terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O povo transformou o "Fora Temer" em grito de carnaval


Este carnaval constituiu-se numa revelação do povo brasileiro em sua luta contra o governo golpista/usurpador de Temer e sua quadrilha. E a prova disto são os inúmeros vídeos exibidos neste blogue que mostram protestos de norte a sul do país em que o grito de guerra “Fora Temer” tornou-se uma palavra de ordem entonada pelas massas em uníssono.

Na segunda-feira (27), um grupo de foliões interrompeu o fluxo de trios elétricos no Circuito Osmar, no Campo Grande, em Salvador, com gritos de "Fora, Temer" e pedidos por eleições diretas. Os manifestantes pararam um pequeno carro de som em frente a um dos trios da Mudança do Garcia. Em Belo Horizonte (MG), o coro de "Fora, Temer" foi ouvido nos mais variados blocos. Alguns foliões também escreveram nos braços e até na bunda (v. foto) a frase "Fora, Temer".

Aqui em Novas Pensatas mostramos alguns deles e também marchinhas de carnaval cantadas pelo povo em verdadeiro ato de repulsa ao status quo pós golpe! Nesta terça-feira (28), diversos foliões fizeram protesto contra Temer durante a passagem do bloco "Carmelitas", nas ladeiras de Santa Teresa, no Rio. É possível ouvir diversas pessoas e integrantes do bloco gritando "Fora, Temer".


"Fora Temer" marca carnaval 2017 em todo o Brasil

No ar mais um sucesso do "carnaval 2017"

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Fora Temer vira marchinha de Carnaval

Posto aqui uma marchinha de carnaval que vai ser um sucesso!

Fora Temer. Um grito de carnaval


Uma notadamente expressiva quantidade de foliões abriu uma guerra contra o golpe de 2016, e, particularmente contra o usurpador Michel Temer com a palavra de ordem “Fora Temer” nas muitas cidades em que o carnaval de rua acontece.


Postei hoje às 16:12h um vídeo de quando a banda "BaianaSystem" agitou uma multidão entoando o grito “Fora Temer” na última sexta-feira (24) durante a festa de carnaval de Salvador. Em uma das músicas da apresentação, o vocalista Russo Passapusso, iniciou uma fala de teor político dizendo "fascistas, golpistas, não passarão!", em referência ao atual governo brasileiro. Em seguida, o cantor puxou a já tradicional palavra de ordem "Fora Temer" em protesto contra o presidente, sendo acompanhado pela multidão numa resposta imediata das massas a seu convite. O que demonstra que o povo brasileiro está consciente do que se passa neste país.

 Na realidade quem apoiou o golpe foram setores da classe média alienada e influenciada por partidos e políticos de direita, cujo objetivo era derrubar o governo do PT que, apesar de “populista” tinha intenções de redistribuir a renda no Brasil; coisa que conseguiu realizar, haja vista a quantidade de pobres que passou a se locomover de avião em suas férias, principalmente para o norte e o nordeste. Ou comprar automóveis em escala cada vez maior.

Agora este povo que está a perder essas conquistas revoltou-se de vez. E como o carnaval é uma festa popular estão botando pra fora todo o seu descontentamento. “Coisas do futebol”, como se diz no “popular”!




"Fora Temer" um grito de guerra no carnaval da Bahia

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Pensatas de Domingo. A volta do “carnaval de rua” no Rio de Janeiro & mais “babados” sobre a Festa de Momo

Milhões de foliões nas ruas do Rio

Algumas vezes, aqui em Novas Pensatas postei matérias sobre o esvaziamento do carnaval de rua, principalmente no Rio de Janeiro, onde havia uma tradição muito forte deste tipo de folia bastante difundida até fim dos anos 1960. Lamentava então o fato de deixar de existir um tipo de festa enraizada no povo, para ser substituída por um carnaval “para inglês ver”, um carnaval de luxo. O carnaval das Escolas de Samba no qual as massas passaram a ser apenas um show de pedras preciosas, semi preciosas, plumas, paetês e cores mil que encantava exclusivamente um público pagante (a preços exorbitantes) enquanto eram marginalizados milhares de foliões que compunham outrora um carnaval autêntico, composto de baixo para cima de uma forma de fato democrática.

Não que as Escolas de Samba não devessem existir, posto que elas também surgiram de origens populares, a maioria delas em comunidades (favelas) a defender a música e a cultura brasileiras com componentes como Jamelão, Cartola e as velhas guardas da Mangueira, da Portela, do Salgueiro e tantas outras. No entanto, lembro-me dos tempos em que este gênero carnavalesco coexistia com os Grandes Blocos, os Blocos de Sujo e os famosos Clóvis (1) a invadir as ruas do centro e de alguns bairros como Copacabana, e, principalmente dos subúrbios cariocas. É certo que alguns sobreviveram, como a Banda de Ipanema, famosa desde que Leila Diniz a imortalizou com o seu carisma e sexappeal ainda nos anos 1960 e o Cordão do Bola Preta, brilhando desde 1918.
Farra nas ruas do Rio

Mas o fato é que hoje, os Blocos voltaram com força e uma expressão maiores ainda do que em priscas eras (2). O carnaval de rua é novamente expressivo, chegando a reunir anteontem (24 de fevereiro) um milhão de pessoas no centro do Rio somente com o Cordão do Bola Preta, e, tanto na Cidade quanto nos bairros cariocas –da Zona Norte à Zona Sul–, congregando as classes sociais em fenômeno semelhante às praias em que todos se mesclam num verdadeiro e quente “delírio democrático tropical”, em que raças, gêneros e status sociais completamente distintos e até antagônicos sublimam estes antagonismos, coisa impossível de ser imaginada por povos que habitam regiões frias e/ou preconceituosas do planeta. Creio ser mesmo impossível para um nórdico, um germânico ou um anglo saxão compreender este tipo de comportamento social. Como diria Antônio da Silva Mello (3) ao negar peremptoriamente a tese equivocada de que “... o calor ou o clima quente seja um fator desfavorável à cultura e ao desenvolvimento da inteligência...”.
A paulistada cai no samba

Atualmente já podemos classificar as agremiações no Rio como os Blocos da manhã, que começam muito cedo, como o Volta Alice, Cordão do Boitatá, Céu na Terra, Corre Atrás, Bangalafumenga, o Cordão da Bola Preta e o Carmelitas. Ou os Blocos da tarde: como o Toca Raul, o Sargento Pimenta, o Aconteceu, o Barbas, o Simpatia é Quase Amor, o Azeitona sem Caroço e o Orquestra Voadora. À noite: não rolam blocos e bandas, mas na Lapa é montado um palco junto aos Arcos onde acontecem vários shows com diversos deles.

Para além disto, o carnaval de rua contaminou São Paulo de forma agigantada –porque era quase inexistente desde os anos 1940/50–, transformando aquela cidade (4) em um importante ponto de referência para a festa momesca. E é importante ressaltar neste ponto que, outras cidades como Recife, Salvador, Ubá, Olinda, Cataguases etc., onde o carnaval de rua sempre foi mais presente, nunca perderam esta sua característica.

1. Os “Clóvis” eram mascarados que saiam fantasiados de palhaços, e sua denominação é uma corruptela de “clows”, palhaços em inglês.

2. Cravo a expressão “priscas eras” em homenagem ao meu saudoso e querido primo e amigo André Olivieri Setaro, que amava utilizá-la!

3. Juiz-forano nato, formou-se médico no ano de 1914 em Berlim, Alemanha, exerceu clínica na Suíça e no Rio de Janeiro, onde foi professor na Universidade Federal, tido pelo seu amigo e poeta Carlos Drummond de Andrade como a "imagem da sabedoria". O doutor Antônio da Silva Mello escreveu dezenas de livros notáveis, versando assuntos os mais variados, a exemplo das peculiaridades do Nordeste, da condição social do negro, da "filosofia do parto", da alimentação, da psicanálise, da superstição, da religião, da geografia dos trópicos, destacando-se entre outros, “A Superioridade do Homem Tropical” (1967).

4. Neste ano de 2017, agremiações paulistas também reuniram multidões próximas a um milhão de pessoas, como o caso da Banda do Baixo Augusta, no dia 23 de fevereiro.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Quatro fatores na demissão de Serra



Texto de Luis Nassif (GGN – O Jornal de todos os Brasis)
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Fator 1 – a irrelevância de sua atuação à frente do MRE

O insuspeito O Globo relacionou todos os fatos relevantes da gestão Serra no MRE. Sob o impactante título “As principais passagens  de Serra no MRE”, relacionou os seguintes feitos:
Defesa do apoio ao governo
- Polêmica com países bolivarianos

- Proximidade com a Argentina

- Passaportes diplomáticos
- E seu grande momento: Homenagem à Chapecoense.
E nada mais havia para se dizer. O cargo, aliás, comprovou a profunda ignorância de Serra em relação a qualquer tema contemporâneo. Em uma das áreas mais sensíveis, para a reaproximação com os Estados Unidos, não logrou nenhum protagonismo. Sua insegurança era tal que chegou a levar Fernando Henrique Cardoso em um dos primeiros encontros de confronto do Mercosul, pela incapacidade de desenvolver um discurso minimamente eficaz.
Na vitrine o MRE, além disso, ficou escancarada sua baixíssima propensão ao trabalho. Serra é de acordar tarde, dormir tarde e não tem pique gerencial. Por isso, em cargos executivos acaba restringindo sua agenda diária a encontros insossos com um ou outro secretário.

Fator 2 – sua irrelevância política

Serra é detestado no PSDB, aturado no PMDB e descartado no governo Temer. No Palácio, era alvo de piadas e gozações da troupe de Temer, por impropriedades cometidas, a julgar pelos relatos do mais assíduo dos comensais, Jorge Bastos Moreno.
Havendo eleições em 2018, o PSDB teria Geraldo Alckmin ou Aécio Neves e Temer—PMDB apostará em Henrique Meirelles.
A volta para o Senado devolve Serra ao seu habitat natural. Seu maior mérito foi o de sempre ter-se cercado de bons assessores para as atividades parlamentares.

Fator 3 – a Lava Jato

Ao longo de sua carreira, Serra sempre amarelou em momentos graves. Apesar de se dizer defensor de câmbio competitivo, enquanto Ministro do Planejamento de FHC desapareceu das discussões públicas. Anos depois, Gustavo Franco confessaria seu espanto com o baixo nível de informação econômica de Serra.
No governo de São Paulo, as principais crises foram enfrentadas assim:
- Na greve da USP, mandou a Polícia Militar retirar estudantes a cacetada.

- Na greve da Polícia Civil, que cercou o Palácio Bandeirantes, recuou rapidamente de sua decisão de não receber grevistas e acabou premiando-os com mais do que as próprias propostas da categoria.

- Nas enchentes que assolaram o Estado, sumiu. Não presidiu uma reunião sequer da defesa civil, não veio uma vez sequer a público comandar os trabalhos do governo. Quando saiu candidato a presidente, demonstrou não conhecer sequer o conceito de Defesa Civil.
Com as investigações da Lava Jato batendo na sua porta, o pânico é evidente. Até algum tempo atrás, Serra mantinha em casa uma coleção de obras de arte capaz de provocar inveja até em ricos de verdade, como Roberto Civita, dono da Abril. A quebra do sigilo do fundo de investimento de sua filha Verônica certamente teria um efeito devastador sobre seu futuro.
No Senado, Serra voltará a ser mais um dentre muitos – e não um Ministro exposto. E terá tempo para tentar recompor seus laços com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, que lhe permitiram, em outros tempos, montar dossiês mortais e ações policiais contra adversários políticos.

Fator 4 – a doença

Em praticamente todas as fotos em que aparece, como chanceler, há a expressão do olhar vazio, da falta de energia, indicando claramente problemas físicos. Serra alega ter dores na coluna que o impediriam de efetuar viagens longas. É provável.
Mas padece de outros problemas. Colegas tucanos apontam para uma depressão continuada. Cenas recentes – dele não sabendo declinar nomes de países que compõem os BRICs – podem indicar problemas graves de memória, mas pode ser efeito de medicamentos pesados.

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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Pensatas de Domingo. Lavori dolce condotto da Federico Fellini



Federico Fellini conduziu a sua brilhante obra como um Maestro, integrado na grandeza da Ópera italiana. Ontem, a assistir na emissora de televisão “Arte 1” ao seu inesquecível “Ginger e Fred” pensava a todo o instante na sua frugal visão poética da vida, da humanidade e do mundo.

Duas obras localizadas na fase final de sua carreira trazem, de maneira crítica e inquietante, o papel da televisão na arte e na sociedade. A primeira delas, este “Ginger e Fred” (1985), trabalha um ponto humano e nostálgico do diretor e da própria sociedade italiana em relação à telinha, tendo um desfile de personalidades do passado em um programa de auditório durante o Natal. A segunda é “Entrevista” (1987), onde o próprio Fellini se põe como objeto de análise para um documentário televisivo. Em “Ginger e Fred” temos como ponto inicial o reencontro de dois artistas que dividiram o palco nos anos 1940, e há momentos hilariantes em cenas nas quais destacam-se a crítica à TV e à alienação social em relação a ela, mas a estrutura do programa de auditório, a apresentação das personalidades esquecidas.

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“Ginger e Fred” é um filme bastante inquietante. Ele liga um passado aparentemente doce a um presente repleto de obstáculos, predomínio das máquinas e dos favores mais bizarros para atrair público e dinheiro. Mesmo sendo um filme de 1985, permanece cada vez mais atual. Porém, sem perder a poesia e aquele característico “ar circense” deste que foi um dos maiores, quiçá o maior diretor/autor do cinema.

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Essas características de Fellini são marcantes em toda a sua obra, desde “Mulheres e Luzes” (1950) até “A Voz da Lua” (1990) são 40 anos em que a sua força poética se aliou a uma visão grotesco/folclórica da sociedade humana. Sua visão crítica não perdoou sequer a igreja, da qual era um seguidor. Após o sucesso estrondoso de “A Doce Vida” (1960), setores mais conservadores do catolicismo italiano abriram uma guerra surda e incansável contra ele. Fellini vingou-se dos “reaças” com um episódio de “Boccaccio 70” (1962), no episódio “As tentações do dr. Antônio” em que expõe ao ridículo um moralista/fundamentalista religioso e suas alucinações edipianas.

Em resumo Federico Fellini (Rimini, 20/01/920 — Roma, 31/10/1993) foi um dos mais importantes cineastas de todos os tempos, e ficou eternizado pela poesia de seus filmes, que, mesmo quando faziam sérias críticas à sociedade, não deixavam a magia do cinema desaparecer.

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