terça-feira, 16 de setembro de 2008

E a crise se agrava

O centenário banco de investimentos Lehman Brothers (o quarto maior dos Estados Unidos) anunciou a sua concordata, um dia depois de falharem as negociações para sua compra. A instituição informou que apresentará a documentação necessária para se declarar em quebra, situação que ficou evidente após o banco britânico Barclays desistir das negociações ainda anteontem. Anteriormente o Bank of América (que apesar do nome é uma empresa privada) também esteve interessado na compra, porém desistiu ao adquirir outro grande banco em crise, o Merryl Linch. Como consequência imediata, as bolsas de valores despencaram no mundo inteiro. Aqui, o Ibovespa registrou a maior queda desde setembro de 2001, tendo caído 7,59%. Aliás, o mais expressivo tombo entre as bolsas.
O Barclays considerou que seria impossível adquirir o Lehman sem uma ajuda dos poderes públicos, numa situação semelhante à que foi decidida em março para o JP Morgan Chase, na compra do Bear Stearns, outro banco também em dificuldades nos EUA por conta da crise de crédito que atinge a economia daquele país. O Lehman Brothers mantém negócios com os principais bancos do mundo e sua liquidação deverá causar prejuízos a todas essas instituições.
O banco perdeu entre o início de março e o final de agosto deste ano um total de US$ 6,7 bilhões, tendo visto suas ações despencarem a míseros centavos de dólar. O Lehman é o terceiro banco de investimento que quebra ou é comprado nos últimos seis meses nos EUA. E outros quatro grandes estão na fila. Fora os mais de 10 de menor porte, que simplesmente o governo estadunidense deixou que quebrassem por oferecer menos riscos de um agravamento da crise em nível mundial. Além disso a AIG Seguradora, com ramificações em todo o mundo (inclusive o Brasil), está na bancarrota, também a um passo da falência solicitando empréstimos ao governo. É um sintoma da economia de mercado (fruto do neoliberalismo) dando seus sinais de fraqueza, e pedindo arrêgo e ajuda ao Estado.
Quem comentou a crise financeira foi o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan. Segundo ele, essa é a pior crise dos últimos 50 anos, e ainda está longe de terminar. Greenspan estimou que o governo federal “não pode estender uma rede de segurança debaixo de todas as instituições financeiras que quebrarem”, destacando que os atuais esforços das autoridades para salvar o Lehman Brothers devem se limitar na busca por uma solução sem recorrer ao Tesouro.
Convém lembrar que a crise no mercado hipotecário dos EUA é uma decorrência da crise imobiliária pela qual passa o país, e deu origem a uma crise mais ampla em todo o mercado de crédito. A quebra do Lehman Brothers também provoca uma nova onda de desemprego, afetando diretamente mais de 25.000 pessoas. Indiretamente, este total deve ser multiplicado em grande escala passando da centena de milhar. É, a crise se agrava. E a bolha está apenas começando a estourar.

8 comentários:

ieda disse...

A "bolha" está mesmo estourando.
Os bancos centrais de vários países estão injetando milhôes para tentar salvar as economias locais.
Vejas que não é uma coisa passageira. Tende a se agravar cada vez mais. A AIG que o diga.

Jonga Olivieri disse...

Com certeza.
As bolsas na Ásia estouraram hoje também.
A crise ainda não chegou ao seu ponto máximo.
E a quebra da AIG será monstruosa.

jr disse...

E a bolha vai estourar. Lá vem merda pra todo lado.

Jonga Olivieri disse...

Tal e qual comentamos no post "Desemprego e recessão nos Estados Unidos", vai feder pra todo lado.
É o capitalismo, caro amigo.
Infelizmente é a "barbarie" e suas consequencias inevitáveis.

maria disse...

A maré não está pra peixe.
Fico até temerosa com a vida da gente. O que pode acontecer?
A depressão de 1929 deixou marcas tenebrosas. E a próxima? Ela se aproxima.

Jonga Olivieri disse...

É preocupante quanto ao fato de estarmos no meio deste barco e não sabermos o que pode acontecer.
Mas, sem dúvida uma depressão séria como a de 1929 deixa sequelas.

André Setaro disse...

Não vejo nos jornais manchetes à altura desse 'debacle'. Será que para não causar pânico?

Jonga Olivieri disse...

Todas as crises mais graves do capital têm consequências nefastas.
Não sei exatamente o tamanho desta, mas, certamente não é das pequenas.
É que estão rendendo, e estendendo, estendendo o quanto podem com todas as artimanhas possíveis.