quinta-feira, 10 de outubro de 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Um mito que se vai....




Conheci Norma Bengell, pessoalmente, apenas no ano passado, em uma cadeira de rodas, durante a exibição de “O Homem do Sputnik” num Festival de Chanchadas no Centro Cultural da Caixa Econômica, no Rio de Janeiro,em um debate, com a presença do diretor Carlos Manga.
Tive assim o prazer de conhecer aquela a quem admirei, e por quem me masturbei (e muito mesmo) na adolescência da minha vida. Tirei uma foto com ela, naquela cadeira de rodas, decadente, fraca, sem poder exibir aquelas pernas maravilhosas que Carlos Machado (O Rei da Noite dos anos 1950/60) soube bem explorar.
Mas prefiro exibir aqui aquela maravilhosa “BB” de “O Homem do Sputnik” ou do famoso filme de Jece Valadão, “Os Cafajestes” (foto) do que aquela aquela foto que tirou comigo, na sua cadeira de rodas...



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Alguns exemplos do uso de armas químicas pelos EUA e seus cúmplices




Prestes a se iniciar uma ação militar dos EUA contra a Síria, sob a justificativa do uso (não definitivamente comprovado) de armas químicas pelo governo sírio, relembremos episódios que Washington não faz a menor questão de lembrar.

1. O Exército estadunidense no Vietnã. Durante a guerra, no período de 1962 até 1971, as Forças Armadas dos EUA despejaram cerca de 20 milhões de galões – aproximadamente 88 milhões de litros - de armamento químico no país asiático. O governo vietnamita estima que mais de 400 mil pessoas morreram vítimas dos ataques; 500 mil crianças nasceram com alguma deficiência física em função de complicações provocadas pelos gases tóxicos. E o dado mais alarmante: mais de um milhão de pessoas têm atualmente algum tipo de deficiência ou problema de saúde em decorrência do Agente Laranja, poderosa arma química usada durante o conflito.

2. Israel ataca população palestina com Fósforo Branco. Segundo grupos ligados aos direitos humanos - como Anistia Internacional e Human Rights - o material altamente venenoso foi disparado em 2009 contra civis de origem palestina em território israelense. O Exército negou na época o uso de armas químicas. No entanto, alguns membros admitiram os disparos.

 3. Washington atacou iraquianos com Fósforo Branco em 2004. Jornalistas que participaram da cobertura da Guerra do Iraque reportaram que o Exército norte-americano utilizou armas químicas na cidade de Fallujah. Inicialmente, os militares se justificaram dizendo que o material serviu apenas para “iluminar o local ou criar cortinas de fumaça". No entanto, o documentário “Fallujah, o massacre encoberto”, do diretor Sigfrido Ranucci, apresenta evidências do ataque com depoimentos com membros das Forças Armadas dos EUA.

4. CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar iranianos e curdos em 1988 com armas químicas. Documentos da Inteligência norte-americana divulgados uma década depois revelam que Washington sabia que Saddam Hussein utilizava armas químicas na guerra Irã-Iraque. Mesmo assim, continuou colaborando com o presidente iraquiano. No começo de 1988, em específico, Washington alertou Hussein do movimento de tropas iranianas. Usando a informação, foi feito um ataque químico que massacrou tropas do Iraque sobre um vilarejo povoado por curdos. Cerca de cinco mil pessoas morreram. Outras milhares foram vítimas de complicações em decorrência dos gases venenosos.

5- EUA realizaram testes químicos em bairro pobre e negro de St Louis. No começo da década de 50, o Exército norte-americano organizou um teste de militar em alguns bairros populares de St. Louis - caracterizados por ter maioria negra. O governo disse aos moradores que realizaria um experimento com fumaças de iluminação "contra ameaças russas". No entanto, a substância atirada na atmosfera continha gases sufocantes continha gases sufocantes. Após os testes, um número grande de pessoas da região desenvolveu câncer. Não há informações oficiais do número de vítimas do ataque químico.

6 - Exército estadunidense bombardeou tropas iraquianas com armas químicas em 2003.  A cruzada de Washington à procura de armas nucleares teve episódios de disparos químicos contra os militares iraquianos, que acabaram atingindo civis. Durante 2007 e 2010, centenas de crianças nasceram com deficiências. “As armas utilizadas no confronto no Iraque destruíram a integridade genética da população iraquiana”, afirmou na ocasião Cristopher Busby, o secretário do comitê europeu de Riscos de Material Radioativo.

7- Japoneses são massacrados com Napalm entre 1944-1945. Em 1980, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que a utilização do Napalm (um tipo de álcool gelatinoso de alto grau de combustão) seria a partir de então considerada crime de guerra dado o efeito absolutamente devastador da substância. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército estadunidense derrubou sobre os japoneses o suficiente para queimar 100 mil pessoas, deixar mais um milhão feridas e destruir milhares de residências.

8- Bombas Atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagazaki. Os únicos casos conhecidos do uso deste artefato sobre populações civis, exterminando imediatamente mais de 400 mil pessoas, fora as vítimas decorrentes da irradiação provocada pelas bombas e arrasando completamente as duas cidades.


domingo, 6 de outubro de 2013

Pensatas de domingo. Os planos sinistros de Obama contra os palestinos


Às vésperas de completar os 20 anos dos Acordos de Oslo, celebrados em setembro de 1993 entre Arafat, Clinton e Rabin, quando foi criada a ANP, uma espécie de projeto do que seria o futuro Estado palestino, a farsa volta à mesa de negociação, agora com Obama. Os Acordos de Oslo, fruto do “processo de paz” ditado pelo imperialismo estadunidense, consistiam em um artifício para paralisar e amortecer o levante revolucionário que eclodiu com a primeira Intifada das massas palestinas, em 1987 e que já se mantinha por sete anos. Esses acordos buscavam frear a onda revolucionária aberta na região, que colocava em xeque não só o domínio imperialista e a existência de Israel, como também questionava os próprios regimes nacionalistas das corruptas burguesias árabes.


A grande questão a decifrar no cenário atual é o que de fato está por trás das aparências, já que os atores são praticamente os mesmos e as “negociações” giram em torno do tema do estancamento das colônias sionistas, já rejeitado por Israel. Sem dúvida, estamos vendo uma ação planejada por Obama no marco do esforço para estrangular a retomada da luta revolucionária do povo palestino.  Enquanto teatralizam negociações monitoradas pelos EUA, o imperialismo ianque ataca em todos os terrenos o povo palestino, como o cerco à Síria e ao Hezbollah como parte da guerra que preparam contra o Irã. O que realmente se passa é a tentativa de Obama costurar um acordo mínimo para continuar apresentando a desacreditada ANP como interlocutora legítima do povo palestino, enquanto o Pentágono caça junto com o enclave sionista os grupos da resistência que se opõem a participar da farsa montada pelo Departamento de Estado.


Pelos acordos patrocinados pelos Estados Unidos, criou-se a ANP, uma estrutura que serve de polícia política contra o próprio povo palestino com o objetivo de reprimir a revolta das massas frente às investidas de Israel. Valendo-se do prestígio junto às massas gerado pela expectativa ilusória de conquistar o “Estado palestino”, Arafat subordinou a heroica luta palestina pela sua verdadeira pátria aos interesses comuns do imperialismo e das burguesias árabes, todos ávidos por estabilizarem a tensa conjuntura da região para garantir os investimentos e lucros capitalistas.


No entanto, os efeitos da orientação contrarrevolucionária da OLP foram aos poucos ficando mais claros. A cada rodada de intermináveis negociações para a declaração de criação do fictício Estado palestino, Israel e os estadunidenses e seus asseclas exigiam mais concessões, como a negativa de retorno dos refugiados e o controle político e militar total de Jerusalém, enquanto avançavam com a edificação de novas colônias nas próprias áreas pretensamente autônomas controladas pela ANP e respondiam frente à revolta palestina com novos genocídios. Até hoje é o que assistimos, num quadro que só pode ser alterado com a volta da Intifada, ação que Obama quer impedir via o reinício das novas conversações de paz!


A justa aspiração do povo palestino pela sua nação, a retomada de seu território histórico e a edificação de seu Estado apenas podem ser alcançados ligando as tarefas democráticas pendentes com a luta pela revolução social. Essa imposição decorre do controle que o imperialismo exerce sobre a região e devido ao caráter de enclave militar de Israel, um Estado artificial montado pelos EUA para controlar o Oriente Médio. A utopia reacionária da existência de "dois estados" convivendo lado a lado, um sendo uma máquina de guerra instalada no território palestino e outro um "Estado-fantoche", revela os planos sinistros de Obama.



sábado, 5 de outubro de 2013

Por um marxismo crítico – parte 3


É um prazer publicar este ensaio de Michael Löwy¹, um dos pensadores marxistas mais atualizados, e que encontrei no excelente site marxismo21. Porem, dada a extensão deste texto, vou dividi-lo em três partes para que a sua leitura e assimilação flua da melhor maneira possível.


Gramsci insistia na idéia de que “a filosofia da práxis se concebe, ela mesma, historicamente, como uma fase transitória do pensamento filosófico”, destinada a ser substituída em uma nova sociedade, baseada não mais sobre as contradições de classes e a  necessidade, mas sobre a liberdade (Gramsci, 1979: 115-116). Mas enquanto vivermos em sociedades capitalistas divididas em classes sociais antagônicas, será em vão querer substituir a filosofia da práxis por um outro paradigma emancipador. Deste ponto de vista, penso que Jean-Paul Sartre não se enganou em ver no marxismo “o horizonte intelectual de nossa época”: as tentativas de “ultrapassá- lo” conduzem a regressão para níveis inferiores do pensamento, não para  mais além de Marx. Os novos paradigmas atualmente propostos — quer sejam a ecologia “pura” ou a racionalidade discursiva cara a Habermas, para não falar da pós-modernidade, do desconstrutivismo ou do “individualismo metodológico” — aportam freqüentemente contribuições interessantes, mas não constituem de forma alguma alternativas superiores ao marxismo em termos de compreensão da realidade, de universalidade crítica e de radicalidade emancipadora.


Como então corrigir as numerosas lacunas, limitações e insuficiências de Marx e da tradição marxista? Através de uma abordagem aberta, uma disposição para aprender e se enriquecer com as críticas e as contribuições vindas de outras partes — e antes de tudo dos  movimentos sociais, “clássicos”, como os movimentos operários e camponeses, ou novos como a ecologia, o feminismo, os movimentos pelos direitos do homem ou pela libertação dos povos oprimidos, o indigenismo, a teologia da libertação.


Mas é necessário também que os marxistas aprendam a “revisitar” as outras correntes socialistas e emancipadoras — e inclusive aquelas que Marx e Engels tinham por muito tempo “refutado” — cujas intuições, ausentes ou pouco desenvolvidas no “socialismo científico”, revelaram-se freqüentemente fecundas: os socialismos e feminismos “utópicos” do século XIX (owenistas, saint- simonistas ou fourieristas), os socialismos libertários (anarquistas ou anarco-sindicalistas), os socialismos religiosos e, em particular, o que eu chamaria os  socialismos românticos, os mais críticos ante as ilusões do progresso: William Morris, Charles Péguy, Georges Sorel, Bernard Lazare, Gustav Landauer.


Enfim, a renovação crítica do marxismo exige também seu enriquecimento pelas formas mais avançadas e mais produtivas do pensamento não-marxista, de Max Weber a Karl Mannheim, de George Simmel a Marcel Mauss, de Sigmund Freud a Jean Piaget, de Fernand Braudel a Jürgen Habermas (para ficar em apenas alguns exemplos), assim como que levemos em conta os resultados limitados mas freqüentemente úteis de diversos ramos da ciência social universitária.


É necessário se inspirar aqui no exemplo do próprio Marx, que soube utilizar amplamente os trabalhos da filosofia e da ciência de sua época — não somente Hegel e Feuerbach, Ricardo e Saint Simon, mas também de economistas heterodoxos como Quesnay, Fergunson, Sismondi, J. Stuart, Hodgskin, de antropólogos fascinados pelo passado comunitário como Maurer e Morgan, de críticos românticos do capitalismo como Carlyle e Cobbett, e de socialistas heréticos como Flora Tristan ou Pierre Leroux — sem que isso diminua minimamente a unidade e a coerência teórica de sua obra.


A pretensão de reservar ao marxismo o monopólio da ciência, rejeitando as outras correntes de pensamento para o purgatório da pura ideologia, não tem nada a ver com a concepção que Marx tinha da articulação conflituosa de sua teoria com a produção científica contemporânea.


A obra de Marx foi freqüentemente apresentada como um edifício monumental, de arquitetura impressionante, cujas estruturas se articulavam harmoniosamente, dos alicerces até o telhado. Mas não seria melhor considerá-la como um canteiro de obras, sempre inacabado, sobre o qual continuam a trabalhar gerações de marxistas críticos?



1. Lowy, Michael. (1997). “Pour un marxisme critique” in Marx après les marxismes, Paris, Ed. L’Harmattan. Tradução: José Corrêa Leite, editor do jornal Em Tempo. É tambem sociólogo do Centre Nationale de Recherches Scientifiques — CNRS, Paris



BIBLIOGRAFIA


BAGAROLO, Tiziano. (1992). “Encore sur marxisme et écologie”. Quatrième Internationale, nº 44, mai-juillet.


BALIBAR, Etienne. (Hiver 1994-1995). “Débat entre Jean-Marie Vincent et Etienne Balibar”. Critique Communiste, nº 140.


BENJAMIN, Walter. (1978). Sens unique. Paris, Lettres Nouvelles-Maurice Nadeau. (1971) “Thèses sur la philosophie de l’histoire”. L’homme, le langage et la culture. Paris, Denoël.


GRAMSCI, Antonio. (1979). Il materialismo storico. Torino, Editori Riuniti.[Gramsci, Antonio (1979). Concepção dialética da história. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.]


MARX, Karl. (1969). Le Capital. Livre I, Paris, Flammarion. [Marx, Karl. (1985). O Capital — crítica da economia política. Livro Primeiro, São Paulo, Difel.] (1971). Contribution à la critique de la philosophie du droit de Hegel. Paris, Aubier.


MONTAIGNE. Marx, Karl. Crítica da filosofia do direito de Hegel. Lisboa, Estampa.

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