Após a filiação do deputado Jair
Bolsonaro – em 18 de fevereiro de 2018 (1) – ao Partido Social Liberal (PSL), o
Livres
comunicou o desligamento da sigla. Segundo o seu presidente estadual (RS) Fábio
Ostermann, o parlamentar fluminense representava tudo aquilo que o grupo lutava
contra na política brasileira. “O que nos une como Livres é muito mais que
uma filiação partidária, o que nos une são princípios, ideias e valores, que
infelizmente, demonstraram não são mais tão bem vindos no PSL. Por isso, que
nós resolvemos deixar o partido", afirmou Ostermann na ocasião.
De acordo com Ostermann, o Livres
era o movimento de renovação dentro do PSL, que preferiu retroceder com o apoio
à candidatura de Bolsonaro para a Presidência da República. “O Livres
havia encontrado um espaço e um porto seguro no PSL, que era um partido
que queria se renovar, mas, aparentemente, acabou se deixando levar mais pelo
pensamento de curto prazo e lógica da velha política (2) do que propriamente uma
visão de futuro”, lamentou.
Segundo Ostermann, o grupo soube
da procura de Bolsonaro pelo PSL para poder se filiar e participar das eleições
em 2018. E mesmo sabendo da reprovação do Livres, o presidente da legenda,
deputado Luciano Bivar (PE), optou por seguir as negociações com o parlamentar
e demonstrou uma “mentalidade caciquista” nas palavras do gaúcho. “Não faz
sentido a gente permanecer e respaldar uma iniciativa política dessas, que é
justamente o que a gente luta contra no dia a dia. Este tipo de acontecimento
só reforça a nossa vontade e a nossa disposição em lutar contra a velha
política. Porque somos vítimas daquilo que a gente trabalha para lutar contra”,
reforçou.
Os passos seguintes do Livres
foram uma discussão interna para decidir o que seria feito dentro do grupo. “Eu
vou dar o andamento, na semana que vem, ao desligamento da minha posição dentro
do partido tanto como presidente estadual quanto membro do executivo e do
diretório nacionais. Vamos discutir qual vai ser o melhor caminho. Se a gente
vai embarcar em bloco dentro de outro partido ou se a gente vai ser uma frente
supra partidária que tenha candidato em partidos variados”, colocou Ostermann.
Depois da saída do PSL,
Ostermann se filiou ao NOVO, partido
do qual foi um dos precursores em sua organização no Rio Grande do Sul. No
mesmo período, foi um dos bolsistas selecionados do RenovaBR, grupo responsável por selecionar e financiar candidaturas
políticas para as eleições de 2018. No dia 7 de outubro de 2018, foi eleito
deputado estadual pelo Rio Grande do Sul.
1. O PFL foi o nono partido político de sua carreira desde que foi
eleito vereador em 1988 pelo PDC, no qual ficou até 1993. E mais o PPR (1993-95), o PPB (1995-2003), o PTB (2003-2005),
o PFL (2005), o PP (2005-2016), o PSC (2016-2017) e o PSL (2018). Pensou em se
filiar ao Prona, e, em 2017 e chegou a conversar sobre sua filiação com o PEN,
atual Patriota, o que não ocorreu.
2. Fica claro aqui que, apesar do seu discurso de “inovação”, Jair Bolsonaro
representa um retrocesso, e o que há de mais antigo na velha e viciada política
tupiniquim.
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