quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Deu coluna do meio

O primeiro turno das eleições teve lá as suas surpresinhas. Ou não? Aqui no Rio, o crescimento de Marina Silva foi um fenômeno que, de qualquer forma refletiu a surpresa que obteve nas urnas em nível nacional. Bem, o certo é que ela ficou em segundo lugar no estado, deixando Serra em terceiro.
Marina levou os votos dos descontentes e decepcionados com os escândalos na candidatura governista. Mas será que no segundo turno os votos que foram para ela vão seguir este curso? E o PSDB, vai apelar novamente para mais escândalos? Por seu lado, o PV é um partido mais alinhado à direita. Já no primeiro turno, Gabeira e grande parte da sua direção estavam em aliança aberta com o PSDB. Agora, de cara manifestaram seu apoio ao tucano.
Marina pediu um tempo de 15 dias para se definir. E apesar de sua tendência ser de acabar assumindo uma posição neutra na contenda, suas origens são petistas. Há uma grande parte de setores daquele partido que tem simpatias por ela até hoje. Estão jogando com possibilidades. É o tal caso: “quem dá mais?” São cargos e muitos mais interesses em jogo nesta aliança da segunda volta das eleições.
Apesar das especulações é um pouco cedo para se chegar a conclusões. A verdade, no entanto, é que um futuro muito breve dirá. Por enquanto o certo mesmo é que deu coluna do meio!

A ilustração acima foi publicada no jornal O Dia do Rio de Janeiro. Afinal como são parecidos. E no caso, qualquer semelhança não é mera coincidência.

domingo, 3 de outubro de 2010

Pensatas de domingo

No último domingo, falei aqui em revolução. Falei tambem da insanidade que é tentar este caminho dentro do sistema e com os instrumentos que o próprio sistema oferece. Mais uma vez falei ainda do quanto o stalinismo desviou as ideias de Marx para um caminho desastroso. Aliás, há muito tempo defendo justamente a tese de que esta distorção aconteceu a partir de 1917 na Rússia.
A realidade é que precisamos voltar algum tempo na história para tentar compreender melhor toda esta questão.
Marx viveu no século XIX. O capitalismo se desenvolvia de vento em popa com a classe burguesa no poder. Aparentemente o novo sistema trouxe progressos incontestáveis e maravilhosos. Como a máquina a vapor, a eletricidade, o motor a explosão e tantos outros, que, com o passar do tempo tornar-se-iam um verdadeiro desastre para a humanidade, e que culminariam com a destruição da natureza com que hoje convivemos, passados mais de dois séculos do início da revolução industrial.
Porem o sistema carregava em seu bojo aquilo que Marx determinou como a sua antítese: o proletariado. Acontece que o filósofo, mentor do Materialismo Histórico, viveu uma época de exploração abusiva por parte da burguesia. Para alem da extrema miséria das massas amontoadas em bairros sem a menor estrutura e higiene, do abuso sem freios do trabalho, inclusive o infantil, com jornadas de trabalho que alcançavam as 16 horas por dia... Ou mais.
A partir de 1917, quando os bolcheviques tomaram o poder na Rússia, e após a grande crise capitalista no final da década seguinte, a classe dominante cercou-se de alguns cuidados. Adotou a Internacional Socialista (II Internacional) e iniciou através de políticas social democratas reformistas alterações nas regras do sistema, tentando torna-lo mais “humano”. Na verdade era o medo, um pavor das consequências da revolução sobre as massas operárias de todo o mundo, que conforme previra Marx em seu “Manifesto Comunista” iria virar o planeta de ponta cabeça.
Mas o que Marx não podia prever em seu tempo era o posterior surgimento de uma aristocracia no seio do próprio proletariado. Uma camada privilegiada inserida na classe presumivelmente revolucionária. E muito menos que esta aristocracia iria se expandir progressivamente chegando ao ponto de, em finais do século XX, a classe operária não poder mais ser considerada um instrumento de derrubada da burguesia e, portanto, do capitalismo. O sistema minou e “comprou”aqueles que iriam substitui-los no poder de uma forma sutil e venenosa.
Chegamos ao ponto de perguntar: se vai haver alguma revolução, como será então? Quem a comandará? Ora, alguns pensadores já a partir da Escola de Frankfurt, principalmente Herbert Marcuse preocuparam-se um tanto com o fato chegando a apontar o lumpesinato e outros setores marginalizados da sociedade neste papel. Mas a verdade é que não há uma saída lógica nos dias em que vivemos. O fato é que apesar de o sistema estar falido, e, ao que parece, não ter muito o que oferecer alem do consumismo e da destruição do próprio planeta, está incólume e soberano já que nada se lhe opõe.
Voltemos a Marx. Creio que ninguem analisou e criticou o capitalismo como ele. O problema é que seus seguidores oficiais, oportunisticamente não ofereceram uma continuidade ao seu pensamento a partir das mudanças do próprio capitalismo em sua evolução. A burocracia soviética o estacionou de uma forma mecânica e rudimentar. O “marxismo oficial” tornou-se medíocre. Tão medíocre quanto aqueles que o manipulavam; e despencaram com a queda da chamada cortina de ferro.
Por seu lado o próprio pensador não enxergara que o capitalismo ao revirar e revolver a Terra sem limites, surgira para progressivamente destrui-la, realidade que no distante século XIX era de difícil avaliação.
Respostas para isto ainda não surgiram em definitivo, mas estão a ensaiar os seus passos na própria luta pela preservação da vida. O fato é que no decorrer da história deste século, se a raça humana não sucumbir nas mãos do capitalismo em sua sedenta (e sangrenta) busca pelo lucro a qualquer custo, surgirão caminhos, em que certamente, pelo seu valor histórico, estarão pesando muitas das valiosas ideias de Marx.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Crimes hediondos

“Médicos pesquisadores do governo dos Estados Unidos infectaram intencionalmente nos anos 1940 um grupo de 696 cidadãos da Guatemala com gonorreia e sífilis para a realização de estudo sobre a eficácia de medicamentos. A denúncia foi feita por Susan Reverby, pesquisadora do departamento de estudos de saúde da mulher da Faculdade Wellesley, estado de Massachusetts.” (1)
....
Quê que é isso minha gente?! Falou-se tanto dos crimes nazistas usando cobaias humanas... E aparece uma notícia dessas?
Imagino o quanto foi disseminado este tipo de experiência aqui no quintal dos Estados Unidos ao sul do Rio Bravo. Quantos de nós americanos fomos exterminados por estadunidenses em suas pesquisinhas?!
Ficam apenas as perguntas no ar.

(1) Texto extraído do UOL (01/10/2010 - 11:17 Daniella Cambaúva Redação)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Crimes de guerra

Uma publicação do Washington Post relata que provas contra cinco soldados estadunidenses acusados de matar civis por diversão e, em alguns casos, de desmembrar corpos e conservar ossos das vítimas, começaram a ser examinadas na segunda-feira (27 de setembro) pelo Exército dos Estados Unidos.
O assunto é extremamente delicado para o exército que se “esforça” para ganhar a “confiança” da população afegã, em particular na província de Kandahar, principal concentração de Talebans, onde os fatos ocorreram.
A audiência tratou do caso do soldado Jeremy Morlock (1), de 22 anos, originário do Alasca. Ele lidera o grupo de militares acusados dos assassinatos. Outros sete soldados serão julgados por obstruir a investigação do caso. E também indiciados por ter surrado um de seus companheiros, para obstruir uma investigação sobre o consumo de haxixe.
As autoridades ainda acusam Michael Gagnon, outro militar, de ter conservado o crânio de um cadáver e um terceiro, Corey Moore, de ter esfaqueado um dos corpos, alem de vários soldados de tirar fotos de suas vítimas.
A publicação informou que a “brincadeira” dos soldados teria começado no último inverno, quando um afegão se aproximou de um soldado na localidade de La Mohammed Kalay. À medida que o homem se dirigia a eles, Morlock criou uma situação de tumulto para dar a impressão que estava sob ataque. Seus companheiros abriram fogo e mataram o afegão.
Segundo o jornal, as mortes em questão teriam sido cometidas puramente “por esporte” da parte de soldados alcoolizados e drogados.
Um caso macabro!

(1) Coincidentemente, os “Morlocks” são uma espécie degenerada da humanidade que no romance “A máquina do tempo” de H.G. Wells tornam-se antropófagos, vivendo no subsolo e devorando passivos humanos engordados por eles mesmos, que restaram a vagar pela superfície em um futuro bastante distante.

domingo, 26 de setembro de 2010

Pensatas de domingo

Durante os anos de ditadura militar criamos o hábito do voto útil. Votei muitas vezes em quem eu não acreditava apenas para me opor ao regime e eleger alguém que estivesse do lado oposto deles.
Hoje, com a pseudo democracia (1) instalada, as coisas mudaram de feição. Existe um quadro político dos mais caóticos possíveis. Por um lado o PT, querendo se perpetuar de qualquer forma no poder. De outro uma oposição tentando armar um golpe à base de escândalos. E correndo no meio disto a raia miúda, os “nanicos” como são chamados, alguns desejando realizar uma “revolução” dentro do próprio sistema. Mais do que uma utopia, uma verdadeira insanidade.
Vamos começar pelo que chamo de pseudo democracia, que é essa estupidez de se achar que o voto é algo válido para o povo. O voto na democracia ocidental é uma máscara para esconder os poderosos grupos econômicos que a financiam. Uma eleição custa milhões, algumas bilhões, em que os capitalistas jogam suas cartas em troca de favores futuros. O eleito já surge com o rabo preso. Daí os escândalos, o tráfico de influencias, a corrupção deslavada.
Nossa classe política em particular é o reflexo deste quadro, principalmente porque no Brasil a punibilidade é dúbia. Em outros países os jogos desse tipo são camuflados porque quem é surpreendido no meio deles não escapa de um severo revés. Aqui impera a cara de pau, o cinismo. Vejam por exemplo os muitos casos dos que estão concorrendo a cargos políticos, mas legalmente não deveriam nem se candidatar. Somente no caso do “Ficha Limpa” são mais de 170 nomes. Mas correm o risco... Se colar, colou!
O Partido dos Trabalhadores chegou ao poder após várias e seguidas tentativas frustradas. Sem dúvida o governo atual criou uma base política com os mais pobres através de “esmolas” bem geridas, como o Bolsa Família. Isto elevou o poder aquisitivo de uma população antes marginalizada do mercado de consumo. Mas com isto o PT fez um jogo que beneficiou e enriqueceu muito mais a burguesia, ao criar condições para fortalecer o capitalismo internamente.
Por outro lado, nas duas gestões do PT surgiram comprovados atos de corrupção, escândalos e abusos de poder. O “mensalão” talvez tenha sido o maior deles, mas agora o também corruptíssimo PSDB, na sua ambição de voltar às rédeas do governo, anda fuçando novos tropeços da classe dirigente em Brasília. E tem conseguido alcançar o seu objetivo apoiado por amplos setores da grande imprensa.
Quando afirmo que eu voto nulo, é porque não vejo saída possível neste cenário. Primeiro temos um tipo de regime que chamam de democracia, porem está longe de sê-lo. E quando digo isto não me refiro apenas ao Brasil, mas a todos os países que o adotam. Infelizmente, aqui não nos oferecem nem a possibilidade de não se comparecer às urnas por ser o voto obrigatório. Segundo e simplesmente porque entre os candidatos não vejo nenhum em quem possa votar.
Pelo menos a minha consciência fica tranquila.

(1) Leia mais sobre o assunto em “A grande Utopia” publicado neste blogue em 13 de fevereiro de 2009.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

E o palhaço o que é?

Palhaço era ladrão de mulher! Agora é de voto mesmo!
Certa vez atribuiu-se a Charles de Gaulle, então presidente francês, a frase: “O Brasil não é um país sério”. Sempre achei que ele tinha razão, mas outro dia ao ler que o ridículo comediante Tiririca estava liderando a contagem dos votos de São Paulo em todos os tempos (vejam bem, em todos os tempos), sendo também, pelas projeções o deputado mais votado do país conclui que o general presidente da França tinha razão absoluta.
Palhaçadas à parte, assistimos hoje uma disputa presidencial entre a defesa do indefensável por parte dos governistas e a tentativa de um golpe eleitoreiro a partir de escândalos por parte da oposição. Ridículo! Por outro lado, Romário sendo um dos mais votados entre os eleitores do Rio de Janeiro, famosos e popozudas se candidatando por aí afora às dúzias.
O pior de tudo é que quem pensa que com isto está anulando o voto (como nos tempos do “Cacareco” ou do “macaco Tião” (1) está plenamente enganado. O seu voto está a reforçar algum “candidato real” cuja possibilidade de defender alguma plataforma, seja lá qual seja inexiste. Note-se o slogan de Tiririca que é “Pior que tá, não fica”. E o pior é que vai ficar pior mesmo!
Nem preciso me estender muito no assunto. A questão está aí, claramente exposta. Que se candidatem ainda vá lá. Mas que se elejam? E expressivamente... Aí é que pega! E nos faz pensar seriamente que este não é mesmo um país sério.

(1) Durante a ditadura as pessoas, expressaram seus votos em animais do zoológico como forma de manifestar seu repúdio ao regime de então, anulando o voto ainda escrito à mão. Foram os casos acima citados que tiveram uma grande representatividade.

domingo, 19 de setembro de 2010

De volta às pensatas de domingo

Volto a este blogue, após ausência, no auge da sucessão presidencial. E que sucessão? Campanhas beirando o que há de mais baixo em artimanhas e baixarias.
Li no dia 15 deste mês na Tribuna da Imprensa um artigo em que Helio Fernandes cita uma matéria publicada na Carta Capital referindo-se à divulgação por Verônica Serra – filha do candidato do PSDB –, do vazamento na internet das contas de 60 milhões de correntistas em 2001 pela empresa Decidir.com da qual era sócia. Para não me deter demasiado no assunto, a quem interessar, maiores informações em http://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=11565
Cada dia chego à conclusão que a minha decisão pelo voto nulo continua sendo a melhor possível. Afinal, no nebuloso caso do acesso aos dados da própria Verônica, quem pode provar de quem foi a culpa? Terá sido da corrupção na máquina governamental? Ou simplesmente uma armadilha plantada pelo próprio candidato do PSDB? Afinal este partido já nos deu dois governos de FHC que entregou o país a preços de banana em privatizações suspeitas. E, pelo jeito herdou a vocação moralista e golpista da antiga UDN. Não tomo partido de ninguém, porque suspeito de todos. Mas vale a pena ler a matéria citada acima.
Quanto à “renúncia” da ex-ministra Erenice e os novos escândalos envolvendo funcionários da Casa Civil, a “coisa” inicialmente parece que deixou uma situação feia para o lado da candidata do PT! As próximas pesquisas, no entanto, é que dirão...
Volto também com o Jornal do Brasil somente em sua versão digital. E o anúncio de que o New York Times especula esta mesma saída para a sua crise. E, por falar em imprensa, o Estadão chegando aos 415 dias de censura. Uaaau! Que “democracia” é esta?
No Afeganistão a coisa continua meio estranha para os estadunidenses que até nesses idos de setembro perderam mais soldados do que no ano passado inteiro: 333 a 317 segundo o site icasualties. Enquanto isso, Obama anunciou uma retirada de tropas do Iraque, enviando 53 mil para casa e mantendo 50 mil no país ocupado a título de apoio logístico. Pra quê tanta gente? Não dá pra engolir...
Em Nova Iorque o prefeito Michael Bloomberg projeta estender a proibição ao fumo em áreas não cobertas da cidade. Deixei o cigarro na década de 1980, lá se vão cerca de trinta anos, mas acontece que acho um absurdo este papo de fumante “passivo”. Há um exagero apoiado pela mídia a reforçar o duvidoso argumento – que repetido mil vezes já se transformou numa verdade. Bloomberg declara que as pessoas poderão de fato respirar “ar puro” nos parques e nas praias. Mas e a poluição causada pelos automóveis, fábricas, etc? Isto é ar puro desde quando?
E mais uma vez os ciganos, vítimas “pobres” do nazismo e outras tantas perseguições, protestam, mas sua voz não tem força para repercutir e se espalhar pelo mundo. O que ficou evidente foi que o “furioso” Sarkozy tomou uma atitude que lhe fez cair a máscara. Se é que já vestiu alguma!
Afinal, o quê o Papa foi fazer na Inglaterra?
Mas o pior é saber que Resident Evil está na sua quarta versão... E enchendo os cinemas. Sem trocadilhos: que horror!