sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Quatro fatores na demissão de Serra



Texto de Luis Nassif (GGN – O Jornal de todos os Brasis)
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Fator 1 – a irrelevância de sua atuação à frente do MRE

O insuspeito O Globo relacionou todos os fatos relevantes da gestão Serra no MRE. Sob o impactante título “As principais passagens  de Serra no MRE”, relacionou os seguintes feitos:
Defesa do apoio ao governo
- Polêmica com países bolivarianos
- Proximidade com a Argentina
- Passaportes diplomáticos
- E seu grande momento: Homenagem à Chapecoense.
E nada mais havia para se dizer. O cargo, aliás, comprovou a profunda ignorância de Serra em relação a qualquer tema contemporâneo. Em uma das áreas mais sensíveis, para a reaproximação com os Estados Unidos, não logrou nenhum protagonismo. Sua insegurança era tal que chegou a levar Fernando Henrique Cardoso em um dos primeiros encontros de confronto do Mercosul, pela incapacidade de desenvolver um discurso minimamente eficaz.
Na vitrine o MRE, além disso, ficou escancarada sua baixíssima propensão ao trabalho. Serra é de acordar tarde, dormir tarde e não tem pique gerencial. Por isso, em cargos executivos acaba restringindo sua agenda diária a encontros insossos com um ou outro secretário.

Fator 2 – sua irrelevância política

Serra é detestado no PSDB, aturado no PMDB e descartado no governo Temer. No Palácio, era alvo de piadas e gozações da troupe de Temer, por impropriedades cometidas, a julgar pelos relatos do mais assíduo dos comensais, Jorge Bastos Moreno.
Havendo eleições em 2018, o PSDB teria Geraldo Alckmin ou Aécio Neves e Temer—PMDB apostará em Henrique Meirelles.
A volta para o Senado devolve Serra ao seu habitat natural. Seu maior mérito foi o de sempre ter-se cercado de bons assessores para as atividades parlamentares.

Fator 3 – a Lava Jato

Ao longo de sua carreira, Serra sempre amarelou em momentos graves. Apesar de se dizer defensor de câmbio competitivo, enquanto Ministro do Planejamento de FHC desapareceu das discussões públicas. Anos depois, Gustavo Franco confessaria seu espanto com o baixo nível de informação econômica de Serra.
No governo de São Paulo, as principais crises foram enfrentadas assim:
- Na greve da USP, mandou a Polícia Militar retirar estudantes a cacetada.
- Na greve da Polícia Civil, que cercou o Palácio Bandeirantes, recuou rapidamente de sua decisão de não receber grevistas e acabou premiando-os com mais do que as próprias propostas da categoria.
- Nas enchentes que assolaram o Estado, sumiu. Não presidiu uma reunião sequer da defesa civil, não veio uma vez sequer a público comandar os trabalhos do governo. Quando saiu candidato a presidente, demonstrou não conhecer sequer o conceito de Defesa Civil.
Com as investigações da Lava Jato batendo na sua porta, o pânico é evidente. Até algum tempo atrás, Serra mantinha em casa uma coleção de obras de arte capaz de provocar inveja até em ricos de verdade, como Roberto Civita, dono da Abril. A quebra do sigilo do fundo de investimento de sua filha Verônica certamente teria um efeito devastador sobre seu futuro.
No Senado, Serra voltará a ser mais um dentre muitos – e não um Ministro exposto. E terá tempo para tentar recompor seus laços com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, que lhe permitiram, em outros tempos, montar dossiês mortais e ações policiais contra adversários políticos.

Fator 4 – a doença

Em praticamente todas as fotos em que aparece, como chanceler, há a expressão do olhar vazio, da falta de energia, indicando claramente problemas físicos. Serra alega ter dores na coluna que o impediriam de efetuar viagens longas. É provável.
Mas padece de outros problemas. Colegas tucanos apontam para uma depressão continuada. Cenas recentes – dele não sabendo declinar nomes de países que compõem os BRICs – podem indicar problemas graves de memória, mas pode ser efeito de medicamentos pesados.

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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Pensatas de Domingo. Lavori dolce condotto da Federico Fellini



Federico Fellini conduziu a sua brilhante obra como um Maestro, integrado na grandeza da Ópera italiana. Ontem, a assistir na emissora de televisão “Arte 1” ao seu inesquecível “Ginger e Fred” pensava a todo o instante na sua frugal visão poética da vida, da humanidade e do mundo.

Duas obras localizadas na fase final de sua carreira trazem, de maneira crítica e inquietante, o papel da televisão na arte e na sociedade. A primeira delas, este “Ginger e Fred” (1985), trabalha um ponto humano e nostálgico do diretor e da própria sociedade italiana em relação à telinha, tendo um desfile de personalidades do passado em um programa de auditório durante o Natal. A segunda é “Entrevista” (1987), onde o próprio Fellini se põe como objeto de análise para um documentário televisivo. Em “Ginger e Fred” temos como ponto inicial o reencontro de dois artistas que dividiram o palco nos anos 1940, e há momentos hilariantes em cenas nas quais destacam-se a crítica à TV e à alienação social em relação a ela, mas a estrutura do programa de auditório, a apresentação das personalidades esquecidas.

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“Ginger e Fred” é um filme bastante inquietante. Ele liga um passado aparentemente doce a um presente repleto de obstáculos, predomínio das máquinas e dos favores mais bizarros para atrair público e dinheiro. Mesmo sendo um filme de 1985, permanece cada vez mais atual. Porém, sem perder a poesia e aquele característico “ar circense” deste que foi um dos maiores, quiçá o maior diretor/autor do cinema.

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Essas características de Fellini são marcantes em toda a sua obra, desde “Mulheres e Luzes” (1950) até “A Voz da Lua” (1990) são 40 anos em que a sua força poética se aliou a uma visão grotesco/folclórica da sociedade humana. Sua visão crítica não perdoou sequer a igreja, da qual era um seguidor. Após o sucesso estrondoso de “A Doce Vida” (1960), setores mais conservadores do catolicismo italiano abriram uma guerra surda e incansável contra ele. Fellini vingou-se dos “reaças” com um episódio de “Boccaccio 70” (1962), no episódio “As tentações do dr. Antônio” em que expõe ao ridículo um moralista/fundamentalista religioso e suas alucinações edipianas.

Em resumo Federico Fellini (Rimini, 20/01/920 — Roma, 31/10/1993) foi um dos mais importantes cineastas de todos os tempos, e ficou eternizado pela poesia de seus filmes, que, mesmo quando faziam sérias críticas à sociedade, não deixavam a magia do cinema desaparecer.

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Uma luta pelo direito de todos

Cartazete com o tema da campanha

Está sendo colocada no ar por setores da sociedade civil uma campanha contra o “foro privilegiado”, um direito adquirido por algumas autoridades públicas, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, garantindo que possam ter um julgamento especial e particular quando são alvos de processos penais.

Formalmente chamado de “Foro por prerrogativa de função”, o foro privilegiado é atribuído aos indivíduos que ocupam cargos de alta responsabilidade pública, como: Presidente da República, Vice-Presidente, o Procurador-Geral da República, os ministros e os membros do Congresso Nacional. Conforme consta na Constituição Brasileira de 1988, a investigação e o julgamento das infrações penais das autoridades com foro privilegiado passa a ser competência do STF (Supremo Tribunal Federal). Normalmente, entre os indivíduos sem foro privilegiado, as ações penais costumam tramitar nos Juízos de primeira instância.

Existem críticas a respeito da eficiência do foro privilegiado no Brasil, pois seria um “privilégio” que afronta diretamente o artigo 5º da Constituição Federal.
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Creio que esta campanha, bem conduzida poderá questionar e até provocar algumas mudanças neste verdadeiro “privilégio’ de tão poucos!

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Uma análise contundente


Postei abaixo uma entrevista de Vladimir Putin (publicada em 8 de setembro de 2016) com o título de: “A verdade sobre o Imperialismo Ianque e a hipocrisia da política dos países capitalistas ocidentais pela continuidade de uma "Guerra Fria" que interessa ao Complexo Industrial Militar e à crise sistêmica, grave e irreversível que os assola” que reflete uma brilhante resposta do governante russo à covarde política dos estadunidensenses e seus asseclas à manutenção de uma estratégia belicosa e agressiva, acentuadas no governo disfarçadamente “amistoso” de Barack Obama. Talvez o mais duro desde Teddy Roosevelt¹ (hehehe!)...
  
A clareza, a sinceridade e a profundidade do mandatário russo são dignas de destaque pela lucidez exposta. Por isso mesmo a compartilhei.

1. Theodore "Teddy" Roosevelt, Jr. (1858/1919) foi o vigésimo sexto presidente dos EUA de 1901 a 1909. Roosevelt assumiu a presidência após a morte do então titular, William McKinley, sendo o mais jovem presidente dos Estados Unidos.
Membro do Partido Republicano, foi sucessivamente chefe da polícia de Nova Iorque (1895-1897), adjunto do secretário da Marinha (1897-1898), voluntário na Guerra Hispanoamericana de 1898, e finalmente governador do Estado de Nova Iorque (1898-1900).
Sua política externa ficou conhecida como “Big Stick” (grande porrete) devido à frase Speak softly and carry a big stick (Fale com suavidade e tenha na mão um grande porrete), inspirada num provérbio africano, que norteava sua posição.
Mediante esta doutrina, Roosevelt fortaleceu o país com uma indústria e um comércio agressivos cuja política visava a protegê-lo a todo custo. Acreditava que apenas os países fortes ob todos os aspectos sobrevivem.
Prevendo a tentativa de intervenção européia na Venezuela e na Reública Dominicana, elaborou um plano chamado de Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe. Esta estratégia visava a proibir intervenções não-norteamericanas na América Latina, afirmando que os EUA proibiam a intervenção de quaisquer países nas Américas que não fossem eles próprios e assumiam a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações internacionais desses países transformando-os em protetorados.

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A verdade sobre o Imperialismo Ianque e a hipocrisia da política dos países capitalistas ocidentais pela continuidade de uma "Guerra Fria" que interessa ao Complexo Industrial Militar e à crise sistêmica, grave e irreversível que os assola

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Pensatas de Domingo. Serra, Moro, Alexandre, FHC, Amazônia e outras coisinhas



A ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, chamou nesta quinta-feira (09) seu colega brasileiro, José Serra, de corrupto e o criticou por ter recebido o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges. Em uma rede social, Rodríguez referiu-se ao brasileiro como “chanceler de fato” e considerou ilegítima a reunião com o líder do Legislativo, que faz a oposição ao presidente Nicolás Maduro assim como a maioria da Casa.
“O chanceler é acusado de graves delitos de corrupção e se intromete em assuntos internos da Venezuela. Golpistas não poderão com nosso povo!”, disse a ministra, em referência às acusações contra o tucano na Operação Lava Jato. Ela ainda chamou Borges de “usurpador de funções” por considerar que só o governo tem o direito de representar o país no exterior. “O senhor Julio Borges, envolvido em delitos contra a ordem constitucional da Venezuela, ostenta amizades corruptas.”
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Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, formalizou um pedido na Ordem dos Advogados do Paraná (OAB/PR) para que seja analisada a decisão do juiz federal Sergio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, que proibiu que advogados gravem vídeos das audiências.
A decisão foi tomada nesta semana e o advogado argumenta que ela entra em conflito com  artigo 367 do Código de Processo Civil, que diz que a gravação em áudio e vídeo pode ser  “realizada diretamente por qualquer das partes, independentemente de autorização judicial”.
Para a defesa, “a proibição das gravações, além de incompatível com a lei, impede que os advogados possam se defender de situações inadequadas eventualmente ocorridas após o desligamento da gravação do juízo”.
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Chega de intermediários e “faz de conta”. Temer indicou Alexandre de Moraes para vaga de juiz no Supremo Tribunal. Se aprovado no Senado, onde o governo Temer tem ampla maioria, Alexandre será revisor em certos casos da Lava Jato. Alexandre é ministro da Justiça de Temer. Temer, que foi citado 43 vezes em delação da Odebrecht na Lava Jato.
Temer também acaba de tornar ministro o secretário Moreira Franco. O “Angorá”, citado 34 vezes na mesma delação da Odebrecht. Ministro tem foro privilegiado, só podendo portanto ser julgado pelo Supremo. Nesse caso, não pelo juiz Moro.
Moro que ordenou gravar conversa da presidente Dilma com Lula quando Dilma nomeou Lula ministro. Gravação vazada para impedir que Lula obtivesse foro privilegiado ao ser efetivado como ministro. Gravação ilegal pela captação, e divulgação pelo próprio Moro, de conversa da presidente Dilma, que não era investigada.
Alexandre de Moraes foi Secretário de Segurança Pública do governo Alckmin. O governador de São Paulo, segundo vazamentos, seria o “Santo” em planilhas da Odebrecht.
Novas delações de empreiteiras apontam para propinas pagas em governos do PSDB em São Paulo e Minas. Alexandre é o ministro da Justiça. Especula-se que o PMDB herdaria o ministério da Justiça.
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A Polícia Federal investiga e prende na Lava Jato. Operação a ser “estancada”, segundo célebre pregação do líder do governo Temer, Romero Jucá. O “Caju” nas planilhas.
Aliás, se Supremo, Senado, Temer e Alexandre levassem em conta a opinião do próprio Alexandre ele não poderia ser ministro do Supremo. Há 17 anos, para se tornar “doutor” pela USP, Alexandre defendeu uma tese… Segundo um item dessa tese, quem servisse a um presidente da República “em cargo de confiança” não poderia ser indicado para o Supremo pelo mesmo presidente…
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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso depôs nesta quinta-feira (9) para o juiz de primeira instância Sérgio Moro na ação penal que a Lava Jato move contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto. Fernando Henrique, elencado como testemunha de defesa, depôs em especial sobre o acervo presidencial, que a Lava Jato chama de “objetos pessoais” de Lula e coloca em “sob julgamento” no processo que move contra o ex presidente petista.
FHC afirmou que a troca de presentes entre presidentes e líderes de nações são formais e acabam por gerar um acervo presidencial. De acordo com uma lei federal, cuja regulamentação foi estabelecida durante o governo do ex-presidente, o acervo pessoal é considerado de interesse público no Brasil. Assim, o fato é que, de acordo com FHC, o acervo de cada ex-presidente acaba por se tornar “um problema” para o ex mandatário, já que este passa a possuir uma coleção de objetos que são de interesse público mas que geram demandas pessoais de depósito. “Um problema imenso. Como o acervo é de interesse público, você (qualquer ex presidente) apela para doadores, porque você é obrigado a manter a coleção de objetos, mas não tem recurso para manter”, explicou Fernando Henrique.
E afirmou ainda que faz uso da Lei Roaunet para manter o acervo que lhe cabe, e que tal material pode até, se o ex presidente quiser, ser vendido, após ser oferecido, antes, ao Tesouro Nacional.Em que pese tal opção legal, Fernando Henrique disse: “Claro, eu não vendi nada”. Lula também não.
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E o (des)governo prepara um projeto de lei que reduz em 65% as áreas flirestais protegidas. Por este projeto, essas áreas protegidas que hoje somam 2,697 milhões de hectares seriam encolhidas para 1,772 milhão de hectares. Na tarde desta terça, parlamentares do Amazonas entregaram o texto do projeto de lei ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que pretende encaminhar o texto ao Congresso como uma proposta do governo.
A pressão para que as unidades sejam canceladas parte de parlamentares do Amazonas, que reclamam de paralisações de projetos e investimentos do agronegócio e da indústria na região. As unidades, que formam hoje um tipo de cinturão verde contra o avanço do desmatamento, da extração ilegal de madeira e da grilagem de terras, foram oficialmente criadas por Dilma no último dia de seu mandato, em 11 de maio do ano passado. 
As unidades de conservação que foram demarcadas por decretos da ex presidente Dilma Rousseff. O texto-base da proposta já está pronto, com detalhes sobre cada floresta protegida que será reduzida, todas localizadas em uma das áreas mais sensíveis da Amazônia, na região sul do Estado do Amazonas, fronteira com Mato Grosso e Rondônia.
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E pra fechar¹: "Marcamos de noite um jantar com TASSO, na casa do TASSO. Fui eu, RENAN, EUNÍCIO, o TASSO, o AÉCIO, o SERRA, o ALOYSIO, o CÁSSIO, o RICARDO FERRAÇO, que agora virou peessedebista histórico, aí conversamos lá. O quê que a gente combinou? Nós vamos, nós temos que tá juntos pra dar uma saída pro Brasil. Se a gente não tiver unido aí, com um foco na saída pra essa porra [paralisação da Lava Jato], não vai ter. E se não tiver, eu disse lá, todos os políticos tradicionais estão fudidos. Porque os caras [tucanos] disse: 'não no TSE, se cassar [a chapa Dilma e Temer]'. 'Ô AÉCIO, deixa eu te falar uma coisa, se cassar [a Dilma] e tiver eleição, nem tu, nem SERRA nisso aí, nenhum político tradicional ganha essa eleição, não".

1. Trecho da conversa entre Sergio Machado (ex presidente da Transpetro) e Jucá em maio de 2016.

Cartazete de campanha contra privilégios