sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O capitalismo na berlinda

Enquanto a crise se agrava nas bolsas de valores de todo o mundo, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmava na tribuna da ONU que está ocorrendo “uma rebelião de povos contra um modelo econômico, o capitalismo”. Por outro lado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, declarou na mesma ocasião a um jornal estadunidense que a atual crise financeira se deve em grande parte às guerras travadas pelos Estados Unidos, e que o próximo ocupante da Casa Branca deveria abandonar as políticas belicosas de Bush.
Enquanto isso, o próprio Bush focou o seu discurso na ONU em ataques ao “terrorismo”, tentando esquecer a grande crise do capitalismo. O que provocou reações e protestos, inclusive o do sr. da Silva, que em seu discurso de abertura da Assembléia daquela organização, já não poupara algumas leves críticas ao sistema. Ou pelo menos ao seu modelo atual, quando disse: “os organismos supranacionais carecem de autoridade e instrumentos para coibir a anarquia especulativa”.
O foco da questão está na política neoliberal. A sua periferia, justamente nas atitudes assumidas pelos países periféricos, os chamados “em desenvolvimento”, já que o termo terceiro mundo parece estar meio jogado às traças. Mas o fato é que o capitalismo está na berlinda. As crises energética, alimentar e ambiental recaem, em última instância, sobre ele. E isso está a ficar cada dia mais claro e visível. O fracasso no entendimento entre países pobres e ricos na Rodada de Doha, evidenciou o aspecto desumano do sistema em sua busca desenfreada de lucros.
O problema é a falta de opções momentâneas. O capitalismo está em sua crise mais aguda desde os anos 1950 para cá. Nem mesmo a turbulenta década de 1980 chegou a este limite. A saída neoliberal se esboçou então, para que as nações subdesenvolvidas assumissem os erros cometidos pelas classes dominantes do primeiro mundo. O neoliberalismo começou a implantar-se a partir daí, e países como o Brasil pagaram a conta. Desta feita, o contribuinte estadunidense está sendo escalado para tal finalidade. E o neoliberalismo e sua desastrosa política de livre mercado está chegando ao fim.
O que virá depois, só o futuro dirá... Citando Marx e Engels no Manifesto Comunista, editado em 21 de fevereiro de 1848: “(...) Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta”.

10 comentários:

ieda disse...

Hoje deu. Ufa, passei um aperto ontem ao não conseguir mandar a mensagem para o teu blog.
Mas o mais impressinante de tudo é que o povo é que vai pagar o pato.
Outra coisa é que a revolução está se deslocando para uma luta de classes entre países, os proletários e os exploradores.
Já houve uma análise assim anos atrás. Mas é o que está sucedendo.

jr disse...

E que berlinda. O pior é que o Bush tentou levar com a barriga até o final por causa das eleições. Acho que ele pensou que tudo ia estourar depois. Ledo engano. Tá feia a coisa, e o pior é que esse negócio de dizer que nós vamos ficar de fora é pura ilusão. Voc^ não acha?

Anônimo disse...

Cadê todo mundo? Ou você tá fora de casa? E tu tinha que acabar com Marx. Êta velho comuna que não tem jeito.
Otávio

Jonga Olivieri disse...

É Ieda, imagina o susto que levei ontem? Bom, xá pra lá, já passou.
Claro que alguém paga o pato sempre que a burguesia faz suas cagadas. E as massas são a vítima preferida.
E nos anos sessenta, com aquela coisa de “Não Alinhados” e a descoberta do Troisième Monde, entrou em voga essa coisa da luta entre povos desenvolvidos e subdesenvolvidos, entre norte e sul, etc. É a velha luta anti-colonial.

Jonga Olivieri disse...

A questão das eleições pesou. Tanto que McCain até tentou dessitir do debate. Deu uma desculpa esfarrapada, mas parece que deu pra trás.
Os países “em desenvolvimento” ainda vão pagar pelos erros quew não são deles.
Pode esperar que vão.

Jonga Olivieri disse...

Eu tive um dia meio de cão em matéria de tempo hoje. Vim em casa, mas nem abri os blogues porque sabia que ia ter que responder os comentários e não tinha tempo para tal.
Desculpem todos, mas já aconteceu outras vezes e podem acontecer mais.
Mas o que importa é poder responder com calma.
Quando estou trabalhando em casa é diferente. É até uma higiene mental.
Mas quando se vai praqui, vai pracolá, fica difícil.
E não confunda terminologias (e concordâncias), caro Tavinho. "Comuna" era como se chamavam os stalinistas, os membros da burocracia soviética.
Eu sempre fui trotsquista mesmo.
E continuo sendo...

maria disse...

Esses comentários enriquecem a gente.

Jonga Olivieri disse...

Essa turma é boa.
Tenho meia dúzia de leitores que comentam, mas são todos da pesada.
Inclusive você. Mary.

G._Olivieri~ disse...

Ancião Jonga,

se algum dia eu morar sozinho, vou ter um felino comum em casa.

Então, o nome dele será Trotskij, em sua homenagem!

(& também em homenagem ao velho teórico das revoluções do tempo dele, que morreu assassinado ... Por Stalin, o comuna.)

Jonga Olivieri disse...

Bela homenagem, jovem G. Olivieri.