Norma Bengell - 1935/2013
Este blogue é uma miscelânea de pensamentos sobre os mais variados assuntos. Tem recuerdos, críticas variadas, abordagens da situação política e social no Brasil e no mundo, pensamentos diversos, contos, lixo cultural. Tudo sem sequência e sem compromisso de continuidade.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Um mito que se vai....
Conheci Norma Bengell, pessoalmente, apenas no ano
passado, em uma cadeira de rodas, durante a exibição de “O Homem do Sputnik”
num Festival
de Chanchadas no Centro Cultural da Caixa Econômica, no Rio de Janeiro,em
um debate, com a presença do diretor Carlos Manga.
Tive
assim o prazer de conhecer aquela a quem admirei, e por quem me masturbei (e
muito mesmo) na adolescência da minha vida. Tirei uma foto com ela, naquela
cadeira de rodas, decadente, fraca, sem poder exibir aquelas pernas
maravilhosas que Carlos Machado (O Rei da Noite dos anos 1950/60) soube bem
explorar.
Mas
prefiro exibir aqui aquela maravilhosa “BB” de “O Homem do Sputnik” ou do
famoso filme de Jece Valadão, “Os Cafajestes” (foto) do que aquela aquela foto que
tirou comigo, na sua cadeira de rodas...
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Alguns exemplos do uso de armas químicas pelos EUA e seus cúmplices
Prestes a se iniciar uma ação
militar dos EUA contra a Síria, sob a justificativa do uso (não definitivamente
comprovado) de armas químicas pelo governo sírio, relembremos episódios que
Washington não faz a menor questão de lembrar.
1. O Exército estadunidense no Vietnã.
Durante a guerra, no período de 1962 até 1971, as Forças Armadas dos EUA
despejaram cerca de 20 milhões de galões – aproximadamente 88 milhões de litros
- de armamento químico no país asiático. O governo vietnamita estima que mais
de 400 mil pessoas morreram vítimas dos ataques; 500 mil crianças nasceram com
alguma deficiência física em função de complicações provocadas pelos gases
tóxicos. E o dado mais alarmante: mais de um milhão de pessoas têm atualmente
algum tipo de deficiência ou problema de saúde em decorrência do Agente
Laranja, poderosa arma química usada durante o conflito.
2. Israel ataca população palestina com Fósforo
Branco. Segundo grupos ligados aos direitos humanos - como
Anistia Internacional e Human Rights - o material altamente venenoso foi
disparado em 2009 contra civis de origem palestina em território israelense. O
Exército negou na época o uso de armas químicas. No entanto, alguns membros admitiram os
disparos.
3. Washington
atacou iraquianos com Fósforo Branco em 2004. Jornalistas que
participaram da cobertura da Guerra do Iraque reportaram que o Exército
norte-americano utilizou armas químicas na cidade de Fallujah. Inicialmente, os
militares se justificaram dizendo que o material serviu apenas para “iluminar o
local ou criar cortinas de fumaça". No entanto, o documentário “Fallujah,
o massacre encoberto”, do diretor Sigfrido Ranucci, apresenta evidências do
ataque com depoimentos com membros das Forças Armadas dos EUA.
4. CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar
iranianos e curdos em 1988 com armas químicas. Documentos da
Inteligência norte-americana divulgados uma década depois revelam que
Washington sabia que Saddam Hussein utilizava armas químicas na guerra
Irã-Iraque. Mesmo assim, continuou colaborando com o presidente iraquiano. No
começo de 1988, em específico, Washington alertou Hussein do movimento de tropas
iranianas. Usando a informação, foi feito um ataque químico que massacrou
tropas do Iraque sobre um vilarejo povoado por curdos. Cerca de cinco mil
pessoas morreram. Outras milhares foram vítimas de complicações em decorrência
dos gases venenosos.
5- EUA realizaram testes químicos em bairro
pobre e negro de St Louis. No começo da década de 50, o
Exército norte-americano organizou um teste de militar em alguns bairros
populares de St. Louis - caracterizados por ter maioria negra. O governo disse
aos moradores que realizaria um experimento com fumaças de iluminação
"contra ameaças russas". No entanto, a substância atirada na
atmosfera continha gases sufocantes continha gases sufocantes. Após os
testes, um número grande de pessoas da região desenvolveu câncer. Não há
informações oficiais do número de vítimas do ataque químico.
6
- Exército estadunidense bombardeou tropas iraquianas com
armas químicas em 2003. A cruzada de Washington à procura de
armas nucleares teve episódios de disparos químicos contra os militares
iraquianos, que acabaram atingindo civis. Durante 2007 e 2010, centenas de
crianças nasceram com deficiências. “As armas utilizadas no confronto no Iraque
destruíram a integridade genética da população iraquiana”, afirmou na ocasião
Cristopher Busby, o secretário do comitê europeu de Riscos de Material
Radioativo.
7- Japoneses são massacrados com Napalm entre
1944-1945. Em 1980, a ONU (Organização das Nações Unidas)
declarou que a utilização do Napalm (um tipo de álcool gelatinoso de alto grau
de combustão) seria a partir de então considerada crime de guerra dado o efeito
absolutamente devastador da substância. Durante a Segunda Guerra Mundial, o
Exército estadunidense derrubou sobre os japoneses o suficiente para queimar
100 mil pessoas, deixar mais um milhão feridas e destruir milhares de
residências.
8- Bombas Atômicas lançadas sobre Hiroshima e
Nagazaki. Os únicos casos conhecidos do uso deste artefato sobre populações
civis, exterminando imediatamente mais de 400 mil pessoas, fora as vítimas decorrentes
da irradiação provocada pelas bombas e arrasando completamente as duas cidades.
domingo, 6 de outubro de 2013
Pensatas de domingo. Os planos sinistros de Obama contra os palestinos
Às vésperas de completar os 20 anos dos Acordos
de Oslo, celebrados em setembro de 1993 entre Arafat, Clinton e Rabin, quando
foi criada a ANP, uma espécie de projeto do que seria o futuro Estado palestino,
a farsa volta à mesa de negociação, agora com Obama. Os Acordos de Oslo, fruto
do “processo de paz” ditado pelo imperialismo estadunidense, consistiam em um
artifício para paralisar e amortecer o levante revolucionário que eclodiu com a
primeira Intifada das massas palestinas, em 1987 e que já se mantinha por sete
anos. Esses acordos buscavam frear a onda revolucionária aberta na região, que
colocava em xeque não só o domínio imperialista e a existência de Israel, como
também questionava os próprios regimes nacionalistas das corruptas burguesias
árabes.
A grande questão a decifrar no cenário atual é o
que de fato está por trás das aparências, já que os atores são praticamente os
mesmos e as “negociações” giram em torno do tema do estancamento das colônias
sionistas, já rejeitado por Israel. Sem dúvida, estamos vendo uma ação
planejada por Obama no marco do esforço para estrangular a retomada da luta
revolucionária do povo palestino. Enquanto
teatralizam negociações monitoradas pelos EUA, o imperialismo ianque ataca em
todos os terrenos o povo palestino, como o cerco à Síria e ao Hezbollah como
parte da guerra que preparam contra o Irã. O que realmente se passa é a
tentativa de Obama costurar um acordo mínimo para continuar apresentando a
desacreditada ANP como interlocutora legítima do povo palestino, enquanto o
Pentágono caça junto com o enclave sionista os grupos da resistência que se
opõem a participar da farsa montada pelo Departamento de Estado.
Pelos acordos patrocinados pelos Estados Unidos,
criou-se a ANP, uma estrutura que serve de polícia política contra o próprio
povo palestino com o objetivo de reprimir a revolta das massas frente às
investidas de Israel. Valendo-se do prestígio junto às massas gerado pela
expectativa ilusória de conquistar o “Estado palestino”, Arafat subordinou a
heroica luta palestina pela sua verdadeira pátria aos interesses comuns do
imperialismo e das burguesias árabes, todos ávidos por estabilizarem a tensa
conjuntura da região para garantir os investimentos e lucros capitalistas.
No entanto, os efeitos da orientação
contrarrevolucionária da OLP foram aos poucos ficando mais claros. A cada
rodada de intermináveis negociações para a declaração de criação do fictício
Estado palestino, Israel e os estadunidenses e seus asseclas exigiam mais
concessões, como a negativa de retorno dos refugiados e o controle político e
militar total de Jerusalém, enquanto avançavam com a edificação de novas
colônias nas próprias áreas pretensamente autônomas controladas pela ANP e
respondiam frente à revolta palestina com novos genocídios. Até hoje é o que assistimos,
num quadro que só pode ser alterado com a volta da Intifada, ação que Obama quer
impedir via o reinício das novas conversações de paz!
A justa aspiração do povo palestino pela sua nação,
a retomada de seu território histórico e a edificação de seu Estado apenas
podem ser alcançados ligando as tarefas democráticas pendentes com a luta pela
revolução social. Essa imposição decorre do controle que o imperialismo exerce
sobre a região e devido ao caráter de enclave militar de Israel, um Estado
artificial montado pelos EUA para controlar o Oriente Médio. A utopia
reacionária da existência de "dois estados" convivendo lado a lado,
um sendo uma máquina de guerra instalada no território palestino e outro um
"Estado-fantoche", revela os planos sinistros de Obama.
sábado, 5 de outubro de 2013
Por um marxismo crítico – parte 3
É um prazer publicar este ensaio de Michael Löwy¹,
um dos pensadores marxistas mais atualizados, e que encontrei no excelente site
marxismo21.
Porem, dada a extensão deste texto, vou dividi-lo em três partes para que a sua
leitura e assimilação flua da melhor maneira possível.
Gramsci insistia na
idéia de que “a filosofia da práxis se concebe, ela mesma, historicamente, como
uma fase transitória do pensamento filosófico”, destinada a ser substituída em
uma nova sociedade, baseada não mais sobre as contradições de classes e a necessidade, mas sobre a liberdade (Gramsci, 1979:
115-116). Mas enquanto vivermos em sociedades capitalistas
divididas em classes sociais antagônicas, será em vão querer substituir
a filosofia da práxis por um outro paradigma emancipador. Deste ponto de
vista, penso que Jean-Paul Sartre não se enganou em ver no
marxismo “o horizonte intelectual de nossa época”: as
tentativas de “ultrapassá- lo” conduzem a regressão para níveis inferiores do
pensamento, não para mais
além de
Marx. Os novos paradigmas atualmente propostos — quer sejam a ecologia
“pura” ou a racionalidade discursiva cara a Habermas, para não falar
da pós-modernidade, do desconstrutivismo ou do “individualismo
metodológico” — aportam freqüentemente contribuições
interessantes, mas não constituem de forma alguma alternativas superiores
ao marxismo em termos de compreensão da realidade, de
universalidade crítica e de radicalidade emancipadora.
Como então corrigir as
numerosas lacunas, limitações e insuficiências de Marx e da tradição marxista?
Através de uma abordagem aberta, uma disposição para aprender e se enriquecer com
as críticas e as contribuições vindas de outras partes — e antes de tudo dos movimentos sociais, “clássicos”, como os
movimentos operários e camponeses, ou novos como a ecologia, o feminismo, os
movimentos pelos direitos do homem ou pela libertação dos povos oprimidos, o
indigenismo, a teologia da libertação.
Mas é necessário também
que os marxistas aprendam a “revisitar” as outras correntes socialistas e
emancipadoras — e inclusive aquelas que Marx e Engels tinham por muito tempo “refutado”
— cujas intuições, ausentes ou pouco desenvolvidas no “socialismo científico”,
revelaram-se freqüentemente fecundas: os socialismos e feminismos “utópicos” do
século XIX (owenistas, saint- simonistas ou fourieristas), os socialismos
libertários (anarquistas ou anarco-sindicalistas), os socialismos religiosos e,
em particular, o que eu chamaria os socialismos
românticos, os mais críticos ante as ilusões do progresso: William Morris,
Charles Péguy, Georges Sorel, Bernard Lazare, Gustav Landauer.
Enfim, a renovação
crítica do marxismo exige também seu enriquecimento pelas formas mais avançadas
e mais produtivas do pensamento não-marxista, de Max Weber a Karl Mannheim, de
George Simmel a Marcel Mauss, de Sigmund Freud a Jean Piaget, de Fernand
Braudel a Jürgen Habermas (para ficar em apenas alguns exemplos), assim como
que levemos em conta os resultados limitados mas freqüentemente úteis de
diversos ramos da ciência social universitária.
É necessário se inspirar
aqui no exemplo do próprio Marx, que soube utilizar amplamente os trabalhos da
filosofia e da ciência de sua época — não somente Hegel e Feuerbach, Ricardo e
Saint Simon, mas também de economistas heterodoxos como Quesnay, Fergunson,
Sismondi, J. Stuart, Hodgskin, de antropólogos fascinados pelo passado
comunitário como Maurer e Morgan, de críticos românticos do capitalismo como
Carlyle e Cobbett, e de socialistas heréticos como Flora Tristan ou Pierre
Leroux — sem que isso diminua minimamente a unidade e a coerência teórica de
sua obra.
A pretensão de reservar
ao marxismo o monopólio da ciência, rejeitando as outras correntes de
pensamento para o purgatório da pura ideologia, não tem nada a ver com a
concepção que Marx tinha da articulação conflituosa de sua teoria com a
produção científica contemporânea.
A obra de Marx foi
freqüentemente apresentada como um edifício monumental, de arquitetura
impressionante, cujas estruturas se articulavam harmoniosamente, dos alicerces
até o telhado. Mas não seria melhor considerá-la como um canteiro de obras, sempre
inacabado, sobre o qual continuam a trabalhar gerações de marxistas críticos?
1. Lowy, Michael. (1997).
“Pour un marxisme critique” in Marx après les marxismes, Paris, Ed. L’Harmattan. Tradução:
José Corrêa Leite, editor do jornal Em Tempo. É tambem sociólogo do Centre Nationale
de Recherches Scientifiques — CNRS, Paris
BIBLIOGRAFIA
BAGAROLO, Tiziano. (1992). “Encore sur marxisme et
écologie”. Quatrième Internationale, nº 44, mai-juillet.
BALIBAR, Etienne. (Hiver
1994-1995). “Débat entre Jean-Marie Vincent et Etienne Balibar”. Critique Communiste,
nº 140.
BENJAMIN, Walter. (1978).
Sens unique. Paris, Lettres Nouvelles-Maurice Nadeau. (1971) “Thèses sur la
philosophie de l’histoire”. L’homme, le langage et la culture. Paris, Denoël.
GRAMSCI, Antonio. (1979). Il materialismo storico. Torino,
Editori Riuniti.[Gramsci, Antonio (1979). Concepção dialética da história. Rio
de Janeiro, Civilização Brasileira.]
MARX, Karl. (1969). Le Capital. Livre I, Paris,
Flammarion. [Marx, Karl. (1985). O Capital — crítica da economia política. Livro
Primeiro, São Paulo, Difel.] (1971). Contribution à la critique de la
philosophie du droit de Hegel. Paris, Aubier.
MONTAIGNE. Marx, Karl. Crítica da filosofia do
direito de Hegel. Lisboa, Estampa.
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