Esta vale a pena!
Este blogue é uma miscelânea de pensamentos sobre os mais variados assuntos. Tem recuerdos, críticas variadas, abordagens da situação política e social no Brasil e no mundo, pensamentos diversos, contos, lixo cultural. Tudo sem sequência e sem compromisso de continuidade.
sábado, 6 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Da série: Porque vou VOTAR NULO – Final
Millôr
Excelente!
Juro que vi... E fotografei.
Esta é campeã!
Postei aqui algumas das melhores charges publicadas nesta série.
VOTE NULO você tambem e DURMA TRANQUILO!
Acabe com a exploração do capital sobre os eleitores
com seus
candidatos/fantoches e suas negociatas corruptas
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Falando de Venezuela...
Enquanto a
imprensa burguesa critica Chávez, os fatos demonstram o outro lado da moeda: em
1998, quando assumiu o poder, havia 1.628 médicos para uma população de 23,4
milhões. Dez anos mais tarde, chegavam a cerca de 20.000 médicos para uma
população de então 27 milhões.
Os gastos
sociais subiram de 8,2% do PIB, em 1998, para quase 14%. “Se comparamos a taxa
de pobreza pré-Chávez (43,9%) com a registrada dez anos depois (27,5%),
chegamos a uma queda de 37% no número de venezuelanos pobres”, afirma o estudo.
E o índice de desemprego, que era de 19% em 1998, caiu pela metade.
E a disputa entre os campos chavista
e antichavista se intensifica na medida
em que o país se torna socialmente mais homogêneo, alcançando o topo do ranking sul americano de distribuição da
renda. O ponto nevrálgico da tensão é que os proprietários dos meios de
produção estão deixando rapidamente de ser os donos do poder político, o que
provoca forte reação dos extratos mais altos e seu entorno”. A renda média dos
20% mais ricos não foi afetada, e nem o seu estilo de vida, mas eles percebem
que não detém mais o comando sobre o Estado e a sociedade.
Nos setores mais pobres, atendidos por um amplo repertório de
políticas sociais, o comportamento é ditado por motivações que extrapolam
conquistas ou expectativas econômicas. A combustão dessas camadas, tendo na
melhoria de vida seu pano de fundo, determina-se também pelo esforço do
presidente em travar permanentemente batalhas por ideias e valores.
Desde o início de seu governo, mas de forma mais ampla depois da
tentativa do golpe de Estado em 2002, Chávez tratou de ocupar o máximo de
espaço nos meios de comunicação. Seu discurso é voltado, quase sempre, para
identificar cada movimento de seu governo como parte de um processo
revolucionário, ao mesmo tempo em que fermenta entre seus seguidores um
sentimento de repulsa aos adversários das mudanças em curso.
A princípio, o fio condutor da
pedagogia chavista foi o resgate da
história – e do pensamento – de Simón
Bolívar, o patriarca da independência venezuelana e chefe político militar da
guerra anticolonial contra os espanhóis no século XIX. Por esse caminho, Chávez
imprimiu ao seu projeto forte marca nacionalista, que contrapôs aos senhores
coloniais (Estados Unidos) e seus aliados internos representados pela elite
local.
A oposição, animada pela
predominância nos meios de comunicação, colocou suas fichas no enfrentamento
aberto. Além das reservas midiáticas, sempre contabilizou a seu favor forças
econômicas e relações internacionais para mobilizar as camadas médias contra o
governo. Mesmo após o golpe de 2002, no auge da polarização, os partidos antichavistas deram continuidade a uma
estratégia de colisão.
Mas ambos os lados atualmente têm
que levar em conta um novo fenômeno. Mais de 30% da população trocou de extrato
social. Migraram dos segmentos mais pobres para a classe média. E o campo
opositor se vê obrigado a reconhecer certos avanços no terreno social, ao
contrário da política de “rechaço absoluto” anteriormente praticada. Tanto que
a campanha de Capriles promete preservar as “missões” sociais.
Para os governistas também surgem
novas questões. O problema do processo é disputar corações e mentes desse novo
contingente de classe média. As pesquisas diversas apontam que emergiu, nos
últimos anos, um grupo sem alinhamento, tanto com Chávez, como com seus
adversários. A maioria de seus integrantes deste setor é oriundo dessas camadas
ascendentes.
O presidente vem beirando, nas
pesquisas mais confiáveis, os 60% de intenção eleitoral para o pleito de
outubro, abrindo vantagem de 15% a 30% contra seu oponente. O candidato
oposicionista, representante de uma aliança formada por grandes empresários precisa
convencer que é capaz de absorver ao menos parte das medidas que, desde 1999,
favoreceram os 80% de eleitores que não estão nas classes mais privilegiadas da
sociedade.
O programa de governo desta oposição não ajuda muito. Mesmo tendo
abrandado suas críticas às políticas sociais do presidente, o ímpeto privativista
está presente... E com força. Não apenas fala em reduzir o Estado, reverter
nacionalizações ou tirar a PDVSA do controle estatal, mas defende
explicitamente que as terras desapropriadas dos grandes latifundiários voltem
às mãos dos antigos donos. “Primeiro, precisamos acabar com as expropriações,
devemos trazer a segurança ao campo, dar confiança a partir do governo”,
afirmou Capriles em recente coletiva de imprensa.
Qualquer que seja o resultado, no entanto, a administração de Hugo
Chávez terá conseguido um feito que merece análise apurada de cientistas
políticos. Ao contrário do que acontece na maioria dos países, nos quais o marketing “domesticou a política” e
oculta a disputa de ideias, na Venezuela, sequer as necessidades eleitorais
diluem a batalha frontal entre programas.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
O capitalismo já faliu? (Parte 2)
Agradeço a
Reinaldo Carcanholo
(1) sem o qual este artigo não teria sido possível...
Os grandes capitais privilegiaram o setor financeiro, fugindo da baixa
rentabilidade. O consequente processo especulativo que se acentuou no final dos
anos 1970 foi favorecido pela política de endividamento externo, seguida por alguns
países. Fortaleceu esse processo a elevação das taxas de juros internacionais
determinada pela política estadunidense no início dos anos 1980.
A partir dos 1980, a taxa de lucro nos países capitalistas mais importantes
começou a se recuperar e o fez de maneira expressiva. Como se explica esse fato
se, como consideramos, o capital especulativo tendeu a crescer mais rapidamente
que o produtivo? A verdade é que esse maior crescimento deveria ter reduzido
ainda mais a rentabilidade do capital, ao privilegiar a expansão dos capitais
que em nada contribuem para a produção de mais-valia.
O fato é que os lucros (fictícios) crescentes pesaram
muito neste contexto. Com eles, a contradição da produção/apropriação do
excedente-valor podia ser solucionada a cada instante. Os lucros fictícios eram
bastante elevados para, somados ao aumento da exploração do trabalho, garantir
rentabilidade satisfatória para o capital. Mas esse mecanismo apresentava um
grave problema: resolvia o problema, mas, no momento seguinte, o crescimento
adicional e consequente do capital fictício agravaria a contradição e a dificuldade
de hoje, a de amanhã, e por aí em diante numa bola de neve. Em algum momento
haveria uma explosão... E ela aconteceu com a crise imobiliária nos Estados
Unidos.
É essa a razão porque a etapa especulativa e
parasitária do capitalismo mundial, liderada por esse país, inevitavelmente tem
data para desaparecer, embora não saibamos quando será e nem como dar-se-á. A
crise dos subprime e todos os seus desdobramentos
em todo o mundo, que assustou a todos, não constituiu senão o início do
processo de colapso dessa etapa, que provavelmente será mais prolongada do que
parece. A atual crise está apenas em suas manifestações iniciais.
O mais provável é que, depois de alguns anos de profunda recessão, vamos
presenciar um longo período de estagnação econômica, com crescimento que ora se
recupera, ora se reduz drástica. Ao mesmo tempo, iremos assistir crises
financeiras recorrentes, com quebra de empresas de todos os tipos, inclusive e
particularmente de empresas produtivas. O crescimento do desemprego é uma inevitável
consequência.
Nos nossos dias o capitalismo teoricamente
está morto. Mas é necessário matá-lo historicamente. E isso será muito difícil,
mas não impossível. Uma revolução socialista é a única saída.
1. Reinaldo Carcanholo é Professor do Mestrado em Política Social e do
Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES);
Tutor do PET-Economia / UFES (Programa de Ensino Tutorial- SESU/MEC). Graduado
e Mestre em Economia pela Universidad de Chile, doutorado em Economia pela
Universidade Nacional Autónoma do Mexico (1982), foi professor regular nas
universidades de Chile, de Costa Rica, Benemérita de Puebla (México), Nacional
Autónoma de Honduras e visitante na Universidad Nacional Autónoma de Nicarágua.
É colaborador do Movimento Sem Terra (MST) e diretor executivo da Sociedad Latinoamericana de Economia Politica y
Pensamiento Crítico (SEPLA).
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
O capitalismo já faliu? (Parte 1)
Agradeço a
Reinaldo Carcanholo
(1) sem o qual este artigo não teria sido possível...
A partir da década de 1980, o capital e seus ideólogos, entre eles
os seus economistas, passaram a acreditar terem encontrado uma fórmula mágica
para garantir a geração de riqueza econômica, sem necessidade de utilização do
trabalho humano. Alguns chegaram a pensar que o capital terminaria não mais
necessitando da força de trabalho para produzir riqueza e excedente. A
tecnologia, a informação e o domínio do conhecimento foram alçados à categoria
de poderosas magias capazes de tudo e objeto de adoração. Finalmente o capital
não precisaria mais sujar as mãos na produção para realizar-se como capaz de,
por si só, gerar lucros... E lucros elevados.
O capital
se lançou loucamente à especulação e encontrou aí o remédio para a baixa
rentabilidade que foi forçado a suportar durante os anos 1970. Durante algum
tempo, a mágica funcionou e houve uma real e significativa recuperação da taxa
de rentabilidade do grande capital. Mas, no que deu? A crise capitalista atual
é o preço que se está pagando pelo período de orgia especulativa, e esse preço
é, e continuará sendo muito alto, embora seja pago principalmente por aqueles
que em nada se beneficiaram dela.
O
que assistimos atualmente no mundo capitalista é muito mais do que uma simples
crise financeira, apesar da burguesia continuar batendo nesta tecla. Não é uma corriqueira
crise cíclica, das que em algum tempo o sistema se recompõe, voltando a
funcionar normalmente. Não se trata do resultado de um período de desregulação
do capital especulativo, em que alguns governos poderosos do mundo praticaram
uma política irresponsável. Estamos frente a algo muito mais importante.
Assistimos ao início do colapso de uma etapa específica do capitalismo. A crise
financeira iniciada nos Estados Unidos, no setor imobiliário e que se estendeu
a todo o sistema financeiro e ao setor da economia real, é só o a “ponta do iceberg” desse processo. A análise a seguir pretende
basear-se sobre a perspectiva marxista e explicitamente sobre sua “teoria do
valor”.
Isto significa distanciar-se das interpretações que destacam como causa da crise o defeito que teria o sistema de, em certos momentos, apresentar uma excessiva voracidade por parte de capitais, o que comprometeria o normal funcionamento do mercado. Ao lado desse defeito se somaria, no entender deles, uma política permissiva por parte dos governos ao não regular suficientemente os movimentos e a lógica desse capital especulativo.
Isto significa distanciar-se das interpretações que destacam como causa da crise o defeito que teria o sistema de, em certos momentos, apresentar uma excessiva voracidade por parte de capitais, o que comprometeria o normal funcionamento do mercado. Ao lado desse defeito se somaria, no entender deles, uma política permissiva por parte dos governos ao não regular suficientemente os movimentos e a lógica desse capital especulativo.
Uma
interpretação keynesiana clássica padece de um defeito de tipo similar ao do
próprio neoliberalismo... Só que de sentido inverso. Enquanto este último
apresenta uma fé cega no mercado, como se ele fosse capaz de tudo, o
keynesianismo, no extremo oposto, joga toda sua convicção teórica na capacidade
todo poderosa do Estado.
A
perspectiva de Marx, ao contrário, sustenta não só a existência de contradições
internas existentes na sociedade capitalista, como, ao mesmo tempo, que essas
contradições agravam-se com o tempo; que seu antagonismo inevitavelmente
torna-se cada vez mais agudo. Assim, a intervenção do Estado, como instância
contraditória, mas capaz de representar os interesses globais do capital,
embora possa atenuar a intensidade e as consequências das crises para o
capital, especialmente nos seus momentos mais agudos, não é suficientemente
poderosa para evitar o processo de agravamento do antagonismo das contradições
inerentes ao sistema.
Entender a
atual crise desde uma perspectiva marxista pressupõe identificar as
contradições presentes na atual etapa do capitalismo e especialmente destacar a
contradição principal que explica o desenvolvimento dessa etapa. Para isso, não
temos mais remédio do que nos utilizar da teoria dialética do valor, entendida
não como uma simples teoria dos preços (o que não passa de um erro elementar, mas como uma teoria da riqueza capitalista
e, em sentido mais amplo, como uma teoria científica do funcionamento dessa
sociedade. Exige também, e isso é fundamental, uma compreensão adequada da
dialética dos conceitos de capital fictício e lucros fictícios, conceitos esses
que não são mais do que derivações necessárias da mencionada teoria do valor.
Uma questão
central para entender o capitalismo em geral, desde este ponto de vista, é a
contradição produção versus apropriação
de riqueza. E isso não só no que se refere à relação entre capital e trabalho,
mas também em relação à redistribuição do valor excedente (do qual a mais-valia é uma parte) entre os não
trabalhadores e entre as diversas frações ou formas autonomizadas do capital. E
é justamente isso que nos permite caracterizar a atual etapa capitalista como
especulativa e parasitária, presidida pela insuficiente capacidade do capital
produtivo de gerar o necessário excedente econômico real para atender às
exigências de remuneração do chamado capital “financeiro” e do capital em seu
conjunto. E isso apresenta consequências na relação entre o capital e o
trabalho.
(continua)
1. Reinaldo Carcanholo é Professor do Mestrado em Política Social e do
Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES);
Tutor do PET-Economia / UFES (Programa de Ensino Tutorial- SESU/MEC). Graduado
e Mestre em Economia pela Universidad de Chile, doutorado em Economia pela
Universidade Nacional Autónoma do Mexico (1982), foi professor regular nas
universidades de Chile, de Costa Rica, Benemérita de Puebla (México), Nacional
Autónoma de Honduras e visitante na Universidad Nacional Autónoma de Nicarágua.
É colaborador do Movimento Sem Terra (MST) e diretor executivo da Sociedad Latinoamericana de Economia Politica y
Pensamiento Crítico (SEPLA).
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