domingo, 16 de maio de 2010

Pensata de domingo... E de modismos

Estive a pensar em “modismos”... E, sempre que penso neste assunto eu me lembro do Veríssimo. Ele tem uma crônica publicada há muitos anos (bem antes de trabalhar no famigerado O Globo), creio que ainda no JB, que foca este negócio de seguir ou não seguir modismos.
A nossa geração pegou uma fase de mudanças muito fortes na moda que ficara praticamente estacionada entre os anos 1930/50. Era aquele paletó com gravata, lenço no bolso, chapéu na cabeça e corte Príncipe Danilo... No máximo um bigodinho fino, à Clark Gable. Mas quando surgiu o Rock’n Roll a coisa começou a ficar meio que diferente.
É aí que entra o tal pensamento do Luis Fernando que me chamou deveras a atenção. No tal artigo ele se referia a amigos que lá pelos 60 começaram a seguir um modismo muito doido que incluía, para alem das costeletas longuíssimas e bigodões esdrúxulos, o uso de camisas estampadas, calças boca-de-sino ou do tipo Saint-Tropéz, estas caidinhas, quase na bunda, algo à primeira vista com um jeito meio que “suspeito” mesmo.
O Veríssimo sustenta no artigo que resistiu bravamente à moda e ao modismo. Não adotou costeletões, nem bigodes. E tinha que encomendar as suas calças num alfaiate de Porto Alegre, pois não as encontrava mais nas lojas.
Mas o prêmio veio décadas depois, quando ele e os amigos iam rever fotos, e estavam todos os outros ridículos e ele, tal e qual sempre o foi... Palmas para o Veríssimo... Até porque eu tenho umas fotos com calças bocas-de-sino, que, aqui entre nós são tétricas. Ainda bem que nunca usei as tais das “Saint-Tropéz”...

10 comentários:

André Setaro disse...

Modéstia à parte, detesto os modismos e minhas roupas sempre foram as mesmas desde que deixei de usar calças curtas. No auge dos anos 60, época do hipismo, muitos amigos e colegas começaram a usar baitas indianas e sandálias, e, nas suas casas e apartamentos, houve a supressão de cadeiras para dar lugar às almofadas. Alguns gostavam de se sentar no chão. Neste particular, era um exemplo da 'caretice', com meus sapatos de couro, meias etc. É verdade que usei as horríveis calças 'boca-de-sino', porque as lojas não vendiam outros tipos - caso contrário teria que fazer as 'sem sino' em alfaiate.

Fui a festas onde dominava a maconha, com as pessoas 'curtindo'. Mas, embora pudesse participar delas, nunca me habituei ao fumacê. Sou da geração da maconha, mas o que gosto mesmo é do álcool. Não 'curto' as 'viagens' com maconha e detesto o humor daqueles que fumam, além de provocar uma estado contemplativo meio debilóide. O álcool é o contrário: dá à pessoa uma sensação de alegria e comunicabilidade, há um humor descontraído e não-contemplativo. Nada contra a contemplação, bem entendido. Entendeu, 'bicho'?

Vendo algumas fotos antigas, acho ridículos meus amigos e colegas 'fantasiados' de hippie com aqueles cabelos destrambelados.
Gosto de uma cadeira para me sentar. Se sofá, ainda melhor.

Jonga Olivieri disse...

Professor Setaro... Bom, muito bom acordar com a leitura de um texto que faça sentido e seja inteligente. Parece que o dia "entra no nível".
Mas eu tambem. Até revelo (no final do texto) ter usado "bocas de sino", mas confesso que tambem –como você-- por total falta de opção. É o tal caso, naquele tampo para se vestir de forma adequada, só mesmo fazendo como o Veríssimo... Passando no alfaiate.
Mas foi uma época de doideiras. Experimentei a Canabis, e, juro que tambem detestei. Por uma sorte dos diabos a coisa me deu “grilos” e eu larguei.
Concordo em gênero, número e grau que não há como uma cervejinha, um chope... Ou, o que curto muito hoje, um vinho... Mas qualquer vinho. Esse negócio de só gosto de vinha “assim ou assado” é boiolice total. Detesto os especialistas em vinho de hoje.
Já bebi muito uísque e vodka, mas por questões de saúde optei por deixar os destilados.
Mas alem de tudo, e pelo mens, álcool -- por enquanto--, a gente compra no boteco da esquina. Odiaria cair nas mãos do tráfico, da marginalia, sustentar essa “máfia” que anda por aí, melhor apenas do que os menganhas (tiras, ou sei lá o quê), que costumo chmar de marginais “legais”...
Mas voltando ao assunto roupas... A melhor coisa que fiz foi usar a tal da boca de sino. Poque mesmo as jeans (que é o tipo de calça que uso há cerca de trinta anos) a gente não encontrava as normais

Jonga Olivieri disse...

Corrigindo: "...a PIOR coisa que fiz foi usar a tal da boca de sino..."

André Setaro disse...

Sim, nas últimas décadas comecei a me habituar com jeans e sapatos de tênis. Experimentei a maconha naquela época e, sempre e sempre, entrava numa espécie de pânico, taquicardia (e não era problema ainda de coração). Ficava, durante o seu efeito, 'penando' e torcendo para que este acabasse logo. Uma vez, num aniversário de Zé Umberto, fumei e me levantei correndo e pulei a varanda e saí andando rápido. De modo que há muitas décadas que não mais experimentei. Mas, engraçado, se com a maconha me sentia mal, com o álcool NUNCA ME SENTI MAL, SEMPRE ME SENTI BEM COM OS SEUS GLORIOSOS EFLÚVIOS. Há a tal da ressaca, mas é 'a posteriori'. Mas outros amigos que fumavam a Canabis entravam em completa paz de espírito e 'curtição adoidada'.

Perguntei uma vez a um médico e ele me disse que certas pessoas não se dão bem com a maconha. Assim como existem também pessoas que não gostam dos efeitos do álcool. É tudo uma questão de natureza. Há remédios, por exemplo, eficazes em determinadas pessoas e que podem, em outras, provocar terrível mal estar.

Aleks disse...

Parabéns pelo blog, ele foi contemplado com Prêmio Dardos pelo blog Telenovelas Latinas. Acesse o link e saiba do que se trata.

http://telenoveleiros.blogspot.com/2010/05/premio-dardos-um-reconhecimento_15.html

Jonga Olivieri disse...

Ainda bem que tambem tive reações adversas à maconha. Ficava achando que ia ter algo, da maema forma, por sentir o sangue correndo nas veias de uma forma anormal, achava que ia ter um derrame ou um enfarte.
Daí abandonei o 'trem'.
Mas, falar em trem, "trem" danado de bão mesmo é sentar num bar e pedir 'una birra', sorvê-la gole a gole, geladinha... descendo suave pela garganta.

Jonga Olivieri disse...

'Apó ton Día, que em grego quer dizer: "por Zeus!".
Fico-lhe grato pelo prêmio, Aleks. Vou olhar e conferir...

Jonga Olivieri disse...

Obrigado Aleks, este é o primeiro prêmio que esta blogue recebe e você me dsixa muito liongeado pelo fato.

André Setaro disse...

Parabéns pelo prêmio recebido. Este blog tem tudo para merecê-lo.

Jonga Olivieri disse...

Obrigadaço, André. Fiquei feliz... Afinal, pubicitário é fissurado em prêmios...