quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A paz é impossível com o “nazi sionismo” no poder!


A situação no Oriente Médio é de fato muito grave. Israel, com o apoio declarado de Barack Obama, veta as possibilidades dos palestinos se estabelecerem de forma independente na terra que pertence a eles. Por outro lado é difícil criticar de alguma forma o povo hebraico, pois desde a 2ª Grande Guerra eles se apegam ao papel de vítimas do anti semitismo naquele período, generalizando qualquer tipo de oposição a seus pensamentos e ações. Acontece que o anti sionismo não tem nada a ver com anti semitismo. É preciso que isto fique claro. A leitura de “The Hidden History of Zionism”, de Ralph Schoenman (1) pode abrir conhecimentos sobre a questão. Ex secretário particular de Bertrand Russel, além de que o fato de ser judeu, o deixa acima de qualquer suspeita.
No texto abaixo transcrevo a entrevista que Stylianos Tsirakis, realizou com Schoenman para a revista Teoria & Debate (Brasil), em 1989, e que ajuda a compreender melhor o Estado de Israel e toda a verdade da aliança entre o sionismo e o nazismo. Posso adiantar que a entrevista, apesar de seus mais de 20 anos, permanece atual até os dias de hoje.

Stylianos Tsirakis (ST) – Em “The Hidden History of Zionism” (A História Oculta do Sionismo), você descreve quatro mitos sobre a história do sionismo. Gostaríamos que explicasse um pouco seu livro.
Ralph Schoenman (RS) – O meu trabalho na Fundação Bertrand Russell foi importante por me ter dado a possibilidade de documentar fatos sobre a formação do Estado sionista de Israel. Em cursos e palestras que proferi em mais de uma centena de universidades americanas e europeias, pude constatar que as pessoas não sabiam, não tinham conhecimento da história do movimento sionista, dos seus objectivos e de outros fatos. Nessas ocasiões deparei com concepções equivocadas sobre a natureza do Estado de Israel e foi isso que impulsionou o meu trabalho de escrever o livro, "The Hidden History of Zionism", no qual abordo o que chamo de os quatro mitos que têm moldado a consciência nos Estados Unidos e na Europa sobre o sionismo e o Estado de Israel.
ST – Quais são esses quatro mitos?
RS – O primeiro mito é o da “terra sem povo para um povo sem terra”. Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram ao mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nômades; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e trabalhava.
ST – Quais os outros três mitos?
RS – O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelense. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático ao estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários. Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade.
Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelitas ocuparam 75% da terra palestina e expulsaram mais de 800 mil palestinos, de um total de 950 mil. E o fizeram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controle israelense. Dessas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem qualquer tipo de indenizarão. Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina.
De acordo com a legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir, trabalhar ou mesmo sublocar terra. Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do caráter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista.
A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelense, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais.
O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda direta. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelense variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano (sic) dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas aos EUA. Mas há uma exceção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais.
O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial? A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana (sic), sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente Médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controle. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano (sic). É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelense.
O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas dele. O movimento sionista tem como que se “alimentado” da mortandade colectiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazista na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas.
Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar o establishment, o status quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao Kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazistas.
ST – Como se deu essa colaboração dos sionistas com os nazistas?
RS – Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazistas e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direcção do 3º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de o movimento sionista ter lutado activamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã Bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irónico, porque o que o movimento sionista fez quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada foi fazer acordos, e colaborar com o nacional socialismo.

1. Mais informações sobre o autor em http://en.wikipedia.org/wiki/Ralph_Schoenman  

domingo, 25 de setembro de 2011

Pensatas de domingo, poética da insignificância, umbigos, bushadas, caos in Rio, etc...


Para começar: 10% do PIB para a EDUCAÇÂO JÁ!

Absurdo o projeto da prefeitura do Rio de Janeiro ao optar nas ligações Barra/Zona Oeste, Barra/Penha e Barra/Deodoro pelos BRTs (Bus Rapid Transit) e não pelo conhecido e propagado VLT (Veículo Leve sobre Trilho), largamente empregado na Europa, e que evita a poluição causada pelos motores dos ônibus. A razão, obviamente é a mesma que retardou durante décadas as obras em nosso sistema metroviário – hoje temos pouco mais de 40 quilômetros--, a ação criminosa do cartel dos proprietários de empresas de transportes rodoviários. Uma verdadeira máfia!

A propósito, saiu esta semana uma matéria no seminário português “Expresso” alertando que um relatório da ONU sobre o meio ambiente está prevendo que a continuidade em gerar energia com combustíveis fósseis, em 2020 –quer dizer, daqui a apenas nove anos--, as condições para a sobrevivência de vida no planeta já “vão estar extremamente críticas” (sic).

A imprensa brasileira andou “caindo de pau” na aposentadoria de La Cicciolina (lembra?) como parlamentar. Ora, na Itália são três mil euros. E aqui, com quanto se aposenta um ex deputado? O melhor é olhamos para o próprio umbigo. Ou no caso específico seria mais indicado para o próprio peito...

Li no Terra Magazine, mais precisamente na coluna do Professor André Setaro (publicadas todas as terças naquele portal) uma matéria sobre os filmes de “expressão televisiva” --muito longe da cinematográfica--, em que André se refere ao termo lançado pelo crítico Inácio Araújo que os batizou de “poética da insignificância”. Esta designação é ótima, especialmente para os produzidos pela Globo Filmes. No meu caso agravada pelo fato de quando vejo no elenco qualquer nome de artista “global” nem sequer penso em passar pela calçada do cinema. Pode ser radical, mas se justifica tal a minha aversão e alergia ao esquemão da emissora, incluindo novelas e coisas do gênero!

Negócio de programa cômico é que, por melhor que seja acaba enchendo o saco. Não estou falando de “Zorra Total” ou “Praça da Alegria”, que sempre foram inassistíveis. Mas, por exemplo o “Pânico na TV” começou bem e hoje em dia está insuportável. O “CQC” tambem já vem se tornando bastante repetitivo. É o tal caso: rir do mesmo que se riu na semana passada, a mesma piada, a mesma fórmula. Enjoa! Chegou a vez da novidade: Danilo Gentili com seu talkshow “Agora é tarde”. Por enquanto ainda dá para assistir. Mas, até quando?

Em pleno auge do movimento para criação do Estado Palestino, Mr. Obama, o “negro de alma branca”, aquele picareta que atualmente preside os EUA, “pra variar” escorregou na maionese e tirou a máscara (coisa que ele cinicamente prefere não expor tão claramente) rejeitando os planos palestinos e dizendo que "não há atalhos para a paz no Oriente Médio". Ao encontrar-se com Mahmoud Abbas afirmou que Washington vai vetar (1) o pedido palestino no Conselho de Segurança da ONU deixando claro que a amizade entre os EUA e Israel é "profunda" e que seu país jamais deixará de trabalhar para garantir a segurança do Estado hebreu. Obama reiterou a Abbas seu apoio (rs) ao estabelecimento de um Estado palestino, mas que "deve surgir de conversas diretas com Israel e não através de iniciativas unilaterais nas Nações Unidas". Em outras palavras: “fodam-se e virem-se, palestinos”... Bushadas de Obama!
Até ontem à noite o impasse continuava. Israel declarou através de seu primeiro ministro Benjamín Netanyahu que pretende (vejam bem pretende) renegociar com a Palestina com base em algumas exigências e condições. Provavelmente de não manter as fronteiras de antes de 1967, etc. Enquanto Obama mantem a promessa do veto.
Complementando, para o primeiro ministro de Israel, a ONU é uma “casa de mentiras”. Só se esqueceu de acrescentar que a maior parte delas beneficia o Estado sionista sob seu comando.
E mais: Médicos denunciaram que Israel testa suas novas armas na população palestina da Faixa de Gaza, provocando mutilações, queimaduras e ferimentos (2).

Enquanto isso em Moscou, Putin anunciou sua candidatura para presidente em 2012. Publiquei certa feita que ele como primeiro ministro seria a “eminência parda” do atual governo. E é! Que tentaria outra presidência, e o comparei a Ivan o Terrível.
É, parece ser uma “sina” na Rússia a existência de grão czares. Stalin que o diga!

O Rock in Rio transformou-se em Caos in Rio. E a Barra da Tijuca num verdadeiro Inferno in Rio. Por que? Ora vejam: para se chegar ao local, só de ônibus especial (30 mangos por cabeça). Ou de helicóptero (uma viagem para cinco passageiros por nove mil). Ou pegar outros ônibus, parar no lugar permitido e andar quase dois quilômetros. Carros particulares e táxis são proibidos de ir até o local, até porque as ruas no entorno estão fechadas Não se pode levar nada. Para comer ou beber qualquer “coisinha”, só comprando lá. Tudo com preços pelos olhos da cara. Uma capa de chuva descartável custa 20 reais. E o mais surpreendente, ainda tem muita gente que vai. Só na primeira noite foram mais de 100 mil pessoas!
Ali, Claudia Leitte (agora é com dois “tês” mesmo) se apresentou como “roqueira”. Será que cantou em inglês, como no concurso de miss universo em Sampa? Creio que ficaria mais adequado se ela tirasse o Leitte e colocasse logo Milkk (assim com dois “cás” mesmo). Pelo que parece a “baiana” de São Gonçalo (RJ) ambiciona mesmo um voo internacional!

E a velocidade da luz? Com os neurinos, e, embora ainda faltem comprovações, especula-se não ser mais a mais rápida do Universo!

Para terminar: 10% do PIB para a EDUCAÇÂO JÁ!

1. Basta o veto de um dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, França, Grã Bretanha e China) do Conselho de Segurança da ONU para derrubar qualquer proposta.
2. Fonte “Brasil de Fato”:
Vale a leitura porque tem muita informação sobre “o ovo da serpente” (versão século 21).

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ainda sobre “11 de setembro”, o filme


Seguem abaixo outros links para se assistir todos os episódios de 11'09''01 - Sept. 11, longa metragem composto de onze curtas sobre o(s) 11 de setembro.
Se tiver interesse, clique neles e assista o que realizaram onze diretores de cinema ao redor do mundo sobre o acontecimento: Yossef Chahine (Egito), Amos Gitai (Israel), Alejandro González Iñarritu (México), Shônei Imamura (Japão), Claude Lelouch (França), Ken Loach (Grã Bretanha) – já postado por mim no domingo--, Samira Makhmalbaf (Irã), Mira Nair (Índia), Idrissa Ouedraogo (Burkina Faso), Sean Penn (EUA) e Danis Tanovic ) Boznia Herzegovina, não exibidos nesta ordem. E atenção, porque alguns começam num link e terminam no seguinte.
Cada um dos episódios tem uma visão pessoal e a mais variada de cada um dos diretores.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Líbia. Mais alguns lances no complexo tabuleiro

Um porta voz de Kadafi disse nesta segunda feira que suas forças capturaram 17 combatentes a serviço do novo governo, incluindo cidadãos da França e Grã-Bretanha. Já o porta voz do CNT negou a notícia.
Apesar da OTAN dizer que não mantem tropas terrestres na Líbia, governos ocidentais sabidamente mobilizaram tropas terrestres por lá em passado “mais ou menos” recente, e a imprensa tem noticiado que empresas privadas de segurança (do tipo Blackwater) têm prestado serviços às forças do CNT.
Quase um mês depois da “deposição” de Kadafi, a notícia sobre a suposta prisão de mercenários gera confusão sobre a situação na Líbia. Depois de anunciar repetidamente que estavam na iminência de capturar Bani Walid e Sirte (1), as forças do movimento anti Kadafi enfrentam uma resistência mais feroz do que o previsto, perderam muita gente e precisaram recuar em ambas as localidades.

E o jogo continua... Pelo jeito, devido à gigantesca intervenção da OTAN, perto de um xeque mate... Será?

1. Nesta região, principal ponto de resistência das tropas de Kadafi, estão 80% dos poços de petróleo na Líbia, na verdade motivo principal da grande ambição do império em ter aquele país de volta a seu controle absoluto.

domingo, 18 de setembro de 2011

Pensatas de domingo, padres tarados, “show” em Nova Iorque e outros babados mais


Uma associação estadunidense de vítimas de padres pedófilos anunciou na última terça-feira (13 de setembro) ter apresentado uma queixa ante o TPI (Tribunal Penal Internacional) contra o papa Bento 16 e outros dirigentes da Igreja católica acusando-os de crimes contra a humanidade. Os dirigentes da associação “Rede de Sobreviventes de Abusados por Padres”, orientados pelos advogados da ONG "Centro para Direitos Constitucionais", entraram com uma ação para que o papa seja julgado por "responsabilidade direta e superior por crimes contra a humanidade por estupro e outras violências sexuais cometidas em todo o mundo".

No vídeo publicado na 2ª feira neste blogue ficou evidente que a invasão pelos Estados Unidos e o próprio atentado às Torres Gêmeas fizeram parte de uma ação premeditada contra o Afeganistão, no qual após a tomada do poder pelos Talebans viu reduzida sua produção de ópio para o mundo, caindo de 3.000 toneladas/ano (80% do total mundial) para inexpressivos 185 por ano. Hoje, aquele país já retomou a liderança (agora 90%) na plantação de matéria prima para a fabricação da droga, e isto, apesar de não estar totalmente ocupado pelas tropas invasoras do ocidente, representantes do capital internacional que hoje usa o tráfico de drogas como uma de suas fontes mais lucrativas.

Às vezes assisto o Jornal Nacional somente para me inteirar melhor do que a direita está pensando. Depois vou ao banheiro vomitar!

Segundo dados divulgados esta semana, o escritório responsável pelo censo nos Estados Unidos revelaram que o número de estadunidenses vivendo na pobreza chegou a 46,2 milhões no ano passado, o número mais alto desde que os dados começaram a ser coletados em 1959. A taxa de pobreza no país aumentou de 14,3% em 2009 para 15,1% no ano passado. Os dados refletem a lenta recuperação da economia dos EUA após a crise mundial, em um momento em que aumentam os temores de que o país mergulhe em uma nova recessão.

A grande mídia internacional tratou o décimo aniversário do 11 de setembro como um grande show, ou um filme catástrofe, reprisando os momentos mais “espetaculosos” do acontecimento com grande estardalhaço e uma repetição abusiva. E terminaram o “espetáculo” com luzes recompondo os edifícios (ver foto acima). Em suma, “the show must go on”...
E por falar em show, até em parâmetro quase oposto na mídia alternativa, mas de qualquer forma, noto a cada dia que passa o quanto vídeo e escrita estão cada vez mais próximos na web. Somente como exemplo, das últimas cinco postagens publicadas neste blogue, quatro delas tinham algum filmete.

Excelente a nova coleção lançada pela Folha sobre o cinema europeu. O último que saiu aqui no Rio o excepcional “Asas do desejo” (Der himmel ünder Berlim – 1987) de Wim Wenders. Uma boa oportunidade de se assistir filmes europeus a baixo custo.
Enquanto isso, caramba, na TV, seja a cabo, seja a aberta há uma inundação de enlatados estadunidenses. E o pior, não são nada bons, mas a massificação de “probleminhas mediocrizinhos” do dia a dia da alienada pequena burguesia dos Estados Unidos, principalmente em séries idiotizadas. Isto é mesmo colonização cultural e lavagem cerebral, a mais clara, aberta... E débil mental!

Na semana que acabou, postei o dueto Amy Winehouse/Tony Bennett interpretando “Bod and soul” (1930, letra de Edward Heyman, Robert Sour e Frank Eyton, música de Johnny Green) imortalizada por nada menos que Billie Holliday, Ella Fitzgerald e Frank Sinatra.
Nesta, que teria sido sua última aparição, Amy se iguala às grandes damas do jazz (sério) na grandeza de sua voz que vem de dentro, sentida no estômago, na sua fácil e temperada “segunda voz”, nos seus charme e carisma.
Mas tem uma música, “Tears dry on their own” (1) em português "Lágrimas secam por si só" em que fica evidente o porquê dela ter-se diferenciado tanto entre as intérpretes modernas, pois numa letra em que fala do abandono de seu amado, Winehouse, cuja “persona” na maquiagem e penteado foi uma proposital caricatura dos tempos em que vivemos, mostra ao vagar perdida em ruas de uma Londres nua e crua, repleta de prostitutas e travestis, mulheres gordíssimas, gente grossa que se “tromba” e nem está aí pra isto, um sujeito portando um cartaz em que se inscreve “o fim é agora”, um outro, bebum a apalpar mulheres, violência policial, num bairro que não conheci porque quando fui àquela cidade, claro, como turista, jamais me levariam a um local, que esteticamente, --de forma particular em algumas das tomadas-- mais parece um subúrbio de qualquer cidade do 3º mundo.
Crítica... A mais irreverente crítica social à “fauna humana”.


Tudo isso de pesquisar o trabalho da Amy provocou uma febre de me atualizar quanto à música neste mundo pós moderno em que vivemos. Incrível, mas a gente começa a notar que está envelhecendo quando o mundo fora de nossas paredes começa a ficar distante. E, gentem, fiquem certos que Madonna já é uma coroa!
O fato é que passei a me aprofundar no trabalho de “BeyoncésRihanasLadyGagas” e congêneres da vida. E mesmo que não preze, acho que devo estudar pelo menos um pouco de cada uma delas. Afinal, Amy surgiu assim e gostei. Mas posso garantir que as demais, algumas belíssimas espécies de mulher, não têm o mesmo conteúdo.

Enquanto isso em Brasília, mais uma vez Sarney mostrou a sua força ao indicar o maranhense Gastão Vieira como o novo Ministro do Turismo. Será o Brasil um grande Maranhão?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Mais do que apenas um livro...

A capa com ilustração de Norma de Athayde Couto
Acabei de ler “Memorial da ilha e outras ficções” do Professor Jorge Moreira (1). Além do romance que flui em leitura fácil e gostosa nas suas 127 páginas, existem outros contos e narrativas, alguns deles em espanhol, posto que o Professor, como eu, baiano de nascimento, entretanto morou no México por alguns anos, onde, aliás, pós graduou-se. Mas não o conheci na Bahia, e sim na internet, por intermédio de meu primo André Setaro, também Professor (na UFBa) que considero uma das maiores autoridades em cinema deste país.
Antes de tudo, devo dizer aqui que não sou --nem nunca me propus a ser-- um crítico literário. Longe de mim tal pretensão... No entanto fui impelido a comentar aqui este livro, motivado pelo entusiasmo ao lê-lo.
Vamos começar pelo romance “Memorial da Ilha” e as aventuras de Bromeu em suas férias na Ilha de Itaparica, sua família, seus amigos, suas memórias marcantes de observar o mundo e o viver a vida. Trata-se de um ato realmente saboroso acompanhar o desenrolar das descobertas e experiências de um jovem a despertar para a existência, sua ingenuidade, seu aprender e amadurecer no dia a dia... Na curiosidade do adolescente sedento de conquistas, o vislumbrar de novas etapas em sua vida. Qual de nós não passou por isto?
Sem nunca perder de vista a abordagem social, Jorge Moreira nos remete a esta fase áurea da vida nesta “ficção não tão fictícia” quanto um verdadeiro memorial dos “tempos que não voltam mais”, como se diz no “popular”. Tempos que nossas memórias não apagam, pois aconteceram com cada um de nós, senão em Itaparica, em alguma praia de Cabo Frio, Guarapari ou Pajuçara. Porque um humanista --como o autor-- capta a sensibilidade de momentos que representam os sentimentos e seus reflexos naquele determinado instante, seja ele qual for. Das recordações de um forte sol causticante no verão dos trópicos em inocentes brincadeiras nas águas da praia às de uma suave brisa noturna, vinda magicamente deslocada do mar sereno ajudando a contemplar a beleza suave de seu súbito amor juvenil pela garota mais bonita da turma, mais bonita ainda iluminada pela sutileza do luar. Ou ainda um joguinho de futebol, uma simples pelada, que na Bahia chamamos de “bába”. Coisas singelas, aparentemente banais, mas que representam ar no ar, vida na vida. Pura poesia do viver! “Porreta”!
Leiam abaixo o que um pequeno trecho nos trás à luz, podendo revelar um pouco do seu estilo e da sua narrativa simples e sem rodeios. E digo isto porque acredito mesmo que em se tratando de comunicação “toda ideia simples beira a genialidade ”. E, obviamente, a literatura não foge desta máxima...

"(...) No largo, de frente pra cidade, forma-se uma nova serenata. Sentados, jovens olham pra lua que cai no mar. São veranistas. Alguns estão abraçados e apaixonados. Todos fazem uma roda em torno dos irmãos Gordinho e Louro. Os dois tocam violão e cantam afinados. São veranistas do Jabiru. Gordinho, o mais jovem é moreno e suave; Louro é branco e rústico. Bromeu vê Arthur e Jaime sentados ao lado dos violonistas. Bromeu se aproxima timidamente e cumprimenta os dois amigos. Arthur diz:
– Bromeu, senta aqui do nosso lado.
Feliz, Bromeu se senta ao lado de Bárbara perto das veranistas.
Enquanto Gordinho toca acordes dissonantes, as moças e os rapazes cantam “Eu sou feliz tendo você sempre ao meu lado...”; depois prosseguem com “Chega de Saudade, a realidade é que sem ela não pode ser...”; Emendam com “O barquinho vai...”; “Era uma vez um lobo mal...”; “... Eu sou mais você e eu”. Cantam samba-canções de Silvinha Telles, bossas novas de Tom Jobim, Roberto Menescal, Carlinhos Lira; cantam com a batida do violão e o estilo de cantar de João Gilberto.
Bromeu está embevecido escutando a música e a batida do violão. Também está fascinado com as jovens veranistas. O menino observa aquelas moças de perto. São bonitas, elegantes, cabelos soltos arrumados, roupas novas, pele bronzeada, queimada do sol! Ai quem lhe dera ter uma dessas veranistas como namorada!
Pouco depois, chega Alexandra acompanhada da irmã menor e de dois veranistas. O coração de Bromeu dispara como um tamborim, mas ele se controla. Sabe que Paulinho Baratas e Sandro Babosa, os veranistas que a acompanham, estão competindo ferozmente para conseguir ser escolhido como namorado de Alexandra.
Quando eles se sentam atrás da roda principal, escuta-se uma voz na escuridão:
– Alguém, que acaba de chegar, pisou em bosta de cachorro.
Está empestando a serenata. Babosa se levanta e acende a lanterna de pilha. Tira o tamanco do pé e começa a inspecioná-lo.
Com um gesto brusco se queixa:
– Merda, é meu tamanco! Diz ele.
Chateado, caminha para praia para lavar a sola do tamanco. Quando se retira, Paulinho, contente, começa a rir do papel ridículo que o rival protagonizou em frente de todos. A platéia não teve remédio que rir da chanchada.
Gordinho pára de tocar. Passa o violão ao irmão mais velho. Louro prefere tocar músicas românticas internacionais. Começa tocando e cantando a melodramática “Et maintenant, que vaisje faire? De tout ce temps que sera ma vie” de Gilbert Becaud; emendando com “When somebody loves you, It’s no good unless he loves you all the way” o sucesso de Frank Sinatra.
É tarde. Um casal de namorados levanta, sussurra boa noite e abandona a roda. Logo, outros fazem o mesmo. Bromeu se dá conta de que é hora de voltar pra casa..."

Como a pequena pinçada acima, a obra está repleta de outros momentos inesquecíveis, daí, eu considerar uma sorte o fato de ter-me caído às mãos um livro como este, porque ele não acaba aí. Na verdade, ao terminar o romance, apenas chegamos à segunda parte intitulada “Outras ficções”, com contos e relatos que se dividem em narrativas sobre os anos da ditadura, composto de “Perigoso Marginal Armado” (2), e “A cruzfixação”, além de alguns, escritos em espanhol, como sempre de um grande significado pessoal e social, “Orden del padre: la hermandad de los cangrejos”, “La muerte y el farolito”, “El regalo”, “Un sueño”. E um brilhante jogo de palavras na poesia “Alfabetunar”.
Jorge Moreira viveu aqueles anos de chumbo, os quais uma grande parte de nossa geração sofreu na carne e no mais íntimo do âmago... Traduziu-os em “A cruzfixação” que é algo quase inexplicável pela sua força de expressão e todo o realismo “alucinante” de uma época, mas também em “Perigoso marginal armado”, onde podemos encontrar muito do que foi difícil para qualquer “cidadão” aquele período nesta “republiqueta tupiniquim”. Quanto aos contos em espanhol valem muito a leitura. Primeiro por estarem nesta língua tão próxima a nós, e, no meu entender bastante compreensível. Segundo porque complementam a visão humanista, e mais uma vez aqui repito esta denominação, porque o autor é de fato um escritor alinhado ao pensamento que valoriza, antes de qualquer coisa o ser humano inserido no contexto social. Por isto digo no título que este livro é “mais do que apenas um substantivo”. Porque o seu conteúdo é grande nos pequenos detalhes. E representa o posicionamento do seu autor em sua sensibilidade como um todo...
É uma pena que não mais encontremos no Brasil a publicação, que quase se esgotou, quando de seu lançamento na Bahia em 2007. Mas ainda pode ser encontrado na internet (3) e, quem sabe um dia, e apesar de morar fora do país, o Professor Jorge Moreira possa nos presentear com uma nova edição? Aguardemos!

1. Jorge Vital de Brito Moreira graduou-se em Ciências Sociais na UFBa (1971). Fez estudos de pós-graduação em Sociologia na “Universidad Nacional Autonoma de Mexico” (1985) e recebeu o titulo de doutor (Ph.d) em 1996 na “University of Minnesota” (EUA), com uma tese sobre o escritor Antonio Callado.
Nos EUA desde 1986, lecionou na “University of California San Diego (La Joya)”, “University of Minnesota”, “Washinton University”, “Lawrence University”, “University of Wisconsin” e "Fox Valley Technical College".
Tem publicado ensaios (sobre diferentes escritores brasileiros e latinoamericanos) sendo autor colaborador do livro “Notable Twenty Century Latin America Women” (2001).
Em 2007, publicou na Bahia o livro “Memorial da Ilha e Outras Ficcões” (romance e contos).
Atualmente escreve artigos e ensaios para o destacado diário “rebelion.org” de grande circulação na Espanha e América Latina. É tambem colaborador neste blogue.

2. Este conto foi publicado neste blogue. Para lê-lo, clique no link abaixo:

3. O livro (em português) ainda pode ser encontrado na Amazon.com

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Uma interpretação de corpo e alma



Fui surpreendido no início do dia, ainda meio sonolento, por esta tão falada gravação da dupla Amy Winehouse e Tony Bennet.
A recém falecida inglesa --puro jazz-- e este ítalo americano cuja voz tambem é fora de série. Coisa para despertar... Por isto mesmo aqui vai a reprodução desta pérola da música afro nas Américas.
Daí em diante, um bom dia regado a ritmo para todos os leitores deste blogue!