segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Pra mim foi um grande choque pessoal


Sob o trauma da tragédia que abalou o Rio, o Brasil e, claro o mundo, na medida em que o patrimônio do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista representava um dos maiores acervos culturais e artísticos da humanidade, lembrei-me do quanto, pessoalmente fui atingido por isto...
Não sei quantas vezes fui ao museu em minha vida. Porem, posso assegurar seguramente que, pelo menos umas 15 vezes. Pra começo de conversa, em minha adolescência acompanhava os primos e primas que vinham ao Rio e se hospedavam lá em casa; a dos meus pais, claro. Depois que meu filho nasceu, garanto que umas cinco vezes.
Fundação Serraves - Porto - Portugal
Quer dizer: o “Museu da Quinta” faz parte da minha vida, e jamais fui a outro tantas vezes. Por exemplo, quando morei no Porto (Portugal) fui à Fundação Serralves umas oito vezes, mas sempre para visitar à exposição de algum artista ou assistir um grupo de jazz tocar deliciosamente ao ar livre em tardes de primavera.
Juro que gostaria de ter ido mais de uma vez ao Louvre, ao Prado ou ao British Museum, mas, viagens internacionais são sempre um corre-corre miserável, certo? Por isso mesmo, após todas essas notícias de ontem para cá, fiz questão de encerrar este fato com um papo pessoal. O resto são lágrimas!


Um descaso de “autoridades” que quem pagará seremos nós, o povo brasileiro


Enquanto Temer e seus asseclas gastavam milhões comprando parlamentares para absolvê-los de acusações de corrupção, e endividando o país, o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, que foi consumido por um incêndio de grandes proporções na noite deste domingo, já vinha sofrendo de problemas na sua infraestrutura pelo menos desde 2016, segundo relatório interno.

Em junho deste ano, o BNDES assinou um contrato de financiamento de R$ 21,7 milhões para restauração do local, e uma parcela da verba deveria ser investida em segurança contra incêndio.

Além disso, os recursos seriam destinados para uma reforma da biblioteca, e para a restauração de estruturas como o telhado do museu e os aposentos do imperador Dom Pedro II. Antes uma vitrine do Império, o museu vinha sofrendo de goteiras, infiltrações e outros problemas gerais, segundo apontou relatório de 2016 da Biblioteca do Museu Nacional.

O diretor do Museu Histórico Nacional, Paulo Knauss, considerou o incêndio "uma tragédia". Paulo lembrou que o museu foi residência da família real e sede da 1ª Assembleia Constituinte Republicana do Brasil.

"É uma tragédia lamentável. Em seu interior há peças delicadas e inflamáveis. Uma biblioteca fabulosa. O acervo do museu não é para a história do Rio de Janeiro ou do Brasil. É fundamental para a história mundial. Nosso país está carente de uma política que defenda os nossos museus", afirmou Paulo Knauss.

O vice-diretor do Museu Nacional, Luiz Fernando Dias Duarte, reclamou da falta de apoio do governo na conservação do espaço: "Nunca conseguimos nada do governo federal. Recentemente estávamos finalizando um acordo com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para um aporte de recursos volumoso, onde iríamos fazer finalmente a restauração do palácio e, ironicamente, planejávamos um novo sistema de prevenção de incêndios”.

Apesar de sua importância histórica, o Museu Nacional também foi afetado pela crise financeira da UFRJ e está há pelo menos três anos funcionando com orçamento reduzido.

A situação chegou ao ponto de o museu anunciar uma "vaquinha virtual" para arrecadar recursos junto ao público para reabrir a sala mais importante do acervo, onde fica a instalação do dinossauro Dino Prata. A meta era chegar a R$ 100 mil.

O museu continha um acervo histórico desde a época do Brasil Império, destacando-se:

- o mais antigo fóssil humano já encontrado no país, batizada de "Luzia", pode ser apreciado na coleção de Antropologia Biológica, entre outros;

- a coleção egípcia, que começou a ser adquirida pelo imperador Dom Pedro I;

- a coleção de arte e artefatos greco-romanos da Imperatriz Teresa Cristina;

- as coleções de Paleontologia que incluem o Maxakalisaurus topai, dinossauro proveniente de Minas Gerais.

E o pior de tudo isto: mais uma vez Temer e sua quadrilha tentam sair impunes de uma responsabilidade inerente à preservação da cultura neste inculto país!!!



domingo, 2 de setembro de 2018

Temer começa a encerrar o seu des-governo com chave de merda!


O Museu Nacional, foi tomado por um incêndio de grandes proporções na noite deste domingo. As chamas começaram por volta de 19h30, quando o prédio, no centro do Rio de Janeiro, já havia sido fechado para o público.
Que vergonha! Mais um recorde de desleixo e abandono para a quadrilha que se apoderou do poder federal... E tambem mais uma irresponsabilidade cometida pelo presidente golpista à cultura brasileira, pois aquele prédio abrigou, desde que, fundado por D. João VI, a sede do Reino Português, os dois imperadores brasileiros, bem como ali tambem realizou-se a primeira Constituinte Republicana. E já a algum tempo se fala que o edifício está abandonado.
Os três andares do palácio que arderam abrigam um acervo de 20 milhões de itens, incluindo documentos da época do Império, fósseis, coleções de minerais e a maior coleção egípcia da América Latina. Trata-se da instituição científica e do museu mais antigos do Brasil, tendo em maio último completado 200 anos. A visitação média mensal é de 5 a 10 mil pessoas.
Segundo a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, não há feridos. Apenas quatro vigilantes estavam no local na hora do início do incêndio e eles conseguiram escapar.
Calcula-se que o acervo tenha cerca de 20 milhões de itens. Até este momento não é possível saber qual o dano provocado pelas chamas, mas toda a área de exposição do museu foi atingida.



Pensatas de Domingo. Os dez anos de Novas Pensatas

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É neste mês de setembro. E ao longo desta década venho me dedicando a aprimorar este blogue, a cada dia que passa; com carinho e afeto.
Como cito em seu cabeçalho: “este blogue é uma miscelânea de pensamentos sobre os mais variados assuntos. Tem recuerdos, críticas variadas, abordagens da situação política e social no Brasil e no mundo, pensamentos diversos, contos, lixo cultural. Tudo sem sequência e sem compromisso de continuidade”, o que reflete a sua personalidade.
O mais estranho mesmo foi o acima referido misterioso desaparecimento de seu antecessor, o Pensatas, um blogue em formato identico a este que escafedeu-se da noite pro dia. Não fosse isso e estaríamos comemorando 11 anos... ou mais.
Mas tambem teem lances bons. Por exemplo: desde 2012, conto com a colaboração de Jorge Vital de Brito Moreira, o professor Moreira, intelectual marxista que muito tem me inspirado a continuar esta publicação; até porque, morando nos Estados Unidos é um observador crítico  e testemunha ocular do que se passa no centro nervoso do imperialismo.  Eu o conheci, graças ao meu saudoso primo e amigo André Olivieri Setaro uma das maiores expertises em cinema neste país, que me apresentou a ele. Hoje é um amigo que muito prezo.
Em sua maioria, os textos aqui postados são de cunho político/social. No entanto, muitas vezes adentramos outras abordagens temáticas, como contos, charges e crônicas de costumes.
Fundamentalmente vamos em frente. Vamos continuar empenhados para que nossos seguidores e leitores possam se informar com nossas análises e posicionamentos frente ao mundo em que vivemos. E vamos acreditar que, tomara um dia este mundo possa superar o seu modo de ser capitalista e, antes que seja destruído por este maldito way of life transforme-se em uma sociedade mais igualitária e pacífica!


sábado, 1 de setembro de 2018

Gente nova neste blogue. Aguardem!

Passaremos a publicar vez por outra trabalhos de Robert Crumb, um desenhista/cartunista estadunidense que vive no sul da França com a sua companheira Aline Kominsky (auto retrato acima) que, inclusive desenvolve trabalhos conjuntos com ele.
      

Ele merece! Ele merece!



O cineasta Carlos José Fontes Diegues, para nós apenas Cacá Diegues foi merecidamente eleito nesta quinta-feira para ocupar a cadeira número sete da Academia Brasileira de Letras. O mais novo imortal concorreu com outros 11 candidatos e recebeu 22 votos dos 24 acadêmicos presentes, alem de 11 por cartas.
Diegues que nasceu em Maceió (AL) no dia 19 de maio de 1940, realizou desde 1962, quando dirigiu seu primeiro filme no CPC (1) da UNE mais de 20 longas, entre eles “Ganga Zumba” (1964), “Os herdeiros” (1969), “Joanna Francesa” (1973), “Xica da Silva” (1976), “Bye Bye Brasil” (1980), “Quilombo” (1984), “Um trem para as estrelas” (1987), "Veja esta canção" (1994), “Tieta do Agreste” (1995), “Orfeu” (1999), “Deus é brasileiro” (2003), “O maior amor do mundo” (2005) e o mais recente, ainda a estrear, “O grande circo místico” (2018), inspirado na obra do poeta Jorge de Lima.
“As virtudes de Cacá coincidem com o sucesso de bilheteria, com o reconhecimento da crítica e um grande escritor, porque o autor é também um grande escritor na qualidade dos seus próprios roteiros. Representa, de uma certa forma, uma saudação circunstancial à saudade do nosso querido Nelson Pereira dos Santos”, disse Lucchesi referindo-se ao recém-imortal.
Segundo o cineasta Zelito Viana, a eleição de Cacá Diegues é uma vitória do cinema brasileiro. “Acho que é o reconhecimento da academia da importância do cinema. A gente batalhou tanto a vida toda para isso. É uma vitória. Eu estou me sentindo como se tivesse ganhado a Copa do Mundo”.
Com esta conquista Carlos Diegues alcançou um nível que o coloca entre os expoentes da cultura brasileira. E só podemos dizer que ELE MERECE... é isso aí!

1. CPC era o “Centro Popular de Cultura” da UNE, e o filme foi “Escola de Samba, Alegria de Viver”, episódio de “Cinco Vezes Favela”, sendo os demais episódios dirigidos por Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges. Pelo CPC passou toda uma geração importante para a cultura brasileira, como Vianinha, José Wilker, Edu Lobo, Nara Leão, Ferreira Gullar, Ruy Guerra, Geraldo Vandré, somente para citar alguns.