sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Da série: Porque vou VOTAR NULO – Final

Millôr

Excelente!

Juro que vi... E fotografei.

Esta é campeã!

 
Postei aqui algumas das melhores charges publicadas nesta série.
VOTE NULO você tambem e DURMA TRANQUILO! 
Acabe com a exploração do capital sobre os eleitores com seus
candidatos/fantoches e suas negociatas corruptas


Da Série: Porque vou VOTAR NULO...




quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Falando de Venezuela...


Enquanto a imprensa burguesa critica Chávez, os fatos demonstram o outro lado da moeda: em 1998, quando assumiu o poder, havia 1.628 médicos para uma população de 23,4 milhões. Dez anos mais tarde, chegavam a cerca de 20.000 médicos para uma população de então 27 milhões.
Os gastos sociais subiram de 8,2% do PIB, em 1998, para quase 14%. “Se comparamos a taxa de pobreza pré-Chávez (43,9%) com a registrada dez anos depois (27,5%), chegamos a uma queda de 37% no número de venezuelanos pobres”, afirma o estudo. E o índice de desemprego, que era de 19% em 1998, caiu pela metade.

E a disputa entre os campos chavista e antichavista se intensifica na medida em que o país se torna socialmente mais homogêneo, alcançando o topo do ranking sul americano de distribuição da renda. O ponto nevrálgico da tensão é que os proprietários dos meios de produção estão deixando rapidamente de ser os donos do poder político, o que provoca forte reação dos extratos mais altos e seu entorno”. A renda média dos 20% mais ricos não foi afetada, e nem o seu estilo de vida, mas eles percebem que não detém mais o comando sobre o Estado e a sociedade.
Nos setores mais pobres, atendidos por um amplo repertório de políticas sociais, o comportamento é ditado por motivações que extrapolam conquistas ou expectativas econômicas. A combustão dessas camadas, tendo na melhoria de vida seu pano de fundo, determina-se também pelo esforço do presidente em travar permanentemente batalhas por ideias e valores.

Desde o início de seu governo, mas de forma mais ampla depois da tentativa do golpe de Estado em 2002, Chávez tratou de ocupar o máximo de espaço nos meios de comunicação. Seu discurso é voltado, quase sempre, para identificar cada movimento de seu governo como parte de um processo revolucionário, ao mesmo tempo em que fermenta entre seus seguidores um sentimento de repulsa aos adversários das mudanças em curso.
A princípio, o fio condutor da pedagogia chavista foi o resgate da história – e do pensamento –  de Simón Bolívar, o patriarca da independência venezuelana e chefe político militar da guerra anticolonial contra os espanhóis no século XIX. Por esse caminho, Chávez imprimiu ao seu projeto forte marca nacionalista, que contrapôs aos senhores coloniais (Estados Unidos) e seus aliados internos representados pela elite local.

A oposição, animada pela predominância nos meios de comunicação, colocou suas fichas no enfrentamento aberto. Além das reservas midiáticas, sempre contabilizou a seu favor forças econômicas e relações internacionais para mobilizar as camadas médias contra o governo. Mesmo após o golpe de 2002, no auge da polarização, os partidos antichavistas deram continuidade a uma estratégia de colisão.
Mas ambos os lados atualmente têm que levar em conta um novo fenômeno. Mais de 30% da população trocou de extrato social. Migraram dos segmentos mais pobres para a classe média. E o campo opositor se vê obrigado a reconhecer certos avanços no terreno social, ao contrário da política de “rechaço absoluto” anteriormente praticada. Tanto que a campanha de Capriles promete preservar as “missões” sociais.
Para os governistas também surgem novas questões. O problema do processo é disputar corações e mentes desse novo contingente de classe média. As pesquisas diversas apontam que emergiu, nos últimos anos, um grupo sem alinhamento, tanto com Chávez, como com seus adversários. A maioria de seus integrantes deste setor é oriundo dessas camadas ascendentes.

O presidente vem beirando, nas pesquisas mais confiáveis, os 60% de intenção eleitoral para o pleito de outubro, abrindo vantagem de 15% a 30% contra seu oponente. O candidato oposicionista, representante de uma aliança formada por grandes empresários precisa convencer que é capaz de absorver ao menos parte das medidas que, desde 1999, favoreceram os 80% de eleitores que não estão nas classes mais privilegiadas da sociedade.

O programa de governo desta oposição não ajuda muito. Mesmo tendo abrandado suas críticas às políticas sociais do presidente, o ímpeto privativista está presente... E com força. Não apenas fala em reduzir o Estado, reverter nacionalizações ou tirar a PDVSA do controle estatal, mas defende explicitamente que as terras desapropriadas dos grandes latifundiários voltem às mãos dos antigos donos. “Primeiro, precisamos acabar com as expropriações, devemos trazer a segurança ao campo, dar confiança a partir do governo”, afirmou Capriles em recente coletiva de imprensa.

Qualquer que seja o resultado, no entanto, a administração de Hugo Chávez terá conseguido um feito que merece análise apurada de cientistas políticos. Ao contrário do que acontece na maioria dos países, nos quais o marketing “domesticou a política” e oculta a disputa de ideias, na Venezuela, sequer as necessidades eleitorais diluem a batalha frontal entre programas.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O capitalismo já faliu? (Parte 2)


Agradeço a Reinaldo Carcanholo (1) sem o qual este artigo não teria sido possível...

Os grandes capitais privilegiaram o setor financeiro, fugindo da baixa rentabilidade. O consequente processo especulativo que se acentuou no final dos anos 1970 foi favorecido pela política de endividamento externo, seguida por alguns países. Fortaleceu esse processo a elevação das taxas de juros internacionais determinada pela política estadunidense no início dos anos 1980.

A partir dos 1980, a taxa de lucro nos países capitalistas mais importantes começou a se recuperar e o fez de maneira expressiva. Como se explica esse fato se, como consideramos, o capital especulativo tendeu a crescer mais rapidamente que o produtivo? A verdade é que esse maior crescimento deveria ter reduzido ainda mais a rentabilidade do capital, ao privilegiar a expansão dos capitais que em nada contribuem para a produção de mais-valia.

O fato é que os lucros (fictícios) crescentes pesaram muito neste contexto. Com eles, a contradição da produção/apropriação do excedente-valor podia ser solucionada a cada instante. Os lucros fictícios eram bastante elevados para, somados ao aumento da exploração do trabalho, garantir rentabilidade satisfatória para o capital. Mas esse mecanismo apresentava um grave problema: resolvia o problema, mas, no momento seguinte, o crescimento adicional e consequente do capital fictício agravaria a contradição e a dificuldade de hoje, a de amanhã, e por aí em diante numa bola de neve. Em algum momento haveria uma explosão... E ela aconteceu com a crise imobiliária nos Estados Unidos.

É essa a razão porque a etapa especulativa e parasitária do capitalismo mundial, liderada por esse país, inevitavelmente tem data para desaparecer, embora não saibamos quando será e nem como dar-se-á. A crise dos subprime e todos os seus desdobramentos em todo o mundo, que assustou a todos, não constituiu senão o início do processo de colapso dessa etapa, que provavelmente será mais prolongada do que parece. A atual crise está apenas em suas manifestações iniciais.

O mais provável é que, depois de alguns anos de profunda recessão, vamos presenciar um longo período de estagnação econômica, com crescimento que ora se recupera, ora se reduz drástica. Ao mesmo tempo, iremos assistir crises financeiras recorrentes, com quebra de empresas de todos os tipos, inclusive e particularmente de empresas produtivas. O crescimento do desemprego é uma inevitável consequência.

Nos nossos dias o capitalismo teoricamente está morto. Mas é necessário matá-lo historicamente. E isso será muito difícil, mas não impossível. Uma revolução socialista é a única saída.

1. Reinaldo Carcanholo é Professor do Mestrado em Política Social e do Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Tutor do PET-Economia / UFES (Programa de Ensino Tutorial- SESU/MEC). Graduado e Mestre em Economia pela Universidad de Chile, doutorado em Economia pela Universidade Nacional Autónoma do Mexico (1982), foi professor regular nas universidades de Chile, de Costa Rica, Benemérita de Puebla (México), Nacional Autónoma de Honduras e visitante na Universidad Nacional Autónoma de Nicarágua. É colaborador do Movimento Sem Terra (MST) e diretor executivo da Sociedad Latinoamericana de Economia Politica y Pensamiento Crítico (SEPLA).

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O capitalismo já faliu? (Parte 1)


Agradeço a Reinaldo Carcanholo (1) sem o qual este artigo não teria sido possível...

A partir da década de 1980, o capital e seus ideólogos, entre eles os seus economistas, passaram a acreditar terem encontrado uma fórmula mágica para garantir a geração de riqueza econômica, sem necessidade de utilização do trabalho humano. Alguns chegaram a pensar que o capital terminaria não mais necessitando da força de trabalho para produzir riqueza e excedente. A tecnologia, a informação e o domínio do conhecimento foram alçados à categoria de poderosas magias capazes de tudo e objeto de adoração. Finalmente o capital não precisaria mais sujar as mãos na produção para realizar-se como capaz de, por si só, gerar lucros... E lucros elevados.
  
O capital se lançou loucamente à especulação e encontrou aí o remédio para a baixa rentabilidade que foi forçado a suportar durante os anos 1970. Durante algum tempo, a mágica funcionou e houve uma real e significativa recuperação da taxa de rentabilidade do grande capital. Mas, no que deu? A crise capitalista atual é o preço que se está pagando pelo período de orgia especulativa, e esse preço é, e continuará sendo muito alto, embora seja pago principalmente por aqueles que em nada se beneficiaram dela.
  
O que assistimos atualmente no mundo capitalista é muito mais do que uma simples crise financeira, apesar da burguesia continuar batendo nesta tecla. Não é uma corriqueira crise cíclica, das que em algum tempo o sistema se recompõe, voltando a funcionar normalmente. Não se trata do resultado de um período de desregulação do capital especulativo, em que alguns governos poderosos do mundo praticaram uma política irresponsável. Estamos frente a algo muito mais importante. Assistimos ao início do colapso de uma etapa específica do capitalismo. A crise financeira iniciada nos Estados Unidos, no setor imobiliário e que se estendeu a todo o sistema financeiro e ao setor da economia real, é só o a “ponta do iceberg” desse processo. A análise a seguir pretende basear-se sobre a perspectiva marxista e explicitamente sobre sua “teoria do valor”. 
  
Isto significa distanciar-se das interpretações que destacam como causa da crise o defeito que teria o sistema de, em certos momentos, apresentar uma excessiva voracidade por parte de capitais, o que comprometeria o normal funcionamento do mercado. Ao lado desse defeito se somaria, no entender deles, uma política permissiva por parte dos governos ao não regular suficientemente os movimentos e a lógica desse capital especulativo.
  
Uma interpretação keynesiana clássica padece de um defeito de tipo similar ao do próprio neoliberalismo... Só que de sentido inverso. Enquanto este último apresenta uma fé cega no mercado, como se ele fosse capaz de tudo, o keynesianismo, no extremo oposto, joga toda sua convicção teórica na capacidade todo poderosa do Estado.
  
A perspectiva de Marx, ao contrário, sustenta não só a existência de contradições internas existentes na sociedade capitalista, como, ao mesmo tempo, que essas contradições agravam-se com o tempo; que seu antagonismo inevitavelmente torna-se cada vez mais agudo. Assim, a intervenção do Estado, como instância contraditória, mas capaz de representar os interesses globais do capital, embora possa atenuar a intensidade e as consequências das crises para o capital, especialmente nos seus momentos mais agudos, não é suficientemente poderosa para evitar o processo de agravamento do antagonismo das contradições inerentes ao sistema.
  
Entender a atual crise desde uma perspectiva marxista pressupõe identificar as contradições presentes na atual etapa do capitalismo e especialmente destacar a contradição principal que explica o desenvolvimento dessa etapa. Para isso, não temos mais remédio do que nos utilizar da teoria dialética do valor, entendida não como uma simples teoria dos preços (o que não passa de um erro elementar, mas como uma teoria da riqueza capitalista e, em sentido mais amplo, como uma teoria científica do funcionamento dessa sociedade. Exige também, e isso é fundamental, uma compreensão adequada da dialética dos conceitos de capital fictício e lucros fictícios, conceitos esses que não são mais do que derivações necessárias da mencionada teoria do valor.
  
Uma questão central para entender o capitalismo em geral, desde este ponto de vista, é a contradição produção versus apropriação de riqueza. E isso não só no que se refere à relação entre capital e trabalho, mas também em relação à redistribuição do valor excedente (do qual a mais-valia é uma parte) entre os não trabalhadores e entre as diversas frações ou formas autonomizadas do capital. E é justamente isso que nos permite caracterizar a atual etapa capitalista como especulativa e parasitária, presidida pela insuficiente capacidade do capital produtivo de gerar o necessário excedente econômico real para atender às exigências de remuneração do chamado capital “financeiro” e do capital em seu conjunto. E isso apresenta consequências na relação entre o capital e o trabalho.
  
(continua)

1. Reinaldo Carcanholo é Professor do Mestrado em Política Social e do Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Tutor do PET-Economia / UFES (Programa de Ensino Tutorial- SESU/MEC). Graduado e Mestre em Economia pela Universidad de Chile, doutorado em Economia pela Universidade Nacional Autónoma do Mexico (1982), foi professor regular nas universidades de Chile, de Costa Rica, Benemérita de Puebla (México), Nacional Autónoma de Honduras e visitante na Universidad Nacional Autónoma de Nicarágua. É colaborador do Movimento Sem Terra (MST) e  diretor executivo da Sociedad Latinoamericana de Economia Politica y Pensamiento Crítico (SEPLA).