domingo, 15 de março de 2015

Pensatas de domingo e a TV que TV!



A Samsung admitiu publicamente que seus aparelhos de televisão são capazes de gravar conversas dos espectadores e transmitir esse conteúdo para um banco de dados controlado pela empresa. Até ontem, você assistia a TV. Hoje, é a TV que te vê e te ouve. Onde vai estar seu jornal amanhã?
A Samsung, indústria coreana de tecnologia digital, admitiu publicamente, há duas semanas, que seus aparelhos de televisão são capazes de gravar conversas dos espectadores e transmitir esse conteúdo para um banco de dados controlado pela empresa. Basta que o cidadão habilite o comando de voz do televisor inteligente – chamado no mercado de smart TV – para fazer o controle remoto de suas funções, que o sistema habilita o aparelho a gravar tudo que é captado pelo microfone, transmitindo os dados para a central da Samsung.
Também a Apple já anunciou a colocação, no mercado, de um monitor de tela plana que agrega todas as funcionalidades da televisão inteligente e com um processador poderoso o suficiente para cumprir os atributos de um computador com grandes recursos. Como nos tablets e nos melhores laptops, o novo equipamento tem uma câmera de alta definição capaz de registrar imagens e sons no ambiente. Da mesma forma, a escolha do usuário poderá colocá-lo em comunicação direta e ao vivo com uma central de serviços onde suas expressões visuais e sonoras serão armazenadas.
O propósito desses avanços é transformar o ponto de entretenimento típico das famílias contemporâneas em um sistema de distribuição de tarefas e informações para outros aparelhos da casa, inclusive os telefones móveis registrados na rede. Quem estiver encarregado da cozinha poderá ativar o fogão para prover a família com o fast food da ocasião ou encomendar e pagar uma pizza, sem se levantar do sofá. Câmeras com reconhecimento de feições e programas que validam as vozes completam o pacote, e o nível de privacidade vai depender do cuidado ou da habilidade de cada um ao usar esses recursos.
Boa parte dessas novidades, e outras ainda mais curiosas, já vem sendo anunciada há mais de uma década. O jornalista brasileiro Ethevaldo Siqueira, juntou algumas delas num livro publicado em 2004, com contribuições de especialistas, cujo título é 2015 – Como Viveremos.
É interessante observar o quanto a tecnologia evoluiu nesse período. Aquele futuro de dez anos atrás chegou rapidamente, e o ser humano mal teve tempo de aprender a usar as teclas virtuais de seus smartphones.
A TV que te vê vai mudar o sentido da palavra telespectador.
Onde vai estar o jornal?
Essas novidades colocam em pauta algumas questões interessantes: uma delas é o controle sobre a vida social assumido por empresas de tecnologia, que liberam a aplicação prática do conhecimento acumulado conforme seus interesses de mercado, que não dependem necessariamente do interesse dos cidadãos. Essa mudança estabelece um novo processo na apropriação da tecnologia, pelo qual os conglomerados chamados de mídia tornam-se dependentes dos engenheiros que projetam tais parafernálias.
Há uma diferença básica no novo cenário: antes, um veículo impresso podia ser apenas isso – um meio de comunicação visual numa plataforma de papel. Hoje, a maioria dos veículos da mídia tradicional precisa migrar para sistemas de publicação multiplataforma, ou no mínimo produzir uma versão digital para a internet e para os aparelhos móveis de comunicação.
O progressivo avanço do televisor inteligente sobre os aparelhos passivos que recebem e exibem uma programação fixa em tempo presente obriga a novas estratégias e a modelos de negócio inovadores. A mídia tradicional, estruturada sobre o conceito de mediação no qual o público é sujeito passivo, quase objeto do processo comunicacional, teria fôlego para esse desafio?
Ainda mais importante: essas empresas teriam interesse em adotar uma linha de tecnologias que reduz seu papel como filtro de notícias e opiniões? Qual seria o perfil mais adequado de um jornalista nesse contexto em que não apenas o usuário dos meios mas principalmente o fabricante dos equipamentos assumem o controle dessas interações?
Quem usa um aparelho celular com sistemas de localização que agregam continuamente informações sobre o trânsito, alertas sobre acidentes ou a presença de barreiras policiais no caminho pode imaginar como seria simples um aplicativo como o Waze, por exemplo, funcionar sobre uma base de tipo noticioso, com textos, som e imagem.
Jornalistas sempre serão necessários para colher e selecionar esse material, mas quem assegura que eles precisarão trabalhar numa grande redação, sob uma marca da mídia tradicional?
Até ontem, você assistia a TV. Hoje, é a TV que te vê e te ouve.
Onde vai estar seu jornal amanhã?

Texto de Luciano Martins Costa publicado no Boletim 203 de Controvérsia


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Pensatas de domingo, ou Dilma na berlinda



Daqui a exatamente um mês (15 de março), o Brasil saberá o tamanho do movimento que até agora se expressa de forma mais presente via web, área em que se multiplicam inúmeras convocações para essas manifestações.

O certo é que a direita como um todo está a apostar neste evento para desestabilizar o governo reformista e de “Frente Popular” do PT (Partido dos Trabalhadores). No PSDB, em particular, existem três vozes reconhecidas como de maior participação. A de FHC (o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) e as dos dois candidatos derrotados ao  Palácio do Planalto, os atualmente senadores Aécio Neves e José Serra.

Com atos esvaziados e sem ibope, aderir ao “Fora, Dilma'' seria uma opção um tanto quanto arriscada. Com o respaldo das multidões, apoiar a derrubada da presidente constitucional alimentaria o sonho presidencial de Serra e Aécio. E Dilma Rousseff poderá medir se enfrenta uma gritaria típica das torcidas de clubes de futebol (pequenas, porem barulhentas) ou se uma mobilização de peso. O resultado dessas passeatas deverá influenciar a atitude tanto do governo quanto da oposição.

Independentemente de se colocar um número para o risco de Dilma enfrentar um processo de impeachment, que hoje ainda não deveria ser o cenário base de investidores e empresários, os ruídos causados por notícias relacionadas a esse tema vão tornar o ambiente macroeconômico muito difícil. As conclusões que podemos tirar antecipadamente, são de que a burguesia está apostando no sucesso com o apoio gradativo da Grande Imprensa. E os interesses do capital multinacional são os de conseguir estabelecer –a partir de um impedimento da presidente–, um governo mais submisso aos seus interesses imperialistas.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

PMDB e seu fisiologismo seguem no comando do Congresso




Luciana Genro

O PMDB seguirá no controle do Senado com Renan Calheiros e, agora, com Eduardo Cunha, na Presidência da Câmara. Isso significa que as piores práticas políticas seguem no comando do Congresso. O fisiologismo e o clientelismo seguem dominando o Legislativo, na contramão das críticas da sociedade e das mobilizações de junho de 2013.

A crise política que o Brasil vive será aprofundada com a revelação dos políticos envolvidos na Operação Lava Jato. Talvez o Congresso fique acéfalo, caso se confirme o beneficiamento direto de Renan e Cunha no escândalo. O governo Dilma e o PT foram decisivos para a vitória de Renan. Mas mesmo a vitória de Cunha não abala o Planalto, já que ele segue se reportando ao vice-presidente Michel Temer.

O resultado mostra que o Congresso segue voltado para si e para os privilégios dos deputados, de costas para o povo. O PSOL fez sua parte. Chico Alencar e o programa apresentado marcaram um contraponto ao fisiologismo. A luta segue!





quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Luciana Genro sempre vale a pena!


No vídeo abaixo, veiculado fazem quatro meses, durante a campanha eleitoral, Luciana Genro dá um verdadeiro show em suas interpretações históricas a partir de uma visão marxista do momento histórico brasileiro...
    


Luciana Genro: "Marina é a segunda via do PSDB"

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

"Revoada" - Cangaço Shakesperiano


O cineasta sergipano radicado na Bahia, José Umberto Dias, já é um veterano
do cinema brasileiro. Mas seu longa "Revoada" apresenta um apuro estético tão vivaz que torna a narrativa cheia de vigor, algo que muitos jovens cineastas não possuem.
Ao falar do filme, o cineasta fez uma relação entre arquitetura e arte barrocas vistas em Tiradentes coma estética de seu próprio filme. Nada mais apropriado, pois "Revoada" alimenta-se do excesso e do rebuscamento formal para narrar o fim do cangaço.
“Lampião é uma figura barroca, poderia ser um personagem shakespeariano”, observou o diretor.

Lua Nova

O filme acompanha um grupo de cangaceiros liderados por Lua Nova (vivido por Jackson Costa) que recebem a notícia da morte de Lampião e seu bando.
Resta fugir ou partir para o enfrentamento, já que a polícia (ou os macacos, como são chamados) está em seu encalço.
São evidentes no filme referências cinemanovistas. José Umberto parte do excesso, seja nos cortes rápidos e secos, nos diálogos marcados por uma fala sertaneja bastante carregada, na trilha sonora retumbante e até mesmo no colorido das roupas dos personagens, tudo para dar uma atmosfera quase operística ao longa.

Rafael Carvalho
Especial para A Tarde, Salvador, sábado, 31/01/2015