domingo, 31 de outubro de 2010

Pensatas de domingo

O quê você acharia da rainha da Inglaterra dando palpites nas nossas leis e nos nossos problemas internos? Ou do imperador do Japão? Ou do Dalai Lama? Indo mais longe, mesmo algum presidente de qualquer país!
Sei lá... Bate mal no meu íntimo ouvir ou ler a notícia de que o papa é contra o aborto no Brasil! Tudo bem que ele recomende aos bispos, seus representantes, qualquer opinião que possam dirigir aos seus “fiéis”. Mas divulgar isto publicamente?! Afinal eu não tenho nada a ver com o que ele pensa. E nem quero saber! Alem de se constituir em notória intervenção de um Estado nos negócios internos de outro.
Ainda mais ele, o representante de uma das últimas monarquias absolutistas. Vai se catar, Bento XVI... Vai cuidar das centenas de padres pedófilos que você acoberta, em nome do deus de quem se diz apóstolo (1)!

Hoje é dia de exercer o papel criado pelo poder, o poder de fato, o poder estabelecido pela burguesia em nos iludir de que “votar é importante”. Quando na realidade os eleitos o são pelo poder econômico e lobbies...
Mas o que nos resta? Minha intenção real era o voto nulo. Mas, num momento em que o energúmeno FHC (2) e sua quadrilha estão arriscados de voltar ao centro de direção deste país, só me resta mesmo votar na sua opositora. Voto triste, pois não confio na candidata, não sinto firmeza nas suas propostas, nem acredito nas suas promessas. Mas voto nela para derrubar o outro (muito pior em tudo). Infelizmente e mais uma vez o voto (in)útil!

Hoje tambem é noite de Halloween. Noite de que mesmo? Olha só isto não tem nada a ver com nossos costumes ou folclore. E não é xenofobia. É uma questão de apenas valorizar os ricos costumes populares nativos. Mas, a globalização tem dessas coisas. Impõe novos costumes e festas “populares”, como este que surgiu dos povos gauleses e britânicos entre os anos 600 e 800 e foram exportadas para os países colonizados pela Inglaterra.
Porem o terror mesmo vai ser enfrentar um dia 31 inteiro à espera do resultado das eleições. E ver se conseguimos banir pra longe Serra, FHC e toda a sua camarilha. Pelo menos por mais quatro anos.

(1) Historicamente os Ortodoxos foram a primeira grande cisão no Catolicismo porque discordavam de ter um representante máximo do seu deus na Terra. Eles continuaram com os patriarcas (reles mortais) como seus chefes.
(2) Os direitos autorais da expressão pertencem ao Professor André Setaro.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sinistra armação?

Bem, eu não duvido... Principalmente porque o alerta partiu de uma fonte confiável. Segundo porque eu não duvido mesmo que do sinistro candidato (e seus articuladores) poderia sair algo no gênero.
Está bem, recebi milhares de e-mails falando de “armações” deste ou daquele candidato. Mas este por ser preparado para amanhã, justo no dia do debate da suspeitíssima Rede Globo, faz sentido. E muito. Transcrevo-o abaixo.
“Quando parecia que o bate-boca na campanha eleitoral já havia reduzido sua intensidade, uma nova denúncia promete esquentar a reta final da campanha. Ideóloga do PT, a filósofa Marilena Chauí diz que a campanha do PSDB pretende fazer uma armação no comício de Serra no próximo dia 29. A idéia é que militantes tucanos usem camisas do PT e comecem a simular brigas e confusão.
Em texto publicado no portal Rede Brasil Atual, mantido por sindicatos filiados à CUT, a professora da USP acusa o plano, que estaria sendo articulado para se tornar “um novo caso Abílio Diniz”, em alusão à prisão dos sequestradores do empresário, em 1989. Na ocasião, houve denúncia de que policiais os obrigaram a usar camisetas do PT, em plena campanha presidencial, na qual Lula acabou sendo derrotado.
‘A campanha tucana passou do deboche para a obscenidade e recrutou o que há de mais reacionário, tanto na direita quanto nas religiões’, disse Marilena Chauí ao portal. A denuncia ocorreu durante encontro entre estudantes e professores universitários e políticos, na USP.”
Pode até ser que não aconteça, mas caso ocorra, fica registrado!
A propósito, ontem assisti ao vivo e a cores o dito candidato ao ser inquirido sobre a abertura de sindicância pela possível fraude na licitação de obras (1) numa linha do metrô de São Paulo, respondeu que o caso não deveria ser averiguado. Quando o repórter perguntou “Por que?”, ele simplesmente respondeu: “Porque não!”.
Eu hein!

(1) O jornal Folha de São Paulo havia publicado em abril o resultado da referida licitação. E agora, quando da abertura dos envelopes, relembrou o fato republicando a matéria.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

De pirilampos e risadas

Apesar de pouco conhecido no Brasil, Herman José é um famoso comediante português que eu via na TV (RTP 1) nos três anos em que morei por aquelas bandas. Neste vídeo podemos conferir a sua comicidade e relaxar bastante. Vale a pena conferir.

domingo, 24 de outubro de 2010

Bolas e bolinhas de domingo

Lembro das Atualidades Francesas, um telejornal de cinema –na época em que estes eram exibidos nos telões das salas de projeção—que começava com uma música, a qual tornou-se marcante com a imagem do mundo (claro que uma bola) a ilustrar a famosa trilha musical.
Nestes tempos a TV ainda não exercia o poder que tem hoje, então dominado pela mídia impressa. Mas nos cinemas assistiam-se jornais nacionais e estrangeiros. Assim, as grandes distribuidoras, como a Metro, a Fox e outras tinham os seus. Não cheguei a conhecer muitos deles, porque na época já existiam os nacionais, como o da Atlântida ou o famoso Canal 100, que ficou marcado por bolas de futebol (1).
Mas de bola o Brasil entende. Que o diga o futebol. No rádio eram comuns programas como No Mundo da Bola. Outrossim, a expressão “este mundo é uma bola” era muito comum. Tambem se costumava exclamar “você é uma bola” quando alguem dizia coisas engraçadas.
Bolas à parte nos surpreendemos nesta última semana com uma bolinha de papel quicando na cabeça de um candidato à presidência. Viu-se nitidamente a tal bolinha bater na careca do dito cujo. Ninguem quase notou, mas minutos depois, após um telefonema em seu celular, viu-se tambem o mesmo candidato em cortes fotográficos sucessivos levar a mão à cabeça e, em seguida entrar numa van e correr a um hospital para fazer exames. E o mais engraçado é que, mesmo sendo careca, não ficou nenhuma marca. Apesar de correligionários do candidato afirmarem que outro objeto mais pesado o atingiu na ocasião.
Enquanto isto, sua adversária, segundo relatos de presentes ao local em que se encontrava, supõe-se, era “quase atingida” por sacos plásticos repletos de água. Mais bolas na jogada, às vésperas dos 70 anos de nascimento do Rei do Futebol (leia-se da bola), o senhor Edson Arantes do Nascimento.
Donde se pode concluir que, voltando à antiga expressão popular, esta eleição, alem de ser indubitavelmente a mais nojenta de todos os tempos, é mesmo uma bola... Murcha, ora bolas!

(1) O Canal 100 ficou muito conhecido por exibir sempre em seu grande final um jogo de futebol.

sábado, 23 de outubro de 2010

HOLOCAUSTO!

As denúncias contra o abuso de poder e a omissão de dados reais pelo governo estadunidense no Iraque reflete a que ponto chegou o governo Bush. E o de Obama, pois quem cala consente!
Práticas de extermínio de populações civis e de tortura, aliás, teem sido uma marca tambem no Afeganistão (vide matéria “Crimes hediondos” publicada no dia 1 deste mês). Agora, a ONU exige que a “autoridades” do governo dos EUA se explique perante aquele organismo, pois em nome daquela organização praticaram centenas, talvez milhares de atos de vandalismo e selvageria.
As denúncias que vieram do site WikiLeaks mostraram que as forças armadas ianques esconderam dados preciosos, tendo diminuído o número total de vítimas civis, ao mesmo tempo em que não revelaram a maioria dos casos de tortura física impostos à população daquele país invadido. Segundo a fonte, o ódio aos estadunidenses por parte de civis, aumentou com as desbaratadas e sádicas ações de marines e outras tropas, inclusive de outros países da OTAN.
O certo é que este verdadeiro holocausto tem que ser apurado. E que os culpados de tais atos teem que ser julgados e punidos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O tiro pode sair pela culatra



Transcrevo abaixo a matéria de Luciano Martins Costa publicada hoje no “Observatório da Imprensa” http://www.observatoriodaimprensa.com.br/index.asp sobre o “atentado” ocorrido ontem contra (ou a favor?) do candidato José Serra.

“COBERTURA ELEITORAL
O atentado de Campo Grande
Por Luciano Martins Costa em 21/10/2010
Comentário para o programa radiofônico do OI, 21/10/2010

Foi mais ou menos como num jogo de futebol: o zagueiro encosta no atacante, o atacante se atira dentro da área, rolando, se contorcendo, na esperança de que o árbitro apite um pênalti. Mas as câmaras são soberanas. Elas mostram que o zagueiro mal tocou no centroavante, que o atacante se atirou, que não está machucado, que está simulando. Ainda assim, alguns narradores gritam: "Pênalti!". E no dia seguinte, os analistas vão bater boca o dia inteiro: foi, não foi, o juiz acertou, o juiz roubou.
Na cena reproduzida pelo Jornal da Record, o candidato José Serra vem caminhando, sorridente, pela rua do comércio de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Vem cercado de correligionários e seguranças. Mais adiante, seu caminho está bloqueado por uma passeata de petistas, que podem ser identificados por suas bandeiras vermelhas.
A comitiva do candidato oposicionista segue na direção dos adversários, arma-se um rápido entrevero, no qual um petista é agredido por três acompanhantes do candidato Serra, que está abrigado à porta de uma loja.
Apartam-se as brigas, Serra retoma a caminhada.
Então, alguma coisa o atinge na cabeça.
Pela câmara da TV Record, observa-se que o candidato apenas passa a mão na cabeça, constatando que não está ferido. É levado, então, por seus acompanhantes para um hospital.
Corta para o médico que o atendeu. A frase é clara: ele não tem nem um arranhão. A reportagem esclarece: o candidato foi atingido por um rolinho de plástico, um desses adesivos de campanha amarrotado.
Agora, a mesma cena no Jornal Nacional, da TV Globo: tudo quase igual, exceto no momento em que José Serra é atingido. Substitui-se, então, a imagem em movimento, que mostra apenas um susto da vítima, por uma fotografia, tirada de cima para baixo, de efeito muito mais dramático.
Quando chega o trecho da entrevista do médico, sua voz desaparece e em lugar da versão oficial do hospital entra o locutor, que apaga a informação de que o candidato não sofreu sequer um arranhão e a substitui por uma versão mais grave. A encenação se completa com o candidato sendo entrevistado, sob uma tensa luz azulada, com olhar de vítima.
Simulando uma contusão
O episódio, condenável sob todos os aspectos, deve, no entanto, ser visto como resultado da irracionalidade e radicalização da campanha eleitoral.
Mas as versões apresentadas pela imprensa merecem uma análise à parte.
Uma curiosidade: quem teria descido do Olimpo global para comandar a edição de tão importante reportagem? Que critérios do manual de ética e jornalismo da Rede Globo foram brandidos para justificar a transformação de um episódio banal, mais do que esperado no ambiente de conflagração que os próprios candidatos andaram estimulando, em uma crise republicana?
As evidentes diferenças nas edições do Jornal Nacional, muito mais dramático, e do Jornal da Record, que tratou o episódio com mais naturalidade, sem deixar de condenar os excessos de militantes, têm a ver com jornalismo ou com engajamento eleitoral?
No boletim online do Globo, distribuido às 14h18 da quarta-feira, "Serra é agredido durante enfrentamento de militantes em ato de campanha no Rio".
Na edição de papel, primeira página do Globo, "Serra é agredido por petistas no Rio". No complemento, a informação alarmante: por orientação médica, o candidato cancelou o resto da agenda e submeteu-se a uma tomografia num hospital da Zona Sul.
Título na primeira página do Estadão: "No Rio, petistas agridem Serra em evento".
Na Folha, em foto menos dramática, "Serra toca local em que foi atingido por um rolo de adesivos…"
Quanto pesa um adesivo de campanha enrolado? Cinco, dez gramas?
E a tomografia? É resultado da conhecida hipocondria do ex-governador ou parte da estratégia para transformar um episódio grotesco e banal em atentado político? Como uma bolinha de papel, dessas que os alunos atiram uns nos outros nas salas de aula, poderia virar motivo de comoção nacional?
Em seu artigo na edição desta quinta-feira [21/10] da Folha de S.Paulo, a colunista Eliane Cantanhêde transforma o projétil de papel em "bandeirada" na cabeça e afirma que José Serra, literalmente, apanhou na rua.
Quanto vale um jornalismo dessa qualidade?
A chamada grande imprensa perdeu completamente as estribeiras.”

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Debate? Como? Quando?

O mais incrível nestes debates entre Dilma e Serra é a falta de debate. Não se respondem às questões colocadas. Cada um fala para um lado ignorando perguntas e falando aquilo que lhes vem à cabeça. Por vezes fica impossível saber o que um candidato pensa do assunto colocado por seu adversário. São monólogos a dois.
Pelo menos nestes dois relativos ao segundo turno isto tem sido sistemático.
Por vezes me pergunto por que estou a assisti-los. Fica no ar uma sensação de vazio. São como se fossem dois autistas a falar de seu mundo como se o outro não existisse...
E assim seguem as campanhas de Dilma Serra e José Roussef.