terça-feira, 19 de junho de 2012

O fisiologismo do PT desmascarado

Lula, Haddad e Maluf... Que foto! Que nível!
O PT surgiu nos anos 1980. Suas origens são suspeitas no tocante ao envolvimento da CIA e do governo estadunidense na intenção de fundar um partido político –supostamente de esquerda--, que desviasse a atenção de Leonel Brizola, considerado pelo imperialismo o inimigo número um de seus interesses por essas bandas.
Ao justificar a aliança com o PP de Paulo Maluf, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse cinicamente que “quem mudou foi o Brasil, e não o PT”. Ele declarou não ver constrangimento no apoio de Maluf --inimigo político do partido durante anos-- à pré candidatura de Fernando Haddad em São Paulo.
"Há 12 anos éramos rivais e hoje somos aliados", disse Falcão. "O Brasil mudou. Mudou o eleitorado e mudaram os partidos que resolveram apoiar nosso projeto nacional, como é o caso do PP". O PP é parceiro do governo federal e está à frente do Ministério das Cidades.
Falcão enumerou as vantagens da aliança pepista: amplia as possibilidades eleitorais, aumenta o tempo de TV e faz crescer o número de pessoas fazendo campanha "para mudar São Paulo".
Na sexta feira, Haddad havia recebido o apoio do PSB, que anunciou a ex prefeita e deputada Luiza Erundina como vice na chapa.
O petista subiu de 3% para 8% em pesquisa do Datafolha divulgada no domingo. Seu principal adversário, José Serra (PSDB), permaneceu com 30%.
O pré candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, e sua vice, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) se mostraram pouco à vontade com a possibilidade de o ex prefeito de São Paulo, o deputado federal Paulo Maluf (PP), apoiar o PT na capital paulista. Em vista disso, Erundina, inclusive ameaça sair da coalisão. “Não me vejo aparecendo na mesma mídia que o Maluf. Como é que os meus eleitores vão me ver ao lado do Maluf na TV? Eu não vou mesmo”, disse ela, pouco depois do anúncio da aliança.
O apoio do partido de Maluf à chapa PT/PSB dominou a maior parte da rápida entrevista coletiva concedida por Haddad e Erundina, ao final do ato que oficializou a aliança entre as duas legendas na disputa paulistana.
A aliança de Paulo Maluf com o PT para eleger Haddad na disputa da prefeitura de São Paulo, é uma prova do fisiologismo e do oportunismo político do PT, a UDN de tamancos. E tambem, até que ponto chegou a falta de vergonha política neste país!

domingo, 17 de junho de 2012

Recuerdos de domingo


Pensatas soltas, ou nem tão soltas, mas recordações que apenas passam pela cabeça. Lembranças de vários tempos, lugares diversos... enfim, coisas que são engraçadas de lembrar, e tornam o domingo mais leve e... Gostoso.

Valência na Espanha, além de ser uma cidade muito bonita, teve uma importância muito grande para mim. Foi o primeiro lugar em que avistei o Mar Mediterrâneo e nele molhei os pés. Havia chegado ao Maré Nostrum dos Romanos. Depois de horas dirigindo, desde Madrí, cheguei cansado. Encontrei um hotel bem central tomei um banho, e, refeito fui para a varanda do quarto. Passou um sujeito na rua e deu um berro em alto e bom som: “La Philosophie!!!”. Achei o grito muito curioso. Estaria bêbado, drogado? Nunca soube, mas também jamais me esqueci daquele instante.

La Licorne era uma boate e a casa de “mulheres fáceis” mais luxuosa de São Paulo. Corria o ano de 1971, e uma noite, com um colega de trabalho, catalão de nascimento, resolvemos dar uma olhadela nas tão afamadas beldades do lugar. Chegamos, pedimos duas cervejas, mas não tínhamos como bancar as habituées, que, por sinal faziam jus à fama e ao preço. Levamos um papo com algumas, mas logo nos retiramos. Pagamos uma nota preta pelas louras “geladas”. Quando saíamos, encontramos o Jô Soares completamente de porre no local.

O País Basco é lindo. Montanhas, serras maravilhosas serpenteando a autoestrada de uma qualidade fora de série. Queriamos chegar a Bilbao ainda naquele dia. E chegamos. Procurava um hotel de nome curioso: “Conde Duque”. Rodei a cidade inteira atrás dele, a Virginia com o Guia Michellin na mão, e eu nada de chegar ao tão procurado local. De repente, parei o carro e disse, quase desabafando que desistiria de ir para o tal hotel. Guga, apontou para o lado oposto rindo às pamparras. Quando olhei, lá estava o letreiro: Hotel Conde Duque. Parece até brincadeira.

O meu colega catalão, cujo sobrenome era Fortanet, era uma boa figura e um excelente amigo. Morava com a esposa e uma filhinha no bairro do Ipiranga, em uma casinha nos fundos da casa da sogra. Um dia me convidou para comer uma comida típica na casa deles no domingo. Fui, e foi a primeira das dezenas de paellas que saboreei na vida. Deliciosa, por sinal.

E por falar em paellas, e voltando à Comunitat Valenciana, ou ao Ayuntamento de Valência propriamente dito. Depois de muito folhear os guias turísticos, descobri que a ruazinha atrás do nosso hotel só tinha restaurantes do típico prato local. Claro, à noite estava lá. Comi uma, deliciosa e regada a um excelente vinho de La Rioja. Sai dali satisfeito da vida. De madrugada fui para o banheiro enjoado, passando mal. Em outras palavras: vomitei mesmo. Tinha um puto de um crustráceo daqueles que não estava lá essas coisas. Acontece.

A propósito, a melhor paella que comi na Espanha foi em Vigo, na Galicia. Não é pra menos. A cidade galega é famosa pelos seus frutos do mar e as barcaças que os armazenam em sua belíssima baía. Vigo é uma das cidades mais bonitas que conheci...

Houve um outro caso engraçado com o Fortanet. Uma tarde, estávamos no trabalho e ele virou-se para mim e falou: “Passa-me el cenecero!” Lendo assim não é tão difícil, mas ao escutar fiquei olhando para ele sem entender, pois falara muito rapidamente em seu estranho portunhol, com forte mistura de catalão, o que lhe embaralhava mais ainda o modo de se expressar. Daí ele repetiu, e repetiu mais uma vez, e outra. Só lá pela quarta vez consegui entender que se tratava do cinzeiro que estava ao meu lado.

Rio de Janeiro. Início dos anos 70. Onze da matina, jornal debaixo do braço eu chegava no Veloso (já era Garota de Ipanema, mas fazíamos questão de chama-lo pelo velho nome). Pedia um chope na pressão. Tomava uns três ou quatro, antes de ir à praia já devidamente informado pela leitura, calibrado pelos golos e tendo visto vários belíssimos rabos rebolantes naquela esquina que, por isso mesmo, entrou para a história da música brasileira... Quiçá mundial. Tempo bão, sô!

Comecei a sentir um cheiro de feijão queimado. O detalhe é que a agência em que trabalhava em Sampa, ficava em cima da Churrascaria Rubayat, nos tempos em que esta ainda era na avenida Vieira de Carvalho, no centro velho de São Paulo. Virei para uma colega e disse: “Está feijando queimão!”. Ela ficou olhando para mim sem entender bulhufas. Repeti o comentário. Demorei um bom tempo para concluir que estava falando tudo trocado. Quando a ficha caiu, morremos de rir.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A verdadeira face da crise na Grécia


Li uma matéria no jornal “Outras Palavras” em que fica clara a atual crise na Grécia, seus desdobramentos e realidade. Resumo abaixo uma conclusão do seu raciocínio:

O que vem acontecendo na Grécia não é de maneira alguma um fato isolado, tem atingido vários outros países, como a grande imprensa muitas vezes procura insinuar, no intuito de minimizar os efeitos da crise profunda que o sistema capitalista como um todo está vivendo, a maior crise de sua história. Crise inerente a uma ordem socioeconômica fundada na propriedade privada e na busca do lucro como objetivo primordial.
A Grécia é hoje o palco onde ocorre, em escala reduzida, o desdobramento de uma crise mundial. Sua população foi colocada diante da alternativa de abandonar a moeda da zona monetária a que pertence, por não suportar os custos sociais inerentes à política que lhe está sendo exigida, como condição para renegociar sua dívida externa.
Essa dívida externa, que se tornou não pagável, foi constituída para estimular as exportações dos demais países da União Europeia para a Grécia, sob a cumplicidade dos bancos que a financiaram. Portanto, nada mais injusto do que atribuir inteiramente ao povo grego a culpa por não poder arcar com os elevados custos do endividamento, mormente num contexto em que o mercado internacional está em crise e a produção do país não se mostra capaz de competir externamente.
O caso da Grécia é apenas um exemplo do que pode vir a ocorrer com os países da América Latina, com a persistência da crise e o acúmulo de dívida externa junto aos grandes bancos que controlam as finanças internacionais.
Diante desse quadro caótico da economia internacional, faz todo sentido indagar-se até quando a humanidade vai suportar a existência da ordem social capitalista, na qual a busca incessante do lucro empresarial e da acumulação de riqueza privada conduz a crises tão destrutivas como a atual. Crise profunda, num contexto em que a abundância é perfeitamente realizável.
Tem sido crescente a resistência que a população vem manifestando para submeter-se ao plano de austeridade que a União Europeia, em articulação com o Fundo Monetário Internacional, negociou com o governo do país, como condição para rolagem de sua dívida externa em condições de perdão parcial do valor devido.
O impacto inicial da execução do plano, que implica fortes reduções nos gastos públicos, tem agravado sensivelmente a situação social do país, em decorrência dos cortes nos salários, dispensa de funcionários públicos e outras medidas de contenção, produzindo queda no nível da produção e aumento nas já elevadas taxas de desemprego.
Para os menos informados, fica a impressão de que o que vem ocorrendo na Grécia é um fenômeno localizado, fruto da inapetência de sua população para o trabalho e de seu governo para com a austeridade fiscal. A “grande” imprensa não tem se furtado a atribuir a esses fatores a causa principal das dificuldades gregas atuais.
Conclui-se que é necessária a criação de bodes expiatórios para que 1% continue empilhando riquezas, controlando produção e alimentando crises localizadas cada vez mais profundas como forma de acobertar as razões da crise sistêmica por que passa o capitalismo mundial. Agora, por exemplo, a bola da vez é a Espanha.

domingo, 10 de junho de 2012

Pensatas de domingo


Em matéria publicada no Boletim Controvérsia de número 79, o filósofo e ativista Noam Chomsky (foto) critica a administração de Obama pelo uso de aviões não tripulados para matar suspeitos de terrorismo, reforçando a tese apresentada na matéria anterior, de autoria do professor Jorge Moreira.
Chomsky, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), criticou o uso de drones (aviões não tripulados) contra suspeitos de terrorismo, dizendo que isso é "assassinato e violação do devido processo legal. "
"Se Bush, a administração Bush, não gostava de alguém, sequestrava e enviava para câmaras de tortura", disse Chomsky, ao Democracy Now. "Se a administração Obama decide que não gosta de alguém, o mata, assim, não tem que ter câmaras de tortura em todos os lugares."
No final de abril, o assessor de contraterrorismo da Casa Branca, John Brenman, deu uma descrição detalhada buscando justificar os ataques feitos por drones estadunidenses contra supostos integrantes do Talibã e da Al Qaeda. A administração Obama tinha permanecido em silêncio até então sobre o uso de drones para atacar suspeitos de terrorismo.
"Você sabe, este clérigo norte-americano no Iêmen, que foi morto por drones", Chomsky disse, em referência ao Anwar al-Awaki, líder de um destacamento da Al Qaeda no Iêmen."Ele foi assassinado. O homem ao lado dele foi morto. Logo depois, seu filho foi morto ", disse ele. "Mas, você sabe, o proprietário do New York Times, por exemplo, quando ele [al-Awaki] foi morto, disse algo como “o Ocidente celebra a morte do clérigo radical ", continuou Chomsky.
"Primeiro de tudo, não era a morte, foi assassinato. E o Ocidente celebrou o assassinato de um suspeito. Ele é um suspeito, depois de tudo. Havia algo que foi feito há muitos anos, chamado Carta Magna, que é o fundamento de direito anglo-americano e que diz que ninguém será submetido à violação de direitos e nem julgado sem o devido processo legal. E não diz que, se você acha que alguém é suspeito, deve matá-lo ", concluiu.

A Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, começa na próxima quarta feira.
Como na Eco-92, também no Rio, governantes, diplomatas, empresários, ONGs, representantes de diversos setores do mundo irão discutir os mesmos problemas.
O desafio é semelhante ao de 20 anos atrás: a busca por um desenvolvimento sustentável que atenda às necessidades atuais sem comprometer as gerações futuras.
Não há segredos e os problemas se acumulam, agora somados à crise econômica mundial.
O cenário é desfavorável, após fracassadas tentativas de acordos. Tudo leva a crer que o encontro será um novo fiasco, com as discussões mais focadas na crise do que nas questões do meio ambiente
Resta torcer para que as soluções não sejam adiadas mais uma vez.

Veteranos estadunidenses das guerras do Iraque e Afeganistão arremessaram suas medalhas no local onde ocorria a Cúpula da OTAN em 20 de maio último, no que foi a mais dramática ação anti-guerra de ex-soldados desde o Vietnã. Um por um, mais de 40 membros do serviço de todos os ramos das Forças Armadas subiram ao palco para contar suas histórias enquanto milhares de manifestantes ouviam e aplaudiam.
"Quero dizer para aqueles atrás de nós, nestes muros fechados onde constroem mais políticas baseadas em mentiras e medo, que não estamos mais com eles e em suas guerras injustas. Tragam nossas tropas para casa", disse Iris Feliciano, da Marinha dos EUA, que serviu no Afeganistão em 2002. Feliciano virou-se e arremessou suas medalhas para a McCormick Place, onde a Cúpula da OTAN foi realizada nos dias 20 e 21 de maio.

Enquanto isso, e apesar do silêncio proposital da grande mídia, os movimentos Occupy continuam não somente em Nova Iorque, como ao redor do mundo...
Pode-se discutir muito se o movimento Occupy continua vivo e efetivo ou não. Mas não há como não ver que as desigualdades de renda e riqueza alcançam hoje picos históricos nos EUA; e que 2/3 da população norte-americana – e 55% dos Republicanos – dizem que há conflitos “muito fortes” ou “fortes”, no país, entre “os ricos e os pobres”, segundo o Pew Research Center.

O silêncio da mídia acoberta também as ações de repressão policial. De fato, a violência da repressão é também medida de sucesso do movimento, porque mostra o quanto o estado e os governos o veem como ameaça.
Vale ressaltar que em Oakland, a Polícia usou um tanque, contra manifestantes.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Desemprego, pobreza e guerra EUA, Israel, OTAN


Jorge Vital de Brito Moreira

A semana passada, o Departamento do Trabalho dos EUA, anunciou que a economia estadunidense criou apenas 69.000 empregos no mês de maio e a taxa de desemprego subiu para 8,2 por cento. A noticia tirou o sono daqueles que acreditavam que os EUA tinham saído da crise econômica ou estavam no caminho certo para a total recuperação econômica.
Para aumentar o desconcerto das pessoas por aqui, a UNICEF informou esta semana que a taxa de pobreza infantil nos EUA está entre as piores do mundo desenvolvido. Segundo a UNICEF, dos 35 países ricos, só a Romênia tem uma taxa de pobreza infantil maior que a dos EUA.
Enquanto a situação dos trabalhadores e das crianças vai de mal a pior, o presidente Barack Obama e o atual prefeito da cidade de Chicago, o sionista Rahm Emanuel (amigo e ex-chefe de gabinete do Presidente Obama) organizaram e patrocinaram  a reunião de cúpula da OTAN, realizada nos dias 20 e 21 de maio, naquela cidade com o dinheiro público.
Mas a reunião de cúpula da OTAN foi contestada pelas manifestações de milhares de pessoas contra esta organização, contra a administração de Barack Obama, contra as guerras no Afeganistão e a guerra do Iraque; e contra as guerras nos países do Médio Oriente e da Ásia.  Entre as manifestações, destacou-se a marcha que  foi liderada conjuntamente por Membros Afegãos para a Paz e Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW). "Estamos aqui para protestar contra a OTAN e para convidar todos os representantes da OTAN para acabar com essa guerra desumana, ilegal e brutal contra o nosso país e nosso povo", disse a liderança afegã na manifestação.
No sábado, milhares de manifestantes marcharam até a residência do prefeito Rahm Emanuel para demonstrar seu repúdio pelos cortes nos serviços sociais que ele fez para financiar a gigantesca operação de segurança dos participantes da reunião de cúpula da OTAN, entre outras coisas.
Apenas um dia antes, um grupo de enfermeiras conduziram uma marcha no centro de Chicago para protestar contra medidas de austeridade. Durante a marcha, os manifestantes gritavam:"Eles dizem ‘corte’, nós dizemos vamos nos defender”.
Não é necessário ser um expert em ciências políticas ou econômicas para se dar conta da relação entre a  guerra de classes deflagrada pelos ricos contra os trabalhadores e a classe media dos EUA (e do mundo), e as suas guerras externas, imperialistas (financiadas com o dinheiro público) para beneficiar Israel, as corporações petroleiras, os gigantescos bancos dos EUA (e Europa),  e a indústria de armas de destruição massiva da população dos países do terceiro mundo que estão sendo bombardeadas sistematicamente pelas  forças dos EUA e da OTAN.
Assim, a administração de Barack Obama tem recebido não somente o repúdio das marchas de protesto, mas também de destacados professores, intelectuais e escritores estadunidenses. Recentemente, o eminente professor canadense Michel Chossudovsky,  atual diretor do Global Research  afirmou no seu artigo “Quem era Osama? Quem é Obama? (publicado por em castelhano pelo periódico rebelion.org em 07/05/2012/) que “o presidente Barack Obama é um mentiroso político e um criminoso de guerra”.
A decepção com o governo do presidente Obama, já tinha sido  antecipada  pelo prestigiado escritor e filosofo negro Cornel West (professor da Universidade de Princeton). Na entrevista concedida ao novo website  Truthdig, Cornel West afirmou (para o jornalista Chris Hedges) que o presidente Barack Obama  é "a mascote preta dos oligarcas de Wall Street e a marioneta preta dos plutocratas corporativos. E agora tornou-se o chefe da máquina americana  de assassinar e está orgulhoso disso.” (... a black mascot of Wall Street oligarchs and a black puppet of corporate plutocrats. And now he has become head of the American killing machine and is proud of it.)
Naturalmente, Cornel West sabe muito bem do que está falando, porque foi um dos mais destacados nomes no apoio da candidatura de Obama. West recebeu a eleição de Barack Obama com grandes expectativas; a de que Obama iria se concentrar no que ele, West, considera a grande luta pelos direitos civis do século XXI: a pobreza e a desigualdade econômica.  Mas nada disso, como sabemos, aconteceu. Neste sentido, Obama é a maior decepção da política estadunidense.
Atualmente, o diretor do filme “INSIDE JOB, Charles Ferguson, lançou um  novo livro intitulado "Predator Nation: Corporate Criminals, Political Corruption, and the Hijacking of America (“Nação Predadora: criminosos corporativos, a corrupção política e o desvio de América") onde analisa os documentos judiciais ligados à crise econômica divulgados recentemente e se pergunta: Where Are the Criminal Prosecutions for the Financial Crisis? (Onde estão os processos criminais da crise financeira?)
Podemos repetir a pergunta anterior com uma pequenissima variação: Where are the Criminal Prosecutions for War Crimes? (Onde estão os processos criminais dos crimes de guerra?) para nos referirmos à escandalosa notícia de que os esforços feitos pelo fundador da Wikileaks, Julian Assange, para evitar a extradição para a Suécia recebeu um significativo revés. A Suprema Corte da Grã-Bretanha (uma instituição submissa aos interesses dos EUA) ratificou o mandado de prisão que foi emitido, injustamente contra ele, em dezembro de 2010. A recente decisão contra Assange (fruto da votação de 5 a 2) foi emitida dois anos depois da prisão do soldado Bradley Manning, por ter supostamente vazado milhares de documentos confidenciais do governo dos EUA para Wikileaks.
Ambos os casos (o de Assange e o de Manning) servem para demonstrar que cada dia que passa existe menos justiça e menos legalidade nos EUA (supostamente “a maior democracia do mundo”) e nos países desenvolvidos pois enquanto os justos que descobrem e revelam a verdade são punidos,  os criminosos de guerra continuam livres para continuar cometendo seus crimes impunemente.
Como se sabe, Assange não foi formalmente acusado de cometer qualquer crime, e ainda assim teve que se submeter à prisão domiciliária por um "mandato de detenção europeu”. É importante ressaltar que o “mandato de detenção” com a acusação de estupro, coerção ilegal e assédio sexual não foi emitido por um juiz, mas por um procurador que quer questionar Assange na Suécia. Julian Assange já se ofereceu para se reunir com as autoridades suecas na Embaixada da Suécia em Londres ou na Scotland Yard, mas a proposta foi rejeitada. Assange e seus defensores argumentam que o mandato é parte da tentativa do governo dos EUA para prender Julian Assange e encerrar as revelações e denuncias de Wikileaks.  Muitos outros estão convencidos de que “o mandato” é uma tentativa do governo dos EUA para castigar publicamente a Assange pois em abril de 2010,  Wikileaks divulgou um vídeo do exército dos EUA (sob o nome "Assassinato Colateral"), que mostra como um helicóptero Apache mata pelo menos 12 civis iraquianos, entre os quais um cinegrafista da Reuters e o motorista.
Por seu lado, o brilhante filosofo e linguista Noam Chomsky defende WikiLeaks acusando o presidente Obama pelos assassinatos no Afeganistão e Paquistão com os aviões não tripulados (drones). Nesta entrevista, Chomsky compara os crimes do presidente Obama com os do seu antecessor George W. Bush, Noam Chomsky diz: “Existe uma diferença entre Bush e Obama. Se a administração Bush não gostava de alguém, ele era sequestrado e enviado para um centro de tortura; se a administração Obama não gosta de alguém, ordena matar para não ter centros de tortura em todos os lugares.”
Para fortalecer a imagem de Barack Obama como um governante totalitário desprovido, como George W. Bush, de qualquer escrúpulo moral ou legal, o jornal The New York Times revelou esta semana que o presidente Obama supervisiona pessoalmente uma "lista secreta de assassinatos" que contém nomes e fotografias de indivíduos que devem ser assassinados como parte da guerra com os drones dos EUA. Segundo o jornal, Obama aprova pessoalmente cada assassinato seletivo a ser efetuado no Iêmen, na Somália, assim como nas operações mais complexas ou de risco no Paquistão. Entre os que têm seu nome na lista secreta encontram-se cidadãos norte-americanos, assim como adolescentes do sexo feminino de apenas 17 anos de idade.
Glenn Greenwald, advogado constitucional que escreve sobre política e leis para a revista Salon.com afirma: "O presidente dos EUA acredita que ele tem o poder de ordenar o assassinato de pessoas, em absoluto sigilo, sem o devido processo, sem transparência e sem controle de qualquer tipo.” "Eu realmente acredito que o poder do presidente hoje é, literalmente, o mais radical que um governo e um presidente pode obter, e Obama tem aumentado este poder agressivamente sem que até agora tenha sido motivo de controvérsia”.
Mas os questionamentos e as denuncias contra a administração atual não param de crescer. Recentemente, Vijay Prashad,  professor de Estudos Internacionais  (International Studies) no Trinity College in Hartford, Connecticut, EUA, preocupado com o aumento da propaganda em favor de uma guerra contra o presidente da Síria, Bashar -al-Assad, tem pedido a reavaliação do ataque da OTAN à Líbia.
Depois de um ano do “levante” que derrubou o coronel Muammar al- Gaddafi na Líbia, há uma preocupação crescente com as guerras da OTAN, pois a Líbia permanece altamente fragmentada em regiões e facções. De acordo com dados recentes, existem mais de 500 exércitos de milícias em todo o país, que perpetram contínuas violações aos direitos humanos que são similares àquelas realizadas durante o regime de al-Gaddafi.  Assim, Vijay Prashad, escritor e jornalista da destacada revista Counterpunch, se manifesta: "Existe a necessidade de avaliar o que aconteceu na Líbia, como resultado não só das atrocidades cometidas pelo governo al-Gaddafi no momento da rebelião, mas também, das atrocidades que foram cometidas como resultado da natureza da intervenção da OTAN”. "Acredito que realmente devemos questionar o uso e o abuso dos direitos humanos como um lubrificante para a intervenção militar em outros países.”
Por seu lado,  a Rússia se opõe à resolução da ONU contra o presidente da Síria al-Assad.  Nas Nações Unidas, a Rússia se recusa a apoiar uma resolução do Conselho de Segurança apoiado pelos Estados Unidos para exigir que o presidente Bashar al-Assad  entregue o poder a um presidente delegado. De acordo com a Associated Press, a Rússia insiste em que nenhuma força estrangeira será usada no país. A Rússia também acusa as nações ocidentais e as árabes (como Arábia Saudita) de colocar a Síria na "estrada para uma guerra civil." A Rússia e a China também tem acusado os Estados Unidos e outros países ocidentais de usar e abusar do mandato da ONU para derrubar o ditador líbio Muammar al- Gaddafi
Gostaria de concluir sintetizando o que disse anteriormente sobre um conjunto de relações sociais, econômicas e políticas, a partir das ultimas informações e noticias que circularam pela imprensa e TV do país e do mundo.  Estas são informações que me parecem cruciais para compreender as relações fundamentais entre a crise econômica capitalista, a política de austeridade do governo, o desvio de dinheiro publico pelo Estado totalitário para expandir as guerras imperialistas dos EUA e da OTAN aumentando o desemprego e a pobreza infantil, piorando a qualidade de vida da classe trabalhadora e da classe média.
Em síntese, a política militarista totalitária do governo capitalista imperialista de Barack Obama dos EUA tem sido a principal responsável pela continuação da crise econômica  e das guerras intermináveis contra os países do terceiro mundo. Cada dia que passa, o desemprego, a fome, a miséria e as guerras vão aumentando a probabilidade de uma hecatombe nuclear e a ameaça de extinção da vida dos habitantes deste planeta. Para que? Para continuar ampliando o domínio de Israel nos territórios árabes e os lucros capitalistas das corporações do petróleo, das armas de guerra e dos grandes bancos e instituições financeiras de EUA e Europa.
Desde nosso ponto de vista, ao contrário da esperança hipócrita do guerreirista Barack Obama, a única esperança a que devemos nos dedicar é àquela fundada na luta de resistência dos movimentos políticos e sociais que combatem a injustiça social e as desgraças materiais produzidas há séculos pelo capitalismo. Somente movimentos políticos e sociais como os “Indignados” na Espanha, “Ocupemos Wall Street” nos EUA (e outros similares) em aliança com a reorganização da classe trabalhadora em bases anti-capitalistas e revolucionárias, serão capazes de lutar para produzir as mudanças políticas imprescindíveis para estabelecer uma sociedade feliz para a maioria da humanidade.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Pensatas de domingo fora do domingo


Como tive problemas no computador no fim de semana passado e somente agora foi corrigido, estou postando a Pensata do último domingo.

Lembrei-me de um filme que assisti há tempos, e, na época achei surrealista, nunca pensando que fosse se tornar tão real. Trata-se de Pequenos Assassinatos (Little Murders), de 1971, dirigido por Alan Arkin, e estrelado por Eliot Gold, além do próprio diretor.
O filme retrata o terror que se instala em uma cidade dos Estados Unidos a partir do momento em que as pessoas, na “santa paz” de seus lares, começam a receber tiros, sabe-se lá de onde ou por que. Vivemos, hoje, uma situação, se não exata, pelo menos muito semelhante. Outro dia, assistindo a um telejornal, o locutor afirmava que, saímos de casa, mas não sabemos se vamos voltar.
Incrível, mas o mundo transformou-se num campo de batalha. A “barbárie” em que vivemos, nos levou a, por vezes, ter medo de sair de casa. À noite, nem se fala.
Estava eu, algum tempo atrás a trocar e-mails com um primo em Salvador, e nos recordávamos do tempo em que vagávamos pelas tortuosas ruas daquela cidade, ao voltar do cinema ou de encontros com amigos. A pé, e à noite. Não havia o menor receio de coisa alguma. Na verdade, nem olhávamos se tinha alguém parado na próxima esquina. E se tivesse nem era conosco.
Aliás, na mesma época, aqui no Rio de Janeiro, cansei de voltar de Copacabana, também a pé, atravessando o Túnel Velho, bem embaixo de uma favela, após tomar mais chopes do que meu bolso permitia, naqueles tempos em que era estudante e vivia de mesada.
Vai fazer uma coisa dessas hoje em dia!? Aliás, as pessoas nem pensam na hipótese. Quem está de carro, fica fechado, mal parando nos sinais de trânsito. Às vezes, não saem de carro à noite, preferindo um táxi. Ali, ficam mais seguras e incógnitas. Seu padrão de vida não fica tão evidente.
O pior é que se fala muito em repressão, em reforço policial, UPPs, nisso e naquilo. Mas, e as origens do problema? E os quinhentos anos de colonização, de pobreza versus ostentação? Obviamente é mais fácil matar, é mais seguro eliminar o sujeito, não a causa.
Os governantes sempre usam uma retórica demagógica, que até parece que se preocupam com o fato. Mesmo os governos Lula e Dilma, prometem uma “redistribuição” de renda, mas fazem uma política apenas paternalista, como a de Getúlio Vargas, o “Pai dos Pobres”. Bolsa-família e outras ações, não passam de paliativos. Enquanto isso, beneficiam o grande capital financeiro dando continuidade à estratégia criminosa de outros governos ao longo da história.
Até admito que a eleição do “operário” Lula, foi um fato inédito na história brasileira. Mas, concretamente, ele não rompeu o estigma que nos assola desde o início. O Brasil não tem, ao longo de seus cinco séculos de existência, movimentos de massas relevantes. Os que teve, e que sempre foram escondidos ao máximo do domínio público, estão entre as toneladas de arquivos queimados na velha república sobre os quilombos, por ninguém menos que o “ilustre” Senhor Doutor Ruy Barbosa [1].
Elite e contaelite são a dicotomia ao longo de nossa história. Isto quer dizer que a elite se degladia entre os que estão e aqueles que querem chegar ao poder. O “fenômeno” Lula não fugiu a essa realidade. Trocando em miúdos, o fato de ter sido operário não quer dizer que continue como tal, nem lute por sua classe. Hoje, faz parte da elite. Com ela, e por intermédio dela, chegou ao poder.
Além do mais, o seu próprio partido, o PT, foi fundado com o total apoio do governo estadunidense e da CIA, para combater aquele que eles viam como o “perigo real e imediato”: Leonel Brizola. E a prova maior disso é que quem destruiu (ou desconstruiu) a imagem dele – Brizola –, foi nada mais, nada menos que a Rede Globo, um dos maiores braços – e que braço! – do império no Brasil. Alguém, não me lembro quem, definiu este poderoso veículo da mídia como “o produto mais bem acabado da ditadura”.
Nesse ínterim, vamos vivendo a novela do dia-a-dia, o clima surrealista de Pequenos Assassinatos, um filme profético... uma antevisão de nossos tempos, realizada trinta e seis anos atrás.

1. Ruy Barbosa foi incumbido de queimar todos os documentos arquivados sobre os movimentos sangrentos. Principalmente quilombos e revoltas de escravos, tendo como finalidade reforçar a idéia de que o povo brasileiro tem uma “índole pacífica”.

sábado, 2 de junho de 2012

Comunicado

DEVIDO A PROBLEMAS
TÉCNICOS EM MEU COMPUTADOR
NÃO ESTAREI TEMPORARIAMENTE
POSTANDO NOVOS ARTIGOS
NESTE BLOGUE.