sábado, 30 de maio de 2009

Nada é impossível

Foi no início dos anos 1990 que alguém me falou que no futuro cinema seria transmitido via satélite e se assistiria a um filme, simultaneamente em qualquer lugar deste planeta. Uma estréia seria feita desta maneira. Na ocasião eu julguei que isso estaria muito distante. Está bem, já havia computador, mas a internet, de certa forma engatinhava. Dois anos depois já estávamos com ela mais desenvolvida, mas ainda era bastante insipiente. Um ou outro “guifezinho” primário que achávamos o máximo, mas, essencialmente as publicações eram à base de texto corrido.
Passado este tempo que nos separa, vemos que tudo isto é muito viável. Já é possível baixar filmes, e muito em breve com a banda larga evoluindo na velocidade em que está já os estaremos baixando em alta definição nos nossos computadores em questão de segundos e não com a demora que ainda existe. Toneladas de bytes já suprimem cada dia mais problemas para downloads. E, detalhe importante, as estréias não serão apenas em cinemas, mas em casa ou qualquer lugar que a gente esteja. O que parecia ficção – ou alucinação – tornou-se uma realidade.
Em 1994, houve um papo na agência de publicidade em que eu trabalhava sobre baixar fotos pela internet. Alguém tinha ido a Nova Iorque e contava que viu profissionais escolhendo fotos num banco de imagens (naquela época ainda não aberto fora da empresa), e as baixando para leiautar. Achamos uma coisa estupenda, a ouvir aquela narrativa entre incrédulos e embasbacados. Mal sabíamos que parcos anos depois estaríamos a abolir os livros de referências de fotografias do Image Bank e outros bancos de imagens e adotando até os mesmos fornecedores, mas via web.
Às vezes esquecemos o quão veloz é esta transformação tecnológica que vivemos. E digo isto porque há pouco tempo estava a conversar com alguém e disse-lhe que a mídia impressa está com os dias contados. E o sujeito com quem eu falava retrucava: “... Mas certamente vai demorar um tempo...”. E eu pensava justamente qual seria a medida deste tempo. A realidade é que as mudanças hoje galopam. Vejam o que aconteceu com a fotografia digital nos últimos cinco ou seis anos.
Sou de uma geração que ainda pegou a máquina de escrever e o telex, viu surgir o fax, o VHS, o CD, o DVD e o Pen Drive... Agora estamos a entrar na era do Blu-Ray. Meu primeiro computador caseiro (em 1993) tinha um HD com menos de dois megabytes. E isso era coisa pra dedéu! Estamos em tempos de gigabytes e crescendo para mais. Nada é impossível... Podem escrever.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Dr. Strangelove

Quando assisto aos rumores da crise que se estabeleceu no oriente, mais precisamente na Coreia, lembro de imediato que os únicos que usaram a bomba nuclear para destruição em massa foram os estadunidenses ao final da II Guerra Mundial, quando as lançaram sobre Hiroshima e Nagasaki, destruído as cidades, matando e deixando grandes sequelas em centenas de milhares de seres humanos.
Também, os EUA não se importam com o que os israelenses ou os indianos fazem com as suas bombas atômicas. É o tal negócio: “desde que esteja do meu lado, tudo bem.” E não se trata de uma defesa do regime norte coreano, mas sim uma tentativa de colocar os pontos nos iii. Considero o governo da Coreia do Norte totalitário e militarista. Vou mais longe, é um resquício do stalinismo. Mas, o que dizer do governo ianque?
Sempre achei que a comunidade internacional, via ONU ou seja lá o que for, deveria estar vigiando todos os países que teem armas de destruição em massa, até que elas sejam totalmente eliminadas. Inclusive os EUA. Afinal são eles que estão mais envolvidos em guerras ao redor do mundo, mormente depois que se nomearam “xerifes universais”. Por outro lado, é importante ressaltar que hoje existe um total superior a 10 mil ogivas nucleares, metade delas naquele país.
A Coreia do Norte está a provocar com ações como a explosão de uma bomba nuclear subterrânea, o lançamento de mísseis e outras cositas más, porém as medidas a serem tomadas, deveriam ser de fato uma iniciativa internacional. Enquanto os Estados Unidos estiverem à frente de prováveis retaliações, a situação tende a se agravar podendo levar a uma guerra sem precedentes. Ou será que ainda não vimos este filme?

O título desta matéria é uma citação a Dr. Fantástico (Dr Strangelove), 1964, obra de Stanley Kubrick, uma sátira a correntes extremistas dentro do exército estadunidense em que Peter Sellers desempenha três papéis, inclusive o do personagem título, um “importante” cientista alemão capturado durante a guerra a serviço dos EUA, cujos instintos nazistas são manifestados inconscientemente em gestos e atitudes agressivas.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mais alguns lugares em Sampa

Lembrei-me de mais alguns locais em São Paulo. Aliás, atendendo a pedidos, inicio uma série falando deles. Aqui vai mais uma dica...

O Mestre da Batidas, um bar na avenida Clodomiro Amazonas, não me lembro o número, em um bairro próximo a Pinheiros e os Jardins. As batidas de frutas, feitas pelos dois portugueses – donos do boteco – eram algo meio indescritível. Sim, o Armando e o Antônio eram de fato mestres nas batidinhas de frutas tupiniquins, as quais, apesar de lusos, conheciam com muita intimidade. Ainda me lembro, tantos anos depois, o sabor daquela de maracujá, ou de côco, de tangerina ou de carambola. É impossível esquecer.
Além disso havia um balcão repleto de tiragostos também difíceis de apagar da memória pelo menos para quem provou aqueles acepipes. Conheço algo semelhante na Adega Pérola, aquele boteco que fica na rua Siqueira Campos em Copacabana. Mas o melhor mesmo era a linguiça espetada num garfão, assada e bem tostada em álcool e servida cortadinha em finas fatias com tomate e cebola fartamente regadas a azeite. Coisa de português... Uma delícia de babar. Principalmente saboreada entre um gole e outro das batidinhas maravilhosas de todos os sabores imagináveis.
A última vez que estive no Mestre das Batidas foi cerca de 20 anos atrás, quando, visitando um casal de amigos os arrastei para provar os comes e bebes do lugar. Soube na época que um dos sócios havia morrido; o que me entristeceu de certa forma. Mas o bar continuava com o mesmo nível e clima da época em que o conheci, em finais dos anos 1960. Nem sei se ainda existe, mas, caso algum leitor vá por aquelas bandas, é só perguntar pelo Mestre das Batidas, na Clodomiro Amazonas. Agora, beba devagar. Porque as batidas são maravilhosas... Mas podem “pegar” na curva.

domingo, 24 de maio de 2009

Pensatas de domingo

A Editora Globo está anunciando na televisão o lançamento de uma revista esportiva com informações e análises sobre o Brasileirão, contendo matérias de toda a equipe esportiva da Rede Globo. Mas o mais engraçado mesmo é o preço da referida publicação, que custa R$ 9,99... Gente, onde é que nós estamos? Porque não lascam logo R$ 10,00 e não se fala mais nisso!
Falar em Globo, no quadro de repórteres da TV tem uma Gioconda Brasil e uma Monalisa Perrone... Tremenda redundância.

A produção mundial de aço em abril foi de 89 milhões de toneladas métricas, uma redução de 23,6% na comparação com igual mês de 2008, informou a World Steel Association, associação que engloba os produtores de aço.
No continente americano, a produção em abril caiu 53,4% nos Estados Unidos (3,9 milhões de toneladas métricas) e 40,7% no Brasil (1,7 milhão).
Já a União Europeia registrou queda de 48,6% (a 9,5 milhões). Na Rússia, foi de 30,1% (7,4 milhões).
Enquanto isso na Ásia, a redução foi de 3,9% na China (43,4 milhões), 43,6% no Japão (5,7) e 10,5% na Coreia do Sul (4,1).

Após o internamento da candidata e ministra da Casa Civil Dilma Roussef na semana passada, o sr. da Silva, durante uma visita a um centro de foguetes na China, afirmou que a hipótese do terceiro mandato está descartada. Será que foi mesmo pro espaço? Custo a acreditar.

Por seu lado, a ministra rebateu as críticas da oposição tucana sobre falta de transparência na Petrobras. Indiretamente, ela atacou a gestão de FHC ao declarar que se houve caixa preta na Petrobras, isso ocorreu no período dos governos dele.
“Essa história da falar que a Petrobras é uma caixa preta... A Petrobras pode ter sido uma caixa preta em 97, 98,99, 2000. A Petrobras de hoje é uma empresa com nível de contabilidade dos mais apurados do mundo. Porque caso contrário os investidores não a procurariam como sendo um dos grandes objetos de investimento. Investidor não investe em caixa preta deste tipo”, declarou.

Falei outro dia do Ponto Chic e do Bauru, o sanduíche que foi inventado naquela casa paulistana. Já havia lembrado numa Pensata da Salada Paulista, uma lanchonete que não existe mais, mas que era excelente, quase na mitológica esquina de Ipiranga com São João.
Hoje vou lembrar com grande prazer do Zi Tereza, uma pizzaria que é outra casa maravilhosa. Em 2004, quando fiz um trabalho de cerca de três meses por terras bandeirantes, voltei lá e a pizza continuava tão boa quanto era há 40 anos atrás, quando morei e trabalhei naquela cidade. Olha, é bom saber que o que era bom, permanece bom... Mas por aquelas bandas, isto é comum.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Frases para ficar

Estava no aniversário de cem anos de minha tia-avó Celina, quando durante o cerimonial, um primo, filho dela, citou a frase de um dramaturgo estadunidense cujo nome era Wilson Mizner (1893/1933), que, infelizmente eu não conhecia.
A frase era “A vida é dura e os primeiros cem anos são os piores”. E o fato de dizer que “... infelizmente eu não conhecia” é porque o referido autor tem outras máximas simplesmente geniais. Julgava que Millôr Fernandes e Groucho Marx eram os grandes e imbatíveis frasistas, mas a eles posso tranquilamente somar este Mizner.
Seguem abaixo algumas dessas citações:

"Quando se rouba de um autor, chama-se plágio; quando se rouba de muitos, chama-se pesquisa".

"Um bom ouvinte não é apenas popular em todos os lugares, mas também, depois de algum tempo, aprende alguma coisa"

“Não quero saber em que língua a ópera será cantada, desde que seja em uma língua que eu não entenda”

“A pessoa que está sempre declarando não ser burra suspeita disso”

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Depois da cerveja e do chocolate...

Após chegar ao agronegócio, setor que prosperou por décadas e foi responsável por uma parte expressiva do crescimento brasileiro, a crise econômica deixou poucas chances de tranquilidade. No ano passado, a safra atingiu o recorde de 143,8 milhões de toneladas. As exportações do agronegócio em 2008 também bateram recorde: US$ 71,9 bilhões. Apesar do crescimento em relação a anos anteriores, os números positivos já podem ser considerados coisa do passado, apenas pelo desempenho parcial em 2009.
A crise reduziu de forma expressiva as exportações dos produtos agrícolas, atingindo em cheio a Sadia, maior produtora no segmento, que se tornou a primeira empresa não-financeira brasileira a admitir perdas ligadas diretamente à crise. Essas perdas da Sadia somaram R$ 760 milhões, devido também a uma aposta equivocada quanto ao valor do dólar que causou grande desvalorização das suas ações na bolsa. Em função desses fatores a sua dívida bruta evoluiu de R$ 8,5 bilhões para R$ 9,4 bilhões em cinco meses (dezembro de 2008 a março deste ano.
Consequentemente, a Sadia e a Perdigão (a segunda maior do setor) assinaram esta semana um contrato de fusão, criando a gigaempresa Brasil Foods que nasce entre as 10 maiores em alimentos do continente, maior produtora e exportadora mundial de carnes processadas e terceira maior exportadora brasileira, atrás apenas da Petrobras e da Vale. Com 119 mil funcionários, 42 fábricas e mais de R$ 10 bilhões em exportações por ano, a gigante surge com um faturamento anual líquido de R$ 22 bilhões.
Depois das fusões e absorções no capital financeiro (bancos), nos setores de bebidas (Brahma e Antártica) e de chocolates (Nestlé e Garoto), a concentração de capital e formação de trustes chega aos embutidos e produtos agropecuários.

domingo, 17 de maio de 2009

Pensatas dominicais

Estive lendo sobre o surgimento da escova de dentes. Nós que já nascemos usando as de cerdas de náilon (lançadas em 1938), mal podemos imaginar que eram originalmente feitas com pelos de porco e foram inventadas somente em 1498 pelos chineses. E o pior é que antes disso tudo recomendava-se fazer bochechos de urina para tirar o mau hálito. Imagine só um beijo, um selinho que fosse naquela época!

Após algum tempo ausente, a Tribuna da Imprensa está de volta à internet em forma de blogue assinado pelo Hélio Fernandes. Pelo menos isso... Ah, o endereço continua o mesmo: http://www.tribunadaimprensa.com.br/

Enquanto isso, a crise econômica se agrava no velho mundo. A França entrou oficialmente em recessão, segundo o Instituto Nacional de Estatística francês, e a Alemanha declarou recessão técnica (termo usado quando o PIB tem seis meses seguidos de queda). Desde o terceiro trimestre do ano passado, aquele país viu suas exportações, a base de sua economia, encolherem. A pior crise desde 1970.

E a gripe Mexicana continua fazendo vítimas. Nos Estados Unidos já somam cinco. No mundo foram 72 mortes num total superior a 8.400 contaminados, a maioria no México. Bom, não é nada se comparada à epidemia da Espanhola (1918) que matou tantos que se chegou a empilhar os corpos nas ruas de muitas cidades em todo o mundo. Inclusive no Rio de Janeiro.

O governo do sr. da Silva já gastou R$ 6,3 bilhões de reais com propaganda no período 2003/2008. Uma verbinha considerável. Sobre o seu antecessor, o famigerado FHC, não foram divulgados dados completos, mas nos anos 2000, 2001 e 2002, os gastos somaram cerca de R$ 3,3 bilhões. Em se tratando de metade do tempo, trata-se de um empate técnico.

Não sei se o Baurú continua tendo a popularidade de outros tempos – anteriores à invasão McDonald’s – mas pelo menos é um sanduíche ainda bastante conhecido. Não me importo se ficar repetitivo, mas não canso de dizer que o melhor Baurú que existe é o do Ponto Chic (1), um excelente botequim que fica no Largo do Paissandú, 27, em plena avenida São João em Sampa. Ali, existe um busto em bronze do criador do famoso prato, Casemiro Pinto Neto, cujo apelido era Baurú, por ser natural daquela cidade e era frequentador do estabelecimento. Quem tiver a oportunidade de ir ao Ponto Chic, vá e experimente. Garanto que não se arrependerá.

Em tempo, lembrei que o sanduíche foi inventado no século XVIII por um lorde do almirantado inglês que resolveu um belo dia colocar uma fatia de presunto no meio de um pão. A propósito, o sobrenome do sujeito era Sandwich.

O escândalo do uso de dinheiro público para fins particulares explodiu depois que o Daily Telegraph publicou uma lista de pedidos de reembolso no Parlamento. Os itens incluíam alimentação, móveis, consertos em residências e até filmes pornô. Alguns parlamentares chegaram a devolver milhares de Libras para os fundos públicos. Agora, um secretário de Justiça foi suspenso de suas funções e acusado da quebra do regulamento ministerial após uma denúncia de que ele teria pedido reembolso de auxílio-moradia de valor muito superior à quantia que ele gastava por mês. Isso na Grã Bretanha. Quem diria!

Já por terras tupiniquins, o deputado licenciado do DEM (DF) Robson Rodovalho cedeu cota de passagens aéreas para pastores participarem de evento evangélico realizado em Brasília em agosto de 2007. O evento foi apoiado pela igreja fundada naquela cidade pelo próprio deputado.

(1) O bar possui mais duas filiais em São Paulo, nos bairros Paraiso e Perdizes (que eu não conheço). Além do mais o Baurú do Ponto Chic é muito melhor do que se come por aí. Vem com abundante recheio de rosbife cortados finíssimos, acrescido de uma mistura de quatro tipos de queijo derretidos, fatias de tomate e pepino no pão francês. Hummm!