quarta-feira, 7 de abril de 2010

Uma notícia preocupante


"Venda de carros bate recorde e deve passar de 320 mil unidades no mês".

Esta manchete do Estadão Online na semana passada é motivo deveras preocupante quanto ao futuro do país no tocante ao modelo de desenvolvimento adotado (ou imposto) por estas “bandas brasilis” e ao desequilíbrio ecológico.
É notório que a sociedade capitalista consolidou-se através do uso do automóvel, principalmente após Henry Ford desenvolver e viabilizar a produção em massa desses veículos.
Isto porque acentuou o individualismo e a competição entre a população em busca de status pessoal.
Estamos presenciando o surgimento de uma “nova classe média” (a antiga “classe” C), decorrente do crescimento do capitalismo no Brasil.
Antes tínhamos a classe média oriunda de parte da “velha aristocracia” (pequenos burgueses urbanos), compostos basicamente para preencher o aparelho de Estado que servia às classes dominantes.
O crescimento assustador na venda desses “monstrinhos” individualizantes faz parte de um grande projeto do governo do sr. da Silva (1) – ele mesmo integrante destes “novos ricos” que em sua maioria provêem de setores mais privilegiados do proletariado – a chamada “aristocracia operária”, e é formada por aquele tipo de sujeito que coloca no seu vidro traseiro um adesivo com a frase: “eu não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho”.
Este boom na fabricação acelerada de veículos, alem do mais é uma das causas de poluição atmosférica mais conhecidas.

(1) O estímulo ao consumo reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e aumentou de forma exagerada o prazo das prestações na compra de veículos motorizados, chegando em alguns casos a mais de oito anos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pré Jornada Internacional de Cinema - BA

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Stela B. de Almeida, socióloga e Professora Adjunta de Sociologia da Educação/UFBa (Universidade Federal da Bahia) enviou-me informações que, de forma resumida, publico abaixo (1).

Mostra de filmes:
Povos Indígenas do Brasil
Sala Walter da Silveira
9 a 15 de abril de 2010
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Programação especial do Clube de Cinema da Bahia, com filmes dedicados à luta dos Povos Indígenas do Brasil. Após a sessão de 15 de abril haverá um debate no qual contaremos com a participação especial de Maria Hilda Paraíso, Hirton Fernandes, Yakuy Tupinambá e Franklin Oliveira Jr.

Exposição Fotográfica:
Guido Boggiani y el Chaco. Una Aventura del Siglo XIX
Biblioteca Pública do Estado
9 a 15 de abril de 2010
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Exposição fotográfica do trabalho pioneiro do pintor e fotógrafo italiano Guido Boggiani (1861-1901). Nome de destaque da pintura naturalista na Itália, o artista veio em 1887 para a América do Sul, passando a pesquisar, a vida e cultura dos índios do Gran Chaco, região fronteiriça entre Brasil, Argentina e Paraguai. Sua obra foi salva por Alberto Vojtech Fric (1882-1944) que conseguiu recuperar 415 fotos.

(1) Maiores informações e a programação completa está no blogue “Cultura, Política e Cinema” (link ao lado) ou http://stelalmeida.blogspot.com/

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Uma homenagem ao charme da beleza feminina

Notem estes olhos... Melhor dizendo, este olhar. Olhem fixamente, fitem-no. Encantem-se com o seu poder de sedução. Ou como comentou nesta postagem (e faço questão de acrescentar aqui) em momento de grande inspiração o professor André Setaro: “... olhos suplicantes de desejo!”
Poucas vezes existiu uma mulher como Capucine. Lembro que quando a vi a pela primeira vez no cinema ela me impressionou e atraiu de imediato. Seus gestos delicados e acentuadamente femininos, seu charme, tudo de uma sensualidade envolvente.
Por acaso estou a falar dela porque revi recentemente “O que é que há gatinha”, 1965 (1), quando por coincidência – e infelizmente –, se completaram 20 vinte anos de sua morte.
Capucine, neé Germanine Lefébvre (2) nasceu em Toulon, França, em 6 de janeiro de 1928 e deixou a vida pulando do 8º andar do edifício em que vivia em Lausanne, Suíça, após uma crise de depressão no dia 17 de março de 1990. Uma morte trágica para quem nos encantou e nos conquistou naqueles momentos inesquecíveis em que a vimos nas telas.
Antes de ser atriz, Capucine frequentou a Escola de Belas Artes para em seguida transformar-se numa das modelos mais importantes da França, tendo trabalhado para a Maison Givenchy no mesmo período em que, naquela grife, Audrey Hepburn tambem era manequim. Nos anos 1960 houve “rumores” de um caso com o ator estadunidense William Holden com quem filmou “O leão” em 1962.

(1) Dela ainda tenho em casa “A pantera cor de rosa” (1963) e Fúria no Alaska” (1960).

(2) Lefébvre, aliás, é o nome de seu personagem em “O que é que há gatinha?” (What’s new pussycat? ), direção de Clive Donner e roteiro de Woody Allen, em seu primeiro trabalho tambem como ator.

domingo, 4 de abril de 2010

Uma frase para marcar o dia

Denis Diderot (Langres, 5 de Outubro de 1713 – Paris, 31 de Julho de 1784) foi um mestre em frases que refletiam o seu pensamento, como: “Perguntaram um dia a alguém se havia ateus verdadeiros. Você acredita, respondeu ele, que haja cristãos verdadeiros?” ou “Devem exigir que eu procure a verdade, não que a encontre”

Mas há uma frase de Diderot que eu acho tão especial que apenas troquei os dois personagens e adaptei à nossa realidade.
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"O mundo só será feliz no dia em que o
último dos capitalistas assassinos
for enforcado com as tripas do último
dos papas pedófilos"
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A frase original é “O mundo só será feliz no dia em que o último dos reis for enforcado com a tripas do último dos cardeais”

Cachimbadas de domingo

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Como diminuíram as tabacarias do Rio de Janeiro! Aliás, creio eu ser um fenômeno nacional. E por que não dizer mundial? Em parte, consequência do “antitabagismo fascistóide” que nos assola, e, por outro lado, penso eu, que cachimbo saiu de moda. Embora o vendedor da Gryphus – tabacaria da cidade em que compro meus tabacos – garanta que teem muitos jovens aderindo ao velho hábito.
Eu me torno até meio repetitivo, mas uma vez contei neste blogue que houve um tempo em que existiam dezenas de quiosques e lojinhas, para alem das grandes tabacarias, claro, onde se podiam comprar cachimbos e tabacos da melhor qualidade por essas bandas cariocas. Nesta época cheguei a ter mais de 50 cachimbos e fumava com frequência o saudoso (1) Balkan Sobraine e os Dunhill (2) que foram os primeiros a sumir do mercado.
Mas acabou que desapareceram quase todas as espécies de fumos importados. Havia muitos holandeses e de outras nacionalidades. Hoje apenas se encontram nas tabacarias o Half & Half e algumas variedades de Borkhum Riff. Não me pergunte por que, mas é isso mesmo.
É verdade que aumentou, e muito, a variedade de tabacos tupiniquins. Mas o certo é que os preços destes tambem aceleraram de forma assustadora. Hoje compra-se um Half & Half por 22 a 24 reais. Mas por outro lado bons fumos nacionais estão na casa dos R$ 14,00 pra cima. O negócio é fumá-los. Até porque se escolhendo bem são de boa qualidade e comparáveis aos estrangeiros... À exceção do velhos e bons Dunhill de Latakia. Estes são incomparáveis!
Quanto aos cachimbos, continua a existir em grande variedade. E muito embora os nacionais tenham melhorado muito, existindo alguns de briar (3), os europeus ainda são superiores. Mas estão bastante caros. No entanto, faz algum tempo que não compro cachimbos novos, até porque ainda tenho uma coleção com mais de trinta.

(1) Era um fumo constituído por uma mistura de folhas claras e escuras de Virgínia com uma seleção de Macedonia, e enriquecido com folhas de Latakia, fabricado pela Gallagher (Londres) que, infelizmente o retirou de produção...

(2) Os Dunhill continuam a ser fabricados, mas os seus importadores (sabe-se lá porque) não mais os distribuem.

(3) "Briar" é a denominação em inglês (em francês bruyère) para a madeira da parte entre a raiz e o tronco (vulgarmente conhecida como "cepo"), da “Erica arbórea”, árvore pequena que cresce na região mediterrânea. A sua raiz destaca-se pela longevidade, resistência ao calor e boa aparência.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A fita branca e o futuro cinzento (ou as raízes do mal)


“(...) Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender, de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria ... Em nome de uma ideia bonita pode-se virar um assassino ...”
Michael Haneke em entrevista ao “New Yorker (outubro de 2009).

Ele é um dos mais importantes cineastas da atualidade (1). Suas realizações costumam provocar perplexidade por abordarem sem firulas ou rodeios a violência, tanto física quanto psicológica. Em “A fita branca (Das weisse band), Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2009, Haneke chega a incomodar, tal a violência de certas cenas e diálogos.
Narrada pelo professor (interpretado por Christian Friedel) de uma pequena cidade no interior da Alemanha, a história inicia-se no ano de 1913, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, onde a vida é ditada pelos rigorosos princípios “moralistas” do puritanismo luterano, da submissão e do autoritarismo, um eixo das relações antagônicas entre proprietários de terras e camponeses, entre homens e mulheres... Entre pais e filhos.
Neste pequeno povoado começam a acontecer uma série de agressões inexplicáveis, mas curiosamente em série, cujos autores se constituem num enigma. Logo no início do filme, um arame estendido no local em que passava a cavalo o médico local, a morte violenta e dramática de uma camponesa, duas crianças brutalmente espancadas, o incêndio de um celeiro na fazenda.
Tudo isto em preto e branco, numa narrativa “noir” e um rigor fotográfico da dramática escuridão que traduz de forma exata o próprio lado escuro e obscuro do ser humano (e da história), onde os rumores e o mistério provocam o medo numa progressão que deixa o espectador preso à tela... Sim, medo; o mesmo medo que observamos em “M – o vampiro de Dusseldorf” (Fritz Lang 1931) ou em “O ovo da serpente” (Ingmar Bergman 1977).
Um medo que tambem foi o embrião do nazismo (3), que o alimentou e o sustentou. Um medo que se estendeu através de todo o século XX nos invadindo em profunda escuridão psicológica, destacadamente nas formas das ditaduras fascistas à direita ou stalinista, supostamente à esquerda (2), marcando um período cinzento da humanidade.

(1) Seus filmes mais importantes são “A professora de piano”, e “Caché”. Também realizou, entre outros, “Violência gratuita”, “O castelo” e “Código desconhecido”.

(2) Sempre defendo a tese de que Stalin (e o stalinismo que o sucedeu) deturpou e “quase” enterrou os princípios do Materialismo Histórico, deixando a esquerda numa encruzilhada frente ao futuro.

(3) Respeito o ponto de vista do diretor... Tanto que comentei sobre o stalinismo porque sei que ele (Haneke) acredita que outras ideologias podem levar a este mesmo ponto (cinzento) da história. Leiam na introdução a esta matéria, nas palavras do próprio diretor.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Série Amarela - 1

Virou uma obsessão nacional o assassinato da menina Isabela e o envolvimento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá (1). Mas, talvez poucos se lembrem da pequena Tânia e de Neyde Maria Lopes, a “Fera da Penha”. Pretendo com ele iniciar e relembrar alguns "affaires" dito hediondos e/ou sensacionalistas, pratos feitos para a imprensa, particularmente a “marrão”.

O caso d’A Fera da Penha

Neyde conheceu Antônio Couto Araújo. Apaixonaram-se e começaram então a ter encontros freqüentes. Em pouco tempo, Neyde descobriu que Antônio, era na verdade casado e pai de duas crianças. Exigiu então que ele se separasse da esposa e das filhas. Ao ver que Antônio não abandonaria sua família, Neyde aproximou-se de Nilza Coelho Araújo (esposa de Antônio), fingindo ser uma velha colega de colégio. Não suportando ser “a outra” na vida do “amado”, decidiu tramar sua vingança contra o amante. Neyde viu em Tânia, 4 anos, filha mais velha do casal, o seu alvo ideal.
No dia 30 de junho de 1960, Neyde telefonou para a escola de Tânia, e, fazendo-se passar pela mãe, disse que precisava que a menina fosse mais cedo para casa e que mandaria uma amiga para buscá-la. Neyde pegou a menina e ficou a vagar sem rumo com Taninha por seis horas. Passou numa farmácia onde comprou um litro de álcool. Às oito da noite, levou a pequena Tânia ao galpão do Matadouro da Penha, executando friamente a indefesa vítima com um único tiro na cabeça. Em seguida, cruelmente ateou fogo em seu cadáver.
As investigações policiais levaram a Neyde, que negou o crime e forneceu pistas falsas, sempre a mentir, a refutar a autoria do crime. Após o laudo final da perícia ela já não tinha mais como fugir às evidências e acabou por confessar a autoria do crime. Foi condenada a 33 anos de prisão, mas após cumprir 15 anos, ganhou a liberdade condicional por bom comportamento. Ficou conhecida como “Fera da Penha” e diz-se que até hoje vive em um apartamento na Penha, após ter-se casado com o diretor da prisão em que cumpriu pena...

(1) Esta postagem foi publicada no antigo “Pensatas” em maio de 2008 no auge da fase inicial do "caso Nardoni".

Série dedicada à “Coleção Amarela”, uma publicação da Editora Globo (a de Porto Alegre) nos anos 1930/50, constando dela romances de autores conhecidos no gênero de mistério, tais como Edgar Wallace, Sax Rohmer, S. S. Van Dine, Agatha Christie e Georges Simenon, entre outros.