domingo, 5 de fevereiro de 2012

Pensatas de domingo. “Contribuição à Crítica da Economia Política”


O texto a seguir, escrito em 1859, eu copiei (1) do Boletim 59 da revista Controvérsia (http://www.controversia.com.br). Há pequenas diferenças entre este livro e a primeira seção de O Capital: "Mercadoria e Dinheiro" que condensou o conteúdo deste Contribuição à Crítica da Economia Política.
Marx começa neste falando da diferença entre “valor de uso” e “valor de troca”, enquanto que em O Capital começa a partir da diferença entre “valor de uso” e, na verdade o “valor trabalho”, para depois comentar o “valor de troca”.
Trata-se de diferença de ordem na hora de expor: neste Contribição..., a mercadoria tem “valor de uso”, e quando é trocada, a é por outras mercadorias (ou dinheiro), estando assim dentro de relações de troca, e, consequentemente nas relações sociais. E dentro da sociedade as pessoas trabalham, e assim nasce o valor (valor do trabalho) que é mais importante que o “valor de uso” e o “valor de troca”.
Que tal ler... E pensar neste domingo?

“Considero o sistema da economia burguesa por esta ordem: capital, propriedade fundiária, trabalho assalariado; Estado, comércio externo, mercado mundial. Sob as três primeiras rubricas investigo as condições econômicas de vida das três grandes classes em que se decompõe a sociedade burguesa moderna; a conexão das três outras rubricas salta à vista.”
Karl Marx

“A primeira seção do livro primeiro, que trata do capital, consiste dos seguintes capítulos:
1.    a mercadoria;
2.    o dinheiro ou a circulação simples;
3.    o capital em geral.
Os dois primeiros capítulos formam o conteúdo do presente fascículo. Tenho diante de mim todo o material sob a forma de monografias, as quais foram redigidas, em períodos que distam largamente uns dos outros, para minha própria compreensão, não para o prelo, e cuja elaboração conexa segundo o plano indicado dependerá de circunstâncias exteriores.
Suprimo uma introdução geral que tinha esboçado porque, refletindo mais a fundo, me parece prejudicial toda a antecipação de resultados ainda a comprovar, e o leitor que me quiser --de fato seguir-- terá de se decidir a ascender do singular para o geral. Algumas alusões ao curso dos meus próprios estudos políticoeconómicos poderão, pelo contrário, ter aqui lugar.
O meu estudo universitário foi o da jurisprudência, o qual, no entanto, só prossegui como disciplina subordinada a par de filosofia e história. No ano de 1842/43, como redator da Rheinische Zeitung, vi-me pela primeira vez, perplexo, perante a dificuldade de ter tambem de dizer alguma coisa sobre o que se designa por interesses materiais. Os debates do Landtag Renano sobre roubo de lenha e parcelamento da propriedade fundiária, a polêmica oficial que Herr Von Schaper, então Oberprásident da província renana, abriu com a Rheinische Zeitung sobre a situação dos camponeses do Mosela, por fim as discussões sobre livre cambismo e tarifas alfandegárias protecionistas deram-me os primeiros motivos para que me ocupasse com questões econômicas. Por outro lado, tinha-se nesse tempo — em que a boa vontade de "ir adiante" repetidas vezes contrabalançava o conhecimento das questões — tornado audível na Rheinische Zeitung um eco do socialismo e comunismo francês, sob uma tênue coloração filosófica. Declarei-me contra esta remendaria, mas ao mesmo tempo confessei abertamente, numa controvérsia com a Allgemeine Augsburger Zeitung, que os meus estudos até essa data não me permitiam arriscar eu próprio qualquer juízo sobre o conteúdo das orientações francesas. Preferi agarrar a mãos ambas a ilusão dos diretores da Rheinische Zeitung, que acreditavam poder levar a anular a sentença de morte passada sobre o jornal por meio de uma atitude mais fraca deste, para me retirar do palco público e me recolher ao quarto de estudo.
O primeiro trabalho, empreendido para resolver as dúvidas que me assaltavam, foi uma revisão crítica da filosofia do direito que Hegel, um trabalho cuja introdução apareceu nos Deutsch-Französische Jahrbücher publicados em Paris em 1844. A minha investigação desembocou no resultado de que relações jurídicas, tal como formas de Estado, não podem ser compreendidas a partir de si mesmas nem a partir do chamado desenvolvimento geral do espírito humano, mas enraízam-se, isso sim, nas relações materiais da vida, cuja totalidade  Hegel, na esteira dos ingleses e franceses do século XVIII, resume sob o nome de"sociedade civil", e de que a anatomia da sociedade civil se teria de procurar, porém, na economia política. A investigação desta última, que comecei em Paris, continuei em Bruxelas, para onde me mudara em consequência duma ordem de expulsão do Sr. Guizot. O resultado geral que se me ofereceu e, uma vez ganho, serviu de fio condutor aos meus estudos, pode ser formulado assim sucintamente: na produção social da sua vida os homens entram em determinadas relações, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superstrutura jurídica e política, e à qual correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência. Numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social. Com a transformação do fundamento econômico revoluciona-se, mais devagar ou mais depressa, toda a imensa superstrutura. Na consideração de tais revolucionamentos tem de se distinguir sempre entre o revolucionamento material nas condições econômicas da produção, o qual é constatável rigorosamente como nas ciências naturais, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em suma, ideológicas, em que os homens ganham consciência deste conflito e o resolvem. Do mesmo modo que não se julga o que um indivíduo é pelo que ele imagina de si próprio, tampouco se pode julgar uma tal época de revolucionamento a partir da sua consciência, mas se tem, isso sim, de explicar esta consciência a partir das contradições da vida material, do conflito existente entre forças produtivas e relações de produção sociais. Uma formação social nunca decai antes de estarem desenvolvidas todas as forças produtivas para as quais é suficientemente ampla, e nunca surgem relações de produção novas e superiores antes de as condições materiais de existência das mesmas terem sido chocadas no seio da própria sociedade velha. Por isso a humanidade coloca sempre a si mesma apenas as tarefas que pode resolver, pois que, a uma consideração mais rigorosa, se achará sempre que a própria tarefa só aparece onde já existem, ou pelo menos estão no processo de se formar, as condições materiais da sua resolução. Nas suas grandes linhas, os modos de produção asiático, antigo, feudal e, modernamente, o burguês podem ser designados como épocas progressivas da formação econômica e social. As relações de produção burguesas são a última forma antagônica do processo social da produção, antagônica não no sentido de antagonismo individual, mas de um antagonismo que decorre das condições sociais da vida dos indivíduos; mas as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam, ao mesmo tempo, as condições materiais para a resolução deste antagonismo. Com esta formação social encerra-se, por isso, a pré história da sociedade humana.
Friedrich Engels, com quem mantive por escrito uma constante troca de ideias desde o aparecimento do seu genial esboço para a crítica das categorias económicas (nos Deutsch-Französi-sche Jahrbücher), tinha chegado comigo, por uma outra via (comp. a sua Situação da Classe Operária em Inglaterra), ao mesmo resultado, e quando, na Primavera de 1845, ele se radicou igualmente em Bruxelas, decidimos esclarecer em conjunto a oposição da nossa maneira de ver contra a [maneira de ver] ideológica da filosofia alemã, de fato ajustar contas com a nossa consciência [Gewissen] filosófica anterior. Este propósito foi executado na forma de uma crítica à filosofia pós hegeliana. O manuscrito, dois grossos volumes, chegara havia muito ao seu lugar de publicação na Westefalia quando recebemos a notícia de que a alteração das circunstâncias não permitia a impressão do livro. Abandonamos o manuscrito à crítica roedora dos ratos de tanto melhor vontade quanto havíamos alcançado o nosso objetivo principal — autocompreensão. Dos trabalhos dispersos em que apresentamos então ao público as nossas opiniões, focando ora um aspecto ora outro, menciono apenas o Manifesto Comunista,redigido conjuntamente por Engels e por mim, e um Discours sur le libre échange publicado por mim. Os pontos decisivos da nossa maneira de ver foram primeiro referidos cientificamente, se bem que polemicamente, no meu escrito editado em 1847, e dirigido contra Proudhon, Misere de la philosophie, etc. Um estudo escrito em alemão sobre o Trabalho Assalariado, em que juntei as minhas conferências sobre este assunto proferidas na Associação dos Operários Alemães em Bruxelas foi interrompido no prelo pela Revolução de Fevereiro e pelo meu afastamento forçado da Bélgica ocorrido em consequência da mesma.
A publicação da Neue Rheinische Zeitung em 1848 e 1849, e os acontecimentos que posteriormente se seguiram interromperam os meus estudos econômicos, os quais só puderam ser retomados em Londres no ano de 1850. O material imenso para a história da economia política que está acumulado no British Museum, o ponto de vista favorável que Londres oferece para a observação da sociedade burguesa, [e] finalmente o novo estádio de desenvolvimento em que esta última pareceu entrar com a descoberta do ouro da Califórnia e da Austrália determinaram-me a começar de novo tudo de princípio e a trabalhar criticamente o novo material. Estes estudos conduziram, em parte por si mesmos, a disciplinas aparentemente muito distanciadas em que eu tinha de permanecer menos ou mais tempo. Mas o tempo ao meu dispor era nomeadamente reduzido pela necessidade imperiosa de uma actividade remunerada. A minha colaboração, agora de oito anos, no primeiro jornal angloamericano, o New-York Tribune, tornou necessária, como só excepcionalmente me ocupo com correspondência jornalística propriamente dita, uma extraordinária dispersão dos estudos. Entretanto, [os] artigos sobre acontecimentos econômicos notórios na Inglaterra e no Continente constituíam uma parte tão significativa da minha colaboração que fui obrigado a familiarizar-me com pormenores práticos que ficam fora do âmbito da ciência da economia política propriamente dita.
Este esboço sobre o curso dos meus estudos na área da economia política serve apenas para demonstrar que as minhas opiniões, sejam elas julgadas como forem e por menos que coincidam com os preconceitos interesseiros das classes dominantes, são o resultado duma investigação conscienciosa e de muitos anos. À entrada para a ciência, porém, como à entrada para o inferno, tem de ser posta a exigência:
Qui si convien lasciare ogni sospetto
Ogni viltà convien che qui sia morta...”
   
Karl Marx
Londres, janeiro de 1859

O texto continua em: http://www.marxists.org/portugues/marx/1859/contcriteconpoli/obra-alternativa.htm 

1. No entanto, tive um certo trabalho em verter o texto extraído do MIA (Marxists Internet Archives) no português de Portugal para o português do Brasil.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A “ameaça nuclear” iraniana e o realismo político israelense


Brasil de Fato (1) publicou este artigo de Ludwig Watzal (The Palestine Chronicle), que considero bastante elucidativo sobre a questão iraniana, e que transcrevo na íntegra.

Os políticos estadunidenses e israelenses e seus amigos extremistas neoconservadores na Europa Ocidental e nos EUA fazem de tudo para provocar os líderes iranianos a reagirem irracionalmente contra os diferentes ataques terroristas por parte de seus serviços de inteligência.     
Até agora, o regime iraniano se manteve calmo. Mas a propaganda da mídia ocidental corre a toda velocidade para empurrar a população para trás da bandeira da guerra. Especialmente nos EUA parece fácil manipular as mentes da população ignorante, como foi o caso em relação ao Iraque.     
No Ocidente, os muçulmanos são estereotipados como “mentirosos” e que eles só entendem a “linguagem da força”. Tal cruel percepção é repetida principalmente pelos políticos israelenses, neoconservadores estadunidenses e cultos islamofóbicos em todo o mundo ocidental.   
A mais alta autoridade clerical do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse em junho de 2006: “Não temos problema algum com o mundo. Não somos de maneira alguma uma ameaça ao mundo e o mundo sabe disso. Nunca começaremos uma guerra. Não temos intenção alguma de entrar em guerra com nenhum Estado”. 
Essas claras palavras são ignoradas no Ocidente. Na verdade, lá existe até uma fatwa (uma lei referente à lei islâmica) estabelecida pelo aiatolá Khamenei proibindo armas nucleares sob argumentos morais. Toda a liderança secular iraniana tem reiterado há tempos que o país não constrói armas nucleares. O Irã tem consistentemente defendido e apoiado um total banimento das armas nucleares e o estabelecimento de uma zona livre delas no Oriente Médio.   
Hipocrisia
Até agora, o Irã não violou nenhum tratado internacional a respeito de sua indústria nuclear. Mesmo se o país adquirisse ou comprasse armas nucleares, existe alguma lei internacional ou tratado que o proíbe? Por que EUA, Reino Unido, França, Rússia, China, Israel, Coreia do Norte, Paquistão e Índia têm o direito de possuir e posicionar armas nucleares mas o Irã não?     
Ou a razão por trás da retórica beligerante do Ocidente contra o Irã está baseada no medo de que Israel possa perder sua hegemonia nuclear sobre o Oriente Médio? Israel é o único Estado que possui um gigante arsenal de bombas nucleares que se recusa a permitir o monitoramento internacional de suas instalações letais – em desrespeito a todos tratados e normas internacionais.      
Aliás, o próprio ministro da Defesa israelense Ehud Barak afirmou em 15 de novembro de 2011 que se ele fosse iraniano provavelmente também buscaria armas nucleares! O Irã está rodeado pela maquinaria militar dos EUA e seus senhores da guerra no congresso estadunidense são as forças dirigentes. Os EUA nunca teriam atacado o Iraque se Saddam Hussein possuísse armas nucleares, e o psicopata “menino-imperador de Crawford, Texas” certamente sabia disso.      
Por que os líderes ocidentais dão a entender que acreditam em contos de fada sobre a “ameaça nuclear iraniana” quando o próprio establishment de segurança israelense e eminentes historiadores militares não acreditam? O debate em Israel mostra que a classe política local está em desacordo. Todos os chefes do Mossad [o serviço de inteligência de Israel], incluindo o atual, não veem “ameaça existencial” para a segurança de seu país partindo do Irã.  
     
Discordância interna

Outros ex-chefes do Mossad e membros da cúpula do establishment de segurança, assim como o ex-chefe de equipe Gabi Ashkenasi e o ex-chefe do Shin Bet [serviço de segurança interna] Yuval Diskin discordam abertamente do primeiro ministro Benjamin Netanyahu e de Barak sobre um ataque às unidades nucleares iranianas.             
O jornal israelense Haaretz afirmou que o ex-chefe do Mossad Meir Dagan disse que isso seria “a coisa mais estúpida que eu já ouvi”. “O Irã tem uma infraestrutura nuclear clandestina que funciona ao lado de sua legítima infraestrutura civil. É esta que está sob supervisão internacional da Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA). Qualquer ataque contra essa infraestrutura legítima seria ‘evidentemente ilegal sob a lei internacional’”. Sobre as prováveis consequências de um ataque desses, Dagan afirmou: “Ele seria seguido por uma guerra contra o Irã. É o tipo de coisa que sabemos como começa mas não como acaba”.    
Outro chefe do Mossad, Ephraim Halevy, disse, em novembro do ano passado, que “um ataque ao Irã poderia ter um efeito devastador para a região. A radicalização ultraortodoxa é ameaça muito maior do que o Ahmadinejad. O Estado de Israel não pode ser destruído, mas um ataque ao Irã poderia afetar não apenas Israel como toda a região por 100 anos”. Talvez o realismo político se sobreponha ao aventurismo político da elite política de Israel.   
A pergunta que toda pessoa razoável do Ocidente tem que se fazer é: “por que acreditamos nessa propaganda sobre a ‘ameaça existencial’ de um Irã nuclear à Israel e ao Ocidente quando muitos especialistas em segurança israelenses e cientistas respeitados a consideram ‘insignificante’”?

Tradução: Igor Ojeda 

1. http://www.brasildefato.com.br/

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental


Este texto foi originalmente postado por Stela B. de Almeida em seu blogue “Cultura, Política e Cinema” (ver link ao lado).

ATIVIDADE REALIZADA NO FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO
Porto Alegre e Região Metropolitana/RS Brasil
24 a 29 de janeiro 2012

Síntese: Atividade necessária e urgente na luta contra os agrotóxicos no mundo. Mostra de filmes apresentados na 38ª Jornada de Cinema da Bahia, em sintonia com o lema do evento: "Por um mundo mais humano". A mídia amordaçada não divulga as pesquisas que cientistas renomados fizeram da ação da Monsanto e similares no envenenando do mundo. O escritor uruguaio Eduardo Galeano, revela ser o Brasil o campeão do agrotóxico no mundo, onde cada brasileiro consome mais de 5 quilos de veneno por ano. Os filmes de Marie-Monique Robin, Silvio Tendler e Noilton Nunes levam a conclusões políticas mais aprofundadas onde somos convidados a mudar o modelo de produção antes da extinção da espécie humana. A necessidade de denunciar esse crime fez-nos decidir participar do FSTemático, movidos pela necessidade de tomar uma atitude e sinalizar para outras forças.
Cinema e Agrotóxico (1) As mudanças climáticas e a destruição da biodiversidade vêm sendo considerados hoje como os principais perigos que ameaçam a humanidade. Modificar urgentemente o modelo de produção dominante, determinado pelo atual modelo de globalização econômica, apresenta-se como uma exigência decisiva para não chegarmos ao limite do não retorno da vida humana no planeta. O cinema como instrumento de resistência e conscientização pode contribuir para a divulgação e reflexão de idéias contraponto da destruição do planeta e alerta das possíveis conseqüências para a humanidade.
As projeções nas últimas edições da Jornada de Cinema da Bahia vêm, sistematicamente, mostrando e denunciando estes perigos e divulgando os efeitos perversos do modelo de destruição do planeta TERRA. As principais denúncias e alertas trazidas pelos realizadores destes filmes, a nosso ver, merecem ampla divulgação e debate. Tomemos, dentre outros filmes produzidos recentemente, a síntese das principais denúncias que se encontram em: O Mundo segundo a Monsanto de Marie-Monique Robin.
O filme O Mundo segundo a Monsanto, precedido pelo lançamento do livro publicado pela Editora Radical Livros, São Paulo, foi lançado no Brasil mostrando o resultado de três anos de pesquisa e visita a vários países, entre eles, Grã Bretanha, Estados Unidos, Índia, México, Brasil, Vietnã, Noruega. O livro traduzido em 20 países, conta com mais de cem mil exemplares vendidos na França. O mundo segundo a Monsanto (Le Monde selon Monsanto) documentário apresentado para o canal franco-alemão Arte, foi exibido e debatido na Jornada Internacional de Cinema da Bahia, em setembro de 2011.
As principais conclusões apresentadas em livro e filme pela jornalista evidenciam que: Está provado que os transgênicos fazem mal a saúde. Várias pesquisas comprovam as conseqüências de populações que foram afetadas pela ação dos transgênicos.
As pesquisas sobre os transgênicos não chegam ao conhecimento da população. Há um boicote aos pesquisadores/cientistas que realizam as denúncias e mostram o efeito nocivo dos transgênicos.
Há vários casos de cientistas e suas equipes que perderam seus postos de trabalho e tiveram suspensos os financiamentos de suas pesquisas ou foram difamados em público quando denunciam os efeitos nocivos dos transgênicos. A Monsanto impede que os resultados das pesquisas sejam publicados em revistas científicas e pagam a outros cientistas para publicar artigos desmoralizando os resultados que mostram os efeitos nocivos no organismo humano. Os argumentos são de que nada prova que os transgênicos provoquem problemas e que não vale à pena pesquisar sobre eles. Para defender seus interesses comerciais a Monsanto vem bloqueando a pesquisa científica, investindo na destruição do trabalho e da reputação de cientistas que chegam a conclusões que prejudicam seus interesses de lucro.
Apesar de negar-se a divulgar resultado que contrariem seus interesses comerciais, a Monsanto afirma haver constatado diferenças no fígado, nos testículos e nos rins dos ratos, mas não atribui tais diferenças à manipulação genética. Porque tudo isso? O objetivo da Monsanto é o lucro, diz ela, conseguir que os agricultores sejam obrigados a usar suas sementes e seus herbicidas, mesmo que apresente conseqüências graves para a agricultura e para a humanidade, e mais grave, nas terras onde se planta uma vez transgênico, não se consegue plantar sementes orgânicas.

Alguns avanços tem-se conseguido: no Canadá consegui-se impedir a introdução do trigo transgênico; a existência de Campanhas de várias organizações de camponeses e do Greenpeace tem conseguido que as sementes transgênicas tivessem sua entrada barrada em alguns países da Europa; a pressão aos governos e órgãos públicos responsáveis pela fiscalização dos alimentos torne-se uma constante. Para finalizar, recomenda-se a checagem de dados em: www.combat-monsanto.org onde se encontra parte do que é denunciado no filme. O filme vai além, divulgando inúmeras entrevistas e visitas a vários países, convidando o leitor ao diálogo e denúncia da destruição da biodiversidade e do modelo de produção que coloca em perigo a humanidade (2).

1. O debate sobre os agrotóxicos precisa ser ampliado. Há uma produção considerável de trabalhos, estudos e pesquisas já divulgados e de conhecimento da população. Também, os Fóruns Sociais Mundiais tem- se pronunciado ao longo da sua história sobre o tema, mostrando a importância da questão no mundo moderno. Reavivá-lo tem o sentido de fortalecer tomada de posição e questionamento do modelo de exploração predatório da terra e das práticas de destruição do planeta.

2. O filme O veneno está na mesa de Sílvio Tendler e A terra sem veneno de Noilton Nunes, exibidos no FST2012 foram distribuídos na Atividade Autogestionária em cópia restrita, autorizada por seus realizadores.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Pensatas de domingo, ou o que há de comum entre Obama e Hitler?


A postagem abaixo, de uma notícia –por razões óbvias– pouquíssimo divulgada no Brasil pela grande mídia burguesa, foi baseada em informações publicadas no jornal A Hora do Povo (São Paulo) e comentadas num artigo do professor Jorge Moreira, publicada neste blogue em 21 de janeiro...
    
O Senado dos EUA aprovou uma lei denominada National Defense Authorization Act (Lei de Autorização de Defesa Nacional), que permite ao presidente do país, recorrendo às Forças Armadas, prender, sem julgamento, sem acusação formal e por tempo indeterminado qualquer cidadão norteamericano em solo dos Estados Unidos ou em qualquer lugar do mundo.
A lei foi oportuna –e oportunísticamente– anunciada por Obama na noite de Ano Novo...
Antes dessa lei, no governo Bush, já fora autorizada a “derrogação” de leis de defesa dos cidadãos norteamericanos contra arbitrariedades. Uma delas passou a permitir à espionagem do governo, violar correspondência ou inquirir em bibliotecas públicas sobre livros lidos por cidadãos do país) denominada de Ato Patriótico; a outra é a Autorização para Uso de Força Militar. Elas foram usadas para prender pessoas das mais diversas nacionalidades, sem julgamento, na Base de Guantánamo, além de prisões secretas em outros países.
A verdade pura e simples é que a tirania toma seu lugar. Como resultado dessa nova lei, ninguém que questione o poder central está seguro.
A diretora da União pelas Liberdades Civis – ACLU (1) em Washington, Laura Murphy, destacou que uma lei como essa só foi aprovada pelo Congresso durante a “caça às bruxas” no período de perseguições  Macartista. No entanto a lei era de tal forma “draconiana” que foi vetada por Truman, então presidente dos EUA.
Segundo informação de “A Hora do Povo”, a ACLU alerta que a lei não estabelece limites nem de geografia, duração da prisão ou cidadania do detido.
A lei rasga a Constituição dos Estados Unidos que, uma vez em vigor, anula a denominada 5ª Emenda que determina que “ninguém deve ser preso para responder por crime a menos que condenado por um júri”. E tambem que “ninguém pode ser privado da vida, liberdade, propriedade, sem o devido processo legal”.
Como disse o Professor Jorge Moreira em seu artigo: “(...) Não é difícil perceber que cada dia que passa o governo, sempre sob o pretexto da luta anti terrorista, toma abertamente, medidas questionáveis contra os direitos democráticos dos estadunidenses, aproximando a sua forma de governo da forma fascista de governar...”
Em resumo, é o fascismo, na sua forma mais clara, implantado em definitivo em território estadunidense.

1. Por mais de 80 anos a “União Estadunidense pelas Liberdades Civis” (American Civil Liberties Union, ou ACLU na sigla em inglês) tem trabalhado para defender direitos fundamentais como a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e o direito à privacidade. Os esforços dos advogados da ACLU também influenciaram interpretações da lei constitucional dos EUA.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Avaaz divulga um importante ALERTA


Avaaz.org, divulgou o seguinte e importante comunicado:
 
“Caros amigos,

Um novo tratado global pode permitir que corporações policiem tudo que fazemos na Internet. Na semana passada, três milhões de pessoas ajudaram a adiar projetos de lei de censura nos EUA -- se agirmos agora, poderemos fazer com que o Parlamento Europeu enterre esse novo tratado para todos nós:

Assine a petição
Na semana passada, 3 milhões de nós contraatacaram a investida dos Estados Unidos sobre nossa Internet! -- mas há uma ameaça ainda maior e nosso movimento global pela liberdade online está completamente decidido a acabar com essa ameaça de uma vez por todas.

ACTA - um acordo global - pode permitir que as corporações censurem a Internet. Negociado secretamente por um pequeno número de países ricos e por poderes corporativos, esse acordo configuraria um novo órgão sombrio para a regulamentação comercial internacional que daria poder para interesses privados policiarem tudo que fazemos online e iria impor enormes penalidades -- inclusive sentença à prisão -- a pessoas que eles julgarem estar afetando seus negócios.

Nesse exato momento, a Europa está decidindo se ratificará ou não o ACTA -- e sem ela, o ataque global à liberdade na Internet vai desmoronar. Nós sabemos que a Europa se opôs ao ACTA anteriormente, mas alguns membros do Parlamento Europeu estão hesitando -- vamos dar o empurrão que eles precisam para rejeitar o tratado. Assine a petição -- faremos uma entrega espetacular em Bruxelas quando alcançarmos 500.000 assinaturas:

http://www.avaaz.org/po/eu_save_the_internet/?vl

É revoltante -- os governos de quatro quintos da população mundial foram excluídos das negociações do Acordo Comercial Antipirataria (ACTA) e burocratas não eleitos têm trabalhado de perto com lobistas corporativos para criar novas regras e um regime de aplicação dessas regras altamente perigoso. O ACTA cobriria inicialmente os EUA, Europa e 9 outros países, e então se expandiria para o mundo. Mas se conseguirmos que a União Europeia diga não agora, o tratado perderá sua força e poderá ser paralisado para sempre.

As regras bastante rigorosas significam que pessoas em qualquer lugar do mundo são punidas por atos simples como compartilhar um artigo de jornal ou enviar um vídeo de uma festa que possua uma música sob direitos autorais. Vendido como sendo um acordo comercial para proteger os direitos autorais, o ACTA pode também banir medicamentos genéricos que salvam vidas e ameaçar o acesso de fazendeiros locais a sementes que eles precisam. E, espantosamente, o comitê do ACTA vai ter carta-branca para mudar suas próprias regras e sanções sem controle democrático.

O interesse das grandes corporações está pressionando muito pela aprovação do ACTA, mas o Parlamento Europeu está no meio do caminho. Vamos enviar um apelo enorme aos parlamentares para ignorarem o lobby e se posicionarem a favor da liberdade da Internet. Assine agora e envie para todos que você conhece.

http://www.avaaz.org/po/eu_save_the_internet/?vl

Na semana passada, vimos a dimensão do poder da coletividade quando milhões de nós juntaram forças para impedir que os EUA aprovassem leis de censura da Internet que atingiriam a rede em cheio. Nós também mostramos ao mundo o quão poderosas nossas vozes podem ser. Vamos levantar nossas vozes mais uma vez para combater essa nova ameaça.

Com esperança e determinação,

Dalia, Alice, Pascal, Emma, Ricken, Maria Paz e o restante da equipe da Avaaz

Mais informações:

ACTA: poloneses vão às ruas protestar contra acordo antipirataria (Terra Brasil)
http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5575829-EI12884,00-ACTA+poloneses+vao+as+ruas+protesta+contra+acordo+antipirataria.html

Se você achava que SOPA era ruim, espere até conhecer o ACTA (em inglês) (Forbes)
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2012/01/23/if-you-thought-sopa-was-bad-just-wait-until-you-meet-acta/

ACTA vs. SOPA: Cinco razões pelas quais o ACTA é a ameaça mais assustadora para a liberdade na Internet (em inglês) (IB Times)
http://www.ibtimes.com/articles/286925/20120124/acta-sopa-reasons-scarier-threat-internet-freedom.htm?cid=2

O tratado secreto: ACTA e seu impacto no acesso a medicamentos (em inglês)
http://www.msfaccess.org/content/secret-treaty-anti-counterfeiting-trade-agreement-acta-and-its-impact-access-medicines 
  
Leia e DIVULGUE este importante documento da AVAAZ... Sua PARTICIPAÇÃO pode ser fundamental PARA VOCÊ MESMO!

O marines estão chegando ...


Transcrito de artigo publicado ontem na “Tribuna na Internet” (1)
 
Os Estados Unidos enviaram 12 mil soldados para a Líbia na primeira fase de mobilizações para ocupação da nação norte africana. De acordo com o diário árabe Asharq Alawsat, as tropas chegarão a Brega, sob a suposta premissa de gerar “estabilidade” e “segurança”.
Sem embargo, se espera que as tropas tomem o controle dos principais poços de petróleo e demais portos estratégicos, como resenhou a agência PressTV.
Brega, cidade portuária, está localizada no oriente da Líbia, e conta com um dos cinco terminais de petróleo da região, além de ser uma importante refinaria.
A chegada da marinha estadunidense coincide com a explosão de uma bomba de “fabricação caseira” na sede do autoproclamado Conselho Nacional de Transição (CNT), localizado na cidade de Benghazi, ao noroeste, depois que pelo menos 200 pessoas protestaram diante de seus escritórios denunciando a falta de transparência.
Responsáveis do CNT asseguraram que “reforçaram as medidas de segurança” e que investigam quem foram os responsáveis pelo ataque.
Recapitulando: no dia 20 de outubro, o então presidente líbio Muammar Gaddafi foi capturado pelas forças da Organização do Atlântico Norte (OTAN) e entregue a mercenários rebeldes que o executaram. Dois dias antes, a Secretária de Estado dos EUA havia feito uma visita a Trípoli para reunir-se com o CNT.
A OTAN vinha realizando um forte bombardeio ao país norteafricano, logo após a aprovação da Resolução 1973 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que só se referiam a criar uma zona de segurança aérea, o que ocasionou uma forte crítica ao redor do mundo, incluídas as potências Rússia e China, porque os mísseis ocasionaram a morte de mais de 50 mil pessoas, na maior parte deles, civis.
Além disso, organizações de direitos humanos denunciaram os crimes de guerra e violações contra civis líbios por parte das tropas da OTAN e seus mercenários.
Dez dias depois da morte de Gaddafi, o CNT designou Abdel-Rahim al-Kib como primeiro-ministro líbio. Al-Kib lecionou em universidades estadunidenses e dirigiu o Instituto do Petróleo dos Emirados Árabes Unidos antes de unir-se ao CNT, em meados de 2011. Algumas de suas pesquisas em engenharia elétrica foram financiadas pelo Departamento de Energia dos EUA.
Agora, começa a esperada ocupação pelo marines.

1. http://www.tribunadaimprensa.com.br/