O Professor Jorge Moreira
nos trás uma análise do filme “Snowden – Herói ou Traidor” que estreou aqui no
Brasil na última 5ª feira, 10/11/2016.
“Snowden – Herói ou Traidor” é um filme
biográfico de suspense político dirigido por Oliver Stone. O roteiro foi
escrito por Stone e Kieran Fitzgerald e esteve baseado em dois conhecidos
livros: “Time of the Octopus” (A Hora
do polvo), do advogado e autor russo Anatoly Kucherena e “The Snowden Files: The Inside Story of the World's Most Wanted Man”
(Os arquivos de Snowden: Por dentro da história do homem mais procurado do
mundo) do jornalista Luke Harding. Também ficará claro, para aqueles que
assistiram ao premiado documentário de Laura Poitras, “Citizenfour“, em que o filme de Stone se apoia profundamente neste
documentário sobre Edward Snowden.
O filme de
Oliver Stone, paralelamente, trata de representar a história do famoso
funcionário da Agência Nacional de
Segurança dos EUA (The National
Security Agency, NSA) que teve a coragem e a força moral/politica, para
vazar as informações secretas (sob a forma de milhares de documentos
classificados distribuídos para a imprensa e a opinião pública mundial) do
gigantesco sistema de espionagem ilegal contra os cidadãos de dentro e fora dos
EUA.
A película se
concentra então no desenvolvimento profissional de Snowden (interpretado por
Joseph Gordon-Levitt): um indivíduo que, no início da sua carreira, se
encontrava profundamente convencido do discurso oficial do governo sobre a
necessidade e a integridade da espionagem estadunidense, mas que vai se
transformando, no decorrer do processo, num brilhante profissional, profundamente desiludido com a falsidade, a
ilegalidade e a corrupção do trabalho de espionagem dentro da organização de
inteligência e do governo dos EUA. Sua decepção com o sistema e a sua coragem,
o levaram a abandonar o trabalho da Segurança Nacional dos EUA, na companhia Booz Allen Hamilton, quando toma
consciência de que a montanha de técnicas e programas de espionagem eletrônica
ilegais e antidemocráticas estão sendo montadas pela NSA para espionar todas as
formas de comunicação digital no planeta Terra (não somente de grupos
terroristas, mas de grupos de indivíduos de dentro e fora dos EUA). É através das denúncias de Snowden, mostradas
no filme, que ficamos sabendo que o objetivo central do serviço de inteligência
dos EUA é, acima de tudo, espionar os governantes e as autoridades dos países
estrangeiros, com a finalidade do controle geopolitico e/ou dominar do
ponto de vista econômico suas riquezas naturais (petróleo, gás, minério) e suas
populações.
O filme também
mostra que quando Snowden começa a vazar a informação classificada (revelando o
caráter antidemocrático, autoritário e totalitário da administração dos
presidentes George W. Bush, Barack Obama e das autoridades do governo) a mídia
corporativa dos Estados Unidos executa uma campanha com propaganda massiva para denegrir a imagem de Edward Snowden, o demonizando como traidor, bandido e fora da lei.
Apesar da
massiva campanha para denegrir Snowden e prendê-lo como fora da lei, este, com
a ajuda do pessoal do Wikileaks, (e
dos jornalistas Laura Poitras e Glenn Greenwald que lhe entrevistavam),
conseguiu esconder-se nos bairros baixos da cidade de Hong-Kong, para logo
escapar de avião para a Rússia.
O espectador
poderá perceber que o roteiro está estruturado a partir de duas dimensões
temporais. Ele tem seu início no presente (junho de 2013) quando a
documentarista Laura Poitras (interpretada por Melissa Leo) reúne-se com o
colunista Glenn Greenwald (interpretado por Zachary Quinto) e o jornalista Ewen
MacAskill (interpretado por Tom Wilkinson) do jornal The Guardian em um hotel em Hong-Kong, na China. Ali, no lobby deste hotel, os jornalistas são
atendidos por Edward Snowden (Joseph Gordon-Levitt); que logo leva os
jornalistas ao seu quarto para começar a documentar todas as informações que
lhe levaram e as compartilhar com os três jornalistas, os ajudando a informar
à população em todo o mundo.
O filme também
mostra, através de constantes flashbacks,
a história passada de Edward Snowden, ocorrida em várias épocas de sua formação
profissional na área da espionagem. Em 2004, Snowden alistou-se nas Forças
Especiais (nos EUA); em 2006, Snowden começou a treinar para uma posição na Agência Central de Inteligência; em
2007, Snowden, vai para a Europa com a finalidade de manter a segurança da rede
de informática em Genebra, Suíça; em 2009, Snowden se encontrava em Tóquio,
Japão, trabalhando na Dell como um
supervisor que fazia atualizações do sistema de computadores da NSA. Em 2012,
Snowden trabalhava para Booz Allen Hamilton no Havaí, onde (através dos seus
vínculos com a NSA), começa a observar o trabalho que ele achava perturbador,
no qual, finalmente compreendeu que o governo dos EUA estava espionando
ativamente todas as pessoas através de uma série de programas, incluindo PRISM¹.
Os flashbacks também nos mostram alguns
momentos de Snowden fora do trabalho de espionagem, quando ele bate papos online com a sua futura namorada Lindsay
Mills (Shailene Woodley); quando ele e Lindsay se encontravam para caminhar ao
redor de parques nos EUA, na Europa, no Japão ou no Havaí.
O filme revela
o significado das operações dos gigantescos programas de espionagem do governo
dos EUA, tais como o PRISM que é um dos programas do sistema de vigilância
global da NSA. Assim, no filme de Stone, ficamos sabendo que este e outros
programas foram mantidos em segredo desde 2007, até que finalmente Snowden fez
a sua revelação para a imprensa, em junho de 2013. Assim, a sua existência só
veio a público por meio das publicações feitas pelo jornal britânico The Guardian, com base nos documentos
fornecidos por ele.
O que me
parece mais importante, nesta resenha que escrevo, é chamar a atenção dos
brasileiros para a necessidade de assistir ao filme de Oliver Stone porque é
necessário entender como as denúncias de Snowden representadas neste filme,
permitem esclarecer e explicar o porquê e como o Brasil se transformou na vítima
favorita de espionagem da NSA. E permite esclarecer o porquê e como a NSA
grampeou o sistema de comunicação da presidente Dilma Rousseff, da Petrobras [a
maior companhia do país, responsável por quase 20% do produto interno bruto
(PIB) do Brasil, e uma das maiores empresas de petróleo e de energia do mundo]
e de outras poderosas organizações brasileiras com a finalidade de ajudar as
companhias de energia dos EUA (The Big
Oil) a tomar o controle da Petrobras e do Pré-Sal. Assim, o plano dos EUA não somente para desestabilizar
Dilma Rousseff, como para criar as condições favoráveis ao golpe de estado de
Michel Temer (PMDB) e José Serra (PSDB) contou com a espionagem da NSA que
começou a existir antes de 2014. Assim a espionagem da Petrobras como a do
governo brasileiro foram denunciadas não somente por Edward Snowden como pelo WikiLeaks de Julian Assange. Como
sabemos, até o celular da ex-presidente Dilma Rousseff foi espionado pelos EUA.
E esta espionagem foi denunciada corajosamente pela ex-presidente Rousseff na Assembléia da Organização das Nações Unidas
(ONU) para toda a opinião pública mundial.
Assistindo ao
filme, aquela pergunta que muitos brasileiros fizeram, “porque vasculhar a
Petrobras?”, recebe uma reposta quase transparente e contundente: porque a
Petrobras descobriu, a até agora, maior reserva de petróleo do século XXI, pois
como já sabemos, o Pré-Sal foi descoberto na costa atlântica do sudeste do
Brasil, e o ex-presidente Lula organizou toda a exploração dessas fabulosas
reservas de petróleo para ser administrada pelo monopólio da Petrobras. Assim,
a descoberta, a exploração e o lucro do Pré-Sal seriam exclusivas da Petrobras
e dos brasileiros. Mas isso era inaceitável para as companhias multinacionais
de petróleo (The Big Oil) dos EUA. E assim, por iniciativa e cumplicidade da
administração do presidente Barack Obama, do vice presidente Joe Biden e de
Hillary Clinton, o SNA começou a espionagem dentro da Petrobras. Com as
informações obtidas através desta espionagem, foi relativamente fácil transformá-las
na operação “Lava Jato”. A administração dos EUA, precisava contar com a ajuda
de parte do sistema judiciário brasileiro, daquele que pudesse se moldar aos
interesses dos EUA. E não foi difícil
para o governo estadunidense encontrar um juiz no Paraná, que já havia
trabalhado no Departamento de Estado dos
EUA. E de um dia para outro entregaram nas mãos do Juiz Sergio Moro uma
quantidade gigantesca de informações sobre o que se passava secretamente entre
as camadas mais altas da Petrobras e as organizações políticas e empresariais
do Brasil.
Por último,
gostaria de mencionar que o filme também nos dá pistas para entender e explicar
porque atualmente um grupo de brilhantes funcionários ligados aos serviços de
inteligência dos EUA (tais como Steve Pieczenik e o matemático William Binney)
, por um lado, vazaram para Julian Assange, as informações contidas nos e-mails particulares e secretos da
candidata Hillary Clinton: e-mails
que evidenciavam a gigantesca corrupção de Hillary Clinton e da Fundação Clinton dentro do governo
democrata de Barack Obama quando era Secretária de Estado desta administração.
E por outro lado, este grupo de funcionários, obrigaram o chefe do FBI, James
Comey, a abrir um expediente para investigar as irregularidades e as supostas
atividades criminais da candidata Hillary Clinton no uso das informações classificadas
do governo estadunidense. Tudo isso com a cumplicidade de Barack Obama, da
Procuradora Geral da República, Loretta Lynch e do diretor do FBI, James Comey.
Assim, vendo o
filme, o público em geral também poderá, indiretamente,
entender porque as denúncias de desonestidade, de corrupção e das atividades
criminais de Hillary Clinton, do governo Obama e do Partido Democrata foram um
dos componentes cruciais da derrota de
Hillary Clinton nestas eleições presidenciais nos EUA.
1. PRISM é o nome dado a um
programa de vigilância eletrônica clandestino operado pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) para a
recolha massiva de comunicações de pelo menos nove grandes empresas
norteamericanas de internet: Facebook, Google, Microsoft, Yahoo, Youtube, AOL,
Skype, Paltalk e Apple.
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3 comentários:
Grande crítica do Prof. Moreira ao filme do excelente diretor Oliver Stone, que nos proporcionou entre outros "O Expresso da Meia Noite", "Alexandre", "JFK" e "Nascido em 4 de julho".
Por acaso vamos assistir hoje este iilme, e, sem dúvida, a partir de amanhã eu comento.
Antes de qualquer papo, quero te assuntar somente dos cositas, Jonga Olivieri querido: a primeira é que já assisti "Snowden - Herói ou Traidor" neste domingo, porque por sorte meu marido (Anselmo Shimidt) adquiriu as entradas pelo "ingresso.com", pois havia bastante gente para ver o filme.
A segunda, eu quero que tu diga ao Professor Jorge Vital de Brito Moreira que este seu artigo está impecável e que agradeço o fato de nosotros irmos assistir o filme somente após a leitura deste!
Pero, segundo o Professor: "... o filme revela o significado das operações dos gigantescos programas de espionagem do governo dos EUA, tais como o PRISM que é um dos programas do sistema de vigilância global da NSA. Assim, no filme de Stone, ficamos sabendo que este e outros programas foram mantidos em segredo desde 2007, até que finalmente Snowden fez a sua revelação para a imprensa, em junho de 2013..."
Fica muito claro que de fato, existirem tais 'softwares' somente chegou ao conhecimento do público por meio das publicações feitas pelo jornal britânico "The Guardian", informados pelos documentos divulgados por Edward Snowden.
E finaliza o Professor: "... o que me parece mais importante, nesta resenha que escrevo, é chamar a atenção dos brasileiros para a necessidade de assistir ao filme de Oliver Stone porque é necessário entender como as denúncias de Snowden representadas neste filme, permitem esclarecer e explicar o porquê e como o Brasil se transformou na vítima favorita de espionagem da NSA..."
Pois é, aí estão as provas de que o golpe "pseudo-constitucional" de direita que depôs a presidenta Dilma Roussef teve a intervenção direta do governo (pseudo-esquerdista) de Obama.
Gostamos (Juliano e eu) demais do filme, e nada tenho a acrescentar à excelente análise do Professor Jorge Moreira... Que só somou às nossas apreciações do brilhante filme de Oliver Stone.
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