segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O regime Obama inventou uma "conspiração do terror" em defesa da polícia de estado



Democracias representativas e ditaduras autocráticas respondem a crises internas profundas de modos muito diferentes: as primeiras tentam justificar-se junto aos cidadãos, explicando causas, consequências e alternativas; as ditaduras tentam aterrorizar, intimidar e distrair o público acenando com falsas ameaças externas, a fim de perpetuar e justificar a dominação por métodos de estado policial e evitar enfrentar as crises autoinfligidas.

James Petras* (Controvérsias)

Tal falsificação é evidente no presente anúncio do regime de Obama de uma iminente "ameaça terrorista" global [1] diante das múltiplas crises, fracassos políticos e derrotas por todo o Médio Oriente, África do Norte e Sudoeste da Ásia.
A tagarelice da Internet evoca uma conspiração global e ressuscita a guerra global ao terror
Toda a ofensiva de propaganda da conspiração do terror, lançada pelo regime Obama e disseminada pelos mass media, basea-se nas fontes mais frágeis que se possam imaginar e nos pretextos mais risíveis. Segundo fontes da Casa Branca, a National Security Agency, a CIA e outras agências de espionagem afirmaram ter monitorado e interceptado ameaças não especificadas da Al-Qaeda, conversações de duas figuras da Al Qaeda incluindo Ayman al-Zawahiri [2] .
Ainda pior: a alegação do regime Obama de uma ameaça global da Al-Qaeda, obrigando ao encerramento de 19 embaixadas e consulados e um alerta mundial a viajantes, choca-se claramente com afirmações públicas reiteradas ao longo dos últimos cinco anos de que Washington desferiu "golpes mortais" à organização terrorista que minou a sua capacidade operacional [3] com os "êxitos militares" dos EUA no Afeganistão e no Iraque, o assassinato de Bin Laden, os ataques de drones no Iémen, Paquistão, Somália e a invasão da Líbia apoiada pelos EUA. Ou o regime Obama estava a mentir no passado ou o seu presente alerta de terror é uma invenção. Se, como afirmam Obama e a NSA, a Al Qaeda reemergiu como uma ameaça terrorista global, então doze anos de guerra no Afeganistão e onze anos de guerra no Iraque, o gasto de US$1,46 milhão de milhões, a perda de mais de sete mil soldados estadunidenses [4] e a mutilação física e psicológica de mais de uma centena de milhar de combatentes dos EUA foi um desastre total e absoluto e a assim chamada guerra ao terror é um fracasso.
A alegação de uma ameaça global de terror, baseada na vigilância da NSA de dois líderes da Al Qaeda com base no Iémen, é tão frívola quanto implausível. Todos os dias por todo o ciberespaço um ou outro indivíduo ou grupo terrorista islâmico discute tramas de terror, fantasias e planos sem grande consequência.
O regime Obama falhou em explicar porque, dentre milhares de "conversações" diárias na Internet, esta particular, neste momento particular, representa uma viável operação terrorista em curso. Não é preciso um milhão de espiões para recolher uma tagarelice jihadista acerca de "atacar Satã".
Durante mais de uma década, operacionais da Al Qaeda no Iémen teem estado empenhados numa guerra por procuração com regimes apoiados por Washington e durante o mesmo período de tempo o regime Obama tem estado empenhado em missões assassínio por drones e Forças Especiais contra militantes iemenitas e figuras da oposição [5] . Por outras palavras, o regime Obama engrandeceu eventos que são habituais, relacionados com um conflito em andamento conhecido do público, numa nova ameaça terrorista global tal como revelado pelos seus espiões mestres devido à sua muita apregoada proeza de espionagem!
É mais do que óbvio que o regime Obama está empenhado numa falsificação global concebida para distrair a opinião pública mundial e, em particular, a maioria dos cidadãos dos EUA, da espionagem da polícia de estado e das violações de liberdades constitucionais básicas.
Ao acenar com uma falsa "ameaça terrorista" e a sua detecção pela NSA, Obama espera relegitimar o seu desacreditado aparelho de polícia estatal.
Ainda mais importante: ao levantar o espectro de uma ameaça terrorista global, o regime Obama procura encobrir as suas políticas mais vergonhosas, os desprezíveis "julgamentos espectáculo" e as duras condições de aprisionamento de denunciantes do governo, assim como derrotas e fracassos diplomáticos e militares que teem abalado o império no presente período.

O cronograma da falsificação da ameaça do terror global
Nos últimos anos o público do EUA cansou-se do custo e da natureza inconclusiva da "guerra global ao terror" (GWOT, na sigla em inglês). Inquéritos à opinião pública apoiam a retirada das tropas de guerras distantes assim como programas sociais internos ao invés de gastos militares e novas invasões. Mas o regime Obama, ajudado e em conivência com a configuração de poder pró Israel, dentro e fora do governo, empenha-se numa busca constante de políticas de guerra que miram o Irã, Síria, Líbano e qualquer outro país muçulmano que se oponha a que Israel apague do mapa a Palestina Árabe. Os "brilhantes" estrategas e conselheiros pró guerra no regime Obama teem seguido políticas militares e diplomáticas que levaram a desastres políticos, monstruosas violações de direitos humanos e o estripamento de proteções constitucionais garantidas aos cidadãos dos EUA. A fim de continuar na senda de repetidas políticas fracassadas, foi erguido um gargantuesco estado policial para espionar, controlar e reprimir cidadãos dos EUA e de outros países, tanto aliados como adversários.
A falsificada "ameaça do terror" ocorre num momento e como resposta ao aprofundamento da crise internacional e do impasse político enfrentado pelo regime Obama - um momento de profundo desencanto entre a opinião pública interna e externa e de crescente pressão dos que dão prioridade aos interesses de Israel (Israel Firsters) no sentido do avanço da agenda militar.
A pancada mais devastadora para a construção do estado policial são os documentos tornados públicos pelo contratado da NSA Edward Snowden, os quais revelaram a vasta rede à escala mundial da espionagem da NSA com violação das liberdades constitucionais dos EUA e da soberania de países. As revelações desacreditaram o regime Obama, provocaram conflitos dentro e entre aliados, e fortaleceram a posição de adversários e críticos do Império estadounidense.
Importantes organizações regionais, como o MERCOSUL na América Latina, atacaram o "ciber-imperialismo"; os países da UE questionaram a noção de "cooperação de inteligência". Mesmo dúzias de pessoas do Congresso dos EUA apelaram à reforma e a cortes no financiamento da NSA.
As "ameaças do terror" são sincronizadas por Obama para neutralizar as revelações de Snowden e justificar a agência de espionagem e suas vastas operações.
O "julgamento espectáculo" de Bradley Manning, no qual um soldado é torturado, muitas vezes com nudez forçada, em confinamento solitário durante quase um ano, aprisionado durante três anos antes do seu julgamento e publicamente pré-julgado pelo presidente Obama, por numerosos legisladores e pelos mass media (eliminando qualquer simulacro de "correção"), por revelar crimes de guerra dos EUA contra civis iraquianos e afegãos, provocou protestos em massa por todo o mundo. A "ameaça do terror" de Obama é exibida para coincidir com a condenação pré determinada de Manning nesta farsa judicial desacreditada e para reforçar o argumento de que a sua revelação de brutais crimes de guerra dos EUA "serviu o inimigo" (ao invés de servir o público estadounidense, o qual Manning reiteradamente disse ter o direito de conhecer as atrocidades cometidas em seu nome). Com o relançamento da "guerra ao terror" e a intimidação do público doméstico, o regime Obama está a tentar desacreditar heróicas revelações de Bradley Manning de crimes de guerra documentados no Iraque e no Afeganistão centrando-se em nebulosas ameaças de terror da Al Qaeda na Internet!
Na arena política internacional, Obama sofreu uma série de repetidas derrotas políticas e diplomáticas com implicações de extremo alcance para o seu projeto fanático de construção do império. A invasão mercenária apoiada por Obama e executada por islamistas da Al Qaeda da nação soberana da Síria sofreu uma série de derrotas militares e jihadistas, "combatentes da liberdade" por procuração, foram denunciados pelos mais prestigiosos grupos de direitos humanos devido aos seus massacres e limpezas étnicas de populações civis na Síria (especialmente cristãos, curdos, alevis e sírios laicos). A "aventura" síria de Obama saiu pela culatra e está claramente a desencadear uma nova geração de terroristas islâmicos, armados pelos Estados do Golfo - especialmente a Arábia Saudita e o Qatar, treinados pelos Serviços Especiais turcos e da OTAN e agora disponível para "missões" terroristas globais contra estados clientes dos EUA, a Europa e os próprios EUA.
Por sua vez, a derrocada síria tem tido um grande impacto sobre a Turquia, aliada OTAN de Obama, onde protestos em massa estão a desafiar o apoio militar do primeiro-ministro Erdogan a mercenários islamistas, que teem bases ao longo da fronteira turca com a Síria. A repressão selvagem de Erdogan a centenas de milhares de manifestantes pacíficos, a prisão arbitrária de milhares de ativistas pró democracia e os seus próprios "julgamentos espectáculo" de centenas de jornalistas, oficiais militares, estudantes, intelectuais e sindicalistas certamente desacreditaram o principal aliado "islamista democrático" de Obama e minaram a tentativa de Washington de ancorar sua dominância a uma aliança triangular Israel, Turquia e monarquias do Golfo.
Novo descrédito da política externa de Obama de cooptar "regimes eleitorais" islamistas verificou-se no Egito e está pendente na Tunísia. A política pós Mubarak de Obama procurava um arranjo de "partilha de poder" entre o democraticamente eleito presidente Morsi da Irmandade Muçulmana, os militares da era Mubarak e políticos neoliberais, como Mohamed El Baradei. Ao invés disso, o general Sistani tomou o poder à força através do exército, derrubando e aprisionando o civil presidente Morsi. O exército egípcio sob Sistani tem massacrado pacíficos muçulmanos pró democracia e expurgado o parlamento, a imprensa e vozes independentes.
Obrigado a escolher entre a ditadura militar constituída pelo homem do confiança do antigo ditador Mubarak e a Fraternidade Muçulmana com base de massa, o secretário de Estado John Kerry apoiou a tomada de poder militar como uma "transição para a democracia" (recusando-se firmemente a utilizar a expressão "golpe de estado"). Isto abriu uma porta ampla para um período de repressão em massa e resistência no Egipto e enfraqueceu gravemente uma ligação chave no "eixo de reação" no Norte de África (Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito).
A incapacidade de Obama para tratar das novas aberturas de paz do presidente Rouhani, recentemente eleito no Irã, foi evidente na capitulação da administração a um voto do Congresso (420 - 20) em favor de novas e mais severas sanções concebidas, segundo os autores AIPAC da lei, para "estrangular a economia petrolífera iraniana". A oferta do secretário de Estado Kerry de "negociar" com o Irã, sob sanções econômicas e um bloqueio imposto pelos EUA, foi vista em Teerã, e pela maior parte dos observadores independente, como um gesto teatral vazio, de pouca consequência. O fracasso de Obama em restringir o controle total israelense-sionista sobre a política externa dos EUA em relação ao Irã e em concluir um acordo assegurando um Irã livre de armas nucleares, assegura que a região continuará a ser um barril de pólvora político e militar.
Nomeações por Obama de eminentes fanáticos sionistas para posições políticos estratégicas em relação ao Médio Oriente asseguram que os EUA e o regime Obama não tem opções para o Irã, Palestina, Síria ou Líbano - exceto seguir aquelas ditadas por Tel Aviv diretamente aos seus agentes estadounidenses, os 52 presidentes das Major American Jewish Organizations, os quais, juntamente com seus colaboradores sionistas internos, são coautores do roteiro político do Congresso dos EUA e da Casa Branca.
As negociações da paz israelense-palestina do regime Obama são encaradas pela maior parte dos observadores como os esforços mais distorcidos e bizarros até à data naquela farsa cruel. Washington comprou os líderes da "Autoridade" Palestina com subornos de muitos milhões de dólares e abriu caminho para a acelerada tomada de terra de Israel na Cisjordânia ocupada e para construção de colonatos "só para judeus", bem como a expulsão em massa de 40 mil beduínos dentro do próprio Israel.
Para assegurar o resultado desejado - um fiasco total - Obama nomeou como seu "mediador" um dos mais fanáticos radicais pró Israel de Washington, o tri-nacional Martin Indyk, conhecido em círculos diplomáticos como "advogado de Israel" (e o primeiro embaixador dos EUA a ser despojado de permissão de segurança (security clearance) devido ao uso abusivo de documentos).
A ruptura das negociações já está prevista. Obama, capturado na teia das suas próprias antigas alianças e lealdades reacionárias e obcecado com soluções militares, desenvolveu um talento especial para se empenhar em prolongadas guerras perdedoras, multiplicar inimigos e alienar aliados.
 
Conclusão
O resultado de prolongadas guerras impopulares de agressão tem sido a construção maciça de uma monstruosa polícia interna de estado, espionando generalizadamente todo o mundo e o cometimento de chocantes violações da Constituição dos EUA. Isto, por sua vez, tem levado a "conspirações de terror" grosseiramente cozinhadas a fim de encobrir os repetidos fracassos de política externa, assim como difamar e perseguir corajosos denunciantes e ameaçar outros patriotas americanos decentes.
A recente declaração de mais uma "conspiração de terror", a qual serviu para justificar as atividades ilegais das agências de espionagem dos EUA e "unificar o Congresso", provocou uma histeria que perdurou menos de uma semana. A seguir, começam a pingar informações mesmo nos obedientes mass media dos EUA, desacreditando as bases da alegada conspiração global de terror. Segundo uma reportagem, a muito propagandeada "conspiração Al Qaeda" verificou-se ser um esforço falhado para explodir um terminal petrolífero e um oleoduto no Iémen. Segundo observadores regionais: "Quase toda semana são atacados oleodutos no Iémen" [6] . E assim um ataque jihadista sem êxito contra um oleoduto numa parte marginal do mais pobre estado árabe transmutou-se no anúncio ofegante do presidente Obama da dita ameaça terrorista global!
Uma pilhéria ultrajante foi encenada pelo presidente, sua administração e seus seguidores no Congresso. Mas durante esta grande "pilhéria" orquestrada, Obama desencadeou uma dúzia de ataques de drones assassinos contra alvos humanos da sua própria escolha, matando dúzias de cidadãos iemenitas, incluindo muitos transeuntes inocentes.
O que é ainda menos jocoso é que Obama, o Mestre do Engano, simplesmente avança nesse rumo. Suas "reformas" propostas dizem-se destinadas a restringir atividades da NSA; mas ele insiste em continuar a "coleta em massa" (centenas de milhões) de comunicações telefônicas de cidadãos dos EUA (FT 8/12/13 p2). Ele mantem intacto o aparelho de espionagem da polícia estatal, mantem seus decisores políticos pró Israel em posições estratégicas, reafirma sua política de confrontação com o Irã e escala tensões com a Rússia, China e Venezuela. Obama abraça uma nova onda de ditaduras militares, a começar, mas não a terminar, pela do Egito.
Face ao apoio interno e externo decrescente e ao declínio da credibilidade das suas grosseiras ameaças de "terror", pode-se perguntar se o sempre ativo aparelho clandestino realmente encenaria na vida real o seu próprio sangrento ato de terror, um bombardeamento "false flag" apoiado por um estado secreto, para convencer um público cada vez mais desencantado e cético. Isto seria um ato desesperado para o Estado, mas estes são tempos desesperados que confrontam uma administração fracassada, a perseguir guerras perdidas nas quais os Mestres da Derrota só podem confiar nos Mestres do Engano.
O regime Obama está infestado com a "política tóxica do terrorismo" e este vício tem-no conduzido a perseguir, torturar e aprisionar aqueles que buscam a verdade, denunciantes [de crimes] e verdadeiros patriotas que se esforçam (e continuarão a se esforçar) por acordar o gigante adormecido, na esperança de que o povo da América se levante outra vez.

[*] Foi feita por mim uma revisão completa do texto, porque o português original desta matéria seguia regras ortográficas de Portugal, que até hoje ainda não adotou a nova ortografia unificada da língua portuguesa.


[1] BBC News 8/16/13; Al Jazeera 9/16/13
 
[2] La Jornada (Mexico City) 8/16/13, p. 22; Financial Times 8/10-11/13"T he exact threat to US missions has yet to be made public.."

[3] Financial Times 8/8/13, p. 2 e Financial Times 8/10-11 2013 p 2; McClatchy Washington Bureau 8/5/13

[4] Information Clearing House Web Page

[5] Financial Times, 8/8/13, p. 2.

[6] Financial Times, 8/8/13, p. 2.

10 comentários:

Misael disse...

Se eles, em todos os seus documentos de política exterior, começaram a considerar que deviam levar em conta a Doutrina Monroe ("América para os americanos") equivale assinalar que ela continua sendo a base de muitas coisas que eles fazem, com algo muito mais grave: agora o lema é "o mundo para os americanos". Tudo isso, mais a reconfiguração que aconteceu após as Torres Gêmeas, que é um fato que ainda não sabemos quem é o responsável; pois, poderão dizer o que queiram, mas provas não existem de nenhuma espécie; é como se você me dissesse que alguém possa me dar uma prova de que a pessoa que mataram no Paquistão era Bin Laden. Não há provas; não existem e o que Estados Unidos digam, para mim não tem nenhuma veracidade, porque mentem eternamente. Após a configuração dessa doutrina de segurança hemisférica, começa também a nova doutrina de guerra preventiva, de guerra sem fronteiras e sem limites.

Joelma disse...

Pesquisando acerca do tema desta postagem, encontrei esta importante relação das invasões e agressões armadas cometidas pelos EUA nos séculos XIX, XX e XXI, a qual copiei e colo aqui por considerar um documento deveras importante (aliás, terá que ser por etapas, porque eles limitam em 4.096 caracteres)

Leia:

1846/1848 - México - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas;
1890 - Argentina - Tropas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos;
1891 - Chile - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas;
1891 - Haiti - Tropas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA;
1893 - Hawai - Marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o Hawaí aos EUA;
1894 - Nicarágua - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês;
1894/1895 - China - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa;
1894/1896 - Coréia - Tropas permanecem em Seul durante a guerra;
1895 - Panamá - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana;s).

Joelma disse...

(parte 2)

1898/1900 - China - Tropas ocupam a China durante a Rebelião Boxer;
1898/1910 - Filipinas - Luta pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, 27/09/1901, e Bud Bagsak, Sulu, 11/15/1913; 600.000 filipinos mortos;
1898/1902 - Cuba - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana;
1898 - Porto Rico - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos;
1898 - Ilha de Guam - Marinha desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje;
1898 - Espanha - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial;
1898 - Nicarágua - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur;
1899 - Ilha de Samoa - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa;
1899 - Nicarágua - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez);
1901/1914 - Panamá - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção;
1903 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho;
1903/1904 - República Dominicana - Tropas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução;
1904/1905 - Coréia - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa;
1906/1909 - Cuba -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições;
1907 - Nicarágua - Tropas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua;
1907 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua;
1908 - Panamá - Fuzileiros invadem o Panamá durante período de eleições;
1910 - Nicarágua - Fuzileiros navais desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua;
1911 - Honduras - Tropas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil invadem Honduras;
1911/1941 - China - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas;
1912 - Cuba - Tropas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana;
1912 - Panamá - Fuzileiros navais invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais;
1912 - Honduras - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano;
1912/1933 - Nicarágua - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos;
1913 - México - Fuzileiros da Marinha invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução;
1913 - México - Durante a revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas;
1914/1918 - Primeira Guerra Mundial - EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens;

Joelma disse...

(parte 3)

1914 - República Dominicana - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução em Santo Domingo;
1914/1918 - México - Marinha e exército invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas;
1915/1934 - Haiti - Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos;
1916/1924 - República Dominicana - Os EUA invadem e estabelecem governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos;
1917/1933 - Cuba - Tropas desembarcam em Cuba e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos;
1918/1922 - Rússia - Marinha e tropas enviadas para combater a revolução bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles;
1919 - Honduras - Fuzileiros desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço;
1918 - Iugoslávia - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia;
1920 - Guatemala - Tropas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala;
1922 - Turquia - Tropas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna;
1922/1927 - China - Marinha e Exército mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista;
1924/1925 - Honduras - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional;
1925 - Panamá - Tropas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos;
1927/1934 - China - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos ocupando o território;
1932 - El Salvador - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN -
comandadas por Marti;
1939/1945 - II Guerra Mundial - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki;
1946 - Irã - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã;
1946 - Iugoslávia - Presença da marinha ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos;
1947/1949 - Grécia - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego;
1947 - Venezuela - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder;
1948/1949 - China - Fuzileiros invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista;
1950 - Porto Rico - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce;

Joelma disse...

(parte 4)

1951/1953 - Coréia - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul;
1954 - Guatemala - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a reforma agrária;
1956 - Egito - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal;
1958 - Líbano - Forças da Marinha invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil;
1958 - Panamá - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos;
1961/1975 - Vietnã. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas;
1962 - Laos - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao;
1964 - Panamá - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira de seu país;
1965/1966 - República Dominicana - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas desembarcaram na capital do país, São Domingo, para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924;
1966/1967 - Guatemala - Boinas Verdes e marines invadem o país para combater movimento revolucionário contrário aos interesses econômicos do capital americano;
1969/1975 - Camboja - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja;
1971/1975 - Laos - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana;
1975 - Camboja - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez;

Joelma disse...

(parte 5)

1980 - Irã - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então;
1982/1984 - Líbano - Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos no país logo após a invasão por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas;
1983/1984 - Ilha de Granada - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha;
1983/1989 - Honduras - Tropas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira invadem o Honduras;
1986 - Bolívia - Exército invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína;
1989 - Ilhas Virgens - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano;
1989 - Panamá - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.
1990 - Libéria - Tropas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil;
1990/1991 - Iraque - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo;
1990/1991 - Arábia Saudita - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque;
1992/1994 - Somália - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país;

Joelma disse...

(parte 6)

1993 - Iraque - No início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait;
1994/1999 - Haiti - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos;
1996/1997 - Zaire (ex-República do Congo) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus;
1997 - Libéria - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes;
1997 - Albânia - Tropas invadem a Albânia para evacuar estrangeiros;
2000 - Colômbia - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde");
2001 - Afeganistão - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje;
2003 - Iraque - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.

* Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia" (deles).

Joelma disse...

Essa foi complicada.... Mas no final deu para colar tudo em etapas. Desculpa o mal jeito, mas a intenção foi boa.......

Jonga Olivieri disse...

Tudo bem, Joelma... Valeram as detalhadas e ricas informações sobre o imperialismo ianque...
Uma verdadeira postagem... rsss

Mário disse...

Fartas informações da postagem e dos comentários de Misael e Joelma.... Desta nem se fala...
Faço minhas as palavras deles... e nada a acrescentar!