Era comum (no medievo) o “espetáculo” das execuções em praça pública. Isto numa época em que não havia diversão, fora os ocasionais espetáculos de circos itinerantes, uma decapitação ou um enforcamento atraia toda a atenção das populações dos burgos. À época da Revolução Francesa ainda era comum o comparecimento em massa à morte na guilhotina de seus antigos senhores.O mais curioso foi assistir ao vivo a manifestações públicas quando do julgamento, e, principalmente o veredicto da condenação do casal Nardoni. Eu em casa, por força do envolvimento midiático, tambem assisti na madrugada de sábado ao tão aguardado final da sentença. Obviamente pela importância na conclusão de um dos crimes mais bárbaros acontecidos neste país em todos os tempos.
Notadamente a população ficou satisfeita com o resultado da justiça ao concluir a favor da condenação dos monstros hediondos que executaram uma indefesa criança de cinco anos com requintes de crueldade e frieza, num país em que estamos habituados à impunidade de criminosos que não sejam de uma classe muito baixa (1).
No entanto, espantou-me certas manifestações públicas, semelhantes às de alguma final de Copa do Mundo (com a vitória da Seleção Brasileira por goleada), com direito a espetáculo pirotécnico. Esta é a outra face da moeda em que se confunde justiça com vingança; vontade com manipulação dos sentimentos. E nos remete ao passado sangrento de pessoas a serem enforcadas em praça pública sob o aplauso e o prazer das multidões.
Por isto mesmo, ainda acho necessária uma análise mais profunda de como a mídia transformou este caso numa feroz disputa meramente comercial em busca do furo de reportagem e da corrida atrás da maior audiência.
(1) Esses, na maioria das vezes, culpados ou inocentes nem chegam a ser julgados.
