sexta-feira, 31 de julho de 2009

Fora do ar

Por motivos de força maior, este blogue estará fora do ar durante alguns dias. Assim que possível, estarei de volta.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Adendo às pensatas de domingo

Falei do blogue de meu filho sobre Playmobil. Supunha não ser possível entrar no Fórum, mas estava enganado.
É só clicar no link no final desta postagem (ou abaixo das duas últimas fotos) que vão se encontrar, não somente a história completa, como muito mais fotografias tiradas por ele.

http://www.playmofriends.com/forum/index.php?topic=2375.msg26883#msg26883

domingo, 26 de julho de 2009

Pensatas de domingo

Estava a andar, na sexta-feira pela manhã, entre a Santa Clara e a Figueiredo, quando dei de cara com uma moça. Digo moça, porque devia ter – pelo rosto – uns trinta no máximo. Feliz, estampava em seu semblante um belo sorriso, a olhar para os lados, onde um rapaz e uma outra moça a acompanhavam.
Mas havia um detalhe, um detalhe que me impressionou e fez pensar no quanto viver é precioso. A moça, a moça feliz era uma “mulher-tronco”.
E eu refleti por segundos (que duraram muito mais do que isto), o quanto alguns momentos que parecem ruins, podem não ser tão ruins assim.
Ainda mais porque no instante, em que aquela mulher, feliz na sua monstruosidade, vamos dizer: cagava pro lance, porque o mais importante é estar viva, me impressionou.

Tenho uma máxima que sempre repito, pelo menos em casa e para a minha analista que é: “dinheiro não traz a felicidade, mas a tranquilidade, com certeza”. Não sei se alguém já disse isso antes, mas, eu acho uma frase que diz muito da vida.

O Gustavo, meu filho, sempre amou Playmobil. Ganhou o primeiro quando fez um ano e encantou-se pelo brinquedo. Daí em diante começou uma coleção que acabou em 1987 ou 88. Mas teve um recomeço quando, dois anos depois, fomos morar em Portugal e ele ficou deslumbrado com a variedade de opções que existia na Europa.
A coleção somente se desfez nove anos atrás, quando a passou para as primas mais novas que moram em Beagá.
No entanto, o mais curioso é que tem cerca de um ano que ele descobriu a venda destes brinquedos pela internet. E deu-lhe a ideia de voltar à velha mania. Desta feita para tirar fotos. Sem corujice, cenários montados num estúdio improvisado no quarto dele com excelente resultado.
Parte do resultado está em um blogue (link abaixo), que é publicado em inglês, porque faz parte de um grupo de colecionadores ao redor do mundo.
Infelizmente o melhor das fotos está num fórum para o qual é necessária uma senha de acesso, o que dificulta que possamos vê-lo. Todavia, segue o endereço do blogue:
http://blackhairgus.blogspot.com/

Lembrei ontem de uma piada (de salão) dos idos tempos do bonde. Os bondes tinham como característica longos bancos e o passageiro ia se acomodando em fileiras.
O gajo entrou e pediu licença para sentar ao lado de uma senhora. Notou que ela colocara no lugar que seria o seu um pequeno embrulho.
Antes que ele sentasse ela falou: “Cuidado com os ovos!” Educadamente ele levantou o pacote e o entregou à velhinha, observando: “Pesados!”.
Ela lhe agradeceu e completou: “Lógico, são pregos!”

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sarney no cadafalso by Helio Fernandes

A série "Sarney no cadafalso" por Hélio Fernandes (leia-se Tribuna da Imprensa) é digna de nota e de ser acompanhada.
Afinal, hoje, exatamente agora, às 18h35m desta tarde de uma quinta-feira, já está no número 15.
Quem tiver interesse, leia em:

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Um convidado especial numa foto inolvidável

Anteriormente este “causo” foi publicado em uma edição do Jornal do CCRJ (Clube de Criação do Rio de Janeiro) em 1998, depois no meu blogue "Casos" da Propaganda (link ao lado). Mas acho que vale a pena posta-lo aqui no Novas Pensatas.

Foi quando a gente ia publicar o Jornal do Clube, lá pelos idos de 89. Mauro Mattos era o presidente. O Cristóvão e eu tínhamos peitado a parte gráfica, junto com a Maria Célia. Era um corre-corre danado. Reuniões de pauta. Reuniões para diagramação. Naquele tempo ainda não tinha Macintosh aqui pelas bandas do Rio. Toninho Lima, o Zé Gui, e tantos outros (se eu fosse citar um por um ia encher a página só com eles) todos envolvidos naquele desafio. “Vamos botar o jornal na rua. Ele tem que sair, ele tem que sair!” Bom, ele saiu. Aliás, pra quem não conheceu, um senhor número! Tamanhão “Meio & Mensagem” (1), muita matéria, entrevistas polêmicas. E um trabalho do cão... ou do leão.
Um belo dia, me liga o Henrique Meyer. “Jonga. Pra fechar o jornal... Tá quase tudo pronto... só falta fazer uma foto com o pessoal que foi a Cannes.” Resumindo, a foto ia ser no Handam na noite daquele dia mesmo.
Lá pelas oito eu cheguei no estúdio do Handam. Aquela animação. “O jornal tá quase pronto, - era o comentário geral - vamos ver se na semana que vem a gente está estourando com ele nas agências.” Um puta dum clima.
Começou a chegar o pessoal pra foto. Era a turma carioca que tinha ido a Cannes. Eduardo Martins, João Bosco, Fábio Fernandes. No meio, como figuração, a Luciana Vendramini. De repente o Henrique solta aquela: “Tá faltando o convidado mais importante da foto.” Quem será o convidado mais importante? Pensei eu com meus botões. Mas, papo vai, papo vem a gente esqueceu isso. Comecei a conjeturar com o Handam, qual seria a melhor maneira para fazer o Anuário do Clube. Como viabilizar essa tarefa hercúlea e até então inédita. Foi um papo longo.
De repente o Henrique anuncia com um sorriso de um lado ao outro do rosto que o convidado mais importante acabara de chegar. Olhei na direção da porta e eis que vejo surgir um leão. Mas olha "gentem", não era aquele leão brocha dos comerciais do Imposto de renda não! Não era aquele leão velho, pulguento, sonolento que a gente estava acostumado a ver por aí. Era um leão de verdade, em carne, osso e mandíbulas. Um leão jovem, cheio de tesão e babante. Olhar fixo, persistente. Um leão de arrepiar.
- Não se apavorem. Tudo bem - disse o Henrique firmemente - o leão tem um domador ao seu lado. Ele é obediente. Fiquem calmos.
A essa altura, sentia minhas pernas bambearem e pensava o que eu, que tinha medo de cachorro grande estava fazendo por aquelas bandas. É a mesma sensação de quando a gente está subindo na montanha russa, antes daquela primeira queda brusca.
Fiquei atrás do bar. Pelo menos tinha a ilusão de que ali havia uma parede divisória entre mim e aquela fera assassina. E olha que ela, a fera, no seu instinto realmente selvagem chegou a morder a calça de couro de uma jornalista que também fora ao Festival. Segundo o seu domador porque ela era de couro de animal africano ou coisa que o valha. Fato que não aconteceu com a Karin que estava com uma de couro artificial.
- E quando começarem os flashes? Fiz esta pergunta ao Handam num determinado momento de lucidez. Meu medo era aquele bicho enlouquecer, desbundar numa overdose de luzes pipocantes.
No final da fita, entre mortos e feridos salvaram-se todos, suados, descabelados. Só respirei quando o leão finalmente cruzou a porta e eu ainda esperei um bom tempo pra colocar o pé no elevador e me mandar, para acabar uma história que, literalmente, foi dose pra leão.

(1) Pra quem não conhece, Meio & Mensagem é um semanário que circula no meio publicitário.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Qual será o próximo?

Transcrevo abaixo trechos de uma matéria publicada pela Rede Brasil Atual (1), assinada pelo jornalista João Peres, que muito esclarece a situação em Honduras e a participação do cínico Mr. Barack Obama (2) e sua camarilha nos acontecimentos que enlutam a América, agredida pelos interesses estadunidenses:
“(...) O professor Marco Cepik, pesquisador do Núcleo de Estratégia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma em entrevista à Rede Brasil Atual ser difícil prever o resultado da mediação da Costa Rica na crise, mas acredita que o mais provável é uma solução que preveja a volta de Manuel Zelaya ao poder desde que não seja convocado um referendo sobre a formação de uma Assembleia Constituinte – a alegação para o golpe...
... Para o professor da UFRGS, de fato o governo Barack Obama teve um papel ambíguo no caso (3), inicialmente relutando em reconhecer a ocorrência do golpe. Para o pesquisador, no entanto, neste momento ‘a atuação tende a reconhecer uma solução que envolva uma sinalização clara contra qualquer golpe de Estado’.
Recentemente, Hugo Chávez e Evo Morales acusaram que há um plano golpista em curso na Guatemala contra o governo de Álvaro Colom. As declarações foram dadas pela ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1992, Rigoberta Menchú, que deu mais detalhes sobre o plano. Para ela, a queda, se ocorrer, será por pressões econômicas, e não pela atuação direta dos militares. A guatemalteca apontou que a primeira tentativa de derrubar Colom ocorreu em maio, quando foi assassinado um advogado que deixou um vídeo apontando o presidente como responsável pela morte...”
Na noite de ontem (19/07) o presidente deposto de Honduras, disse considerar “esgotado” o diálogo para resolver a crise no país, anunciou o início de uma “insurreição” e pediu à comunidade internacional para “endurecer as medidas” contra o governo (golpista) de Roberto Micheletti.
Somente o futuro dirá, mas tudo indica que a onda de golpes pela América reacendeu nos planos do império do norte. Qual será o próximo?

(1) http://www.redebrasilatual.com.br/
(2) Foi divulgada pela imprensa a notícia de que Mr. Obama teria criticado o golpe em Honduras. Acredite... Se quiser!
(3) o destaque em negrito é meu.

sábado, 18 de julho de 2009

A IV Internacional na América

Entre 1923 a 1928, Leon Trotsky com a Oposição de Esquerda, lutou dentro da URSS por uma política mundial para a III Internacional. Já exilado, em 1930, organizou a Oposição de Esquerda Internacional. Em 1933, a política stalinista levou à derrocada da esquerda alemã e à ascensão do nazismo. Trotsky concluiu que era necessário construir uma nova Internacional. A IV Internacional foi fundada em 1938.
O primeiro brasileiro que teria conhecido Trotsky foi Rodolpho Coutinho, dirigente do PCB, que debateu com o revolucionário russo alguns estudos seus em meados dos anos 1920. Mas foi com Mario Pedrosa, que muitas das rupturas do partido avançaram para o trotskismo, rompendo com o stalinismo e fundando a IV Internacional no Brasil.
..............................................................
Militei no POR–T (1), Seção Latino-Americana da IV Internacional – posadista (2) entre 1965/70. De lá para cá, desde que me afastei da militância política em partidos, perdi o fio da meada. O que constatei, principalmente após o advento da internet, que muito facilitou as pesquisas, é que existem várias correntes trotskistas em nosso continente. Antes deste instrumento, estava completamente desorientado.
No movimento trotskista brasileiro, atualmente vamos constatar três tendências. As mandelista, lambertista e morenista (vamos vê-las adiante), em frações despedaçadas por algumas divergências estratégicas, mas não completamente antagônicas. Em 1963, houve uma tentativa de unificação em torno do Secretariado Unificado, que não conseguiu reunir todos os trotskistas. Os posadistas, o Comitê Internacional e a Organização Comunista Internacionalista, ambos liderados por Pierre Lambert ficaram de fora, frustrando todo e qualquer esforço de unificação.
Desde a década de 1970, diversas organizações que reivindicaram as posições da corrente trotskista identificada internacionalmente com o PTS argentino e depois com o MAS, cujo fundador e principal dirigente foi Nahuel Moreno, corrente internacional que hoje se organiza na Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI). No Brasil o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) está ligado a esta tendência.
Nos anos 1960/70 a onda “foquista” (3) também atingiu a IV Internacional (Secretariado Unificado), a organização mais forte do movimento trotskista naquele período. Orientados pela direção majoritária de Ernest Mandel, que capitulava à orientação “foquista” (guevarista), muitas seções nacionais do SU – especialmente o ERP na Argentina e o POR na Bolívia – aderiram à luta armada e foram dizimadas.
E hoje? Vamos tentar (4) decupar como estão aqui na América as facções no movimento que surgiu com a Oposição de Esquerda liderada por Trotsky contra os caminhos tomados por Stalin em sua teoria (antítese aos pensamentos de Marx) da construção do “socialismo em um só país”?.
Existem a LIT– QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional), o PTS (Partido de los Trabajadores Socialistas) argentino, cisão do MAS (Movimento al Socialismo) tambem argentino e da LIT– QI, o PO (Partido Obrero) argentino, o POR (Partido Obrero Revolucionário) boliviano, a FT– QI (Fração Trotskista – Quarta Internacional) e a LER– QI (Liga Estratégica Revolucionária – Quarta Internacional), isto para citar as mais representativas. Nos Estados Unidos o SWP (Socialist Works Party) separou-se do pensamento trotskista em 1985, mas foi fundado em 1938 por apoiar Trotsky numa cisão da Liga Comunista da América.
Fica deste resumo uma realidade bastante clara: a falta de unidade do movimento. Um fator muito comum às esquerdas de um modo geral (5). A direita sempre pensa de forma uníssona por defender a propriedade e o poder constituído. Desde a Revolução Francesa (1789) isto ficou bastante evidente. Pouco mais de um ano depois, a divisão das esquerdas facilitou o golpe de 18 de Brumário. E o início do império Napoleônico.

(1) Partido Operário Revolucionário – Trotskista.
(2) No começo dos anos 60, um novo grupo destacou-se da IV Internacional, a facção liderada pelo argentino J. Posadas (pseudônimo de Homero Cristali), que desenvolveu uma concepção terceiro-mundista da revolução mundial.
(3) O “foquismo" foi uma tendência de vários setores da esquerda que achavam a guerrilha a única solução para a América e todo o Terceiro Mundo.
(4) Quando digo tentar, quero me referir às fontes bastante incompletas e cada uma tentando reivindicar para si uma posição autêntica; o que até é compreensível.
(5) Existe uma tentativa intitulada “Refundação da IV Internacional”cujo primeiro encontro foi em Buenos Aires no ano de 1997, mas nem todas as tendência se integraram a ela.