com 20 abstenções, a Câmara absolveu a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), que enfrentava um pedido de cassação do mandato, por ter sido flagrada recebendo dinheiro do operador e denunciante do esquema do mensalão do DEM em Brasília, Durval Barbosa.
A estratégia de defesa de Jaqueline Roriz foi semelhante à do então ministro Antonio Palocci, quando seu enriquecimento ilícito foi submetido à Comissão de Ética do Planalto, presidida por Sepúlveda Pertence, ex-ministro do Supremo. Na ocasião, Sepúlveda “absolveu” Palocci, alegando que a fortuna do ministro fora feita antes de ocupar o cargo, e a Comissão de Ética existe para analisar apenas os casos cometidos durante o exercício do cargo.
Como o vídeo foi gravado em 2006, mas revelado apenas em março de 2011, a defesa de Jaqueline também alegou que ela ainda não tinha mandato naquela época, e, por isso, não poderia ser cassada agora. Mesmo assim o relator, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), pediu a cassação, argumentando que o fato se tornou de conhecimento público apenas este ano, quando Jaqueline já havia tomado posse na Câmara.
O relator disse que não importa que o vídeo flagrando Jaqueline Roriz em ato de corrupção tenha sido feito em 2006, quando ela ainda não era deputada federal, mas o que importava era a corrupção comprovada.
Depois dos pronunciamentos do relator Carlos Sampaio e da defesa da deputada, Jaqueline falou por 11 minutos. Em seguida, foi aberto prazo de três minutos para manifestações de parlamentares contra e a favor da cassação, para então se iniciar a votação eletrônica.
Há vários dias já se sabia que o clima era favorável à parlamentar e que Jaqueline deveria conseguir escapar da cassação. Muitos deputados temem ser cassados por irregularidades cometidas antes de chegarem à Câmara. A votação foi secreta e seriam necessários pelo menos 257 votos “sim” a favor do relatório do conselho pela cassação, para que ela perdesse o mandato.”
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